quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Homónimas
Uma amiga telefona-me, entre o gozo e a preocupação, ao ver o meu nome escrito na capa da FHM.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Players only love you when you're playing
Ou de como há pessoas que são mestres em inverter o jogo, adulterar-lhe as regras e revertê-lo a seu favor.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Handle with care
Uma frase inscrita nas caixas de encomendas de coisas frágeis, que cabia na perfeição se escrita na minha testa.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
O épico feminino
A entrada nos 30 pode ser considerada como uma dobragem do Cabo da Boa Esperança ou do Cabo das Tormentas. Depende da sorte de cada um. Eu não sei ainda qual deles me calhou, só sei que já me cruzei com muitos Adamastores.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Temporalidade (Post reeditado)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
Círculos virtuosos (ou: do Evangelho de S. Mateus)
A felicidade funciona em bola de neve.
Infelizmente, as tristezas também.
Infelizmente, as tristezas também.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
domingo, 9 de setembro de 2007
A masculinidade nórdica (3)
O nórdico e a paternidade. Eis um dos meus capítulos preferidos. O nórdico não é educado para evidenciar a sua macheza afastando-se tanto quanto pode da esfera doméstica e da puericultura. O nórdico não parece entrar em pânico, nem ver a sua virilidade posta em causa, se gozar tranquilamente a licença de paternidade em casa, se mudar sozinho a fralda da criança no parque. Não vai a correr, desajeitado e assustado, devolver ao universo feminino a criança que chora. Responsabiliza-se, e assume sem complexos os cuidados paternais, sem a rigidez embaraçada do português.
A masculinidade nórdica (2)
Sendo pouco jactante, o homem nórdico não olha muito para as mulheres que passam. Como uma vez alguém disse: “o sueco não olha muito para a sueca”. Indefectível virtude, pois não fazem as figuras de tarados que os latinos fazem por aí fora, transbordando de baba sempre que vêem um rabo de saia. Não. O nórdico é suave e discreto. Aparentemente indiferente, inacessível. Aparentemente. E, se não olha ostensivamente para as mulheres, torna-se o companheiro perfeito: evita o desconforto de sermos preteridas nas suas atenções quando uma fulana qualquer passa na rua. A isto eu chamo «civilização».
A masculinidade nórdica (1)
Coloquemos já os pontos nos ii: o nórdico é frio. Mas ao mesmo tempo é, em geral, encantadoramente bonito, alto, magro e elegante. Ao contrário do português que (ainda que com honrosas excepções) é feio, atarracado e de compleição grosseira. As feições do nórdico são harmoniosas e agradáveis, ainda que quase me façam cair no cliché "anjos de Botticelli".
Agora sem rodeios líricos: os gajos são, na generalidade, podres de bons. Só não acredita quem nunca saiu do cantinho à beira mar esquecido.
Agora sem rodeios líricos: os gajos são, na generalidade, podres de bons. Só não acredita quem nunca saiu do cantinho à beira mar esquecido.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Um outro Verão
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Da relação entre a época estival e os padrões de religiosidade da população masculina
Indicador: frequência com que uma rapariga em território português deixa atrás de si um lastro de suspiros de inspiração cristã: "Jesus...", "Meu Deus!", "Noooooossa Senhora".
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Girl's best friend
O melhor amigo referira-se a ela, há vários anos, como um diamante em bruto. Julgou, ao tempo, entender o que isso significava. Tanto quanto actualmente estavam, ambos, conscientes de uma (eventualmente perturbadora) lapidação.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
O Islão não é todo igual
Há uma vertente comovente. Por entre as inextricáveis ramificações sunitas, xiitas, ismaelitas, há um inesperado ramo de paz. São os místicos sufitas, que se pode encontrar em Nizzamudin, na Índia, na Turquia, e muitos outros lugares. Pacíficos, por vezes loucos, uns rodopiam até ao êxtase – são os dervixes – outros limitam-se a derramar muito doces lágrimas contemplativas.
