sábado, 11 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

É o que eu digo sempre: a macro-cefalia anda de mãos dadas com o terceiro-mundismo

"Há um efeito estrutural, uma tendência pesada nacional, em que a escala regional, até mais do que a local ou municipal, não tem preponderância na vida política e nas estratégias sociais e económicas do país. (...) Temos todos a consciência de que os portugueses se sentem extremamente afastados da política, muito também pelo facto de sentirem que as suas necessidades mais próximas não são contempladas pelos decisores políticos. (...) Isso demonstra que somos um país extremamente centralista."

Um post com o alto patrocínio da Victoria's Secret e da filosofia existencialista

Ca(n)sada? A rotina diária pesa-lhe? É funcionária da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais?
Então envergue isto:
E tenha uma obra de Kierkegaard à mão (pode ser Ypperstepræsten-Tolderen-Synderiden (de 1849): estude-a com afinco.
Quando o seu companheiro chegar a casa, ignore-o ostensivamente.
É sucesso garantido.
(Embora as asas possam atrapalhar um pouco.)

Se Gaugain e Brel foram, porque não haverei eu de ir?


Quero ir ao Thaiti. E vou aprender a dançar isto.

Voltar aos clássicos

Qando andamos desorientados em termos de leituras, há apenas uma solução possível. Voltar aos clássicos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Da modéstia


Infelizmente (para mim), gosto de pessoas simples. Genuínas. Espontâneas. Sem artificialismos, nem grandes produções de show off. Gosto de gente what you see is what you get.

Digo infelizmente, porque isto é um problema, hoje em dia. Estas pessoas são raras.

Aliás, creio mesmo que a falta de modéstia é um problema geracional.

Já não é cultivada. Deveria ser inculcada na nossa educação, mas não é. Vive-se na cultura do show off, e há pessoas que submergem nela completamente.

É uma espécie de onanismo psicológico, e os outros têm de levar com os salpicos na cara, não sei se me faço entender.

Esta gente tem que mostrar aos outros desesperadamente que são bons, que são os melhores, que são espectaculares, sentem-se obrigados a esfregar na cara dos outros os seus brios, vê como tenho isto e aquilo, têm que se auto-promover, que montar uma máquina infernal de marketing pessoal e bombardear o interlocutor com as suas vitórias, as suas conquistas, as suas posses, as suas riquezas.

É pena, porque quando me deparo com este triste espectáculo, de facto, nunca detecto indícios nenhuns de pobreza. A não ser da de espírito.

Ligeiramente incestuoso

Namorar com antigos colegas da escola primária. Ou do jardim de infância.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fontana di trevi


Haverá coisa melhor que isto?


Melhor que ouvir Ella e Louis em Dezembro, só se for chegar a casa, depois de ter estado a trabalhar num feriado, tomar um banho quente e ver um clássico com a Audrey Hepburn.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Muro da vergonha


Assim era em Berlim, agora é no "mural" de certas pessoas.

Opções estético-filosóficas de uma brunette convicta



Não era o meu estimado Soren Kierkegaard que, no seu existencialismo solipcista, dizia que o Estágio Estético era o primeiro e o mais básico da existência, marcado pelo "desejo" como móbil de actuação e de pensamento, e o qual não nos levava a nenhum nível de realização pessoal? E que o ser humano só se superaria e redimiria após passar pelo Estágio Ético, atingindo por fim, e só com muita abnegação, o Estágio Religioso, onde reside a solução existencial?...
Era, pois.
Mas, certamente, Kierkegaard nunca teve umas calças brancas básicas para conjugar com um top de cortar a respiração.

Hey sweet man


Hey Sweet Man, por Madeleine Peyroux.

Ela chama:


Hey sweet man. Who you give your lovin' to? Hey momma's child,
Ain't you been waitin' for me?


