sexta-feira, 16 de março de 2007


Quando a vida permite que assista à ascensão-e-queda de algumas relações de amizade, penso sempre que as verdadeiras relações humanas (sejam de que natureza forem) não são provas de celeridade; são duras provas de resistência e, não raro, provas de elevada perícia.

A cena do carro (Take 1)

(Jesse) – No, wait, you just said you need to love and be loved.
(Celine) – Yeah, but when I do, it quickly makes me nauseous. It’s a disaster. I mean, I’m really happy only when I’m on my own. Even being alone, it’s better than sitting next to a lover and feeling lonely. It’s not so easy for me to be a romantic. You start off that way, and after you’ve been screwed over a few times, you forget about your delusional ideas and you take what comes into your life. That’s not even true. I haven’t been screwed over, I’ve just had too many blah relationships. They were not mean, they cared for me, but there were no real connection or excitement. At least not from my side.

Before Sunset, de Richard Linklater (2004)

Desconhecidos

Há um certo fascínio que nos causam algumas pessoas que conhecemos mal – porque nelas e na imagem que delas temos, de contornos (ainda) imprecisos, cabem (ainda) todas as nossas ilusões e fantasias, todo o nosso optimismo humanista.
Durante o processo de conhecimento mútuo, tudo isso vai sendo inevitavelmente delapidado, moldado e, com sorte, reajustado.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

Há dias em que, para se levantar da cama, uma rapariga tem que ser muito Beckettiana.

terça-feira, 13 de março de 2007

Foi você que pediu...

...um Wentworth Miller?

[does Prision Break ring any bell?]

Foi você que pediu...

...um Mark Vanderloo?
(que parece que tem parentes no Louriçal e tudo)


Para a minha amiga B., e para F., que tomou uns copos com o cavalheiro na Figueira (por muito inverosímil que pareça esta história).

A melhor frase cinematográfica de sempre*



Penso nisso amanhã.


* agora também disponível em formato de bolso, para melhor conforto no uso diário.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Antropologia cultural: do Dandy ao Bambi

O homem-Dandy é uma espécie praticamente extinta. Estilo muito comum entre os jovens bem-nascidos do séc. XIX, cultos, estetas incuráveis, amantes da boa vida e de mulheres belas, gourmets e gourmands, impregnados de charme até dizer chega. Verdadeiros Joões da Ega queirosianos, dependentes do beneplácito e da bolsa generosa das vigilantes mamãs, de lá de longe, nas quintas do Douro.
O séc. XXI [português] brindou-nos, contudo, e cada vez mais, com o homem-Bambi. Desprovidos de qualquer galanteria e sobretudo de elegância, imaturos e infantilizados, estes homens estão, ainda e sempre, agarrados às mamãs, dependentes das mamãs, a viverem com as mamãs até muito depois dos trinta.

Paris, je t'aime

Este fim-de-semana voltei a Paris, pela mão de Gus Van Sant, Walter Salles, Wes Craven, de tantos outros. Um belo filme, em que, mais do que os dezoito “pequenos romances de bairro”, a verdadeira protagonista é ela, a ville lumiére: a Paris do nosso encanto.

Gostei particularmente das histórias do Walter Salles, do Gus Van Sant e da segunda história, no Quai de Seine, entre o rapaz e a muçulmana. Não gostei muito da protagonizada pelos lindos olhinhos do Elijah Wood, meio Drácula de Bram Stocker meio Sin City.

Pais e filhos

Numa loja de roupa, o progenitor-todo-queque para o rebento-todo-queque:
- Gonçalo, não lamba a cadeira que não vale a pena.

A varanda do frangipani



Podia ser Mia Couto, mas é simplesmente um sonho tropical.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Erro de simpatia (2)

Correcção: acabou a menina simpática; já não há, e temos pena. De há uns tempos para cá, só há a versão com ar enojado, glacial. Indiscriminadamente blasé.
Como alguém dizia, temos todo o direito de sermos cínicos depois de termos sido ingénuos.

Erro de simpatia

Quando, em cálculo matemático ou revisão ortográfica, passamos tantas vezes pelo erro – na tentativa persistente da sua detecção –, que não o identificamos como tal. Assim é na vida. Os erros estão, muitas vezes, bem na nossa frente, mas insistimos sempre em ser estupidamente simpáticos.

Prioridades

"Há quem prefira ter discussões conjugais constantes à ausência total de conjugalidade. Também há quem prefira sentar-se num tapete de pregos."

