sábado, 20 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Cópia certificada

É uma proposta diferente, alternativa, criativa. Não me importava de, juntamente com um homem interessante, fingir durante um dia inteiro que formávamos os dois um casal. E esta é, basicamente, a sinopse deste filme de Abbas Kiarostami, com a Julliette Binoche. Tenho que ver isto.
Bellucci: maturidade e alguma inteligência

Monica Bellucci foi entrevistada pela Paris Match (Via French Kissin). Eis alguns excertos que eu destaco:
“La nature féminine est un abandon sans forme de résistance.” J’aime beaucoup cette phrase... C’est drôle, parce que j’ai écrit une préface et je parle justement de ça, de cet abandon nécessaire, de ce mélange d’abandon et de créativité qui est une forme de féminité, de confiance en la personne qui est derrière l’objectif ou la caméra.
Je n’ai jamais vécu la beauté comme un poids, parce que je sais bien que cela ne va pas durer, mais je ne crois pas que je vais vivre douloureusement le temps qui passe... La vie me fera découvrir d’autres choses. Sortir d’une espèce de carapace que donne la beauté. Sortir de la beauté biologique de la jeunesse. Je dois être prête à la voir partir. Avoir des enfants aide. J’ai envie d’être une femme bien dans sa peau avec le temps qui passe.
Il y a l’amour, on est ensemble depuis plusieurs années, la passion est là, toujours, sinon la vie est triste. Après, la passion se transforme en quelque chose de plus ouvert vers l’extérieur, sinon cela reste quelque chose d’enfantin. L’amour, au début, c’est un état d’ébriété qui est intéressant à condition d’évoluer sur autre chose.
Chaque âge a son charme.
Mais les images, ce n’est pas toi qui les crées, elles échappent au contrôle. C’est quelque chose qui ne t’appartient pas. Ils font ce qu’ils veulent de ça. C’est pour cela qu’il est très important de ne pas avoir une relation trop proche de son image. L’image, c’est aléatoire, chacun prend et fait ce qu’il veut avec. Il faut apprendre à faire la différence entre l’image et soi.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Fifties


Todos sabemos que Mona Lisa Smile (2003) é um filme fraquinho e muito mauzinho. Mas esteticamente ele está bem. Lembrei-me disto na sequência da actual febre com a série Mad Men, e de como, a partir dela, o espectacular estilo fifties se começou a definir como tendência de moda.
Mona Lisa Smile é um filme simples com um casting acertado. Acima de tudo, em termos de rostos. Todo o filme é um gineceu de rostos certos.
Ao contrário da nossa época, em que o culto e a importância do corpo são exacerbados, na época em que o filme se enquadra a exposição física feminina era menor (embora muito bem vincada). Portanto, o que sobressai são os rostos.
Assim, exceptuando a presença da Julia Roberts (obviamente, um erro de casting), todas as outras personagens femininas revelam estética e fisicamente uma perfeita harmonia com o ambiente dourado dos anos 50 ali recriados.
Não há fisionomias mais fifties que estas da KirstenDunst (a conservadora), Maggie Gyllenhall (a judia liberal), Laura Allen, e sobretudo da Ginnifer Goodwin (a ingénua) e da(sensata) Julia Stiles (esta última tem sido algo subvalorizada como actriz).


quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Dançar, em 2010
Nunca gostei da forma como hoje em dia se dança (sem prejuízo para o facto de eu própria já ter dançado milhares de vezes da forma como mais adiante vou descrever).
Ou seja, a forma como se dança mais ou menos desde os anos 70 ou 80: as pessoas abanam o corpo e a cabeça e deixou-se de se dançar a pares, o que é uma tristeza porque favorecia a conversa, a proximidade e ocontacto físico com o sexo oposto, e com um belíssimo pretexo: a dança.
Com as mudanças sociais e a emancipação feminina, a dança desestruturou-se, deixou de haver o convite formal para dançar a pares (que acabou para aí com o twist na década de 60), e começou-se a dançar à maluca como os hippies em Woodstock, a febre do disco sound, punks dos eighties… e foi até hoje.
(Ah e tal, mas tens a valsa e kizomba e a salsa e essas coisas latinas que agora andam para aí na moda. ALTO! Abomino danças de salão. Alémde fazerem do par masculino uma entidade ligeiramente grotesca e efeminada, são, justamente, para um “ambiente artificial”, ou seja, só se dança assim em contextos específicos.)
Portanto, tirando as danças de salão e “étnicas” (chamemos-lhes assim), temos, essencialmente, a forma como hoje se dança nas discotecas. Ou seja, uma coisa que, vista de fora, é altamente ridícula (mais uma vez, contra mim falo, pois também ando nestas figuras às vezes), e que se resume assim:
- As mulheres formam um círculo ou semi-círculo e sacodem-se e saltam que nem doidas, voltadas umas para as outras e de costas para os homens;
- Os homens, menos histéricos e com um copo na mão, formam uma fila ou um semi-círculo exterior ao das raparigas, e abanam-se ligeiramente ao som da música, com uma proximidade estudada para dupla finalidade: avaliarem os rabos delas e estarem atentos à eventual oportunidade de se roçarem nelas.
De modo que me parece tudo muito idiota e é uma pena enorme. E tenho secretamente um grande desgosto de já não se dançar como nos anos 20 o charlston, nos anos 40 o swing, ou nos anos 50 o rock ou o boogiewoogie. Danças frenéticas, ritmadas, fixes, pá! Que davam para ambos os sexos dançarem em grupo, mas sempre a dois.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Do polvo que é a indústria farmacêutica
O Fiel Jardineiro (2005), de Fernando Meirelles.
Ficar doente em países árabes pode ser um aborrecimento. Para já, porque não se pode fazer mais nada a não ser ficar em casa a ver telenovelas do MBC arabic channel. (Não queiram ter esta experiência. São tão más, que exercem sobre nós um terrível fascínio e damos por nós viciados e a querer saber qual é a cor do hajib que a Khadijah vai usar ou se a Nahzirah se vai vingar do sogro. Ainda por cima, alguns fulanos dos Emiratos são mesmo bonitos. Hum. Adiante.)
Ah, mas não tem que ser um pesadelo. Quando se pensa que nos vão trazer um curandeiro e mezinhas feitas com derivados de camelo (tão eurocêntrica) descobre-se que afinal nos trazem um cocktail terapêutico de medicamentos da Pfizer, da Sanofi-Aventis, GlaxoSmithKline, Janssen-Cilag. E sentimo-nos logo em casa.
Que pena não ter sido eu a lembrar-me de dizer isto
Cherie Blair, a mulher do ex-primeiro ministro britânico, ironizou recentemente que o mundo talvez não estivesse hoje mergulhado numa profunda crise financeira “se a Lehman Brothers fosse a Lehman Sisters”.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Tiago VS Gonçalo

