segunda-feira, 14 de junho de 2010

Boys 'R' Us


Era uma rapariga como tantas outras. Tratava os homens como brinquedos. E os brinquedos também se estragam. Ups.

domingo, 13 de junho de 2010

Morangos

Não percebo porque é que sou a única criatura em todo o universo que não fica louca com o tempo das cerejas. Eu sou mais morangos. Strawberry person, vá, se quisermos estilizar um pouco isto.

Clássicos


Ver o Anna Karenina de 1997, depois de o conhecermos na monumental versão escrita de Tolstoi, pode ser uma experiência de profunda desilusão. É certo que não é fácil adaptar uma obra literária esmagadora a duas ou três horas cinematográficas. Mas, se não é fácil, é por isso que não deveriam entregar essa missão a pessoas que não o sabem fazer com grande arte. É uma pena, porque a excelente Sophie Marceau é um desperdício ali e o seu talento e beleza são eclipsados por um argumento absurdamente adaptado e outros desastres que tais. Muito deprimente.

Entretanto, para expurgar-me da decepção Rússia imperial oitocentista, vou ali ver o Apocalipse Now, esse outro grande clássico que nunca vi (mea culpa, mea maxima culpa). E depois de ter visto há dias (e também pela primeira vez, imagine-se!) a trilogia de O Padrinho, a seguir vou ver, se me der na cabeça, o Platoon.

Estou voluntariamente a despojar-me da cinefilia girlish que costumo cultivar. O que é um esforço louvável da minha parte, há que dizê-lo.

Testosterona de luxo #9

Henri Castelli

sábado, 12 de junho de 2010

Um pouco de Turquia, aqui

Há dias, fui ver isto. Rodopio derviche. Enigmático, místico, de cariz vincadamente espiritual. A mão direita para cima, a esquerda sempre para baixo. Giram, giram, e nunca se desequilibram.

Eu também gostava de ter essa capacidade: apesar dos torvelinhos da vida, não me deixar desequilibrar. Mas eu nunca chegarei ao estado de nirvana destes homens. Demasiado humana e imperfeita para isso.

Hoje apetecia-me voltar a (Paris)

E voltar a tirar esta foto numa pracinha mesmo ao lado da Sorbonne, com o (meu pretensioso)contraste do garoto ruivo empoleirado na rigidez da estátua do solene Auguste Comte, o homem do Positivismo.

Balzaquianas (32)

Laetitia Casta (n. 1978)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mulher-bomba

Hum. Não. Não é uma questão de ser fundamentalista islâmica.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Anestesia geral

Com o Mundial de Futebol, o Benfica campeão e o Papa pelo meio, temos, no primeiro semestre deste ano, um lindo parêntesis de anestesias para uma boa parte do povo português, daquele que se presta muito a estas coisas. O Sócrates pode subir o IVA à vontade e taxar os subsídios da malta toda, que nem dão pela picada. Então com o Verão, o calor e a praia, ui, aí é que só vão mesmo acordar para a vida em Outubro. E se já temos Fátima e futebol, só falta mesmo o fado, para estar completa a trilogia da alienação, à boa maneira dos tempos do Senhor Professor.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Bolsa de valores


Toda a gente tem uma bolsa de valores emocionais. A minha tem encerrado em alta. Enfim. Os índices não são o Nikkei ou o Dow Jones. Mas são igualmente válidos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Yes, we can-can

(Obama, revisitado.)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sunday morning


Immanuel Kant, escreveu um dia (decerto na sua querida Königsberg natal, o homem parece que nunca saía de lá), qualquer coisa como "Acima de mim, o céu estrelado. Em mim, a lei moral". É bonito. E eu admiro tanto a força estóica da moral kantiana, governada pela sua inexorável lei moral. Admiro. Sobretudo aos domingos de manhã.

domingo, 6 de junho de 2010

Hoje apetecia-me voltar a (Copenhaga)

E de ver homens (realmente) bonitos nas esplanadas no Nyhavn.