Tendências, 2007

quinta-feira, 8 de março de 2007

8 de Março de 1857

Sou profundamente contra o dia da mulher, que existe tal como existe o dia do insuficiente renal, da criança, do deficiente e do idoso. Ou seja, grupos ou minorias frágeis ou socialmente fragilizados para os quais é preciso chamar a atenção na defesa dos seus interesses. Como as mulheres não são nada disto, nem vale a pena dizer mais. A luta contra certas desigualdades que persistem faz-se todos os dias, na prática. Não num só dia, com execráveis florzinhas que insistem em oferecer-nos por aí.
Mas este dia não deixa de ser importante como facto histórico e social:
Neste dia, no ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Jogos com fronteiras

O tema não é novo. Estabelecemos novos tipos de fronteiras pessoais e expressamo-las através das novas tecnologias, evidenciando quem queremos que transponha ou não o limite fronteiriço, quem queremos dentro ou fora do nosso mapa afectivo. Hierarquizamos contactos no telemóvel, excluímos perfis no Gmail, deslinkamos um blogue, bloqueamos nomes no Messenger. Não sou excepção.

Pela mão de Alice

- Que tipo de pessoas é que aqui vivem?
- Nesta direcção – informou o Gato, apontando com a mão direita – vive um Chapeleiro. E naquela direcção – (apontando com a mão esquerda) – mora uma Lebre de Março. Podes visitar aquele que quiseres, são ambos loucos.
- Mas eu não quero andar entre gente louca – protestou Alice.
- Oh, não há nada a fazer – disse o Gato – Aqui somos todos loucos. Eu sou doido e tu também.
- Como é que sabes que eu sou doida? – perguntou Alice.
- Deves ser – respondeu o Gato, – senão não tinhas vindo cá parar.


Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Ed. Relógio d’Água.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Metafísica II

A maçada transcendental quando o verniz estala. Mas já não estamos a falar de manicure.

Metafísica I

Há qualquer coisa de metafísica imanente na jovem mulher que pinta as unhas das mãos – no tom vermelho-escuro-Mrs.-Mia-Pulp-Fiction.

"Tota mulier in utero"

(Mas é claro que Sócrates, além de grego, era parvo.)

Inteligência artificial

A inteligência em doses sensatas. A menos, exaspera; a mais, perturba, confunde, agita.

terça-feira, 6 de março de 2007

Da série: Ódios de estimação (2)

Pseudo-intelectuais e intelectuais de esquerda.
(sinónimos, por vezes)

Ganhar Khalo

Recuperá-la sim, porque agora que a exposição no CCB foi há quase um ano, já passou a overdose de posts sobre a sua obra por essa blogoesfera fora, já não está (assim tanto) na moda.

Tradução literal

Yours, sincerely, …
Assim terminavam, formalmente, as cartas inglesas de há dois séculos atrás. É uma pena que em português não seja usada a expressão de remate epistolar: gostava de um dia escrever “Sinceramente tua”.

Estado de sítio

Escrevo-lhe, interrogativa, sobre o fim do blog. Responde-me que escrever (“growing up in public”) é demasiado doloroso neste momento. E comoveu-me esta inesperada sinceridade sem pudor.
Quanto a mim, vai fazer-me (muita) falta o eco de identificação, neste momento.
Resta-me o livro.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Sliding doors

(James Hammerton) - Estamos sempre a recuperar de alguém.



Sliding doors (1998)

(III)



(II)



(I)


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Só para homens

A Luna tem toda a razão. Formas generosas como as da Beyoncé e da insuflável Scarlett Johansson de olhar bovino (mesmo!), é que se tornam objecto de um culto fanático (patético, arrisco) entre a rapaziada. A sensualidade quase agressiva que entra pelos olhos dentro. Tudo o que é corporal e que é excessivo. Tudo tem que ser grande, na medida em que é óbvio, evidente, manifesto. Ou seja, como as criancinhas que ficam fascinadas com o que é saliente, protuberante, tal como com tudo o que é cor garrida ou ruído estridente.
Escapa-lhes (ainda) o que é diáfano.

(Winona Ryder)
a graciosidade,


(Rania da Jordânia)
a elegância de um porte,

(Julie Delpy)
a luminosidade de um olhar,

(Grace Kelly)
a correcção de um rosto,

são informação de difícil processamento na estética grosseira de alguns.

Há coisas, portanto, que são como o slogan daquele perfume:
Só para homens. Os rapazes ainda vão ter de esperar.