Bourgeoisie II
Bourgeoisie I
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Metáfora da trave
Fazia lembrar uma ginasta de alta competição.Exímia nos movimentos. Isometria e perfeição. Todo o gesto articulado, corpo anguloso, numa precisão milimétrica. Sem lugar para um passo em falso. A um tempo, forte e frágil. O corpo, uma haste flexível.
Rigidez: a expressão facial fechada, na tentativa de superação de si mesma. Cabelo severamente aprisionado em elásticos e ganchos. As mãos ressequidas, mergulhadas em pó. A adiada feminilidade concentrada na maquilhagem exagerada. Fato justo e reduzido: invólucro brilhante para um pequeno corpo musculado, deformado, peito liso – o corpo como tela das opções de uma vida; uma escolha vincada no corpo.
Na excelência, o seu auge é breve. Aos vinte anos será velha. A trave estreita (demasiado estreita) é o palco do seu equilíbrio acrobático e precário.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Dramaturgia
Sábado à noite, o teatro recomeça. Apagam-se marcas de lágrimas e de noites insones, para se reacender a luz do rosto. E desfila-se por aquele palco, e recebe-se um Estás tão bem e capta-se um Quem é a tua amiga, e não é que a tristeza desapareça milagrosamente. A maquilhagem é que é um prodígio miraculoso posto ao serviço da rapariga moderna – e de toda a mise-en-scéne social de sábado à noite.
Profecia
Em pequena, vaticinaram-lhe que, quando crescesse, ia partir corações; quando o tempo chegou, os esquemas amorosos em que se meteu revelaram-se, sem glória, meros quebra-cabeças.
Indoor girl
Muitos namoros começam e acabam dentro de carros: eles são, enfim, muitas vezes, locais de encontro e de despedida. Pontos de partida e de chegada. Alfa e ómega de episódios (mais ou menos duradouros) de afectividade.
Que há quem enjoe em automóveis em movimento, é um facto. Que eu sou uma dessas pessoas, é verdade – relacionar isto com o assunto do parágrafo anterior é que já será talvez um exercício pernicioso.
Que há quem enjoe em automóveis em movimento, é um facto. Que eu sou uma dessas pessoas, é verdade – relacionar isto com o assunto do parágrafo anterior é que já será talvez um exercício pernicioso.
Heart Shaped Box (II)
Solícita, a amiga da pérola do Atlântico, tentou, ao telefone, auscultar-lhe o estado emocional:
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.
Heart Shaped Box (II)
Solícita, a amiga da pérola do Atlântico, tentou, ao telefone, auscultar-lhe o estado emocional:
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.
Do tempo, quando cristaliza
Ele trocava palavras breves com o amigo comum. Alheada da conversa entre os dois, ela olhava em redor. Distraída, voltou a olhá-lo, por acaso: apesar da conversa deles, do alto da sua estatura, os olhos fixos nela.
Crush on you 3
Era um pequeno fraco que tinha por aquela pessoa. E, como era um fraco, a coisa não lhe durou muito.
Desmistificar Copenhaga
- simpatia (apesar de civilizados, os dinamarqueses são frios, distantes – e muito pouco pacientes com estrangeiros em geral)
- frio (lá fora, quase não se sente porque é seco; dentro de casa, costuma estar um calor infernal, tudo é aquecido, mesmo no Verão)
- lixo (também o há no chão de uma capital escandinava)
- trânsito (pouco: o desagradável efeito visual e sonoro do trânsito é substituído ou mitigado por milhares de bikes nas ruas)
- comida (hum… eu já tinha mencionado a frugalidade nórdica?...)
Crush on you 2
Ela sabia que ele não sabia que ela sabia. Com esse trunfo na mão, observava-o de longe, discreta e divertida. Tacteava-lhe a consistência, tomava-lhe o pulso, radiografava-lhe a estrutura. Cronometrava-lhe a brevidade do entusiasmo.
