Agora fora de brincadeiras, não é nada de extraordinário dizê-lo e toda a gente suspeitou logo que a revolta inédita na Tunísia ia ser, de certo modo, um rastilho para outros países. É a vez do Egipto.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Smells like teen spirit

São sociologicamente muito interessantes os reencontros com gente que o tempo (e o re-nivelamento social) dispersou. É o caso dos meus antigos colegas de secundário.
Há as mais incríveis metamorfoses da fauna.
Dos que eram betinhos e agora são rastafaris. Daqueles que eram da onda grunge ou heavy metal e agora são uma espécie de yuppies ou então pertencem a bandas de música. A trupe dos surfistas está igualzinha, estão apenas um pouco mais bronzeados. As boazonas da época foram precoces, tiveram filhos aos 20 anos, e meteram-se na droga (mas agora já estão limpas). Os góticos já se vestem de todas as cores, os que eram meio hippies têm um ar um pouco menos sujinho. Os nerds protagonizam a sua grande vingança e agora são, previsivelmente, quadros superiores arrogantes.
E há toda uma panóplia de gente que era muito gira e agora é muito feia.
I don't wanna stop, DJ
É sempre bom sabermos que um antigo colega de turma é hoje DJ, e parece que é moderadamente conhecido e tudo (eu ignorava, mas se calhar o problema é meu, que estou out). Connections, connections.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O síndrome Mr. Elton
O Mr. Elton é uma personagem engraçadíssima da Jane Austen, que, após uns tempos de solteiro com algumas tropelias e frustrações amorosas sucumbe a um casamento de
conveniência. Mas depois de casado (com uma mulher chatíssima), assume uma
postura radicalmente oposta e afirma-se (com apenas 26 anos) "um velho homem casado" que já nem sequer dança nos bailes.
conveniência. Mas depois de casado (com uma mulher chatíssima), assume uma
postura radicalmente oposta e afirma-se (com apenas 26 anos) "um velho homem casado" que já nem sequer dança nos bailes.
Detecto muito esta atitude em jovens homens entre os 30 e os 35 anos que são
recém-casados ou recém-pais. Muito recato, demasiada pacatez, os olhinhos
muito baixos, níveis de testosterona baixíssimos. Quase não têm sinais
vitais, pobrezinhos.
Não sei quem querem eles enganar, porque é claríssimo que estão todos a
preparar-se para dar o salto da crise frenética de jovialidade, energia e
vitalidade que os irá atingir depois dos 40. É que é tão certo como o devir teleológico hegeliano.
recém-casados ou recém-pais. Muito recato, demasiada pacatez, os olhinhos
muito baixos, níveis de testosterona baixíssimos. Quase não têm sinais
vitais, pobrezinhos.
Não sei quem querem eles enganar, porque é claríssimo que estão todos a
preparar-se para dar o salto da crise frenética de jovialidade, energia e
vitalidade que os irá atingir depois dos 40. É que é tão certo como o devir teleológico hegeliano.
Rádio nostalgia
Esta música passou por acaso há dias na rádio, enquanto eu conduzia, e a bandida trouxe-me à memória tantos e tão bons momentos, amigos, festas de faculdade, cerveja, aulas, exames e tantas caras que se foram perdendo no tempo (agora oportunamente recuperadas no livro das caras).
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Tensão na Tunísia
Que já havia tensões latentes na Tunísia há muito, ai isso havia. Vinte e
três anos de abusos de direitos, de liberdades e outras coisas
fundamentais, vão criando mossa.
Atentemos no exemplo do cidadão tunisino que figura na foto. Reparem no ar de quem
sofre com a repressão de Ben Ali, de quem está muito atormentado e
já antevê a fuga do Presidente e da sua mulher para o Dubai com não
sei quantas barras de ouro nos bolsos.
Isto não é o olhar de quem detesta bikinis da
Calzedonia. É o olhar de um homem incomodado com a situação política
do seu país.
três anos de abusos de direitos, de liberdades e outras coisas
fundamentais, vão criando mossa.
Atentemos no exemplo do cidadão tunisino que figura na foto. Reparem no ar de quem
sofre com a repressão de Ben Ali, de quem está muito atormentado e
já antevê a fuga do Presidente e da sua mulher para o Dubai com não
sei quantas barras de ouro nos bolsos.
Isto não é o olhar de quem detesta bikinis da
Calzedonia. É o olhar de um homem incomodado com a situação política
do seu país.
Estamos a saque
Leilões de dívida pública, preços de combustíveis, classe política deplorável, e podia continuar aqui o dia todo. Nem mais: a saque. À descarada.
Burns' Night
Na Escócia, hoje, 25 de Janeiro, é dia de comer haggis (blherc) e de ler poemas de Robert Burns.
A menina Angelica
Shakira & Lampedusa
Podia ser uma nova edição da dupla mafiosa Lampião e Maria Bonita, ah, mas não é.
É que isto de eu ver ligações entre coisas muito prosaicas e abstracções intelectuais mais profundas tanto pode ser um mistério insondável como um delírio. Mas a verdade é que vejo.
Por exemplo, vejo que o Giuseppe Tomasi di Lampedusa no seu monstro literário "O Leopardo", e a Shakira (que é uma mulher muito sábia, como todos sabemos), dizem quase o mesmo:
Diz um -- E amor. Claro, o amor. Fogo e chamas durante um ano, cinzas durante trinta.
E diz a outra -- Love is only pain disguised as a kiss.
Dom Fabrizio et al.

