sábado, 3 de julho de 2010

Balzaquianas (36)

Andrea Corr (n. 1974)

Tudo em família

Três gerações de britânicas, avó, filha e neta, embriagam-se alegremente no voo de Londres para Palma de Maiorca.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Tráfego emocional

(Calma, lá chegará o dia em que falarei de trânsito intestinal, mas ainda não é hoje.)
Às vezes, estamos bloqueados em termos afectivos e só vemos sentidos proibidos, limites de velocidade e proibitivos semáforos vermelhos. E é uma maçada quando vemos isso tudo mas só nos apetece carregar a fundo no acelerador e seguir sempre a abrir.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Apologia das magras

Quando me vejo no meio de um gineceu generoso em camadas adiposas sinto-me sempre uma marginal, uma outsider, uma traidora da fisionomia tradicional feminina e da boa imagem ancestral de fertilidade. Estou no limbo. Enfim, uma proscrita entre elas.

Por isso, volto sempre a este texto cru e incisivo do Eduardo n'A Sexta Coluna, que, apesar de ter quase quatro anos, ainda é reconfortante:

"Em Espanha, depois do fumo e da sesta, querem proibir a magreza das mulheres. Sou, como é óbvio, contra. Gosto de mulheres magras. De preferência, muito magras. Se possível, majestaticamente magras e curvilíneas. Contradição? Nem por isso. As curvas não têm nada a ver com o peso. Existem ou não existem. São um dote natural. Uma mulher sinuosa, magra ou gorda, é sempre uma mulher sinuosa. A magreza apenas realça ainda mais as curvas que já ostenta. Ao contrário, uma mulher sem curvas, por mais que amplie a massa corporal, está condenada a viver sem curvas. A gordura nunca se acomoda onde faz falta. A sua distribuição pelo corpo é dos fenómenos mais grosseiros da natureza. A gordura é infame. Assalta o pescoço, os braços, a cintura, os tornozelos, os pés. Deixa a mulher pesada e (afinal) sem forma.Por mais que tentem impingir às pessoas que o que interessa é o interior, a verdade é esta: em primeiro lugar, mulher magra e curvilínea; em segundo, exequo, mulher generosa e curvilínea e mulher magra e aplanada; último lugar: mulher gorda."

Que eu, nestas questões, admiro sempre os homens: não têm dilemas com o corpo e não alimentam essa construção social hipócrita da "beleza interior".

Técnicas de reanimação

O coração é um músculo, como outro qualquer. Quando esteve parado durante muito tempo e volta a ser trabalhado, dói.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pelos céus fora

O meu desporto de Verão é ficar na areia, meio deitada, meio soerguida na toalha de praia, a assistir, divertida, e a esperar pela improbabilidade de um dia eles levantarem voo de uma vez por todas, e nunca mais ninguém os apanhar. Sou um caso irremediável de maldade(zinha).

É quase como vender a alma ao diabo

Amar tem contrapartidas, todos o sabemos.
Por exemplo, se queremos embarcar nisso do amor, e ter toda a felicidade associada, também temos de estar preparados para uma certa dose de sofrimento.

Seja antes de tudo começar (há processos de conquista que são autênticos partos dolorosos), seja durante (as célebres crises dos 3, dos 7, dos 10 anos, etc.), seja depois (quando tudo acaba).

Ou seja. Somos amados, mas sofremos um bocado. Mas somos amados. (Hum... Mas, lá está, sofremos um bocado.)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Simetria

Quando se é perfeccionista incorrigível e um bocado control freak, tem-se imensa dificuldade em aceitar as incongruências da vida. Tais como uma boa parte do nosso percurso depender do puro acaso e, muitas das vezes, dos erros.
Quem procura seguir uma trajectória linear, certinha, sofre sempre de cada vez que há desvios imprevistos. A quem sempre adorou a simetria, o equilíbrio e as escolhas racionais, custa-lhe, quando se impõem as irregularidades das escolhas afectivas.

La famiglia




O prognatismo de D. Vito Corleone (aka Marlon Brando com algodões no interior das bochechas) é dos produtos cinematográficos mais tragicómicos que Hollywood jamais pariu.

Mas adiante.