Crush on you 1
Não sabia como abordá-la. Ficava intimidado com aquela presença luminosa. Como estratégia de compensação, massacrava-lhe a amiga, involuntariamente convertida em Cyrano de Bergérac via SMS.
Embaixatriz
Gostava da ideia de que todo o estrangeiro é representante do seu país. Os locais olham-nos como uma amostra do nosso povo, ainda que esteja longe de ser representativa. Enquanto estava nesse papel sentia, portanto, a responsabilidade. Já de volta, sabia que tinha levado a missão diplomática a bom porto.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Cansei de ser sexy
Um belo dia, cansou-se. Foi quando descobriu esse curioso projecto musical de umas miúdas brasileiras, num voo intercontinental, e se identificou com o nome.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.
Dem lille Havfrue
Este blog andou atracado num belo porto de mercadores
Nos últimos tempos estivemos, portanto, num reino muito antigo, na terra do Patinho Feio, do Lego, da Bang & Olufsen, do castelo de Hamlet, do arquitecto da Ópera de Sidney, dos vikingues, do berço do design nórdico: uma terra de príncipes e princesas. Onde me senti em casa.
The June sessions
Ou: uma evasão meridional o mais real possível.
Muito sol, calor seco, mar e mar, alimentação mediterrânica com muito peixe grelhado, azeite e pão do Sul, noites quentes e estreladas, perfumes doces, entardeceres lânguidos. O mês de Junho, encerrei-o em beleza.
Muito sol, calor seco, mar e mar, alimentação mediterrânica com muito peixe grelhado, azeite e pão do Sul, noites quentes e estreladas, perfumes doces, entardeceres lânguidos. O mês de Junho, encerrei-o em beleza.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Nørdic Mist ®
"O verdadeiro windowshopping"
Os cómicos relatos de um amigo acerca de como deambulou pelo Red Light District de Amesterdão.
Cartão de visita
Dos amigos do sexo oposto, com homossexualidade mal resolvida, recebia convites sociais simpáticos, condescendentes: uma jovem com bom aspecto é sempre um agradável cartão de visita em redes de sociabilidade ambíguas.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
terça-feira, 19 de junho de 2007
Bom senso bíblico
Por mais que custe, não olhes para trás, ou transformas-te em sal, como a mulher de Lot.
Bons vícios (1)
A banda sonora original do filme “Marie Antoinette”, de Sofia Coppola (2006).
The Cure, The Radio Dept., Bow Wow Wow, New Order, Siouxsie & the Banshees, The Strokes, etc.
Résumé/Abstract: anos 80 sim, mas (só) dos bons.
The Cure, The Radio Dept., Bow Wow Wow, New Order, Siouxsie & the Banshees, The Strokes, etc.
Résumé/Abstract: anos 80 sim, mas (só) dos bons.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Oh, I don't like it like this
I’m dying here
And you keep walking
(“I don’t like it like this”, The Radio Dept.)
And you keep walking
(“I don’t like it like this”, The Radio Dept.)
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Crimes em série
Confesso que perdi 3,5 episódios do Portugal – um Retrato Social, do António Barreto. Shame on me.
Crimes em série
Sou uma herege, uma iconoclasta, uma proscrita entre os meus amigos: nunca apreciei o Dr. House.
Crimes em série
Ao domingo, esqueço-me sempre de prestar culto ao Wentworth Miller, perdão, ao Prision Break.
(Vou ali punir-me severamente e já volto.)
(Vou ali punir-me severamente e já volto.)
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Da série: Ódios de estimação
O provicianismo de alguns portugueses no estrangeiro: tudo tem que ser comparado com o que há em Portugal, sem haver um olhar limpo de relativização perante o que é novo e diferente.
Turistas portugueses no Norte da Europa: uma praga evitada e a evitar.
Turistas portugueses no Norte da Europa: uma praga evitada e a evitar.
