sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A feira das vaidades


Pela quarta vez consecutiva fui convocada para um evento (pseudo-social) ligado ao meu meio profissional. Recusei.
A única vez que aceitei ir foi há dois anos. Infelizmente, a minha presença foi aquilo que outros consideraram um (involuntário) «sucesso», que se traduziu em me ver rodeada de vampiros sociais, fotografada até à alma e filmada até à medula.

E eu, que nunca fui "party animal", vi a minha vida pessoal (previsivelmente) ser escrutinada e fantasiada por meia dúzia de putéfias despeitadas e um gay invejoso.
Em suma, os ganhos são mínimos, e os transtornos consideráveis.
Feiras de vaidades? Não, só no título do blogue, obrigada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Música Tradicional Portuguesa

Deixo só aqui mais uns exemplos de boa música tradicional portuguesa (com alguns vídeos de má qualidade), esperando que ninguém pense que eu sou comunista ou que me confunda com os senhores que eu vi num (excelente) espectáculo chamado "Sementes de um Povo que Canta" (e, pior que tudo, que não pensem que eu uso aquelas sandálias que os comunistas costumam usar. Hum. A ironia é uma coisa tão burguesa.)







Fado VS Música Tradicional Portuguesa (2)

Assim, para mim, aquela que deveria representar Portugal como música
típica não é fado nenhum, mas sim a música tradicional portuguesa.
Essa que tem uma raíz comum antiquíssima, ouve-se em todas as regiões
do País, e está consagrada no cancioneiro popular onde, por exemplo, o Michel
Giacometti (um estrangeiro) fez o favor de coligir e perpetuar todo esse vasto
património cultural popular.

O reflexo do nosso povo é essa música em geral alegre, vibrante e
cheia de vitalidade que é a música tradicional portuguesa, com
sonoridades celtas, gaitas de foles, adufes, sanfonas, cantares
ancestrais. Rico, diversificado, enérgico. Não é uma música como o
fado, chorona, melancólica, que dá sempre ideia de um povo desgraçado e
enfadonho.





Fado VS Música Tradicional Portuguesa



Embirro com o fado de Lisboa. Pronto, crucifiquem-me. Não gosto, e o espectro dos meus adjectivos para o descrever vai de“muito deprimente” até “alegrete, mas ainda assim tristonho”.

Não falo do fado de Coimbra porque esse é todo um universo à parte. E além disso, o fado de Coimbra não comporta a veleidade idiota de o alargarem a todo o país e de o projectarem como «música nacional», a eterna figura musical representativa de «todo o sentir português», blá blá blá.

Não. O «sentir português» não é o fado, e a riqueza do que musicalmente é «típico português» não pode ser reduzida ao fado. Ainda por cima, uma canção que não é o reflexo genuíno do viver e das raízes de um povo, mas que é algo “fabricado” e aperfeiçoado desde o século XIX para turista ver (nisto tenho de concordar com o José HermanoSaraiva).

Por muito honrosas ou culturalmente complexas que sejam as origens dofado, ele reflecte um universo (ainda por cima urbano) de um contexto específico (certos bairros lisboetas), e um universo que não é aquele com que um beirão ou um transmontano se identifica. Não há casas de fado em Cinfães, em Arouca ou em Celorico de Basto.

E esta mania de se impor tudo o que vem de Lisboa ao resto do País também me irrita um bocadinho.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bosch é bom



Cozinhas equipadas & subidas meteóricas na carreira.
Há pessoas tão engraçadas.

É oficial: hoje estamos fashion-victim

Tanto que a pobre Coco Chanel batalhou para nos libertar dos espartilhos e entregar-nos às formas andróginas dos anos 20, e andaram as loucas dos anos 60 e 70 a queimar soutiens (que crime). Fizeram de tudo para nos desprenderem do que vincasse formas e corpos, tudo o que simbolizasse repressão e "moralidade", e nós, alegremente, damos graças à Balmain e aos seus magníficos corpetes para o próximo Verão de 2011.
(Para não confessar que sou absolutamente fascinada pelos espartilhos Storytailors.)

Balmain, colecção Primavera/Verão 2011



Barbara Bui, colecção Primavera/Verão 2011

(Também gosto tanto do estilo safari sofisticado.)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É como em Portugal

Os ministros deixarão de ter um motorista particular para conduzir o seu carro, «salvo em circunstâncias muito excepcionais». O Secretário do Tesouro britânico, David Laws, que quando assumiu o cargo abdicou do seu Jaguar com motorista, disse mesmo esperar que os ministros vão para o trabalho «a pé ou de transporte público sempre que possível».

No Público on line, há uns dias.

Injustiça e desigualdades



Hoje, pode não parecer, mas não é o Jerónimo de Sousa que vos fala, camaradas, sou eu.

E falo para vos dizer que, nestas coisas do amor, camaradas, à semelhança do que se passa com a riqueza, não há falta de caras-metades. Há é uma (muito) má distribuição das caras-metades na sociedade.

E, eventualmente, uma grande falta de oportunidades no acesso a (determinadas) caras-metades.

Feitiçaria (e o diabo a sete)

Sou fã dos livros do Harry Potter e (assumo-o sem pejo) li-os todos duas vezes, já na idade adulta. Vibrei com a queda do "Quem Nós Sabemos" (ai, spoiler!!) e lamentei muito o que aconteceu à Tonks e ao Lupin.

