quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Surf fluvial


Fotos (lindas) estrategicamente subtraídas ao blog da Luna

Eu já sabia que havia quem surfasse a Pororoca, mas sucedeu-me uma história que só com este post da Luna vi esclarecida cabalmente.

Há uns anos conheci um rapaz austríaco, muito alto, bonito, estonteantes olhos azuis, num voo Lisboa-Viena, com escala em Munique. Tanto num voo como noutro os nossos lugares eram na mesma fila, com outra pessoa no meio. E fomos sorrindo um para o outro, pedindo licença quando alguém tinha de se levantar, ele ajudou-me a desvendar o que é que a hospedeira queria dizer com “jamón”. Um amor.

Apesar de ele se mostrar simpático e de eu estar bem impressionada, não lhe liguei muito. (Que estúpida, Zozô, pensavas que ao longo da vida te ias cruzar com muitos austríacos, belos e louros, era?).

Quando aterrámos, ele lá puxou conversa, que vivia perto de Viena, e que tinha estado em Portugal a fazer surf, na Ericeira, que ele adoravelmente pronunciava Erriçérría. Eu estranhei, perguntei-lhe como é que uma pessoa de um país que não tem mar pratica um desporto desses, não lhe dei grande crédito, e disse para comigo “há-de ser, há-de”. Resumindo, nem sequer soube o nome dele.

Mas com estas fotos tiradas em Munique, está esclarecido, o homem até era capaz de estar a dizer a verdade. Aliás, o meu amiguinho pode estar neste momento, não em Teahupoo, nem em Mundaka ou Jeffreys, mas sim a cavalgar as ondas do Danúbio azul.

E eu podia estar agora cheia de frio no Prater ou em Schönbrunn. Mas não, estou aqui, estoicamente, com muito sol e rodeada de lusitanos homens feios (sorry, Andorinha, são mesmo feios).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fazei como a Pitagórica, meus amigos. Com a direita, com a esquerda ou com as duas






Por vezes, ela fica a assistir (como se estivesse de fora), a ver até onde eles vão ao tentarem ter sorte. Acha muita piada àqueles que pensam que as mulheres são tolas, que não percebem para onde as querem levar.


Ela gosta de lhes dar muita corda para se enforcarem. Deixa-os falar, deixa-os esforçarem-se, deixa-os esticarem-se todos. É um espectáculo lindo.


Só é superável pela cara que eles fazem quando percebem que não vão ter sobremesa. Que foi só mesmo um café ou uma conversa. Que, afinal, não.


Just you and your hand tonight, como diz a outra. E aqui fica um bom e sintético manual teórico (manual, que palavra tão adequada).

Uma dica: os canhotos podem sempre tentar com a mão direita para trabalharem o hemisfério esquerdo do cérebro.


E tudo isto é triste, meus amigos. Não é fado, mas é triste.


Da ira


Se eu tivesse de escolher um pecado mortal para me caracterizar, seria, provavelmente, a ira (apesar de cometer, com mais frequência do que gostaria de admitir, alguns dos outros seis).

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Segredo



Fazer como a Valeria Mazza e a Heidi Klum. Lindas mulheres já entradotas para modelos (38 e 37 anos, respectivamente), que arranjaram maridos muito, mas mesmo muito feios.
(Mas que as veneram como deusas e as transformam em férteis progenitoras de extensas proles.)

Personagem por encomenda



O que eu gostava mesmo era que houvesse escritores que nos retratassem num livro (a nós, pessoas vulgares) com beleza e poesia e lirismo e estilo, nem que fosse a troco de dinheiro (provavelmente, teria que ser, que os escritores não vivem do ar.)

Tal como quando vamos ao fotógrafo e ele nos tira imagens que se perpetuam. Tal como quando pedimos a um artista qualquer para fazer o nosso retrato ou um busto esculpido ou sei lá. Que houvesse escritores que, a um pedido nosso, fizessem o nosso esboço escrito e depois escrevessem sobre nós, que nos transformassem numa personagem.

Não era preciso ser uma personagem magnífica, inesquecível. Era só uma personagem fiel à realidade que nós somos, mas retratada com estilo e elegância, fixada para sempre na escrita. Haverá melhor homenagem a uma pessoa?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

The Putado na Assembleia



Uma abordagem isenta e lúcida do actual panorama político pelo agrupamento com mais problemas de sanidade mental do Mundo.

(Do qual, por pura e enormíssima coincidência, fizeram parte alguns amigos meus.)