A certa altura da vida, já todos nós conhecemos gente que se assemelha à da pandilha siciliana do Padrinho Corleone. Gente do piorio, mânfios de primeira apanha, mas, ai credo!, com grandes pruridos de honra e códigos “éticos” muito nobres, sempre muito enfiados na igreja e a benzerem-se todos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A semana inteirinha nisto:

Anti-clímax

O que mais aprecio num homem é uma virtude rara.
Não é a beleza, nem o sentido de humor, nem tão pouco a inteligência.
É a bondade.

domingo, 27 de junho de 2010

Existencialismo e dança oriental clássica



Ah, pois. Pensava-se que isto era um blog muito clássico e sereno e tal, e afinal , vai-se a ver, tem um lado bimbo.
Aliás, eu diria mesmo que se pode falar em hipertrofia do lado bimbo.
Mas que querem? Em vez de me dedicar à angústia existencialista e ao solipsismo da alma nas quais se refugiou o meu filósofo Kierkegaard quando acabou tudo com a Regina Olsen, decidi dedicar-me à dança.
Não vou ficar para a História do moderno pensamento europeu, mas divirto-me muito mais do que ele.

Olha, esta menina dança (quase) tão bem como eu





É alemã e tem o meu estilo de dança preferido: sorridente, delicada, elegante e extremamente feminina.

No extremo oposto, mas igualmente perfeitas no que fazem, estão a Saida (voluptuosa, inflamada, mas um bocado pornostar), a Didem (exuberante, mas um pouco exagerada nas técnicas de percussão) e a sempre magnífica Rachel Brice (ainda que gótica e no seu próprio estilo de fusão tribal).

sábado, 26 de junho de 2010

Da intemporalidade

Uma princesa persa do século XVII, Arjumand Banu Begam, casou-se com Shah Jahan, imperador mongol. Shah Jahan, que recebeu todo o seu apoio e afecto em várias circunstâncias, e que a adorou em vida, ficou devastadíssimo com a sua morte. Encomendou então o mais belo túmulo que alguma vez havia sido erguido, e desenhou ele próprio o projecto, para homenagear para sempre a mulher da sua vida. Mesmo (ou sobretudo) depois de 14 filhos e quase vinte anos de vida em comum.

Balzaquianas (35)

Drew Barrymoore (n. 1975)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Testosterona de luxo #11


Príncipe Carl Philip da Suécia

Aqui está um garoto por quem eu não dava nadinha há uns anos, e que, afinal, aos 31, se tornou um belo homem. Aliás, um belo Príncipe.

Os suecos, por outro lado

Uma vez, um sueco disse-me que tinha estado no Porto. Quando lhe perguntei se tinha gostado, respondeu-me que tinha achado a cidade“muito comunista”.

Depreendi que ele não estivesse a falar da atmosfera ideológica da cidade ou das gentes, mas sim de similaridades estéticas (alguma degradação e obscuridade arquitectónicas e urbanísticas) entre o Porto e algumas cidades da velha Cortina de Ferro, por oposição às assépticas cidades nórdicas.

Decidi não lhe dar conversa. Não era muito giro, enfadou-me, e eu não o quis defraudar nas (muito baixas) expectativas que certamente tinha em relação às pessoas portuguesas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Prazeres fonéticos

Bem, tudo aquilo no post anterior para dizer que há verdadeiros
deleites inexplicáveis.
Como o som gutural da língua sueca. Sons
ásperos que parecem ter estranhos laivos de idiomas asiáticos, que
parecem vir directamente e sem qualquer evolução da dos antigos
bárbaros vikingues e outros grupos tribais do Norte gelado. Uma língua
tão agreste que contrasta com a sofisticação do seu povo. E que,
apesar de indecifrável, proporciona um puro gozo auditivo.
Ora reparem:




Prazeres fonéticos (Preâmbulo)


A Suécia tem muita coisa boa. A comida não é uma delas.

Mas, por exemplo, a forma hábil com que se optimizou o potencial turístico do casamento da princesa Victoria é louvável, como aqueles cartazes todos à chegada ao aeroporto de Estocolmo a dizerem“Bem-vindos à cidade do amor”.

E também a forma como se incorporou logo o potencial simbólico dedemocracia e de sociedade sem grandes desníveis de classes sociais queo próprio casamento da Victoria consubstancia: o jovem personal trainer, empresário self made man, que se torna príncipe consorte dafutura rainha.

Potencial simbólico aquele que, na geração anterior, já havia sidoapanágio do casamento dos próprios pais de Victoria, unindo um jovem rei a uma rapariga plebeia de origem germânico-brasileira (coisa pela qual muito lutaram e que, por só por isso, não desculpa as resistências iniciais que colocaram à Victoria e ao seu Daniel, mas enfim).

A família real sueca é uma família jovem, simpática, moderna, que educou os filhos em escolas públicas até ao secundário, não tem grandes snobismos nem escândalos. E que, como se vê, consegue até conquistar simpatia junto de uma jovem republicana portuguesa.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Não, nunca morre

Era perito a escrever frases crípticas. O que ele não sabia é que ela tinha todo o prazer em despi-lo de enigmas.