sábado, 12 de junho de 2010

Um pouco de Turquia, aqui

Há dias, fui ver isto. Rodopio derviche. Enigmático, místico, de cariz vincadamente espiritual. A mão direita para cima, a esquerda sempre para baixo. Giram, giram, e nunca se desequilibram.

Eu também gostava de ter essa capacidade: apesar dos torvelinhos da vida, não me deixar desequilibrar. Mas eu nunca chegarei ao estado de nirvana destes homens. Demasiado humana e imperfeita para isso.

Hoje apetecia-me voltar a (Paris)

E voltar a tirar esta foto numa pracinha mesmo ao lado da Sorbonne, com o (meu pretensioso)contraste do garoto ruivo empoleirado na rigidez da estátua do solene Auguste Comte, o homem do Positivismo.

Balzaquianas (32)

Laetitia Casta (n. 1978)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mulher-bomba

Hum. Não. Não é uma questão de ser fundamentalista islâmica.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Anestesia geral

Com o Mundial de Futebol, o Benfica campeão e o Papa pelo meio, temos, no primeiro semestre deste ano, um lindo parêntesis de anestesias para uma boa parte do povo português, daquele que se presta muito a estas coisas. O Sócrates pode subir o IVA à vontade e taxar os subsídios da malta toda, que nem dão pela picada. Então com o Verão, o calor e a praia, ui, aí é que só vão mesmo acordar para a vida em Outubro. E se já temos Fátima e futebol, só falta mesmo o fado, para estar completa a trilogia da alienação, à boa maneira dos tempos do Senhor Professor.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Bolsa de valores


Toda a gente tem uma bolsa de valores emocionais. A minha tem encerrado em alta. Enfim. Os índices não são o Nikkei ou o Dow Jones. Mas são igualmente válidos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Yes, we can-can

(Obama, revisitado.)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sunday morning


Immanuel Kant, escreveu um dia (decerto na sua querida Königsberg natal, o homem parece que nunca saía de lá), qualquer coisa como "Acima de mim, o céu estrelado. Em mim, a lei moral". É bonito. E eu admiro tanto a força estóica da moral kantiana, governada pela sua inexorável lei moral. Admiro. Sobretudo aos domingos de manhã.

domingo, 6 de junho de 2010

Hoje apetecia-me voltar a (Copenhaga)

E de ver homens (realmente) bonitos nas esplanadas no Nyhavn.

Trás-os-Montes

Há em muitas pessoas do interior norte do País uma espécie de pureza primordial que nem sempre é fácil encontrar noutros lados. E é adorável quando essa idiossincrasia se reflecte em certas expressões ou detalhes de atitude social.
Como quando um jovem, para arrefecer os ânimos do grupo de amigos, diz: "Malta, não vos passeis...".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

1 para 1 milhão

Habituamo-nos desde cedo à concorrência, ao sete-cães-a-um-osso, ou ao mero acaso entre milhentas possibilidades.
É o jogo das probabilidades, que se estuda em Análise Estatística.
De entre milhões de espermatozóides, apenas um se funde com o óvulo. De entre centenas de candidatos, só um fica com o emprego. De entre milhares de apostadores, apenas a um sai o jackpot. De entre as muitas, muitas, pessoas que se cruzam connosco ao longo da vida, apenas uma nos conquista verdadeiramente.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eclesiastes 3:1-8

"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar (...)."
[Tempo de usar gola alta, e tempo de usar decotes.]

A ronda do dia

A Ronda da Noite, Rembrandt (1606 - 1669)
Meia hora sentada a olhar para isto no Rijksmuseum. É que ocupa uma parede inteira (das grandes).
Pronto, na verdade, precisávamos de nos sentar para descansar, depois da ronda dos museus. E para descansar, nada melhor que sentar e olhar para uma (boa) parede.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Autópsia

Quando uma relação amorosa acaba, por vezes, é melhor não sermos demasiado exaustivos a dissecá-la. Pode-se encontrar novas e surpreendentes causas de morte.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ascensão & Queda

Ah, sim, o vernáculo pode ser tão catárctico, mesmo que em pensamento. Sobretudo, quando alguém se vai a sentir nas alturas, do alto dos seus pumps azuis vertiginosos, tão alta, tão linda, tão fantástica, e inesperadamente se cede à força da gravidade em frente a uma esplanada cheia.

Quando isto acontece, uma pessoa tenta reunir todos os pedaços da fragmentada dignidade espalhados pelo chão da (malfadada) calçada portuguesa, reequilibrar-se mortificada, erguer a sustentável leveza do seu ser (porque ninguém estende uma mão auxiliadora), e prosseguir altiva, como se tivesse de ir num instante resolver o conflito Israelo-Palestiniano.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Testosterona de luxo #7

E por falar em James McAvoy
(e o seu sotaque escocês)

Expiação

Atonement (2007)
Li, há uns anos, de um fôlego só, o livro do Ian McEwan (Comprei-o num impulso pueril por causa da epígrafe, com uma citação de Northanger Abbey, da minha Jane Austen.)

Anyway. Uma escrita sempre forte, sem perder o ritmo narrativo, que impele para os ambientes que constituem o cenário (tantas vezes sufocante de privação de liberdade ou esmagador de remorso) das personagens, e que provoca sensações físicas semelhantes às delas (a fome durante um contexto bélico-militar, a libido de um encontro íntimo, a tensão latente num dia quente de Verão).
Acima de tudo, é muito Virginia Woolf, pela densidade psicológica com que acompanha e descreve o curso solto dos pensamentos, associações de ideias, angústias e conflitos interiores das personagens.
No filme, de 2007, a reter: a interpretação exímia do jovem (escocês, claro) James McAvoy e aquele vestido.
Ai, aquele vestido. Aquele vestido é O Vestido.

domingo, 30 de maio de 2010

Não era à toa que ser pitonisa, no Império Romano, era um bom emprego

No extremo oeste da península ibérica, "há um povo que não se governa nem se deixa governar".