E alguém lhe responde:


Hey sweet woman. Ain't no man that love you
Hold on, pretty momma
Someday he'll be searchin' too

Well we need some lovin'
We need it oh-so-bad



Cause it's bad lovin', momma
It's the only thing we ever had

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Metáfora da trave

Fazia lembrar uma ginasta de alta competição.
Exímia nos movimentos. Isometria e perfeição. Todo o gesto articulado, corpo anguloso, numa precisão milimétrica. Sem lugar para um passo em falso. A um tempo, forte e frágil. O corpo, uma haste flexível.
Rigidez: a expressão facial fechada, na tentativa de superação de si mesma. Cabelo severamente aprisionado em elásticos e ganchos. As mãos ressequidas, mergulhadas em pó. A adiada feminilidade concentrada na maquilhagem exagerada. Fato justo e reduzido: invólucro brilhante para um pequeno corpo musculado, deformado, peito liso – o corpo como tela das opções de uma vida; uma escolha vincada no corpo.
Na excelência, o seu auge é breve. Aos vinte anos será velha. A trave estreita (demasiado estreita) é o palco do seu equilíbrio acrobático e precário.

Tive um flashback (não foi um déja vu)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Testosterona de luxo #19

Fabio Cannavaro

Está frio, Ella

O frio e a voz de veludo da Ella são indissociáveis:


sábado, 4 de dezembro de 2010

Natal n.º 5

Mil vezes um golpe de misericórdia

em vez de um slow fade.

Rid of me

PJ Harvey

Há, seguramente, quinze anos que não ouvia isto. E, subitamente, faz todo o sentido.

Das pessoas que se regeneram



Sandra Bullock, actriz norte-americana, aos 45. O marido traiu-a, divorciou-se, ganhou um Óscar, adoptou uma criança.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bela forma de estimular a economia nacional

Parece que consta que o Pedro Passos Coelho não vai dar presentes de Natal às filhas, este ano. Eu acho bem, pá. Quem tem o ordenado mínimo e assim tem de poupar. Isso dos presentes de Natal é para os ricos.

Nesta casa não se guardam rancores



Só estou a pensar em mandar imprimir em tamanho real a foto de uma determinada pessoa...

Elogios

Os elogios são meras validações externas daquilo que já suspeitávamos há muito.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

É oficial:

continuamos a ter estádios de futebol a mais, e oportunidades para os aproveitar a menos.

Uggs

A propósito deste post da Luna, tenho a dizer que usar estas botas não é abdicar de ter estilo. E digo já que não há ninguém que tenha um apreço mais elevado por sapatos de salto alto do que eu.

Porém, tal como a Giselle Bündchen (uma mulher alta) comprova, mas também, por exemplo, a Eva Longoria (uma mulher baixa), as Uggs são giras, quentes e confortáveis. Ou seja, cumprem cabalmente o propósito do calçado para Invernos muito rigorosos. Sobretudo, quando neva.

E nenhuma tentativa de contra-argumentar é válida. Sobretudo aquela de os homens acharem que é um calçado desinteressante ou pouco sexy. Os homens… Se, ao longo da História, as mulheres tivessem tido sempre em consideração o que os homens pensam, ainda hoje nenhuma de nós votava ou tinha ido à escola, caramba.

TPC


Por muito que nos esforcemos, ninguém consegue (sobre)viver sem esperança durante muito tempo.

A esperança é uma espécie de combustível para andarmos para a frente.

Melhor ainda: é uma energia renovável. Ciclicamente renovável (um exercício para trabalho de casa).

Moi non plus

Serge Gainsbourg e Jane Birkin nos anos sessenta.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um homem interessante

Definitivamente, não é um sedutor: é alguém que age com naturalidade. Não precisa de ser bonito, mas tem ser atraente. É culto, sabe conversar e tem um fino sentido de humor (ironia).
É modesto - rara virtude. É intenso e viril interpares, mas, ainda assim, sabe ser educado e delicado no trato com uma mulher.
Não expõe gratuitamente a sua vida, as suas demonstrações de afecto ou os seus problemas: sabe gerir a fronteira entre o público e o privado.
É alguém generoso, não é auto-centrado - faz um elogio a uma mulher, com elegância, mas com simplicidade.
Tem alguma maturidade (a que for possível), embora conserve aquele brilho infantil que se torna irresistível no sexo masculino.