Se uma das coisas que mais gosto de fazer é viajar (e de ler) a chamada “literatura de viagens” teria inevitavelmenteque vir parar à minha mesa de cabeceira. Li outros, mas falo hoje sobre dois jovens viajantes e jornalistas, mais ou menos da mesma geração, e sobre o que os diferencia. Isto porque li há pouco “Viagens Sentimentais” do Tiago Salazar, e lembrei-me do Gonçalo Cadilhe. Ambos escrevem de forma escorreita, quase lírica por vezes, mas arejada. No entanto, uma coisa fundamental separa os dois. O (bom) humor do Tiago é subtil, inteligente, irónico, e acima de tudo frequente. Já o do Gonçalo, hum, nem por isso.
É que o Tiago Salazar tem uma particularidade que o diferencia. Por exemplo, não se envergonha de pernoitar, por vezes, em hotéis de charme europeus, não considera abjecto frequentar bons restaurantes de nouvelle cuisine em Beirute, não tem nojo de resorts, não acha que viajar de avião é contra-natura.
Já para o Cadilhe, viajar é só percursos alternativos (ignorando aEuropa), é andar em África em autocarros pré-históricos, com pessoas transpiradas e galinhas lá dentro, todo ele é pernoitar em espeluncassul-americanas. Enfim. Não nego que sejam realidades interessantes eque o mundo, de facto, tem muita pobreza e precaridade. Mas não haverá no Gonçalo Cadilhe uma espécie de “Cristo indie”? Alguém que gosta deenveredar sempre pelo caminho pior para mostrar quão alternativo se é? Para exibir quão execráveis são o sistema capitalista e o turismo de massas? Para alardear que se é muito neo-hippie?
Penso que sim. E creio que é isso que dá ao Gonçalo alguns “maus fígados”, e que, enfim, é por isso que ele tem muito pouco humor nos seus relatos de viagens. E ainda por cima com tendência grave para falar mal de Portugal a toda a hora, que é uma coisa que lhe fica, digamos, mal. É que isto de sermos “iconoclastas da cultura mainstream”, de chamar porcos capitalistas aos que preferem o Alfa Pendular a comboios apinhados de gente na Índia, resulta num mau humor e numa carantonha parecida à do Jerónimo de Sousa, a achar que o mundo é todo um inferno de injustiças e maldade.
O Tiago, pelo contrário, com bom senso e equilíbrio, alterna sabiamente as privações de uma tenda nos Himalaias com uma mansão colonial em Goa, e por aí fora. São estas opções diversificadas que lhe conferem uma saudável bonomia, uma ironia versátil e um estilo de escrita atento, mostrando o que há de bom e de mau, sem nunca cair na superficialidade. Tão diferente da desnecessária auto-flagelação em pensões colombianas ranhosas.
domingo, 14 de novembro de 2010
Mais uma pertinente análise social
Desta feita, sobre a importantíssima temática das tascas tradicionais arrasadas pelos gigantes capitalistas da alimentação. Uma tragédia.
sábado, 13 de novembro de 2010
Simpatias
Confesso que tenho alguma simpatia por países relativamente pequenos, discretos, maioritariamente católicos, com gente simpática, que estão um pouco na sombra de outros gigantes económicos, vizinhos geográficos. Estou a lembrar-me da Polónia. Simpatizo com a Irlanda. Adoro a Hungria. Lembram-me vagamente Portugal.
Um chá no deserto (3)
A travessia do deserto. Um oásis no deserto. As miragens do deserto. Tudo metáforas úteis que vêm do extraordinário e que se aplicam muito bem ao banal, ao quotidiano.
Bah. Quem é que eu estou a querer enganar? O que é bom mesmo é que em terras desérticas há um clima quente e seco, onde o cabelo não fica hirsuto nem do tamanho de uma juba, como sucede nos húmidos climas tropicais.
Qualquer rapariga que se preze compreende isto. E o resto são cantigas.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Porto sentido
BBC Vida Selvagem
Portanto, em férias, já me aconteceu tudo, em hotéis e em quartos de hotéis (não, não é o que vós estais a pensar, depravados). Senão, vejamos.
Um morcego poisado na porta do quarto (fiquei conhecida como "the girl who stares at the door").
Um lacrau (hediondo) à porta do quarto (estando eu do lado de dentro).
Uma iguana a rastejar calmamente no corredor.
Uns lagartos piquenos na varanda do quarto (na foto).
Um senhor a esgalhar uma à entrada do hotel, às oito da manhã (na Grécia, wherelse?).
Estou em crer que é um complot de toda a fauna selvagem contra a minha pessoa.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Surf fluvial
Fotos: Andorinha
Fotos (lindas) estrategicamente subtraídas ao blog da Luna
Eu já sabia que havia quem surfasse a Pororoca, mas sucedeu-me uma história que só com este post da Luna vi esclarecida cabalmente.
Há uns anos conheci um rapaz austríaco, muito alto, bonito, estonteantes olhos azuis, num voo Lisboa-Viena, com escala em Munique. Tanto num voo como noutro os nossos lugares eram na mesma fila, com outra pessoa no meio. E fomos sorrindo um para o outro, pedindo licença quando alguém tinha de se levantar, ele ajudou-me a desvendar o que é que a hospedeira queria dizer com “jamón”. Um amor.
Apesar de ele se mostrar simpático e de eu estar bem impressionada, não lhe liguei muito. (Que estúpida, Zozô, pensavas que ao longo da vida te ias cruzar com muitos austríacos, belos e louros, era?).
Quando aterrámos, ele lá puxou conversa, que vivia perto de Viena, e que tinha estado em Portugal a fazer surf, na Ericeira, que ele adoravelmente pronunciava Erriçérría. Eu estranhei, perguntei-lhe como é que uma pessoa de um país que não tem mar pratica um desporto desses, não lhe dei grande crédito, e disse para comigo “há-de ser, há-de”. Resumindo, nem sequer soube o nome dele.
Mas com estas fotos tiradas em Munique, está esclarecido, o homem até era capaz de estar a dizer a verdade. Aliás, o meu amiguinho pode estar neste momento, não em Teahupoo, nem em Mundaka ou Jeffreys, mas sim a cavalgar as ondas do Danúbio azul.
E eu podia estar agora cheia de frio no Prater ou em Schönbrunn. Mas não, estou aqui, estoicamente, com muito sol e rodeada de lusitanos homens feios (sorry, Andorinha, são mesmo feios).
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Fazei como a Pitagórica, meus amigos. Com a direita, com a esquerda ou com as duas
Por vezes, ela fica a assistir (como se estivesse de fora), a ver até onde eles vão ao tentarem ter sorte. Acha muita piada àqueles que pensam que as mulheres são tolas, que não percebem para onde as querem levar.
Ela gosta de lhes dar muita corda para se enforcarem. Deixa-os falar, deixa-os esforçarem-se, deixa-os esticarem-se todos. É um espectáculo lindo.
Só é superável pela cara que eles fazem quando percebem que não vão ter sobremesa. Que foi só mesmo um café ou uma conversa. Que, afinal, não.
Just you and your hand tonight, como diz a outra. E aqui fica um bom e sintético manual teórico (manual, que palavra tão adequada).
Uma dica: os canhotos podem sempre tentar com a mão direita para trabalharem o hemisfério esquerdo do cérebro.
E tudo isto é triste, meus amigos. Não é fado, mas é triste.