O eterno Verão

Irrita-me um bocadinho esta cultura climática que se tem vindo a impor (muito subsidiária das marcas internacionais de “moda democratizada”, rainhas do franchising) em que, em pleno Inverno, quanto maior a quantidade de pele exposta, melhor, porque também maior (supostamente) a carga sensual do conjunto.
As mulheres (jovens) devem vestir a menor quantidade de roupa possível, sobretudo nos códigos de vestuário da sociabilidade nocturna, seja de que natureza for.
E mesmo de dia: em Janeiro, vejo passar adolescentes a caminho da escola secundária, com a barriga à mostra e a aguentarem, estoicamente, os 6 graus matutinos, envergando somente um blusão justo (que observa cuidadosamente as regras do justo-e-curto para permitir o vislumbre do decote – adeus golas altas!), desprezando, alegremente, o risco da pneumonia e o empecilho de um casaco comprido (que, claro, aqueceria muito mais, mas não deixa o rabo convenientemente exposto à apreciação de terceiros, o que seria, isso sim, uma chatice). Nas Queimas das Fitas é vê-las desfilar em top’s de alças (exactamente como num dia de Agosto, com a pequena diferença de serem ao ar livre, em noites frias e chuvosas de Maio).
Lema: gaja que quer estar vestida (despida) à altura do acontecimento, rapa frio nas estações frias do ano, ponto final.
Ora bem: nem o aquecimento global é assim tão dramático que tenha tornado Portugal num clima tropical de eterno Verão, nem, com a tal história do clima temperado, as casas e demais espaços interiores estão assim tão bem aquecidos, como todos sabemos.
É, portanto, um espectáculo desconcertante para o espectador atento ver o desequilíbrio dos pares, no que à indumentária diz respeito: as festas, os bares, os restaurantes, estão repletos de homens confortáveis, invejavelmente vestidos com blusões e/ou camisolas de manga comprida, não raro de malha, e mulheres a tiritar de frio com um único casaco de Inverno a cobrir um qualquer trapo (mínimo) de cetim ou algodão de manga à cava. Como se estivessem 28 graus centígrados, quando, na realidade, estão uns 7 graus à noite.
Claro que, quem não quer seguir a ditadura, tem bom remédio. Mas isso é fácil de dizer. Esta ditadura (porque é de ditadura da moda que se trata) tem-se acentuado nos últimos anos, e para a qual muito têm contribuído os mostradores das tais grandes lojas, que praticamente só oferecem blusas finíssimas, sem mangas e sem costas, em todas as colecções de Outono/Inverno – as peças de roupa que há uns dez anos atrás estariam apenas nas colecções primaveris. De tal modo, que se torna difícil conciliar o vestuário “bonito” com o “confortável e quente” quando se quer fugir aos padrões da roupa de dia, “de trabalho”. Até porque o frio e o ser-se friorento, são ideias que se associam cada vez mais à ideia de velho, bafiento, e o que está na moda é ser-se novo, cheio de saúde, logo, encalorado.
Não admira, portanto, que haja por aí muita garota a rir despropositadamente à noite: são os esgares de enregelamento. Não duvidem.

Um certo azedume

Confirmei que nunca se bebe nada de jeito nos baby showers e que a própria comida vem infantilizada. Pelo menos nestes encontros as pessoas têm a inibição que não se vê nos casamentos e não me chateiam com insinuações de que o próximo serei eu. Sim, acuso um certo azedume.

Daqui.

Tagarelar ancestral

Dizer o não-dito: tal é o projecto da escrita. A meia-distância entre dizer e não dizer há o cliché, que enuncia, apesar da usura, uma parte da realidade. O bebé entrega-me a uma forma de amizade com os lugares-comuns; torna-me curiosa a seu respeito, faz com que eu os levante como se fossem pedras para ver, por baixo deles, o correr das verdades.
Escuto o rumor do hospital, as puericultoras, as outras mães, a minha própria educação, as frases das revistas ilustradas, o ruído de fundo da psicologia: a minha fibra maternal. Aquilo a que chamam o instinto, feito de ditados e de provérbios, de testemunhos e de conselhos: um tagarelar ancestral.

Marie Darrieussecq, “Le Bébé

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Cartilha de Bruni


De top model dos anos 90 com mau génio a mulher no esplendor dos 39 com voz de quem saiu do sono há pouco, Carla Bruni diz de sua justiça:

Quando eu era manequim sentia falta de uma atmosfera mais criativa, ou seja, nessa altura era apenas um objecto, não participava no processo criativo. Essa parte ficava nas mãos dos fotógrafos e produtores – até os maquilhadores tinham mais influência do que eu.

Penso que não era suposto a vida humana durar tanto tempo como dura actualmente, devido aos avanços da medicina. Em tempos, quando se morria aos 30/35 anos, seria mais fácil manter uma relação longa, mas, se morremos aos 89, já é diferente. (…) Provavelmente não teremos apenas uma, mas sim duas ou três relações duradouras ao longo da vida.

“Those dancing days are gone”


A voz langorosa de Carla Bruni a adocicar o ar. As gotas de chuva a escorrer nos vidros das janelas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Num jantar do Sim, pré-referendo, a mensagem de uma amiga que acaba de conhecer RAP pessoalmente :
"De repente, toda a questão do referendo parece-me muito longínqua."

O cair das máscaras

porque o Carnaval acabou.
Há um conhecido blogger, controverso, provocador, acutilante. Por detrás dos posts e do template, resume-se ao sexo masculino, à Grande Lisboa, aos 34 anos, ao modesto 1, 72 m. Chubby (o mais surpreendente, e não pela negativa).
[Prerrogativas. Às vezes, sem querer, priva-se com a “alta-roda” da blogoesfera portuguesa. E há dissonâncias entre imagens e realidade.]