Enfim, é um homem raro.

Do tempo (3)




Entardecer no Magreb

O Mediterrâneo mesmo em frente: uma presença apaziguadora e reconfortante. Está ali. Translúcido, intenso, eterno. Mare Nostrum. E há a limpidez azul do céu. Mar e céu, como dois amantes sobrepostos.

E tudo é quente e doce e calmo. No entardecer melancólico, os pássaros, pontualmente, às seis da tarde, quebram a quietude geral ao recolherem-se nas árvores com voos e cantares quase ensurdecedores. Música e espectáculo imperdíveis.

Quando está quase a cair a noite, o ar é morno. E de veludo. Docemente morno, agitado por um vento doce e seco. Ar seco, como pó dourado. Seco como as palmeiras e as tâmaras, como a pele das pessoas do deserto, como as cores térreas das casas que nos rodeiam. Tons ocres e rosados, que combinam com a calidez dos pôres-do-sol. Só os sons do ud, a entorpecer-nos os sentidos, contrastam com a aridez suave e boa deste quadro.

Fins de tardes que convidam a mil e uma noites.



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Place Vendôme

E depois há aquelas pessoas que um belo dia acordam e constatam que se tornaram numa espécie de montras da Cartier ou da Bvlgari, na Rue des Capucines, perto da Place Vendôme.
Toda a gente olha para elas. Ninguém pode comprar.

domingo, 28 de novembro de 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

Frivolidades





Perdoem-me a frivolidade, mas, de vez em quando, é preciso fazer jus ao título do blogue. Para muitas mulheres, a obsessão é o calçado. A minha, é outra.

Sobretudo de Inverno: boinas, chapéus, gorros, uma prodigalidade.

De Verão, o meu desgosto é o de não ter comprado há dois anos um destes brancos com fita preta, e agora não os encontrar em lado nenhum.




Un film tellement Art Déco que c'est un amour (Ou: Pfeiffer Fiftie Fuckin Two)

(Pardon my french.)






Chéri, de Stephen Frears (2009)

Testosterona de luxo #18

Vincent Perez

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Musa expiadora

A que sana, expurga e expia os projectos dos outros.

Musa aspiradora

A que suga os projectos dos outros.

Musa expiradora

A que, sem querer, desvirtua os projectos dos outros.

Musa inspiradora

A que impulsiona os projectos dos outros.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fusões felizes

Às vezes, esta ideia (ironicamente) ocorre-me quando estou nos provadores da Zara, essa deliciosa catedral capitalista do consumo de vestuário desnecessário.
De facto, vivemos na cultura do consumismo e para isso somos impelidos
subrepticiamente, sobretudo nesta época natalícia. Aliás, estamos todos a embrutecer, de tanto que compramos e tão pouco que estimulamos outras aquisições, como o saber e a cultura.

Mas, caramba, eu acredito que tudo isto teria solução, porque as pessoas comem o que se lhes põe à frente.
Por exemplo. Os húngaros nos tempos da Cortina de Ferro. Não tinham centros comerciais, não iam a cafés, a televisão era pura propaganda audiovisual. Ao invés disso, ao pequeno-almoço tocavam Paganini ou Dvorak, e liam Goethe e Feuerbach ao jantar.

E eu fico a pensar (enquanto olho para famílias que levam carrinhos de compras gigantescos como se o Mundo fosse acabar amanhã) se não será possível um caminho intermédio, um equilíbrio algures entre Dvorak e a Mango ou o Corte Inglès. Algures entre o consumismo exagerado e o cinzento do comunismo.
Não era tão bom que houvesse fusões felizes? (como quando os Metallica tocaram com a Orquestra Sinfónica de S. Francisco. Tão bonito.)

