domingo, 24 de janeiro de 2010

Aperta o gatilho

Vais ver que não dói nada.

Estratégias militares e (que se lixe) abordagens amorosas

Ao contrário destes, acho que será sempre melhor ser a força obsidiante do que estar do lado dos sitiados.




sábado, 23 de janeiro de 2010

Lisa Ekdahl VS Herbie Hancock

Sim, eu já sei que há jazz para gajas e jazz para gajos.
E não posso fazer nada, porque nasci com cromossomas XX e não me dá jeito nenhum agora substituir um deles por Y.

Eh pá, foi a melhor solução terapêutica que encontrei

Já que não deu resultado ouvir 7653652 vezes a Diana Krall a gemer o "How can you meand a broken heart".

Camuflagem urbana

Perguntam-me como é que, tendo já viajado tanto, nunca tive grandes peripécias que costumam acontecer a turistas.
Pois é precisamente isso. Tento não parecer turista, para não ser enganada por taxistas, roubada nos preços, etc. E é por isso que vêm sempre falar comigo nos idiomas locais dos países onde vou.
Não tem truque nenhum. Gabardine e sabrinas em França, saia comprida e écharpe leve sobre o cabelo em países muçulmanos, trapos muito estilosos em Itália, 3 quilos de maquilhagem na cara em Espanha, and so on, and so on.
É tudo uma questão de nos camuflarmos com as paisagens humanas.

Voodoo people

Já não ia a um concerto de música muito pesada há muitos anos (aburguesei-me e comecei a usar sapatos altos e assim).
Mas tinham-me falado daquilo de tal maneira que, quando entrei na sala do concerto imaginava que me ia deparar com um cenário dantesco, preparei-me para entrar a antecâmara da morte, e pensei, ao passar pela revista dos seguranças, "Vou morrer, adeus mundo cruel".
No fim, adorei, e realço apenas a fauna muito diversificada que afluíu ao concerto, e que os miúdos de hoje em dia ouvem os mesmos grupos que eu ouvia, na minha adolescência nos meados dos anos 90.
Enfim, foi como quando andei de metro à noite em Praga ou quando entrei num bairro pobre em Havana. Toda a gente me prevenia para não ir e mesmo assim dei um passo em frente, e fui.
Deixem lá de me meter medo, pá.

O Meu Fabuloso Destino

Não sei por que raio tenho a triste sina de, por onde passo, espalhar a sorte e a felicidade aos outros. Não a mim, a outras pessoas. É como se tivesse o dedo de Midas, mas sem ser em termos materiais.
Infelizmente, não, o meu nome não é Amélie Poulain. Essa, pelo menos, no fim foi recompensada.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Teoria da Utilidade Marginal

Nos rudimentos da aprendizagem das ciências económicas (*cof, gasp, blherc*) aprendemos, de acordo com esta teoria, que há uma determinada utilidade adicional que se consegue com o consumo de uma quantidade adicional de um determinado bem.

Quando aprendi isto na faculdade, ainda não suspeitava que esta lei também se pode aplicar com sucesso às alturas em que estamos demasiado tempo com alguém que não gramamos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Metáforas

Brincar às escondidas é perigoso. Mas não tanto quanto jogar à cabra cega.

Um bocadinho bipolar

Ir numa noite de Dezembro ver os Prodigy e, na seguinte, o Lago dos Cisnes.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Hips don't lie

Há só dois tipos de raparigas. As medíocres, e as que aceitam (estes) desafios.

Um dia perfeito



















começa com sentir o frio lá fora e o cheiro a café, e a ouvir Ella Fitzgerald e Louis Armstrong no dueto I've got my love to keep me warm.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chanel (parte II)

Uma aparência doce e frágil, que esconde uma personalidade tenaz e durona, que, por sua vez, esconde uma inesperada fragilidade.

(Somos tão poucas.)