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Foi você que pediu

um Reynaldo Gianecchini?

Alexandre O'Neill

Foi autor, como se sabe, da célebre frase "Há mar e mar, há ir e voltar", na campanha do Instituto de Socorros a Náufragos, que passava na televisão nos Verões da minha infância, com a melancólica "Surfer Girl" dos Beach Boys, a tocar em fundo.

Igualmente conhecido, mas não tanto pela sua igual autoria, é o antigo slogan: "Bosh é bom" (não acrescentar rr indevidamente).

Kit de sobrevivência II

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:

O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.

Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,

But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.

William Shakespeare (1564 – 1616), Soneto 116

Kit de sobrevivência I


Quando, no meio de um bando de garotos, mal saídos da adolescência, não se encontra o amor; quando, no meio do barulho das festas, há um pedido surdo de socorro.
Quando a vida submerge e se tenta, desesperadamente, vir à tona.

Sintonia

A estar triste, prefiro no Inverno. Assim como assim, há o recolhimento, os dias negros e a metafórica promessa primaveril. Não há nada pior que a bofetada do calor, e de toda a antítese do Verão, para uma melancolia que se quer curtir bem.

O Livro do Meio

Anteontem, no telejornal da Sic Notícias, apresentado por Mário Crespo (não sei se é impressão minha, mas a lembrar o Carlos Pinto Coelho quando... Acontecia): Maria Velho da Costa (uma das três Marias, de 1972), co-autora do livro que já está ali na estante, prontinho para ser “devassado”.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Em certas noites, há que ficar assim:

énnuie, mas à boa maneira das Bennett. É a tal questão do camarote.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Nos últimos dias

Em jantares, no café, nos bares, em aniversários, o mundo dividiu-se entre quem é do Sim e quem é do Não.

Nome

O seu maior pesadelo, naquele fim de semana, era o seu nome não constar:
a) na lista de reserva de umas calças lindas de tão justas, na loja em saldos;
b) dos cadernos eleitorais.

Referendo (3)

E agora, depois de uma luta que já dura desde 1998 (pelo menos para mim - altura em que, assumo, não fui votar porque não podia, e, novata na faculdade, ao tempo, não imaginava que uma questão tão clara e evidente para mim, fosse tão fracturante para a sociedade do país que eu então julgava conhecer), já estou um bocado cansada de falar e ouvir falar de abortos:

Referendo (2)

Este é um tímido princípio (tardio) para um longo processo. O maior desafio, a partir de agora, será passar da law in the books para a law in action, o que, sabemos, é sempre o mais difícil. Ou seja, coadunar as práticas dos profissionais e instituições envolvidos com a aplicação correcta da lei. Porque Portugal tem um quadro constitucional e legislativo muito avançado, claro. Quanto às práticas, aí, é que a porca torce o rabo. Mas é bem certo que, a partir de hoje, "vai haver menos medo". E isso já faz toda a diferença. Finalmente.

Referendo (1)




(Janeiro e Fevereiro de 2007)

(Para um dia mostrar aos netos dos meus amigos.)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Paliativos de Austen


Não é o Dr. House, é Mr. Palmer.

E há alturas, estou convicta, em que o único remédio é mesmo o regresso à velha Jane, e as reconfortantes heroínas de sempre e respectivas provações (não o cliché do Mr. Darcy, for heaven’s sake).

Convoquemos, pois, exércitos (bem preparados e aguerridos) de Mariannes Dashwoods e as duras lições aprendidas com os Wiloughbys deste mundo (“But not enough. Not enough.”). Chamemos a nós hostes de Eleanors, com tácticas militares de estóica perseverança perante os enredos mais caprichosos desta vida; armemo-nos de perspicácia irónica e wise wit de Elizas Bennetts para defrontarmos as Misses Bingleys e Lucys Steels do mundo. Ataquemos, beligerantes, com trincheiras de Annes Elliots e dos seus oito anos de persuadida separação de Cmte. Wentworth, e também, porque não?, do ânimo bem humorado (todo o exército precisa de levantar a moral) de Emmas Woodhouses, enredadas em danças e contradanças de pares amorosos.

Deveres cívicos

Na véspera de percorrer 500 Km, na carteira, lado a lado: bilhete de viagem e Cartão de Eleitor(a).
Esperemos que valha a pena, desta vez.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

As alíneas da derrota precoce

Entre os homens, padece-se de um mal: para além da outra coisa precoce, há também os derrotados precoces. São os que desistem à partida, antes de entrarem sequer na corrida.
Um amigo explicou-nos o porquê dos homens, hoje em dia, não abordarem com facilidade uma mulher bonita:
a) porque imaginam de imediato que já estará comprometida;
b) porque fantasiam hordas de admiradores, logo, a ferocidade da competição inter pares (eventualmente muito desigual à partida);
c) porque não acreditam que estão à sua altura e que a rejeição será o desfecho mais provável.
Em suma, a cobardia-sangue-aguado no seu melhor.