Trás-os-Montes

Há em muitas pessoas do interior norte do País uma espécie de pureza primordial que nem sempre é fácil encontrar noutros lados. E é adorável quando essa idiossincrasia se reflecte em certas expressões ou detalhes de atitude social.
Como quando um jovem, para arrefecer os ânimos do grupo de amigos, diz: "Malta, não vos passeis...".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

1 para 1 milhão

Habituamo-nos desde cedo à concorrência, ao sete-cães-a-um-osso, ou ao mero acaso entre milhentas possibilidades.
É o jogo das probabilidades, que se estuda em Análise Estatística.
De entre milhões de espermatozóides, apenas um se funde com o óvulo. De entre centenas de candidatos, só um fica com o emprego. De entre milhares de apostadores, apenas a um sai o jackpot. De entre as muitas, muitas, pessoas que se cruzam connosco ao longo da vida, apenas uma nos conquista verdadeiramente.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eclesiastes 3:1-8

"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar (...)."
[Tempo de usar gola alta, e tempo de usar decotes.]

A ronda do dia

A Ronda da Noite, Rembrandt (1606 - 1669)
Meia hora sentada a olhar para isto no Rijksmuseum. É que ocupa uma parede inteira (das grandes).
Pronto, na verdade, precisávamos de nos sentar para descansar, depois da ronda dos museus. E para descansar, nada melhor que sentar e olhar para uma (boa) parede.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Autópsia

Quando uma relação amorosa acaba, por vezes, é melhor não sermos demasiado exaustivos a dissecá-la. Pode-se encontrar novas e surpreendentes causas de morte.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ascensão & Queda

Ah, sim, o vernáculo pode ser tão catárctico, mesmo que em pensamento. Sobretudo, quando alguém se vai a sentir nas alturas, do alto dos seus pumps azuis vertiginosos, tão alta, tão linda, tão fantástica, e inesperadamente se cede à força da gravidade em frente a uma esplanada cheia.

Quando isto acontece, uma pessoa tenta reunir todos os pedaços da fragmentada dignidade espalhados pelo chão da (malfadada) calçada portuguesa, reequilibrar-se mortificada, erguer a sustentável leveza do seu ser (porque ninguém estende uma mão auxiliadora), e prosseguir altiva, como se tivesse de ir num instante resolver o conflito Israelo-Palestiniano.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Testosterona de luxo #7

E por falar em James McAvoy
(e o seu sotaque escocês)

Expiação

Atonement (2007)
Li, há uns anos, de um fôlego só, o livro do Ian McEwan (Comprei-o num impulso pueril por causa da epígrafe, com uma citação de Northanger Abbey, da minha Jane Austen.)

Anyway. Uma escrita sempre forte, sem perder o ritmo narrativo, que impele para os ambientes que constituem o cenário (tantas vezes sufocante de privação de liberdade ou esmagador de remorso) das personagens, e que provoca sensações físicas semelhantes às delas (a fome durante um contexto bélico-militar, a libido de um encontro íntimo, a tensão latente num dia quente de Verão).
Acima de tudo, é muito Virginia Woolf, pela densidade psicológica com que acompanha e descreve o curso solto dos pensamentos, associações de ideias, angústias e conflitos interiores das personagens.
No filme, de 2007, a reter: a interpretação exímia do jovem (escocês, claro) James McAvoy e aquele vestido.
Ai, aquele vestido. Aquele vestido é O Vestido.

domingo, 30 de maio de 2010

Não era à toa que ser pitonisa, no Império Romano, era um bom emprego

No extremo oeste da península ibérica, "há um povo que não se governa nem se deixa governar".

Hoje apetecia-me voltar a (Bratislava)

E novamente, numa manhã fria, atravessar a correr o pátio silencioso daquele castelo à beira do Danúbio.

Eu, que me esforço tanto para que a minha vida não tenha piada nenhuma

Todos os dias me cruzo, pessoalmente, com palhaços.


Sabes que a vida te tem castigado um bocadinho quando

nem nos próprios sonhos consegues recriar um cenário perfeito.

sábado, 29 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A nobre ciência de Keynes e Schumpeter

Não é uma questão conjuntural nem estrutural. É só momentâneo. Gosto de ver e ouvir um homem atraente a falar de ciclos de Kondratief.

Natural born kisser

[É que já são alguns a dizer o mesmo. Começo a detectar aqui um padrão.]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pin-up


Kate Moss para a Vogue francesa Junho/Julho 2010
Definitivamente, vou adoptar este estilo no Verão. A começar nos lábios com batom vermelho.


E a acabar sabe-se lá onde.

Em busca do tempo perdido

Ando sistematicamente a adiar ler Proust, com o subterfúgio de que não tenho tempo, e ando a recuperar aquele que perdi.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Hoje apetecia-me voltar a (Florença)


E voltar a sentar-me nas arcadas da Piazza della Signoria, mesmo ao lado dos Uffizi, tal e qual a Lucy Honeychurch, em Room with a View.

