quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O síndrome Mr. Elton

O Mr. Elton é uma personagem engraçadíssima da Jane Austen, que, após uns tempos de solteiro com algumas tropelias e frustrações amorosas sucumbe a um casamento de
conveniência. Mas depois de casado (com uma mulher chatíssima), assume uma
postura radicalmente oposta e afirma-se (com apenas 26 anos) "um velho homem casado" que já nem sequer dança nos bailes.

Detecto muito esta atitude em jovens homens entre os 30 e os 35 anos que são
recém-casados ou recém-pais. Muito recato, demasiada pacatez, os olhinhos
muito baixos, níveis de testosterona baixíssimos. Quase não têm sinais
vitais, pobrezinhos.
Não sei quem querem eles enganar, porque é claríssimo que estão todos a
preparar-se para dar o salto da crise frenética de jovialidade, energia e
vitalidade que os irá atingir depois dos 40. É que é tão certo como o devir teleológico hegeliano.

Rádio nostalgia


Esta música passou por acaso há dias na rádio, enquanto eu conduzia, e a bandida trouxe-me à memória tantos e tão bons momentos, amigos, festas de faculdade, cerveja, aulas, exames e tantas caras que se foram perdendo no tempo (agora oportunamente recuperadas no livro das caras).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tensão na Tunísia


Que já havia tensões latentes na Tunísia há muito, ai isso havia. Vinte e
três anos de abusos de direitos, de liberdades e outras coisas
fundamentais, vão criando mossa.

Atentemos no exemplo do cidadão tunisino que figura na foto. Reparem no ar de quem
sofre com a repressão de Ben Ali, de quem está muito atormentado e
já antevê a fuga do Presidente e da sua mulher para o Dubai com não
sei quantas barras de ouro nos bolsos.

Isto não é o olhar de quem detesta bikinis da
Calzedonia. É o olhar de um homem incomodado com a situação política
do seu país.

Estamos a saque

Leilões de dívida pública, preços de combustíveis, classe política deplorável, e podia continuar aqui o dia todo. Nem mais: a saque. À descarada.

Burns' Night

Na Escócia, hoje, 25 de Janeiro, é dia de comer haggis (blherc) e de ler poemas de Robert Burns.

A menina Angelica

Confesso que esperava uma heroína literária daquelas com sentimentos muito nobres, muito abnegada, com uma superioridade moral exemplar. Afinal (e sem deixar de ser uma personagem extraordinária de "O Leopardo"), é uma garota arrivista, ambiciosa e até muito atrevidota.

Shakira & Lampedusa

Podia ser uma nova edição da dupla mafiosa Lampião e Maria Bonita, ah, mas não é.
É que isto de eu ver ligações entre coisas muito prosaicas e abstracções intelectuais mais profundas tanto pode ser um mistério insondável como um delírio. Mas a verdade é que vejo.
Por exemplo, vejo que o Giuseppe Tomasi di Lampedusa no seu monstro literário "O Leopardo", e a Shakira (que é uma mulher muito sábia, como todos sabemos), dizem quase o mesmo:
Diz um -- E amor. Claro, o amor. Fogo e chamas durante um ano, cinzas durante trinta.
E diz a outra -- Love is only pain disguised as a kiss.

Dom Fabrizio et al.


Seguindo a boa sugestão do Ega há uns tempos, li "O Leopardo", de Lampedusa. Andei, portanto, no último mês, numa villa siciliana decadente entre Fabrizio, Bendicó e Tancredi, Angelica, Concetta e muitos outros, no meio de ventos de mudança de uma nova ordem política e social na Sicília do século XIX. Bem. Não vou profanar a qualidade do livro com os meus comentários óbvios de comum mortal, nem com as minhas opiniões medíocres e previsíveis. Só vou dizer que gostei muito.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide

Sean Lennon e Charlotte Kemp Muhl são entrevistados pela Vogue acerca do que costumam fazer aos domingos. Quando lhes perguntam "ao lado de quem gostariam de acordar ao domingo?", eles respondem, tão queridos:

Sean : On est toujours occupés avec les tournées. Alors ce qu'on voudrait vraiment c'est avoir du temps libre ensemble.
Charlotte : J'aime beaucoup me réveiller à côté de Sean, parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide.
Sean : Charlotte est très longue et fine alors que je suis petit et trapu... lorsqu’elle se retourne dans le lit, je me réveille en croyant être à côté d'une araignée.

Gorilas na Bruna

Não será uma gralha no título do clássico protagonizado pela Sigourney Weaver: podia era ser o título de um excelente filme pornográfico. Era uma menina, a Bruna, que aviava gorilas que era uma lindeza. Bonito.