Sinal invertido (ou: da perenidade dos clássicos infantis)

Eis a ironia cruel da coisa. A adolescente solitária, porque tímida e magricela, transforma-se na jovem bela e elegante e, pior ainda, segura de si e de natureza indómita. O clássico patinho feio, como nos contos de fadas, dá lugar ao cisne de beleza intimidante para o sexo oposto e incómoda para o mesmo sexo. Ou seja, para situações extremas, a mesma inevitável solidão, porque refém das suas próprias virtudes externas, porque isolada na velha torre inalcançável. Como nos contos de fadas. Como se se mantivesse a mesma equação, mas invertendo o sinal.

Sobrevalorização II

Tão mais perigosa porque dá lugar à obsessão, que se transforma em idolatria, e a idolatria em tirania e fundamentalismo (estéticos). Toda a gente sabe que os feios são os estetas mais implacáveis.

Sobrevalorização I

Vejo homens (quase patologicamente) preocupados com os padrões convencionais de beleza exterior, tanto feminina como masculina. Como se dela dependesse (ou fosse factor determinante) o sucesso ou fracasso das relações. Não sei que obsessão é esta dos feios com o suplício ambivalente dos outros.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Maiko*

Tradição milenar e revolução tecnológica, lado a lado, passo a passo numa ruela de Kioto.
De um blog belíssimo, onde há muito Japão para todos os gostos. Ainda bem.

* Uma aprendiz de gueisha, creio.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007


One of these days these boots are gonna walk all over you

These Boots Are Made For Walkin'


Já assim cantava Nancy Sinatra, em Fevereiro, mas de 1966.

You keep saying you got something for me
Something you call love but confess
You've been a'messin' where you shouldn't 've been a'messin'
And now someone else is getting all your best
Well, these boots are made for walking,
and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you

You keep lyin' when you oughta be truthin'
You keep losing when you oughta not bet
You keep samin' when you oughta be a'changin'
What's right is right but you ain't been right yet
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you


You keep playing where you shouldn't be playing
And you keep thinking that you'll never get burnt (HAH)
Well, I've just found me a brand new box of matches (YEAH)
And what he knows you ain't had time to learn
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you

Are you ready, boots?
Start walkin'

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Presente(mente)

Seria tudo mais fácil se se pensasse num futuro com alguém sem passado.
Música alta, música boa, muita, muita gente, dança (a dos outros), rir, reencontrar caras há muito não vistas, conhecer caras novas, simpatia genuína com muitos, indiferença fria para os (raros) que a merecem, banhos em elogios, conversas sérias, conversas parvas, conversas seca, divertimento, alguma (pouquinha) solidão no meio da multidão, gozar com quem não reconhece músicas dos Beatles ou de Rage Against The Machine, muito calor.
Foi assim, na noite mais fria do ano.

One more time,


We're gonna celebrate.

(Estilos musicais muito discutíveis, mas que lembram coisas boas, e isso é que conta, in the matter of fact.)

Dos efeitos colaterais de um centenário de uma república

(ao telefone com uma amiga, na manhã seguinte) - Ai, estas coisas fazem tão mal. (em coro) Mas também fazem tão bem…
Um dia, quando eu estava em Cuba, houve um episódio. Quase todas as manhãs, muito cedo mesmo, eu sentava-me na varanda que dava para um jardim. Que, por sua vez, era perto de uma paragem de autocarros, onde todas as manhãs vi pessoas deslocarem-se para os seus trabalhos ou para a escola. Eu sentava-me na varanda, de manhã, como gosto de fazer nos trópicos: para sentir o ar quente e os sons exóticos que chegam até mim, misteriosos como segredos. As pessoas, ao alcance do meu olhar, ao longe, esperavam de pé as camionetas que as levariam para mais um dia de trabalho. Uma dessas manhãs, eu estava quase a voltar para dentro do quarto, ouvi um assobio. Vinha de baixo, do homem que estava a tratar do jardim. Chamou-me, fiz que não ouvi, fui para dentro. Houve uma segunda e última vez. E nunca um gesto me tinha feito sentir tão cobarde, com vergonha do meu pudor perante a pobreza, a privação, como se fosse melhor voltar o rosto e fingir que não existiam. Vergonha, da minha própria falta de coragem, perante aquela pessoa que trabalhava – as mãos calejadas, o rosto escuro curtido do sol, um chapéu – que eu pensava que me ia fazer os comoventes pedidos do costume (canetas para os filhos, e outros objectos básicos para os padrões europeus). Da segunda vez, chamou-me de forma mais insistente, não consegui ignorar. De baixo, não vieram pedidos nem lamentos pela vida dura. De baixo, atirou-me apenas uma flor do (seu) jardim.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Silêncio, o espectáculo vai começar

Silenciosa, decidiu abdicar da sua carreira como protagonista da trama. A partir daquele momento, assistia às vicissitudes da vida apenas como atenta espectadora. Mas do alto do camarote real.