Aceito que cada um tenha a sua opinião sobre esta colecção de livros e que nem todos gostem. Mas transtornam-me as atitudes fanáticas e diabolizadoras. Ouvi recentemente uma alminha (uma versão mais feia da Sarah Palin) dizer que tentara dissuadir os sobrinhos desta leitura porque incitava à feitiçaria.

Ou seja, gente que se esquece que cresceu em toda uma matriz de pedagogia infantil ocidental onde abundam as histórias mais fantásticas e irreais. Onde pululam bruxas, caldeirões e feiticeiros, com os nobres contributos de Perrault, H.C. Andersen e os irmãos Grimm.
Sim, histórias crudelíssimas de madrastas que se transformam em bruxas e envenenam as enteadas com maçãs. Bruxas que rogam pragas a princesas para que elas morram aos 16 anos, picando-se com o fuso de uma roca. Lobos que devoram avós e netas e depois são esventrados para elas saírem da sua barriga.

Pensava que o fanatismo era só coisa de evangélicos fanáticos norte-americanos e que a Inquisição já tinha sido extinta há muito. Mas afinal ainda andam por aí muitas mentes medievais, que querem ver muito livrinho a constar na lista do Index e a arder. Enfim. O Salman Rushdie e o Saramago que o digam.

Bem. Eu sei que devia era de ser sanguínea num ataque a obras ao meuTolstoi ou a Balzac. Só que o conde Vronski e a Eugénie Grandet não precisam da nossa ajuda, estão consagrados há muito.
Mas o Harry Potter, precisa. Porque ele salvou-nos a todos do Voldemort (e ainda tinha que ir às aulas e fazer os trabalhos de casa).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



O meu obrigada por esta amável referência feita pela Carla, no seu Bomba inteligente.

Pensei em fazer uma vénia, mas este senhor aqui da foto fá-la por mim, e com mais graciosidade.

Politiquices

Os especialistas em psicologia infantil, de um modo muito abreviado, defendem que ter um progenitor muito rígido e outro que é demasiado tolerante gera crianças inseguras.
Como eu já disse aqui várias vezes, uma boa parte dos meus amigos é de extrema-esquerda (mas não usam aquelas sandálias de comuna, só fatos Dolce e Gabbana em saldos), e a outra parte é de extrema-direita (os tais que fazem romarias a Santa Comba e ressuscitam a Lei 2105 de 06 de Junho de 1960). Felizmente nenhum deles sabe deste blogue.
Ora eu, que sempre tive o péssimo hábito de ser diplomática e conciliadora, sinto-me muito bombardeada, e sobretudo muito confusa, minha gente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um assunto extremamente pertinente e nada extemporâneo


Há toda uma espécie de geoestratégia associada às deslocações da parte superior de um bikini, enquanto tomamos banhos de sol.
Tenho que passar a gerir isto melhor, já que os banhos de mar são uma causa perdida.


Fiquem vocês com o Outono.
Eu volto já.

Quando os EUA espirram, a Europa constipa-se

E agora parece que estamos todos com uma global gripe A.
Ninguém mais do que eu acredita e defende a Europa social do Jacques Delors. Também acredito firmemente na capacidade de regeneração que a Europa sempre demonstrou. Inclusive, depois do flagelo das guerras mundiais (hum, pois, com a mãozinha dos americanos).
Mas, infelizmente, há um momento para nos darmos a luxos idealistas, e há momentos em que temos que nos resignar. A História também explica isto.
Este post é um reflexo de que estou com falta de descanso e já não digo coisa com coisa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os meus ataques de fúria são lendários

Os de ternura também.

Macro




In Bruges, de Martin McDonah (2008).

(Ray) - Que interesse tem a História? É só um monte de coisas que já aconteceram.




Que mania que certas pessoas têm de pensar que algumas coisas eram evitáveis no curso da História. Que raio de autismo é este que leva gente a ter pretensões sobre factos e mudanças incontornáveis, alegando que não são irreversíveis, mas que ocorrem por questões pessoais?


A evolução dos sistemas políticos e económicos não se compadece de ninguém e não se prende por minudências, há que haver um bocadinho de hegelianismo nestas coisas. Senão, ainda estávamos no Antigo Regime, no despotismo grego dePéricles, nos sistemas das primeiras cidades mesopotâmicas ou mesmo nos galhos das árvores.


As pessoas têm que se convencer de que não vale a pena remar contra a maré. Têm que se convencer de que há sistemas caducos, decadentes, anacrónicos. Tal e qual como a guerra colonial, o império dos Habsburgos às portas da primeira Grande Guerra, o Estado Novo, a revolução francesa, a queda da monarquia. Sistemas que já funcionaram, não funcionam mais.

Mas não. Insiste-se numa falta de lucidez histórica e política que dá dó.


A História tem ensinado isso tudo, mas ah e tal é chato ler História política e económica mundial, e sobre os grandes trends económicos, é chato optar por uma leitura macro, e mais maçudo é ainda tentar interpretar essas coisas todas.

Este post, pode não parecer, mas tem um sentido.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma questão que salta à vista


Uma coisa é ser Sophia Loren. Outra é ser Jayne Mansfield.

Not my friend


Norah Jones, Not my friend

Help me breathe

Help me believe

You seem really glad that I am sad

You are not my friend

I cannot pretend that you are

sábado, 16 de outubro de 2010

Outono (2)

Esta manhã acordei ao som da melodia sempre repetida do amolador, ao fundo da rua. Não ouvia isto há anos.

Outono


Há várias semanas que tenho vontade de comer castanhas. Assadas. Cozidas. Cruas. Qualquer coisa. É uma lacuna sazonal a colmatar rapidamente.