Da fuga para a frente
Nunca gostei de encontrar compatriotas lá fora. Ouvir falar a minha língua, ver fisionomias e hábitos lusos. É como se me sentisse friamente roubada da experiência de evasão.
Quixotescos
Enveredaram por uma via animados pela ideia romântica de defender os fracos e oprimidos, um, e de curar os enfermos à João Semana, o outro. Perceberam a ilusão, e viram-se velhos, quando o percurso os levou ao beco do aburguesamento cómodo do seu altruísmo inflamado e juvenil.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Triângulo das Bermudas
Geralmente, as poucas pessoas interessantes com quem ela se cruzava na vida desapareciam pouco depois. Viajavam para o estrangeiro, mudavam-se para outra cidade, perdia-se-lhes o rasto, sumiam-se. Deixavam-na sozinha no meio da mediocridade dos que ficam.
Algo está podre no reino da Dinamarca
Agarrados
O final de uma relação é como deixar uma dependência. O que mais custa são os primeiros tempos de privação e é importante arranjar-se uma terapia de substituição.
Cansei de ser sexy
Um belo dia, cansou-se. Foi quando descobriu esse curioso projecto musical de umas miúdas brasileiras, num voo intercontinental, e se identificou com o nome.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Interrupção Involuntária do Blog
Sem condições técnicas para postar. Stop. Retomamos a emissão assim que for possível. Stop.
quarta-feira, 21 de março de 2007
Eppur si muove
A frase de Galileu aplicada à barriga entumescida de uma grávida: os meus olhos incrédulos, quando aquele volume redondo perfeito se mexeu à minha frente. Como um pequeno sismo.
Simbioses
A namorava com B.
Porque em B o que tinha de sobra em afectividade compensava o que lhe faltava
The Painted Veil

de John Curran (2006)
Xangai dos anos 20 e personagens de Somerset Maugham. Fotografia notável. O calor. Calor. A luz. No quarto dos amantes, a luz dourada, filtrada pelas persianas de uma janela, sombras quentes projectando-se no chão. Tal como quando se lê a Indochina da Marguerite Duras.
Um piano desafinado que encurta a distância entre duas pessoas. O duelo psicológico, temperado pela fleuma britânica, entre mulher adúltera e marido punitivo.
E no meio do mar de sentimentos paradoxais, duas fendas sócio-políticas: a fúria dos nacionalistas chineses num fragmento de império britânico, e uma epidemia e superstições.
Um piano desafinado que encurta a distância entre duas pessoas. O duelo psicológico, temperado pela fleuma britânica, entre mulher adúltera e marido punitivo.
E no meio do mar de sentimentos paradoxais, duas fendas sócio-políticas: a fúria dos nacionalistas chineses num fragmento de império britânico, e uma epidemia e superstições.
terça-feira, 20 de março de 2007
segunda-feira, 19 de março de 2007
"Dirty Old Town"
Didáctica do IrishBar
(para meninas bem comportadas)
(para meninas bem comportadas)
1 – Em girls night out, não se meter com vocalista de banda de música irlandesa a tocar ao vivo. Mesmo que
a) ele seja giro;
b) ele tenha engraçado contigo;
c) ele esteja a usar saia;
d) ele faça as atenções do bar inteiro recaírem sobre ti.
2 – Não fazer sexo visual all night long (memorável conceptualização da minha amiga C.), desconcentrando o rapaz principalmente enquanto toca Fisherman's Blues.
3 – Não deixar amigas explorarem todo um vasto leque de piadas sobre a habilidade do dito-cujo para tocar vários instrumentos musicais e sua espantosa agilidade digital.
Adenda: Não escrever posts alcoolizada.
sexta-feira, 16 de março de 2007
A cena do carro (Take 1)
(Jesse) – No, wait, you just said you need to love and be loved.(Celine) – Yeah, but when I do, it quickly makes me nauseous. It’s a disaster. I mean, I’m really happy only when I’m on my own. Even being alone, it’s better than sitting next to a lover and feeling lonely. It’s not so easy for me to be a romantic. You start off that way, and after you’ve been screwed over a few times, you forget about your delusional ideas and you take what comes into your life. That’s not even true. I haven’t been screwed over, I’ve just had too many blah relationships. They were not mean, they cared for me, but there were no real connection or excitement. At least not from my side.