A ver passar navios

Na busca de uma certa identificação, procuramos estar com quem melhor se ajusta ao nosso presente estado de alma, e não quem nos atire à cara uma alegria jocosa. Ou ler quem melhor escreveu sobre sentimentos consonantes. Na blogosfera passa-se o mesmo. E, assim que a escrita do outro começa a revelar sinais de "recuperação", não há motivos para preocupação. Há sempre outro alguém que, nesse novo momento de partida, está a começar ou a continuar um mesmo "desalento", uma mesma melancolia.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Truque (para mais tarde recordar)

Não dizer que não, mas também nunca dizer que sim.
"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Clarice Lispector

Babel


Soberbo. Não quero saber de críticas(os). Soberbo. Uma história que toca quatro continentes (apesar de a história do Japão estar ali um bocado inserida a martelo, ainda que singular na sua abordagem contrastante do mundo de surdos-mudos no universo bulicioso de Tóquio). Por outro lado, conta com as participações do Gael García Bernal e do Brad Pitt. Mais valias significativas.

Existir

E eu, que sempre gostei tanto do meu amigo Kierkegaard, nunca imaginei ver-me envolvida num tão complexo enredo quanto o de Soren e Regina.
Aos dezassete decidiu que não era mulher de família.
Aos vinte e sete percebeu que não era mulher de família.

Selecção natural das espécies

Era uma miúda tão cheia de si quanto cautelosa. Nunca se dignava apaixonar-se senão por quem já estava apaixonado por ela. E tinha sempre sorte, a estúpida.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Memória selectiva

Li V.S. Naipaul, o Nobel, não gostei. Mesmo nada. Não tem nada a ver com o facto de o livro me ter sido ofertado por paixão antiga. E é singular: é que nem do título me consigo lembrar. Não gostei. Mesmo nada. E não tem nada a ver com.

If

O poema que Rudyard Kipling escreveu para o filho John, que foi gozado na escola por causa disso.


If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too:
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or being hated don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim,
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same:
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings,
And never breathe a word about your loss:
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings - nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much:
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!

A. L. A.

Gosto de Lobo Antunes. Muito. Mas só em cartas ou crónicas.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Geração Gato

Uns posts abaixo e aí estava eu a falar do fenómeno Gato Fedorento. Um humor excelente. Sarcástico, culto, intemporal, inteligente, non sense, desconcertante, desconstrutivo, saudavelmente desconstrutivo, corrosivo. E, no entantanto, vagamente familiar.
Porque conheço vários "Gatos" da minha idade. Quem não conhece? Mais ou menos as mesmas origens, mais ou menos os mesmos percursos. Porque é uma questão geracional, este humor. Dos vinte e tais, trinta anos. Dos filhos e sucedâneos de 74.
A pequena diferença entre os "Gatos" do nosso dia a dia, do nosso grupo de amigos, etc., e os outros está na dramatização e mediatização de uns e a esfera privada e informal em que se mantêm os outros.

Sintomatologia do stress

Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de escadear o cabelo. Preciso de perder o medo de cabeleireiras e escadear este obscenamente comprido cabelo.

Pequenos prazeres

Folhear um livro, num sítio improvável.
Numa hora imprevista.
Gostar. Bastante.
Perscrutar o preço nas prateleiras, não encontrar.
Olhar de novo para a capa e ter a agradável surpresa de ser um Preço Azul. Nem hesitar em metê-lo dentro do cesto. Com capa dobrada e tudo.
Pequenas coisas (pequenos prazeres) que nos enchem o dia. Não a vida, mas o dia, que é muito mais importante.
Tudo, condensado num livrinho de capa preta, das edições ASA, colecção (precisamente) "Pequenos Prazeres".

Mai nada!!

Em defesa do modelo de beleza vigente:

Em Espanha, depois do fumo e da sesta, querem proibir a magreza das mulheres. Sou, como é óbvio, contra. Gosto de mulheres magras. De preferência, muito magras. Se possível, majestaticamente magras e curvilíneas. Contradição? Nem por isso. As curvas não têm nada a ver com o peso. Existem ou não existem. São um dote natural. Uma mulher sinuosa, magra ou gorda, é sempre uma mulher sinuosa. A magreza apenas realça ainda mais as curvas que já ostenta. Ao contrário, uma mulher sem curvas, por mais que amplie a massa corporal, está condenada a viver sem curvas. A gordura nunca se acomoda onde faz falta. A sua distribuição pelo corpo é dos fenómenos mais grosseiros da natureza. A gordura é infame. Assalta o pescoço, os braços, a cintura, os tornozelos, os pés. Deixa a mulher pesada e (afinal) sem forma.Por mais que tentem impingir às pessoas que o que interessa é o interior, a verdade é esta: em primeiro lugar, mulher magra e curvilínea; em segundo, exequo, mulher generosa e curvilínea e mulher magra e aplanada; último lugar: mulher gorda.