Yoko Mono


Estou em crer que era o verdadeiro nome desta senhora. É que parece-me que esta mulher nunca falou (pelo menos, até 1980). Não havia de o Lennon, que tinha um feitio péssimo, gostar dela: está sempre com uma cara esfíngica, um sorriso seráfico, como que empalhada, não incomoda ninguém, não chateia ninguém, está ali, simplesmente. É decorativa, lá está: parece um mono.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Testosterona de luxo #23

Jack Johnson
(Já que falamos nele.)

Cocoon


O Jackinho tem aquele estilo muito calminho, e é girinho, e muito amiguinho da Mãe Natureza, e um dia estava a fazer surf e bateu com a sua cabecinha numa rochazinha e enquanto esteve doentinho começou a tocar e a cantar as suas musiquinhas, e é tão bonzinho que só pode ter algumas criancinhas enterradinhas no backyardzinho da sua casinha em North Shore.
Mas eu gosto dele, e esta é a mais doce música alguma vez feita sobre uma coisa tão amarga como uma ruptura.

Egos

Vi-me há uns tempos presa, perdão, como convidada, num jantar só de raparigas. Digo-vos, minha gente, que mereço no mínimo o Prémio Nobel da Paciência, por esta dura prova superada. Não é que ali faltasse inteligência ou temas interessantes e até muito divertidos. Muito pelo contrário. Cada uma daquelas pessoas é perfeitamente suportável, desde que tomadas isoladamente. Pessoas toleráveis, interessantes, bem dispostas e até muito afáveis. Agora, quando se aglomeram em grandes quantidades, os seus egos, já de si bastante inflamados, crescem, crescem, crescem, como que insuflados, e entram numa espiral de competição, que só visto. É que nem é uma questão de falarem alto (porque não falam), é mais cada uma a achar que é a mais atraente e a mais bem vestida e a melhor e a mais espectacular, e todas elas se esticam para se evidenciarem, e sei lá que mais, que, senhores, ajudem-me, que eu saio dali com uma dor de cabeça terrível, nem a excelência da cuisine do chef me cai bem, e a meio do jantar já só aceno com a cabeça e apresento um sorriso cansado, e os meus olhos procuram ansiosamente os sinais da saída de emergência.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Atilhos



O que é que estas imagens têm em comum? Pois está bom de ver, para olho treinado, que é o calçado. Morro de paixão por estes sapatos com atilhos, e apelo à caridade dos prezados leitores e pessoas em geral que aqui venham parar, que, se virem alguma coisa parecida a este calçado em alguma loja, que façam o obséquio de me informarem. É que gostava mesmo muito de atar estas coisas aos meus tornozelos na próxima Primavera. Muito agradecida.

Razoabilidade

Continuando a prestar culto às frivolidades deste mundo (ou a honrar a criatividade, como queiram) -- e se o facto de ainda estarmos no Inverno de 2011 não contribuir para agravar suspeitas sobre a minha falta de razoabilidade --, devo confessar que me é muito penoso disfarçar o entusiasmo que já me provoca a nova colecção da Donna Karan para o próximo Outono/Inverno de 2011-2012 (tende misericórdia de mim, minha gente, que os poemas da Sylvia Plath seguem dentro de momentos, prometo).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

(Comentários)

Tenho tido aqui no blogue algumas dificuldades na moderação e publicação de comentários, mas é só para dizer que leio-os todinhos (e agradeço), pode demorar um pouco mais do que seria desejável mas respondo a todos logo que posso.

Beatriz e o Plátano


Ilse Losa tem um conto infantil com este título. Acho-o tão lindo. O título, não o livro, porque apesar de o cnhecer desde pequena, nunca o li.

Gosto de árvores. Isto soa (propositadamente) infantil mas é assim mesmo. Há coisas que nos remetem sempre, inevitavelmente, para a memorabilia de infância. Como o cheiro a roupa lavada acabada de passar a ferro.

Gosto de árvores. Abertas, frondosas, troncos rugosos e largos, copas majestosamente verdes (ou castanhas e douradas, no Outono). Gosto de árvores. Não sei explicar.

Pontaria

Não tenho pressa. As coisas demoram o que tiverem de demorar, acontecem quando tiverem de acontecer, as oportunidades surgem quando surgirem. Sem forçar. Há um tempo para tudo. E aquela coisa de que a vida não é uma corrida, mas sim um tiro ao alvo, é, de facto, verdade. O que conta não é chegar mais depressa (seja ao que for), mas, sim, a capacidade de se alcançar um centro. A pontaria, mais do que a pressa, portanto.

Fifties (7)

Ou, traduzido para linguagem punk dos anos 80: I want candy.