terça-feira, 9 de novembro de 2010
Personagem por encomenda

O que eu gostava mesmo era que houvesse escritores que nos retratassem num livro (a nós, pessoas vulgares) com beleza e poesia e lirismo e estilo, nem que fosse a troco de dinheiro (provavelmente, teria que ser, que os escritores não vivem do ar.)
Tal como quando vamos ao fotógrafo e ele nos tira imagens que se perpetuam. Tal como quando pedimos a um artista qualquer para fazer o nosso retrato ou um busto esculpido ou sei lá. Que houvesse escritores que, a um pedido nosso, fizessem o nosso esboço escrito e depois escrevessem sobre nós, que nos transformassem numa personagem.
Não era preciso ser uma personagem magnífica, inesquecível. Era só uma personagem fiel à realidade que nós somos, mas retratada com estilo e elegância, fixada para sempre na escrita. Haverá melhor homenagem a uma pessoa?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
The Putado na Assembleia
Uma abordagem isenta e lúcida do actual panorama político pelo agrupamento com mais problemas de sanidade mental do Mundo.
(Do qual, por pura e enormíssima coincidência, fizeram parte alguns amigos meus.)
Escolhê-las a dedo

Há muito daqueles homens que têm uma inteligência um bocadinho acima da média, são pessoas muito actualizadas, cultas e politizadas, que apreciam uma boa conversa sobre literatura clássica ou bom cinema, sabem falar sobre todos os temas e mais algum, alguns eu até poderia descrever como intelectuais, com gostos culturais perfeitamente irrepreensíveis, mas que depois escolhem para esposas completas nulidades ignorantes, criaturas de uma passividade exasperante, que não abrem a boca num jantar de amigos para falar de nada (pois nada sabem). Escolhem-nas assim para manterem a sua aura de superioridade e não terem ninguém que os conteste em casa. Espertos.
"Uma excelente interlocutora"
Possessão

Como (quase) sempre, o filme não é nem uma sombra do livro: Possessão, de A.S. Byatt.
O livro é uma sátira inteligente ao mundo académico da literatura e dos professores de Letras, e uma, ou melhor, duas histórias de amor desfasadas no tempo, porém muito bem entrelaçadas.
E mesmo que não tivesse ganho o Booker Prize de 1990 (mas ganhou), são quase 900 páginas que não custam nada a ler.
domingo, 7 de novembro de 2010
Crime e castigo
Diferenças culturais
sábado, 6 de novembro de 2010
Da sensatez
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Emancipação masculina
Corte de cabelo
O amigo -- Queria cortar o cabelo à nazi.
Ela-- Meu querido, há barbeiros que te resolvem isso, não sei se sabes.
O amigo -- Eles não sabem como é.
Ela -- Mas não basta recorrer à máquina zero?
O amigo- Não, isso é à neo-nazi.
Ela-- (*suspiro*) Ah, já percebi.
Ela-- Meu querido, há barbeiros que te resolvem isso, não sei se sabes.
O amigo -- Eles não sabem como é.
Ela -- Mas não basta recorrer à máquina zero?
O amigo- Não, isso é à neo-nazi.
Ela-- (*suspiro*) Ah, já percebi.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Medidas de austeridade

À semelhança do que sucedeu com Portugal, também ela gastara mais do que devia. Gastou o que de melhor havia em si (graça, humor, espírito, sedução, ironia, alegria, charme) com pessoas que não mereciam, que não valiam nada.
Agora, submetia-se à contenção e sobriedade necessárias, porque as reservas de energia estavam gastas. Medidas de austeridade que se aplicavam a todos, sem excepção.
Os que tinham valor que a perdoassem, mas paga o justo pelo pecador, costuma ser assim. Dela, sobrara apenas uma mulher (demasiado) serena.
Galanteria
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Gosto de biografias tortuosas, que levaram muitas voltas (mas que levaram a algum sítio). Gosto de vencedores.

Um dia destes, falo aqui sobre a Dilma. Por agora, fica só o link para isto:
Dilma Rousseff: a mulher a quem Lula deu o Brasil
Dilma Rousseff: a mulher a quem Lula deu o Brasil
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