A gerência da Feira das Vaidades agradece esta tomada de posição corajosa e viril.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007










Como muito bem é recordado aqui, foi em 16 de Janeiro (1969) que o jovem estudante Jan Palach se imolou pelo fogo, como forma de protesto ao cancelamento das reformas "primaveris" de Dubcek pelas forças soviéticas. Naquela praça de Praga, de cujo nome já não me lembro. Mas o memorial em honra de dois jovens permanece na lembrança.

Grandes portugueses

Foi com alguma estupefacção que assisti (mais por curiosidade enfadada que por interesse real) aos "Grandes Portugueses" da RTP 1, no último domingo.
Entre os dez mais votados estão o Marquês de Pombal e Salazar.
Dois estadistas, mas ainda assim, dois déspotas do pior.
Eu não deixo de acreditar que isto é sintomático. E está bom de ver que o nosso legado é muito atávico. Está bom de ver que, nisto da democracia, e de valores como a cidadania, ainda há muito para o português aprender.
Enfim, temos o país que somos, temos o país que merecemos.

Mea culpa

Uma das coisas de que mais me arrependo no passado recente foi o facto de, em 2005, eu e duas amigas termos encontrado o quarteto do Gato Fedorento (num bar, após um dos seus espectáculos ao vivo, ao qual nós tínhamos assistido), e de não ter aproveitado para pedir um autógrafo do Ricardo (não para mim, mas para outra grande fã). Em vez disso, decidi gozar um bocado com eles. Bom, não foi com todos, foi só com um em particular. E não foi muito, foi só um pouquinho.
Desculpem lá qualquer coisa.
(Por outro lado, tenho aqui no telemóvel uma certa foto que me poderá render algum dinheiro daqui a uns anos.)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Saldos

Apesar de prosaica, há uma consideração algo inevitável nas deambulações de alguns de nós numa loja em saldos. Na demanda árida e solitária do amor, como nos saldos, aquilo que menos queremos ouvir são as sentenciais frases:

- Já não há.

ou

- Não serve.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Por detrás dos posts

Às vezes, o melhor da blogosfera está nos comentários. Estas pérolas encontrei-as aqui. O assunto eram os três melhores filmes na opinião de cada um.


Autor do post: Quando chegou a minha vez, não houve grande espaço para dúvidas, apesar de me ter esquecido (estupidamente) do terceiro por momentos:
1. Otto e Mezzo (Fellini)
2. Rebel Without a Cause (Ray)
3. A Bout de Souffle (Godard)
Mas o que realmente interessa, e o resto é cinema, é que no sítio onde estavamos, eu ficaria com a miúda feia que se veste como um rapaz, e o meu amigo que disse o filme do Kevin Costner iria sacar, sem qualquer dúvida, um avião, senão mesmo a melhor miúda de todas.

Comentador 1: Nao sejas tao pessimista. Ha muitos avioes a ver fellinis!

Coment. 2: Ao menos era uma miúda feia vestida à rapaz mas com bom gosto.Por outro lado, se a miúda-avião falasse primeiro e dissesse que tinha uma grande paixão pelo Kevin Costner eu ainda ia a tempo de mentir descaradamente e dizer muito bem do Waterworld e dos dez filmes sobre baseball que o homem protagonizou.

Autor: Eu não mentiria tanto. Diria provavelmente com ar de quem sabe que o Kevin Costner foi responsável por alguns "épicos"...

Coment. 3: Míuda feia? Desde quando é que a Jean Seberg é feia? Ou, no que diz respeito aos outros filmes, a Natalie Wood, a Claudia Cardinale ou a Anouk Aimée? Nenhuma destas é feia. Têm todas charme e elegância!Aliás, a primeira vez que vi o À Bout de Souffle saí da sala perdidamente apaixonado pela Jean Seberg!

Autor: Duarte, isso são as miúdas que aparecem nos filmes... miúdas feias são as que na realidade gostam do fellini, e as bonitas do costner. Get it?

Coment. 3: Hum.. De facto li o post um pouco à pressa e a indignação fez o resto. Enfim.. também há miúdas engraçadas a ver esses filmes. Não têm de ser todas comunas pseudo intelectuais com buço.

Coment. 4: Good point.

Autor: Eu por acaso conheço uma.

Comentadora do sexo feminino: (...) Apesar de tudo fica aqui registado o meu protesto contra o duplo preconceito: uma mulher bonita não tem capacidade critica ou estética e um homem cujo ponto forte é a cabeça só consegue impressionar "a miúda feia que se veste como um rapaz". Mas, na dúvida, dou-lhe o benefício, o problema pode bem ser do quorum dessa noite.