Boy












Coco Avant Chanel (2009)

Gabrielle "Coco" Chanel começou a vida num orfanato, foi para Paris cantar em cabarets com a irmã, e, ainda muito jovem, teve um amante mais velho através do qual conheceu um jovem aristocrata britânico, Arthur "Boy" Capel, que veio a ser um dos grandes amores da sua vida. Ele era casado. E morreu prematuramente na sequência de um acidente de automóvel.

Sempre preferi histórias verídicas às ficcionadas. As vidas dos outros também não são perfeitas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Still got it


(Em compensação do que escrevi no post abaixo),

O melhor que há em ir ver os meus amigos Keith Flint e Maxim Reality ao Pavilhão Atlântico, é, para além de passar duas horas aos pulos, ainda colher piropos de garotos com quase metade da minha idade.

I'm NOT a head turner in CPH*

Coisa que começou por me irritar solenemente. Mas, como há que assumir os nossos fracassos com (algum) humor, depois, deu-me para filosofar sobre os dinamarqueses, esses gajos de sangue aguado de cuja virilidade comecei a duvidar seriamente, como aconteceu aqui, aqui e aqui.
*Com os devidos direitos de autora e dedicado à Luna.

Work hard, play (very, very) hard

sábado, 16 de janeiro de 2010

De Paris, com glamour (não, não ia dizer "com amor")


Place des Vosges, perfeitas simetrias numa tarde perfeita de sábado, em Setembro último, esse mês que foi (quase) perfeito.

A onda que se ergueu no mar

Podia ser música, Tom Jobim, bossa nova, mas é apenas um desejo (frustrado).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Filosofia de ponta, ou o segredo da vitória (Post reeditado)

Aqui que ninguém nos ouve, e enquanto os olhares masculinos se demoram na foto do lado, deixo um pequeno apontamento.
Toda a mulher - no matter idade, peso ou estado civil - devia ter um conjunto destes ou similar. Nada daqueles "girinhos" da Oysho ou da Women's Secret, é mesmo destes luxuriantes, exuberantes. Mesmo que mais ninguém veja (se virem, tanto melhor).

Da Victoria's Secret (o conjunto da foto é um dos meus preferidos). É caro. Óbvio que é. Mas a auto-estima, poder e elegância que dois magníficos trapos (sem contar com as asas) destes podem dar não têm preço.

Por exemplo, haverá coisa mais sexy que ler a Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant ou a Fidelidade Feminina de Soren Kierkegaard envergando um adorável deux-piéces como o da fulana desta foto? Não há.
(A menos que sejam, filosoficamente, fãs da dialéctica hegeliana. Aí, haja paciência, não há Victoria's Secret que vos valha.)

Podem consultar mais colecções da VS aqui.
Os leitores do sexo masculino podem saber mais sobre Kierkegaard aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Nobel

Mas o que é que ele (já) fez, afinal?

Bem merecido foi o de Prémio de 2003, isso sim, ou não fosse a Shirin Ebadi mulher, iraniana e gaja de força.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Descaramento e eterno retorno

Como quem não quer a coisa, volto a escrever no blog, com a maior cara de pau. Reactiva-se o blog, retomam-se catarses, recomeça-se. Uma e outra vez. Não era o Nietzsche que falava no eterno retorno? Esse cabrão não fazia ideia do quanto isto custa (e demora).

O fim da pausa

Após quase dois anos de pausa: para, entre outras coisas, terminar uma tese, preparar a defesa e enfrentar o júri, passar pela Jamaica, fazer uma mudança de casa, e, claro, ainda arranjar tempo para um sortido de desventuras sentimentais várias.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dress code (para hoje)

Vestida para matar.