Escolhê-las a dedo



Há muito daqueles homens que têm uma inteligência um bocadinho acima da média, são pessoas muito actualizadas, cultas e politizadas, que apreciam uma boa conversa sobre literatura clássica ou bom cinema, sabem falar sobre todos os temas e mais algum, alguns eu até poderia descrever como intelectuais, com gostos culturais perfeitamente irrepreensíveis, mas que depois escolhem para esposas completas nulidades ignorantes, criaturas de uma passividade exasperante, que não abrem a boca num jantar de amigos para falar de nada (pois nada sabem). Escolhem-nas assim para manterem a sua aura de superioridade e não terem ninguém que os conteste em casa. Espertos.

"Uma excelente interlocutora"



Por vezes, não é tanto as saudades dos momentos que vivemos com a outra pessoa. Há também muito as saudades daquilo que nós éramos com essa pessoa.

Possessão


Como (quase) sempre, o filme não é nem uma sombra do livro: Possessão, de A.S. Byatt.

O livro é uma sátira inteligente ao mundo académico da literatura e dos professores de Letras, e uma, ou melhor, duas histórias de amor desfasadas no tempo, porém muito bem entrelaçadas.

E mesmo que não tivesse ganho o Booker Prize de 1990 (mas ganhou), são quase 900 páginas que não custam nada a ler.


domingo, 7 de novembro de 2010

Testosterona de luxo #17



Gaspard Ulliel
(Um pouco de charme francês e de lábios sensuais, como procedimentos terapêuticos.)

Crime e castigo



Para quem tem vestidos muito frescos, mas bonitos, (a Suri Cruise tem 953; eu tenho um, novinho em folha), o frio de Novembro é um mero pormenor meteorológico, por ocasião de uma efemeridade de sábado à noite.


(Obviamente, hoje, domingo, estamos a pagar a factura da vaidade com a doença.)

Diferenças culturais


Cultural Differences Noticed at the G20 meeting in Toronto ...
The Canadian: Self-absorbed and disconnected from reality.
The American: Businesslike, unwilling to be distracted.
The French and the Italian: "LOOK AT THAT ASS!"

Era mesmo-mesmo isto, obrigada, Luna

Por vezes aparecem pessoas que nos vão envolvendo devagarinho, não sei se consciente ou inconscientemente, mas, como quem não quer a coisa, nos vão cozinhando em banho-maria, uma pitada de sal aqui, uma de pimenta ali, umas ervas ou especiarias acolá, e assim nos vão mantendo, sempre sem levantar fervura, nada explícito, nada concreto, só leves sugestões e ambiguidades, enquanto decidem se sim se sopas. E depois lá decidem e apagam o lume, e uma pessoa fica ali a boiar, mal passada, sem perceber muito bem o que aconteceu, que estava tão sossegadinha no seu canto, para que a foram desassossegar, duvidando de si, da sua lucidez, se terá interpretado mal, se era fantasia, se terá imaginado tudo, se era só coisa da sua cabeça. Depois, claro, é deixar arrefecer, voltar ao normal, temperatura ambiente, pois, sim, amigos como antes, reset, que afinal nem sequer há certezas que justifiquem mais explicações. A incomodar só fica mesmo a puta da dúvida: não era da minha cabeça, pois não?
No blogue da Luna.

sábado, 6 de novembro de 2010

Da sensatez

Prefiro pagar um bilhete de comboio do que andar de graça de carro em auto-estradas portuguesas.
No Verão, não ponho os pés no Algarve (tendo casa lá).
Não piso um único centro comercial desde o início de Dezembro até ao fim da época dos saldos de Fevereiro.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Emancipação masculina

Eu falo com os homens como se fossem iguais a mim.
Falo com eles de igual para igual.
E acredito que um dia eles vão ter os mesmos direitos que nós.
Eu acredito na emancipação masculina.

Não é deliciosa, esta completa subversão do discurso?

Corte de cabelo

O amigo -- Queria cortar o cabelo à nazi.

Ela-- Meu querido, há barbeiros que te resolvem isso, não sei se sabes.

O amigo -- Eles não sabem como é.

Ela -- Mas não basta recorrer à máquina zero?

O amigo- Não, isso é à neo-nazi.

Ela-- (*suspiro*) Ah, já percebi.


Justaposição

John Lennon e Yoko Ono, fotografados por Annie Leibovitz.


É uma posição justa, como outra qualquer.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Medidas de austeridade


À semelhança do que sucedeu com Portugal, também ela gastara mais do que devia. Gastou o que de melhor havia em si (graça, humor, espírito, sedução, ironia, alegria, charme) com pessoas que não mereciam, que não valiam nada.