Regresso sempre a Copenhaga (e a Kierkegaard, claro)

Uma cidade que pode ser divertida, como se verifica nesta foto:

E até mesmo romântica (vês, SØren? Estes dois podiam ter sido vocês: "Kierkegaard + Regina Olsen luv U 4 ever"):


Fifties (4)

Laetitia Casta (outra Balzaquiana; e mother of three) desfila para a Louis Vuitton (2010).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Urgente (e pedagógico)

Quando oiço o nosso primeiro ministro dizer que Portugal não precisa de ajuda de ninguém, só tem é que resolver alguns problemas internos, lembra-me aquelas mulheres que fingem (que coisa tão feia, fingir) para os seus parceiros não ficarem com o orgulho ferido.
Em ambos os casos é grave. Compõe-se toda uma mise-en-scéne que é falsa, apenas para não comprometer uma performance medíocre.
Assim, não, meus amigos. É urgente (e pedagógico) reconhecer os problemas e colocar o dedo na ferida (ou onde for necessário).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

In your faces, Sartorialist, Sorrenti, Testino e Kierkegaard.


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Antes da islamofobia instantânea

Despertou atenção quando ganhou o Prémio Nobel da Paz, em 2003. Shirin Ebadi, mulher, mãe, juíza, iraniana, muçulmana, defensora dos direitos humanos, autora de “O Despertar do Irão”, um livro que alguns como eu levam anos a tentar acabar (nem sempre se tem disponibilidade mental para uma narrativa emocionalmente intensa e violenta embora simples e interessante). Que não me curo deste estranho interesse pelo Irão, já se sabe.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mark Zuckerberg likes this


O nerd que nunca mais terá problemas em engatar miúdas. (Terá outras dores de cabeça, certamente.)

Cuba (revisitada pelos cinco sentidos)


Muita gente conhece a Cuba corriqueira de Varadero, vendida ao turismo massificado, a ilha dos resorts. Mas poucos provaram de uma verdadeira noite cubana.

Sentados em cadeirões de vime, na varanda de uma casa de estilo colonial, uma daquelas que têm eterna imponência decadente. A sentir o calor húmido e sufocante na pele, choveu há pouco tempo, ao entardecer. Aquele calor que solta sensualidades latentes.

O sabor agreste do rum na boca, que embriaga a desenvoltura. O cheiro doce e envolvente do puro que se fuma, paira no ar.

Vê-se pouco, à luz escassa da lua (vê-se o essencial: a visão é overrated). Mas se se apurar o ouvido, da varanda, ainda se consegue distinguir o som do desenrolar das ondas lânguidas lá em baixo, e, lá ao fundo, também se ouvem as notas desta música.

A eterna música que é a gota (de suor) que falta para transbordar no copo deste puzzle tropical nocturno.



...that vanity and happiness are incompatible

As Ligações Perigosas, de Stephen Frears (1988).

domingo, 21 de novembro de 2010

Directamente

The Duchess, de Saul Dibb (2008).


(Georgiana) - Pensas em mim, quando não estou presente?

(Charles) - (...)

(Georgiana) - Hesitaste.

(Charles) - Não, eu penso em ti. Mas não estou habituado a que me perguntem isso directamente.

Jardins de música

Já falei aqui várias vezes da Irlanda, não foi?


(Do avisado Ega, uma vez mais).

Centenário da República



Podia ser o 5 de Outubro, 1910-2010, implantação da República Portuguesa.

Mas não é.

É mais um aniversário (todos os anos centenário) de uma república de estudantes.

(O que se vê na foto e parece que é, é mesmo.)

sábado, 20 de novembro de 2010

Ciumeira da Nata

Em boa verdade vos digo que os detractores da Cimeira da NATO têm é dor de cotovelo de certa "nata política" que só visto.

Não há nada a que não se possa juntar um “caralho”

«Não há nada a que não se possa juntar um “caralho”, funcionando este como verdadeira muleta oratória.» Do Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa (via Ega).

Muletas dessas, de facto há muitas. Não há nada (nem ninguém) que não se possa apoiar nelas.
(Ainda bem que não fui para Direito.)