(de inveja)

Homónimas

Uma amiga telefona-me, entre o gozo e a preocupação, ao ver o meu nome escrito na capa da FHM.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Players only love you when you're playing

Ou de como há pessoas que são mestres em inverter o jogo, adulterar-lhe as regras e revertê-lo a seu favor.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Handle with care

Uma frase inscrita nas caixas de encomendas de coisas frágeis, que cabia na perfeição se escrita na minha testa.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O épico feminino

A entrada nos 30 pode ser considerada como uma dobragem do Cabo da Boa Esperança ou do Cabo das Tormentas. Depende da sorte de cada um. Eu não sei ainda qual deles me calhou, só sei que já me cruzei com muitos Adamastores.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Temporalidade (Post reeditado)


Edwina Mountbatten, última vice-rainha da Índia – de quem se especulou ter vivido um romance com Nehru – manteve, já depois de ter regressado a Inglaterra no pós-1947 e até ao último dia da sua vida, o seu relógio de pulso acertado pela hora indiana.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ah, para as leis da Física sobre os opostos...























...a Química terá sempre outras respostas.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Círculos virtuosos (ou: do Evangelho de S. Mateus)

A felicidade funciona em bola de neve.
Infelizmente, as tristezas também.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

domingo, 9 de setembro de 2007

A masculinidade nórdica (3)

O nórdico e a paternidade. Eis um dos meus capítulos preferidos. O nórdico não é educado para evidenciar a sua macheza afastando-se tanto quanto pode da esfera doméstica e da puericultura. O nórdico não parece entrar em pânico, nem ver a sua virilidade posta em causa, se gozar tranquilamente a licença de paternidade em casa, se mudar sozinho a fralda da criança no parque. Não vai a correr, desajeitado e assustado, devolver ao universo feminino a criança que chora. Responsabiliza-se, e assume sem complexos os cuidados paternais, sem a rigidez embaraçada do português.

A masculinidade nórdica (2)

Sendo pouco jactante, o homem nórdico não olha muito para as mulheres que passam. Como uma vez alguém disse: “o sueco não olha muito para a sueca”. Indefectível virtude, pois não fazem as figuras de tarados que os latinos fazem por aí fora, transbordando de baba sempre que vêem um rabo de saia. Não. O nórdico é suave e discreto. Aparentemente indiferente, inacessível. Aparentemente. E, se não olha ostensivamente para as mulheres, torna-se o companheiro perfeito: evita o desconforto de sermos preteridas nas suas atenções quando uma fulana qualquer passa na rua. A isto eu chamo «civilização».

A masculinidade nórdica (1)

Coloquemos já os pontos nos ii: o nórdico é frio. Mas ao mesmo tempo é, em geral, encantadoramente bonito, alto, magro e elegante. Ao contrário do português que (ainda que com honrosas excepções) é feio, atarracado e de compleição grosseira. As feições do nórdico são harmoniosas e agradáveis, ainda que quase me façam cair no cliché "anjos de Botticelli".
Agora sem rodeios líricos: os gajos são, na generalidade, podres de bons. Só não acredita quem nunca saiu do cantinho à beira mar esquecido.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Da Escandinávia, com amor: da paternidade


Copenhaga, 2007
Pais, muitos pais, (não mães) nos parques imaculados da cidade.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Um outro Verão

Chuva e frio a darem-me as boas vindas, no mês passado, do outro lado da janela do comboio rápido ICE Estugarda - Munique - Salzburgo.

Doses maciças

disto:


terça-feira, 14 de agosto de 2007

Da relação entre a época estival e os padrões de religiosidade da população masculina

Indicador: frequência com que uma rapariga em território português deixa atrás de si um lastro de suspiros de inspiração cristã: "Jesus...", "Meu Deus!", "Noooooossa Senhora".

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Provavelmente, a melhor cerveja de Copenhaga

Duas gerações, a mesma Carlsberg.
Todas as tardes, em todas as esplanadas, de Abril a Agosto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Girl's best friend

O melhor amigo referira-se a ela, há vários anos, como um diamante em bruto. Julgou, ao tempo, entender o que isso significava. Tanto quanto actualmente estavam, ambos, conscientes de uma (eventualmente perturbadora) lapidação.