Agora, submetia-se à contenção e sobriedade necessárias, porque as reservas de energia estavam gastas. Medidas de austeridade que se aplicavam a todos, sem excepção.

Os que tinham valor que a perdoassem, mas paga o justo pelo pecador, costuma ser assim. Dela, sobrara apenas uma mulher (demasiado) serena.

Outono (3)


Galanteria

D. Manuel II e a a princesa Victoria de Hohenzollern.

É uma palavra já muito pouco usada. O que é uma pena.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Gosto de biografias tortuosas, que levaram muitas voltas (mas que levaram a algum sítio). Gosto de vencedores.



Um dia destes, falo aqui sobre a Dilma. Por agora, fica só o link para isto:


Dilma Rousseff: a mulher a quem Lula deu o Brasil

I'm so indie

Eu gosto muito de gente "indie", que venera bandas e músicas e festivais e estações de rádio que mais ninguém conhece. Adoro.

Pessoas que, quando se fala sobre música comercial, são autênticos Robespierres a guilhotinar toda a gente.
Pessoas que querem a morte dos desgraçados que ouvem grupos musicais populares e a quem chamam desprezivelmente de "escumalha mainstream".
Pessoas, que, se fossem eles a mandar, enviariam para campos de concentração todos os infelizes que ouvem os Black Eyed Peas, a Diana Krall e a Mega FM.
Pessoas a quem Pierre Bourdieu (se fosse tão espirituoso como eu) chamaria, sei lá, os «nazis do gosto».

Enfim, tenho pena. Em geral é gente que estagnou na adolescência, que é quando se cataloga os outros de acordo com as preferências musicais. Gente que tem de hipervalorizar coisas como o gosto musical para disfarçar o tédio pobrezinho do dia a dia.

Um chá no deserto (2)






















terça-feira, 2 de novembro de 2010

Hoje apetecia-me voltar a (Amesterdão)

Temporalidade (Post reeditado)


Edwina Mountbatten, última vice-rainha da Índia – de quem se especulou ter vivido um romance com Nehru – manteve, já depois de ter regressado a Inglaterra no pós-1947 e até ao último dia da sua vida, o seu relógio de pulso acertado pela hora indiana.
(Já reeditei este post umas quantas vezes: penso que é o meu preferido, em quase seis anos de blogues individuais e colectivos.)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não é lamentável que já não se possa guilhotinar pessoas?

Quando penso em certos gestores públicos actuais (enfim, um em particular), e nas suas pandilhas (eles não podem fazer nada sozinhos), e nas iniciativas perfeitamente perdulárias e inúteis que promovem nos serviços (públicos), assim de repente lembro-me de uma história muito linda, de um reino com pessoas muito pobres, que morriam de fome, e umas poucas muito ricas, que ainda se divertiam à grande e… à francesa:


Latitudes familiares

Isto é uma família típica dinamarquesa em Copenhaga , que leva os filhos a passear de bicicleta ao parque, num domingo de sol de Primavera (11 graus de temperatura exterior).


Extremamente parecida com a família portuguesa que leva o BMW para dentro do shopping, onde passam todo o domingo lá dentro enfiados, a endividar-se, quando estão uns gélidos 23 graus lá fora.

Bleu Blanc Rouge


Trois Couleurs, de Krzysztof Kieslowski (1994)

Sanum Per Aqua

Há uma era A.M.T. e uma era D.M.T. Ou seja, antes da massagem tailandesa e depois da massagem tailandesa.
Já posso dizer que experimentei. É de ir ao céu e voltar (e dispensando o sexo).

Responsabilidade social

Porque nunca é de mais falar de responsabilidade social das empresas.

domingo, 31 de outubro de 2010

Bíblia/Torah/Corão

Eu desconfio seriamente de todas as pessoas que não têm leituras de mesa de cabeceira.
(En français, mes chères amies. Toujours en français, bien sûr.)

Do tempo (2)

Um chá no deserto

Nancy Ajram, Mo'gabah

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ter a Noruega em casa

A Noruega é aquilo a que se chama em linguagem técnica, um “país mete-nojo”.

É mete-nojo, pronto. Aquela mania de ter superavits em vez de ter deficits, de ser um paraíso para a inserção social exemplar de imigrantes, refugiados (enfim, se calhar já foi melhor, mas ainda assim), de não ter muita corrupção, etc.