União de factos

Quando se juntam dois ou mais factos, e se conclui uma série de coisas.

Condição necessária, mas não suficiente

"Gostar de alguém", em linguagem matemática.

Da aleatoriedade dos legados genéticos

Três gerações.






terça-feira, 25 de maio de 2010

Placebo

Alguém que não é quem se tinha previsto, mas que produz em nós o mesmo efeito.

Não tenho pulso forte

Nunca contem muito comigo para masturbar o ego e as vaidades dos outros.

Testosterona de luxo #5

Rodrigo Santoro

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O tipo ideal

O "tipo ideal", para o clássico da sociologia Max Weber, era um puro instrumento de análise, sem correspondência com a realidade, um ponto de partida para a construção de tipologias no estudo de grandes conceitos abstractos.
Weber era sábio. Para uma rapariga, o "tipo ideal" também nunca corresponde à realidade.

Marcar território

Por vezes, são ferozes os fenómenos de territorialidade entre homens.
É difícil para uma rapariga ver-se surpreendida no meio deles (dos fenómenos, quero eu dizer).

domingo, 23 de maio de 2010

Meninas Exemplares (IX)

Não hierarquizam os rapazes que frequentam o mesmo ginásio num sistema complexo de classificação de 0 a 100.

Meninas Exemplares (VIII)

Não fazem topless no terraço.

Meninas Exemplares (VII)

Não piscam o olho a desconhecidos, à saída do elevador.

Meninas Exemplares (VI)

Não levantam o top à frente dos estáticos e indefesos Guardas da Rainha.

Meninas Exemplares (V)*

Não fazem olhinhos ao condutor de trás pelo espelho retrovisor.


(*O regresso ao clássico da Condessa de Ségur - com adaptação aos tempos modernos.)

sábado, 22 de maio de 2010

Of some pleasures a little goes a long way

(Ainda sobre o flirt.)

Inversão

Acho que o mais acertado era inverter-se o que John F. Kennedy dizia em relação ao que o País pode fazer por nós, e aplicar isso a essa estupidez que agora se inventou da Sagres Zero promover o "O que é que fazias pela nossa Selecção?".
Temos que perguntar é o que é que a Selecção vai fazer por nós, e não o contrário. Nem que seja pelas quantias exorbitantes com que se paga aos jogadores.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Camaleão

Confesso que invejo as pessoas que têm posições políticas claras e definidas. Quase desejava, nesse sentido, ter uma visão maniqueísta do espectro político. Era redutor, mas simples. Algo que me ajudasse: ou carne ou peixe.
Mas não consigo. Vejo razões e virtudes em todos. E há erros e incongruências em todos. O que é um bocado desesperante.

Antecipar dias quentes #3


Little Joy, Keep me in mind
(Apetece dizer isto a certas pessoas.)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Isto é tão bom, mas tão bom, que ando há um ano e meio com esta frase na cabeça

No amor, assim como no ginásio, por vezes o que faz falta é um personal trainer. Alguém que nos grite "insiste insiste" quando a vontade é parar e desistir a meio.

Obrigada, meu querido.

Procrastinação

- (...) E tu és linda.

(pausa dramática)

- Dizes isso a todas - respondeu, prosaica. E voltou-lhe as costas.

Mas do que eu gosto mesmo é de darwinismo social

Creation (2009), com os excelentes Paul Bettany e Jennifer Connelly

Retrato intimista dos conflitos pessoais e dilemas familiares daquele que um dia andou a bordo do Beagle e desembarcou nas Galápagos.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Grandes dogmas incontornáveis

Não há melhor exfoliante que uma barba de dois dias.

Heart of glass

O meu coração também é de vidro.

Mas não esqueçamos que o vidro, antes de solidificar, já foi matéria derretida quando submetida a elevadas temperaturas.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Isto sim, é ciência divertida (e muito útil)


A ciência ao serviço da arte. O Science Museum de Londres promoveu em Abril um workshop de maquilhagem egípcia, com produtos naturais do Antigo Egipto, que datam de centenas de anos antes de Cristo.
Se bem que isto não me parece maquilhagem, mas antes um extreme make over.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma casa em Teerão

Quando já se tem Iranianos conhecidos, pode-se finalmente começar a planear a concretização de um estranho sonho de ir à antiga Pérsia.
Agora só resta esperar que o regime dos Ayatollahs acabe de vez, para evitar acabar presa, sei lá, por mostrar um milímetro de pele das mãos ou outra loucura assim parecida.

domingo, 16 de maio de 2010

Ah, sim. Eu bati no fundo.