Do estival...

...optimismo masculino.
(Pois.)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O Islão não é todo igual

Há uma vertente comovente. Por entre as inextricáveis ramificações sunitas, xiitas, ismaelitas, há um inesperado ramo de paz. São os místicos sufitas, que se pode encontrar em Nizzamudin, na Índia, na Turquia, e muitos outros lugares. Pacíficos, por vezes loucos, uns rodopiam até ao êxtase – são os dervixes – outros limitam-se a derramar muito doces lágrimas contemplativas.

Bourgeoisie II

Trocar, em viagem, uma tenda de campismo por um confortável quarto de hotel e casa de banho privativa, é um aburguesamento ao qual me vendi, alegremente, já há muito tempo.

Bourgeoisie I

Acompanhar colegas de trabalho em incursões consumistas relacionadas com faqueiros, serviços de mesa, cortinas, e demais assuntos utilitário-decorativos domésticos é um tipo de aburguesamento ao qual (tão cedo) não farei concessões.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Metáfora da trave

Fazia lembrar uma ginasta de alta competição.
Exímia nos movimentos. Isometria e perfeição. Todo o gesto articulado, corpo anguloso, numa precisão milimétrica. Sem lugar para um passo em falso. A um tempo, forte e frágil. O corpo, uma haste flexível.
Rigidez: a expressão facial fechada, na tentativa de superação de si mesma. Cabelo severamente aprisionado em elásticos e ganchos. As mãos ressequidas, mergulhadas em pó. A adiada feminilidade concentrada na maquilhagem exagerada. Fato justo e reduzido: invólucro brilhante para um pequeno corpo musculado, deformado, peito liso – o corpo como tela das opções de uma vida; uma escolha vincada no corpo.
Na excelência, o seu auge é breve. Aos vinte anos será velha. A trave estreita (demasiado estreita) é o palco do seu equilíbrio acrobático e precário.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dramaturgia

Sábado à noite, o teatro recomeça. Apagam-se marcas de lágrimas e de noites insones, para se reacender a luz do rosto. E desfila-se por aquele palco, e recebe-se um Estás tão bem e capta-se um Quem é a tua amiga, e não é que a tristeza desapareça milagrosamente. A maquilhagem é que é um prodígio miraculoso posto ao serviço da rapariga moderna – e de toda a mise-en-scéne social de sábado à noite.

Profecia

Em pequena, vaticinaram-lhe que, quando crescesse, ia partir corações; quando o tempo chegou, os esquemas amorosos em que se meteu revelaram-se, sem glória, meros quebra-cabeças.

Curva de Gauss

A estupidez está normalmente distribuída na população.

Indoor girl

Muitos namoros começam e acabam dentro de carros: eles são, enfim, muitas vezes, locais de encontro e de despedida. Pontos de partida e de chegada. Alfa e ómega de episódios (mais ou menos duradouros) de afectividade.
Que há quem enjoe em automóveis em movimento, é um facto. Que eu sou uma dessas pessoas, é verdade – relacionar isto com o assunto do parágrafo anterior é que já será talvez um exercício pernicioso.

O meu Ingmar Bergman é este



Den Goda viljan (1992)

Heart Shaped Box (I)

Podia ser Nirvana, Kurt Cobain, In Utero. Mas é outra coisa.

Heart Shaped Box (II)

Solícita, a amiga da pérola do Atlântico, tentou, ao telefone, auscultar-lhe o estado emocional:
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.

Heart Shaped Box (II)

Solícita, a amiga da pérola do Atlântico, tentou, ao telefone, auscultar-lhe o estado emocional:
- Então e esse coração?
- Removi-o cirurgicamente.

Do tempo, quando cristaliza

Ele trocava palavras breves com o amigo comum. Alheada da conversa entre os dois, ela olhava em redor. Distraída, voltou a olhá-lo, por acaso: apesar da conversa deles, do alto da sua estatura, os olhos fixos nela.

