
Pode ser uma má sina. Pode ser, simplesmente, um estilo de vida como outro qualquer.
"Oh, those women! They nurse and cuddle their presentiments, and make darlings of their ugliest thoughts . . ." William Thackeray ("Vanity Fair")
A grelha de leitura dos homens acerca da realidade, toda a gente o sabe, é bastante simples e directa, comparando com a das mulheres. Não estou a dizer que uma é mais verdadeira que a outra. São diferentes.
Retrato de uma Senhora (1996), de Jane Campion.
Já disse várias vezes que ninguém capta tão cabalmente bem a essência feminina como a neo-zelandesa Jane Campion.
Este filme é perfeito, desde as cenas e a música iniciais até ao final.
E depois há aqueles jovens cavalheiros muito cheios de prosápia, ligeiramente arrivistas e com ganas de alpinismo social. Daqueles que sobem na carreira agradando tiazorras decrépitas que os adoram e que os tratam como lacaios.
Daqueles que, com jactância, usam barbinha de dia e meio à Mark Vanderloo, são muito morenos por causa dos desportos radicalíssimos que fazem, têm dentes branco-fluorescentes e óculos de sol todos xpto. Dandies que usam camisinha azul com botão de punho e colarinho branco.
Que, quando vêem uma jovem bonita, tentam interpelá-la a qualquer custo, para terem mais uma sobre quem despejarem o seu jacto de vaidade.
E que, muito ufanos, injectam em qualquer conversa os temas do seu jipe, da sua mota, das suas idas a Chamonix.
Eu adoro estes gentis-homens.
Tanto, que dedico a todos eles esta bela música cantada pela Madame Sarkozy, “Le Plus Beau du Quartier”, e a todos eles digo: Ide-vos foder, palhaços, com as minhas mais cordiais saudações.