E aquela coisa irritante de ter um povo organizado, pragmático e escrupuloso com a “res publica” e em termos de cidadania. Ainda por cima poupadinho, com uma inflexível moral protestante que modela práticas de consumo racionais, que só o Weber conseguia explicar (em contraste com a espectacular capacidade latina de se ser ostensivo, exuberante, endividado).

E, dizia eu, tudo isto no meio de um cenário quase feérico de beleza natural esmagadora, fiordes, sol da meia-noite e afins:



Para quem é, como eu, fanático pela Escandinávia, há um blogue simples e adorável sobre a Noruega, com um interessante caleidoscópio de muitas vertentes (social, familiar, e até política, etc.): My little Norway.

A feira das vaidades


Pela quarta vez consecutiva fui convocada para um evento (pseudo-social) ligado ao meu meio profissional. Recusei.
A única vez que aceitei ir foi há dois anos. Infelizmente, a minha presença foi aquilo que outros consideraram um (involuntário) «sucesso», que se traduziu em me ver rodeada de vampiros sociais, fotografada até à alma e filmada até à medula.

E eu, que nunca fui "party animal", vi a minha vida pessoal (previsivelmente) ser escrutinada e fantasiada por meia dúzia de putéfias despeitadas e um gay invejoso.
Em suma, os ganhos são mínimos, e os transtornos consideráveis.
Feiras de vaidades? Não, só no título do blogue, obrigada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Música Tradicional Portuguesa

Deixo só aqui mais uns exemplos de boa música tradicional portuguesa (com alguns vídeos de má qualidade), esperando que ninguém pense que eu sou comunista ou que me confunda com os senhores que eu vi num (excelente) espectáculo chamado "Sementes de um Povo que Canta" (e, pior que tudo, que não pensem que eu uso aquelas sandálias que os comunistas costumam usar. Hum. A ironia é uma coisa tão burguesa.)







Fado VS Música Tradicional Portuguesa (2)

Assim, para mim, aquela que deveria representar Portugal como música
típica não é fado nenhum, mas sim a música tradicional portuguesa.
Essa que tem uma raíz comum antiquíssima, ouve-se em todas as regiões
do País, e está consagrada no cancioneiro popular onde, por exemplo, o Michel
Giacometti (um estrangeiro) fez o favor de coligir e perpetuar todo esse vasto
património cultural popular.

O reflexo do nosso povo é essa música em geral alegre, vibrante e
cheia de vitalidade que é a música tradicional portuguesa, com
sonoridades celtas, gaitas de foles, adufes, sanfonas, cantares
ancestrais. Rico, diversificado, enérgico. Não é uma música como o
fado, chorona, melancólica, que dá sempre ideia de um povo desgraçado e
enfadonho.





Fado VS Música Tradicional Portuguesa



Embirro com o fado de Lisboa. Pronto, crucifiquem-me. Não gosto, e o espectro dos meus adjectivos para o descrever vai de“muito deprimente” até “alegrete, mas ainda assim tristonho”.

Não falo do fado de Coimbra porque esse é todo um universo à parte. E além disso, o fado de Coimbra não comporta a veleidade idiota de o alargarem a todo o país e de o projectarem como «música nacional», a eterna figura musical representativa de «todo o sentir português», blá blá blá.

Não. O «sentir português» não é o fado, e a riqueza do que musicalmente é «típico português» não pode ser reduzida ao fado. Ainda por cima, uma canção que não é o reflexo genuíno do viver e das raízes de um povo, mas que é algo “fabricado” e aperfeiçoado desde o século XIX para turista ver (nisto tenho de concordar com o José HermanoSaraiva).

Por muito honrosas ou culturalmente complexas que sejam as origens dofado, ele reflecte um universo (ainda por cima urbano) de um contexto específico (certos bairros lisboetas), e um universo que não é aquele com que um beirão ou um transmontano se identifica. Não há casas de fado em Cinfães, em Arouca ou em Celorico de Basto.

E esta mania de se impor tudo o que vem de Lisboa ao resto do País também me irrita um bocadinho.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bosch é bom



Cozinhas equipadas & subidas meteóricas na carreira.
Há pessoas tão engraçadas.

É oficial: hoje estamos fashion-victim

Tanto que a pobre Coco Chanel batalhou para nos libertar dos espartilhos e entregar-nos às formas andróginas dos anos 20, e andaram as loucas dos anos 60 e 70 a queimar soutiens (que crime). Fizeram de tudo para nos desprenderem do que vincasse formas e corpos, tudo o que simbolizasse repressão e "moralidade", e nós, alegremente, damos graças à Balmain e aos seus magníficos corpetes para o próximo Verão de 2011.
(Para não confessar que sou absolutamente fascinada pelos espartilhos Storytailors.)