Crush on you 3

Era um pequeno fraco que tinha por aquela pessoa. E, como era um fraco, a coisa não lhe durou muito.

Desmistificar Copenhaga

- sol (o dinamarquês também bronzeia, e bem)
- simpatia (apesar de civilizados, os dinamarqueses são frios, distantes – e muito pouco pacientes com estrangeiros em geral)
- frio (lá fora, quase não se sente porque é seco; dentro de casa, costuma estar um calor infernal, tudo é aquecido, mesmo no Verão)
- lixo (também o há no chão de uma capital escandinava)
- trânsito (pouco: o desagradável efeito visual e sonoro do trânsito é substituído ou mitigado por milhares de bikes nas ruas)
- comida (hum… eu já tinha mencionado a frugalidade nórdica?...)

Crush on you 2

Ela sabia que ele não sabia que ela sabia. Com esse trunfo na mão, observava-o de longe, discreta e divertida. Tacteava-lhe a consistência, tomava-lhe o pulso, radiografava-lhe a estrutura. Cronometrava-lhe a brevidade do entusiasmo.

Crush on you 1

Não sabia como abordá-la. Ficava intimidado com aquela presença luminosa. Como estratégia de compensação, massacrava-lhe a amiga, involuntariamente convertida em Cyrano de Bergérac via SMS.

Tamanho – uma abordagem empírica

O tamanho é irrelevante. Pertinente, sim, será o diâmetro.

Embaixatriz

Gostava da ideia de que todo o estrangeiro é representante do seu país. Os locais olham-nos como uma amostra do nosso povo, ainda que esteja longe de ser representativa. Enquanto estava nesse papel sentia, portanto, a responsabilidade. Já de volta, sabia que tinha levado a missão diplomática a bom porto.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Cansei de ser sexy

Um belo dia, cansou-se. Foi quando descobriu esse curioso projecto musical de umas miúdas brasileiras, num voo intercontinental, e se identificou com o nome.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.

Dem lille Havfrue



Solitária e melancólica, a figura esguia criada por H. C. Andersen (ou melhor, por Carl Jacobsen) pousa o olhar no horizonte marítimo, indiferente à agitação que a rodeia. Aguarda o seu príncipe perdido, espera o príncipe que nunca voltará.
A piquena sereia somos todas nós.

Este blog andou atracado num belo porto de mercadores

Nos últimos tempos estivemos, portanto, num reino muito antigo, na terra do Patinho Feio, do Lego, da Bang & Olufsen, do castelo de Hamlet, do arquitecto da Ópera de Sidney, dos vikingues, do berço do design nórdico: uma terra de príncipes e princesas. Onde me senti em casa.

The June sessions

Ou: uma evasão meridional o mais real possível.
Muito sol, calor seco, mar e mar, alimentação mediterrânica com muito peixe grelhado, azeite e pão do Sul, noites quentes e estreladas, perfumes doces, entardeceres lânguidos. O mês de Junho, encerrei-o em beleza.

Às vezes,

o mundo é [mesmo] o sítio mais triste do mundo, como alguém dizia.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Nørdic Mist (2)

Københaven é a nova menina dos meus olhos.

Ralações humanas

É no que se tornam, ao fim e ao cabo, algumas relações humanas.

Nørdic Mist ®

Dizia que pedir água tónica tinha reminiscências vagamente coloniais – que era coisa de inglês na Índia.

Pobre menina rica

Era um pouco de auto-comiseração para a Barbara Hutton da mesa 8, se faz favor.

"O verdadeiro windowshopping"

Os cómicos relatos de um amigo acerca de como deambulou pelo Red Light District de Amesterdão.