Eu dantes lia Balzac, Kundera, Wilde, Goethe. Agora leio grandes obras de estrelas decadentes de Hollywood.

sábado, 15 de maio de 2010

Vai buscar a vodka à avó

Há famílias disfuncionais que são divertidas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A sofrer, desde 1929

Não há modelos sócio-económicos perfeitos, nem há sistemas eternos, isso toda a gente sabe. Agora temos este, há uns séculos, e temos que lhe suportar os defeitos e as birras. Que é como quem diz, as crises cíclicas. Até ao "colapso final" que alguns andam a agoirar há tanto tempo, mas que ainda assim não se concretizou. (Lixaram-se, a utopia socialista expirou muito antes.) E desde o grande crash da 5ª Feira Negra quem se trama sempre é o trabalhador por conta de outrem, meus amigos. Faz lembrar o Azeite Gallo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Do oficial e do oficioso

Elisabeth da Áustria, também conhecida por Sissi, foi uma vez a um baile de máscaras em Viena, incógnita. Tinha trinta e seis anos e era casada há vinte com o Imperador Franz Joseph. Nesse baile, conheceu um jovem funcionário da Corte, dez anos mais novo, com quem dançou algumas valsas, mas a quem nunca deu a conhecer a sua verdadeira identidade. Nunca mais se encontraram, mas durante vários anos mantiveram uma romântica correspondência secreta. Ele só soube da verdade muito tempo mais tarde, muito depois de ela ter sido assassinada na Suíça por um anarquista italiano.

Serenata

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Political statement

Apercebi-me recentemente que ele caiu em desuso nos últimos 10 ou 15 anos, e que por isso é raro ver raparigas novas a usá-lo com a segurança da Vanessa Paradis. Eu vou usá-lo neste Verão.
Mas isto é só para quem os tiver no sítio. Os lábios, claro.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O país de que toda a gente fala (2)





















O país de que toda a gente fala


Percorrer o labirinto do bairro Anafiotika, subir ao Monte Lycavittus, passear na Praça Syntagma, explorar Monastikari, ir até ao Keramikos, e à Platia Omonia também, descobrir a boa surpresa do Museu da Acrópole, posar para a foto em frente às Cariátides do Erecteion, apreciar o templo de Zeus, deambular pelas ágoras romana e grega, descer o Aerópago, perder-se na Plaka, sempre, sempre, com o raio desta musiquinha a soar na cabeça.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Samuel Beckett é uma maçada

O dramaturgo irlandês conforta-nos com o seu Ever tried/ever failed/no matter/try again/fail again/ fail better, e isto é tudo muito lindo, muito apaziguante, muito humano, muito processo construtivo de aprendizagem, e até vem estampado em t-shirts da Zara e tudo, mas, na verdade, é filosofia de perdedores.
Porque eu estou um bocado farta de derrotas e sou impaciente e queria era sentir o sabor doce da vitória. Já.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Porque é Queima (e eu tenho MUITAS saudades)

Nunca pensei que um nórdico pudesse lixar-me os planos

Eyjafjallajokull

Dégas

Que soube, como ninguém, retratar os bastidores da dança.

A vida tem muito mais imaginação que nós

Edgar Dégas (1834-1917)
Quem, a um dado momento, passa a dedicar-se à dança (tal como a um desporto), sabe que ela materializa na nossa vida uma busca de evasão, de um espaço/tempo em que se foge à disciplina imposta do dia a dia, em que o corpo (espartilhado por regras sociais e rigidez auto-imposta) se solta, ganha flexibilidade, movimento, ritmo, liberdade, improviso.

Inaugura-se uma nova relação com o corpo, ganha-se (ou recupera-se) a consciência dele, a exposição física dá o mote e a expressão corporal dita as regras.

A vida nunca se cansa de nos trazer supresas, por mais tempo que passe.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Solidez

A actriz Maria Luísa Mendonça deu há muitos, muitos anos uma entrevista, da qual nunca me esqueci desta frase simples: "A minha filha estrutura-me".
De facto, as pessoas muito importantes na nossa vida reflectem essa imagem de solidez, de sustentáculo, de perenidade: uma estrutura, um alicerçe, um pilar, uma âncora.

quarta-feira, 5 de maio de 2010