Before Sunset, de Richard Linklater (2004)
Desconhecidos
Há um certo fascínio que nos causam algumas pessoas que conhecemos mal – porque nelas e na imagem que delas temos, de contornos (ainda) imprecisos, cabem (ainda) todas as nossas ilusões e fantasias, todo o nosso optimismo humanista.
Durante o processo de conhecimento mútuo, tudo isso vai sendo inevitavelmente delapidado, moldado e, com sorte, reajustado.
Durante o processo de conhecimento mútuo, tudo isso vai sendo inevitavelmente delapidado, moldado e, com sorte, reajustado.
quinta-feira, 15 de março de 2007
Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Há dias em que, para se levantar da cama, uma rapariga tem que ser muito Beckettiana.
terça-feira, 13 de março de 2007
A melhor frase cinematográfica de sempre*
segunda-feira, 12 de março de 2007
Antropologia cultural: do Dandy ao Bambi
O homem-Dandy é uma espécie praticamente extinta. Estilo muito comum entre os jovens bem-nascidos do séc. XIX, cultos, estetas incuráveis, amantes da boa vida e de mulheres belas, gourmets e gourmands, impregnados de charme até dizer chega. Verdadeiros Joões da Ega queirosianos, dependentes do beneplácito e da bolsa generosa das vigilantes mamãs, de lá de longe, nas quintas do Douro.
O séc. XXI [português] brindou-nos, contudo, e cada vez mais, com o homem-Bambi. Desprovidos de qualquer galanteria e sobretudo de elegância, imaturos e infantilizados, estes homens estão, ainda e sempre, agarrados às mamãs, dependentes das mamãs, a viverem com as mamãs até muito depois dos trinta.
O séc. XXI [português] brindou-nos, contudo, e cada vez mais, com o homem-Bambi. Desprovidos de qualquer galanteria e sobretudo de elegância, imaturos e infantilizados, estes homens estão, ainda e sempre, agarrados às mamãs, dependentes das mamãs, a viverem com as mamãs até muito depois dos trinta.
Paris, je t'aime
Este fim-de-semana voltei a Paris, pela mão de Gus Van Sant, Walter Salles, Wes Craven, de tantos outros. Um belo filme, em que, mais do que os dezoito “pequenos romances de bairro”, a verdadeira protagonista é ela, a ville lumiére: a Paris do nosso encanto.
Gostei particularmente das histórias do Walter Salles, do Gus Van Sant e da segunda história, no Quai de Seine, entre o rapaz e a muçulmana. Não gostei muito da protagonizada pelos lindos olhinhos do Elijah Wood, meio Drácula de Bram Stocker meio Sin City.
Pais e filhos
Numa loja de roupa, o progenitor-todo-queque para o rebento-todo-queque:
- Gonçalo, não lamba a cadeira que não vale a pena.
- Gonçalo, não lamba a cadeira que não vale a pena.
sexta-feira, 9 de março de 2007
Erro de simpatia (2)
Correcção: acabou a menina simpática; já não há, e temos pena. De há uns tempos para cá, só há a versão com ar enojado, glacial. Indiscriminadamente blasé.
Como alguém dizia, temos todo o direito de sermos cínicos depois de termos sido ingénuos.
Como alguém dizia, temos todo o direito de sermos cínicos depois de termos sido ingénuos.
Erro de simpatia
Quando, em cálculo matemático ou revisão ortográfica, passamos tantas vezes pelo erro – na tentativa persistente da sua detecção –, que não o identificamos como tal. Assim é na vida. Os erros estão, muitas vezes, bem na nossa frente, mas insistimos sempre em ser estupidamente simpáticos.
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