Seguindo a boa sugestão do Ega há uns tempos, li "O Leopardo", de Lampedusa. Andei, portanto, no último mês, numa villa siciliana decadente entre Fabrizio, Bendicó e Tancredi, Angelica, Concetta e muitos outros, no meio de ventos de mudança de uma nova ordem política e social na Sicília do século XIX. Bem. Não vou profanar a qualidade do livro com os meus comentários óbvios de comum mortal, nem com as minhas opiniões medíocres e previsíveis. Só vou dizer que gostei muito.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide
Sean Lennon e Charlotte Kemp Muhl são entrevistados pela Vogue acerca do que costumam fazer aos domingos. Quando lhes perguntam "ao lado de quem gostariam de acordar ao domingo?", eles respondem, tão queridos:
Sean : On est toujours occupés avec les tournées. Alors ce qu'on voudrait vraiment c'est avoir du temps libre ensemble.
Charlotte : J'aime beaucoup me réveiller à côté de Sean, parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide.
Sean : Charlotte est très longue et fine alors que je suis petit et trapu... lorsqu’elle se retourne dans le lit, je me réveille en croyant être à côté d'une araignée.
Sean : On est toujours occupés avec les tournées. Alors ce qu'on voudrait vraiment c'est avoir du temps libre ensemble.
Charlotte : J'aime beaucoup me réveiller à côté de Sean, parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide.
Sean : Charlotte est très longue et fine alors que je suis petit et trapu... lorsqu’elle se retourne dans le lit, je me réveille en croyant être à côté d'une araignée.
Gorilas na Bruna
Não será uma gralha no título do clássico protagonizado pela Sigourney Weaver: podia era ser o título de um excelente filme pornográfico. Era uma menina, a Bruna, que aviava gorilas que era uma lindeza. Bonito.
Yoko Mono

Estou em crer que era o verdadeiro nome desta senhora. É que parece-me que esta mulher nunca falou (pelo menos, até 1980). Não havia de o Lennon, que tinha um feitio péssimo, gostar dela: está sempre com uma cara esfíngica, um sorriso seráfico, como que empalhada, não incomoda ninguém, não chateia ninguém, está ali, simplesmente. É decorativa, lá está: parece um mono.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Cocoon
O Jackinho tem aquele estilo muito calminho, e é girinho, e muito amiguinho da Mãe Natureza, e um dia estava a fazer surf e bateu com a sua cabecinha numa rochazinha e enquanto esteve doentinho começou a tocar e a cantar as suas musiquinhas, e é tão bonzinho que só pode ter algumas criancinhas enterradinhas no backyardzinho da sua casinha em North Shore.
Mas eu gosto dele, e esta é a mais doce música alguma vez feita sobre uma coisa tão amarga como uma ruptura.
Egos
Vi-me há uns tempos presa, perdão, como convidada, num jantar só de raparigas. Digo-vos, minha gente, que mereço no mínimo o Prémio Nobel da Paciência, por esta dura prova superada. Não é que ali faltasse inteligência ou temas interessantes e até muito divertidos. Muito pelo contrário. Cada uma daquelas pessoas é perfeitamente suportável, desde que tomadas isoladamente. Pessoas toleráveis, interessantes, bem dispostas e até muito afáveis. Agora, quando se aglomeram em grandes quantidades, os seus egos, já de si bastante inflamados, crescem, crescem, crescem, como que insuflados, e entram numa espiral de competição, que só visto. É que nem é uma questão de falarem alto (porque não falam), é mais cada uma a achar que é a mais atraente e a mais bem vestida e a melhor e a mais espectacular, e todas elas se esticam para se evidenciarem, e sei lá que mais, que, senhores, ajudem-me, que eu saio dali com uma dor de cabeça terrível, nem a excelência da cuisine do chef me cai bem, e a meio do jantar já só aceno com a cabeça e apresento um sorriso cansado, e os meus olhos procuram ansiosamente os sinais da saída de emergência.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Atilhos


O que é que estas imagens têm em comum? Pois está bom de ver, para olho treinado, que é o calçado. Morro de paixão por estes sapatos com atilhos, e apelo à caridade dos prezados leitores e pessoas em geral que aqui venham parar, que, se virem alguma coisa parecida a este calçado em alguma loja, que façam o obséquio de me informarem. É que gostava mesmo muito de atar estas coisas aos meus tornozelos na próxima Primavera. Muito agradecida.
Razoabilidade
Continuando a prestar culto às frivolidades deste mundo (ou a honrar a criatividade, como queiram) -- e se o facto de ainda estarmos no Inverno de 2011 não contribuir para agravar suspeitas sobre a minha falta de razoabilidade --, devo confessar que me é muito penoso disfarçar o entusiasmo que já me provoca a nova colecção da Donna Karan para o próximo Outono/Inverno de 2011-2012 (tende misericórdia de mim, minha gente, que os poemas da Sylvia Plath seguem dentro de momentos, prometo).
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