Balmain, colecção Primavera/Verão 2011



Barbara Bui, colecção Primavera/Verão 2011

(Também gosto tanto do estilo safari sofisticado.)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É como em Portugal

Os ministros deixarão de ter um motorista particular para conduzir o seu carro, «salvo em circunstâncias muito excepcionais». O Secretário do Tesouro britânico, David Laws, que quando assumiu o cargo abdicou do seu Jaguar com motorista, disse mesmo esperar que os ministros vão para o trabalho «a pé ou de transporte público sempre que possível».

No Público on line, há uns dias.

Injustiça e desigualdades



Hoje, pode não parecer, mas não é o Jerónimo de Sousa que vos fala, camaradas, sou eu.

E falo para vos dizer que, nestas coisas do amor, camaradas, à semelhança do que se passa com a riqueza, não há falta de caras-metades. Há é uma (muito) má distribuição das caras-metades na sociedade.

E, eventualmente, uma grande falta de oportunidades no acesso a (determinadas) caras-metades.

Feitiçaria (e o diabo a sete)

Sou fã dos livros do Harry Potter e (assumo-o sem pejo) li-os todos duas vezes, já na idade adulta. Vibrei com a queda do "Quem Nós Sabemos" (ai, spoiler!!) e lamentei muito o que aconteceu à Tonks e ao Lupin.

Aceito que cada um tenha a sua opinião sobre esta colecção de livros e que nem todos gostem. Mas transtornam-me as atitudes fanáticas e diabolizadoras. Ouvi recentemente uma alminha (uma versão mais feia da Sarah Palin) dizer que tentara dissuadir os sobrinhos desta leitura porque incitava à feitiçaria.

Ou seja, gente que se esquece que cresceu em toda uma matriz de pedagogia infantil ocidental onde abundam as histórias mais fantásticas e irreais. Onde pululam bruxas, caldeirões e feiticeiros, com os nobres contributos de Perrault, H.C. Andersen e os irmãos Grimm.
Sim, histórias crudelíssimas de madrastas que se transformam em bruxas e envenenam as enteadas com maçãs. Bruxas que rogam pragas a princesas para que elas morram aos 16 anos, picando-se com o fuso de uma roca. Lobos que devoram avós e netas e depois são esventrados para elas saírem da sua barriga.

Pensava que o fanatismo era só coisa de evangélicos fanáticos norte-americanos e que a Inquisição já tinha sido extinta há muito. Mas afinal ainda andam por aí muitas mentes medievais, que querem ver muito livrinho a constar na lista do Index e a arder. Enfim. O Salman Rushdie e o Saramago que o digam.

Bem. Eu sei que devia era de ser sanguínea num ataque a obras ao meuTolstoi ou a Balzac. Só que o conde Vronski e a Eugénie Grandet não precisam da nossa ajuda, estão consagrados há muito.
Mas o Harry Potter, precisa. Porque ele salvou-nos a todos do Voldemort (e ainda tinha que ir às aulas e fazer os trabalhos de casa).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



O meu obrigada por esta amável referência feita pela Carla, no seu Bomba inteligente.

Pensei em fazer uma vénia, mas este senhor aqui da foto fá-la por mim, e com mais graciosidade.

Politiquices

Os especialistas em psicologia infantil, de um modo muito abreviado, defendem que ter um progenitor muito rígido e outro que é demasiado tolerante gera crianças inseguras.
Como eu já disse aqui várias vezes, uma boa parte dos meus amigos é de extrema-esquerda (mas não usam aquelas sandálias de comuna, só fatos Dolce e Gabbana em saldos), e a outra parte é de extrema-direita (os tais que fazem romarias a Santa Comba e ressuscitam a Lei 2105 de 06 de Junho de 1960). Felizmente nenhum deles sabe deste blogue.
Ora eu, que sempre tive o péssimo hábito de ser diplomática e conciliadora, sinto-me muito bombardeada, e sobretudo muito confusa, minha gente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um assunto extremamente pertinente e nada extemporâneo


Há toda uma espécie de geoestratégia associada às deslocações da parte superior de um bikini, enquanto tomamos banhos de sol.
Tenho que passar a gerir isto melhor, já que os banhos de mar são uma causa perdida.


Fiquem vocês com o Outono.
Eu volto já.