Masculinidade e bom senso

Os homens que ironizam, sem problemas, as suas próprias imperfeições – são (consensualmente) ir-re-sis-tí-veis.

"Menina e moça"

Julgo saber que o que Bernardim Ribeiro queria dizer era nova e virgem.
Por desflorar, pronto. Como se de uma flor, ah e tal, se tratasse.

Doença profissional

Soube que tanto Jorge Sampaio (ainda enquanto PR) como um eminente gestor público de um Ministério, ficaram com tendinites de tanto rubricar despachos.

Agora que já não são exclusivas de operárias indiferenciadas com tarefas manuais repetitivas, é capaz de a moda pegar e tudo.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Toponímia

Quem a chamava de Petra Isadora carregava na ênfase tónica das palavras, acentuando um desdém subtil pela extravagância do nome.
Não imaginavam que assim era pela intemporalidade e culta homenagem. Tanto da milenar cidade das esculturas em pedra, como pela exímia performer de bailado clássico.

Manual de boas técnicas de triagem afectiva

Como homem, correspondia plenamente aos padrões convencionais de beleza física.
Como ser intelectual, usava a antipatia natural como filtro das abordagens femininas.

Ímans

O mundo divide-se entre os que têm ímans de legumes, bonecos, frutos, e toda a sorte de idiotices, colados no frigorífico, e os que têm ímans de obras de Rembrandt, Warhol, Mattisse.

(Aqueles cujos frigoríficos estão isentos de cor além da original... não é que não sejam deste mundo. Terão talvez a vida tão vazia quanto a porta dos seus frigoríficos.)

Da série: Ódios de estimação

Homens pinga-amor.

(Mais lamechas que os indiferentes, ainda mais execráveis que os cínicos.)

O mundo divide-se entre mulheres que, para dormir, vestem pijama ou camisa de dormir.
(As que envergam um deux-piéces mínimo, com o alto patrocínio Victoria's Secret, são de outro mundo, à parte. Com bolero, sombrinha e tudo.)

Mulher

O mal, até agora, é que as mulheres, quando exercem o poder, exercem-no como os homens. Nada muda, portanto... que deixem de copiar os padrões masculinos de liderança. As sociedades só evoluirão no sentido da paz, da solidariedade e do desenvolvimento integrado quando homens e mulheres assumirem juntos o poder, no mútuo respeito pelos indispensáveis contributos das suas diferentes capacidades, perspectivas e sensibilidades”.
Helena Marques

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Encontros

Há sempre qualquer coisa estranha no ar, indefinível, quando dois seres de sexos diferentes se encontram para um programa qualquer (diurno), e paira uma certa ambiguidade sobre se se trata de algo que dois amigos/conhcecidos fazem - em torno de um interesse comum - ou de uma "possível futura relação" em potência.
E há qualquer coisa entre o deprimente e o cómico ao presenciar os esforços (será?) da outra parte. A forma monocórdica como fala interminavelmente do trabalho (para estabelecer uma fronteira de intimidade, como quem diz, "olha, estou a falar contigo de coisas sérias e importantes para mim"). A forma estudada como se escolhe determinados temas de conversa e determinadas palavras, calculados de forma mais ou menos cuidadosa para "impressionarem despreocupadamente".
No entanto, também há qualquer coisa de comovente ver como há certas pessoas que estoicamente tentam penetrar a nossa impenetrabilidade.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Amanhã

Uma abóbora transformada em carruagem, um baile, uma fada Madrinha, umas quantas bruxas más, um príncipe em demanda e um sapato que não servia em mais ninguém. Senão nela.

Pérolas (a porcos)

Os assépticos

Passamos os dias a tentar ser assépticos. A conter a ira porque socialmente reprovada, a esconder a ambição porque pecaminosa, a disfarçar a luxúria e os amores porque a exposição de sentimentos é coisa de gente mal ensinada. Medimos palavras e gestos, contemos gritos e inibimo-nos de fazer voar objectos que se dispõe em tom de afronta.Passamos metade da vida a procurar sentimentos, sensações e sentidos e outra metade a mergulhá-los na indiferença. Até nos tornarmos assépticos, estéreis. Adequados para uso hospitalar.

Melhor não teria eu dito.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

(...), vida nova.

A necessidade de voltar aos clássicos: Virginia Woolf (uma boa surpresa, ainda que depressiva e lésbica), as saudades de Tolstoi, consubstancializadas em Ana Karenina, o eterno retorno a Eça, os Serões da Província, aventurar-me em Proust.

Ao som do "Quelqun m'a dit" de Carla Bruni (curiosa), e da banada sonora de Before Sunset, que desespero por (alguma) música francesa, desde Paris.
(A lista continua, dentro de momentos.)