Cartão de visita

Dos amigos do sexo oposto, com homossexualidade mal resolvida, recebia convites sociais simpáticos, condescendentes: uma jovem com bom aspecto é sempre um agradável cartão de visita em redes de sociabilidade ambíguas.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Próximo destino: a terra do meu amigo Søren Kierkegaard

De malas feitas, para mais uns dias aqui.
Até já.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Copenhaga, há uns dias

A Nova Ópera, do lado de lá, Amalienborg do lado de cá e, ao fundo, a Ponte de Oresund e a Suécia.

Bom senso bíblico

Por mais que custe, não olhes para trás, ou transformas-te em sal, como a mulher de Lot.

Bons vícios (3)

Os álbuns “Return of the Mac” e “Year Zero” – The Prodigy e Nine Inch Nails

Bons vícios (2)

O “Back to Black” da (muito viciada) Amy Winehouse.

Bons vícios (1)

A banda sonora original do filme “Marie Antoinette”, de Sofia Coppola (2006).
The Cure, The Radio Dept., Bow Wow Wow, New Order, Siouxsie & the Banshees, The Strokes, etc.
Résumé/Abstract: anos 80 sim, mas (só) dos bons.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Quarto com vista sobre a cidade (e o Tivoli)


Thin red line

O mundo divide-se, isso sim, entre quem vai à Suécia e quem nunca lá esteve.

Oh, I don't like it like this

I’m dying here
And you keep walking

(“I don’t like it like this”, The Radio Dept.)

Estocolmo

- Aqui estão 15 graus – lamentei-me.
- Aqui estão -15 graus – informou-me o meu amigo na diáspora.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Crimes em série

Confesso que perdi 3,5 episódios do Portugal – um Retrato Social, do António Barreto. Shame on me.

Crimes em série

Sou uma herege, uma iconoclasta, uma proscrita entre os meus amigos: nunca apreciei o Dr. House.

Crimes em série

O horário proibitivo das Donas de Casa Desesperadas.

Crimes em série

Não acompanho a Anatomia de Grey tão devotadamente quanto devia.

Crimes em série

Ao domingo, esqueço-me sempre de prestar culto ao Wentworth Miller, perdão, ao Prision Break.
(Vou ali punir-me severamente e já volto.)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Danneborg


Da série: Ódios de estimação

O provicianismo de alguns portugueses no estrangeiro: tudo tem que ser comparado com o que há em Portugal, sem haver um olhar limpo de relativização perante o que é novo e diferente.
Turistas portugueses no Norte da Europa: uma praga evitada e a evitar.

Da fuga para a frente

Nunca gostei de encontrar compatriotas lá fora. Ouvir falar a minha língua, ver fisionomias e hábitos lusos. É como se me sentisse friamente roubada da experiência de evasão.

Girl, interrupted


Quixotescos

Enveredaram por uma via animados pela ideia romântica de defender os fracos e oprimidos, um, e de curar os enfermos à João Semana, o outro. Perceberam a ilusão, e viram-se velhos, quando o percurso os levou ao beco do aburguesamento cómodo do seu altruísmo inflamado e juvenil.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Triângulo das Bermudas

Geralmente, as poucas pessoas interessantes com quem ela se cruzava na vida desapareciam pouco depois. Viajavam para o estrangeiro, mudavam-se para outra cidade, perdia-se-lhes o rasto, sumiam-se. Deixavam-na sozinha no meio da mediocridade dos que ficam.

Algo está podre no reino da Dinamarca


Meu caro Hamlet:


Olhe que isso deve ser dos ares de Helsingor, porque em København está tudo maravilhoso.


Beijo.



Z.

Agarrados

O final de uma relação é como deixar uma dependência. O que mais custa são os primeiros tempos de privação e é importante arranjar-se uma terapia de substituição.

Agarrados (2)

Perde-se uma espécie de imunidade. Mas ganham-se anticorpos inesperados.

Cansei de ser sexy

Um belo dia, cansou-se. Foi quando descobriu esse curioso projecto musical de umas miúdas brasileiras, num voo intercontinental, e se identificou com o nome.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.