
Embirro com o fado de Lisboa. Pronto, crucifiquem-me. Não gosto, e o espectro dos meus adjectivos para o descrever vai de“muito deprimente” até “alegrete, mas ainda assim tristonho”.
Não falo do fado de Coimbra porque esse é todo um universo à parte. E além disso, o fado de Coimbra não comporta a veleidade idiota de o alargarem a todo o país e de o projectarem como «música nacional», a eterna figura musical representativa de «todo o sentir português», blá blá blá.
Não. O «sentir português» não é o fado, e a riqueza do que musicalmente é «típico português» não pode ser reduzida ao fado. Ainda por cima, uma canção que não é o reflexo genuíno do viver e das raízes de um povo, mas que é algo “fabricado” e aperfeiçoado desde o século XIX para turista ver (nisto tenho de concordar com o José HermanoSaraiva).
Por muito honrosas ou culturalmente complexas que sejam as origens dofado, ele reflecte um universo (ainda por cima urbano) de um contexto específico (certos bairros lisboetas), e um universo que não é aquele com que um beirão ou um transmontano se identifica. Não há casas de fado em Cinfães, em Arouca ou em Celorico de Basto.
E esta mania de se impor tudo o que vem de Lisboa ao resto do País também me irrita um bocadinho.