Andrea Corr (n. 1974)
"Oh, those women! They nurse and cuddle their presentiments, and make darlings of their ugliest thoughts . . ." William Thackeray ("Vanity Fair")
(Calma, lá chegará o dia em que falarei de trânsito intestinal, mas ainda não é hoje.)
Quando me vejo no meio de um gineceu generoso em camadas adiposas sinto-me sempre uma marginal, uma outsider, uma traidora da fisionomia tradicional feminina e da boa imagem ancestral de fertilidade. Estou no limbo. Enfim, uma proscrita entre elas.
Amar tem contrapartidas, todos o sabemos.
Quando se é perfeccionista incorrigível e um bocado control freak, tem-se imensa dificuldade em aceitar as incongruências da vida. Tais como uma boa parte do nosso percurso depender do puro acaso e, muitas das vezes, dos erros.

Uma princesa persa do século XVII, Arjumand Banu Begam, casou-se com Shah Jahan, imperador mongol. Shah Jahan, que recebeu todo o seu apoio e afecto em várias circunstâncias, e que a adorou em vida, ficou devastadíssimo com a sua morte. Encomendou então o mais belo túmulo que alguma vez havia sido erguido, e desenhou ele próprio o projecto, para homenagear para sempre a mulher da sua vida. Mesmo (ou sobretudo) depois de 14 filhos e quase vinte anos de vida em comum.
Uma vez, um sueco disse-me que tinha estado no Porto. Quando lhe perguntei se tinha gostado, respondeu-me que tinha achado a cidade“muito comunista”.