quarta-feira, 9 de março de 2011

O mais recente hype: Caretos de Trás-os-Montes



E agora que já estamos em Quarta Feira de Cinzas, no rescaldo do Entrudo, posso dizer-vos que há poucas coisas que me regalam mais do que os Caretos de Podence. Oh pá, Trás-os-Montes é fashion, tem hype, está a bombar, tá na berra, Trás-os-Montes rulezzz. Tem nível, muito nível, meu. Pensam que é o Lux ou o Clube Ferroviário que está a dar? Não! Trás-os-Montes é que é, pá. Isto sim, é Portugal na sua mais genuína essência, o Entrudo com carga simbólica, figuras mefistofélicas que evocam o profano para evidenciar ainda mais um sagrado sempre latente.


Atentemos neste magnífico fenómeno social transmontano. Digo-vos: não há coisa mais fantástica que os Caretos e a sua diabólica perseguição e "flagelação" das raparigas casadoiras. E das mais velhas também, que fingem que não, mas também gostam de levar com os chocalhos, ai não que não gostam. Enfim, velhas e novas parecem adorar levar com aquilo, é uma alegria. Eu própria, que nunca assisti ao Entrudo em Podence, dei comigo a pensar em lá ir no próximo ano: aquilo é uma experiência antropológica e etnográfica num laboratório ao vivo. E para ser sincera, quero lá saber da etnografia: o que eu queria mesmo era expôr a minha beleza e jovialidade ao julgamento dos Caretos e ver se eles me davam com o chocalhos também. Eu também queria levar com aquilo, pá. Deve ser tão bom.

Camaradas: perdido por cem, perdido por mil, pá


Como parece que há mais de quarenta anos que gozam connosco, não há mal nenhum em gozarmos também. Assumidamente, pá.
Obviamente, lá na Eurovisão ninguém vai perceber nada. Mas não faz mal. Isto é um pequeno sintoma. Um pequeníssimo, um minúsculo sintoma social. Mas é um sintoma. E isso faz-me sorrir, pá.

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval e Dia da Mulher

Um pouco à semelhança do que assinalei no ano passado, o Carnaval coincide com outra data que eu adoro. Desta vez, não é o Dia dos Namorados, mas sim o Dia da Mulher, essa data tão maravilhosa quanto o Dia do Idoso ou o Dia do Deficiente Renal, e do dia de todos os grupos sociais de certo modo fragilizados e que constituem minorias, tal como eu em tempos referi aqui.

Como vêem, eu gosto muito do Dia dos Namorados e do Dia da Mulher e dessas coisas todas. É caso, mais, uma vez, para dizer: cronologicamente, as datas sobrepõem-se porque Carnaval, Dia da Mulher e Dia dos Namorados, é tudo a mesma palhaçada.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Alcobaça, Texas

Diz que é capaz de haver petróleo ali para os lados de Alcobaça, e que uma empresa estrangeira vai começar a analisar o sub-solo daquela zona geográfica. Vão inicar-se em breve os estudos de prospecção.
Se assim fosse, e houvesse realmente ouro negro no nosso país, já estava mesmo a ver o resultado. Podíamos todos ficar descansados, a crise acabava logo, era um sonho tornado realidade. É como se nos saísse o Euro-milhões à escala nacional: os problemas estruturais não ficariam nunca resolvidos, pois chegava um milagre do céu (ou, neste caso, do sub-solo) para nos salvar. E Portugal, de repente muito snob, a olhar de cima para baixo a Inglaterra, e a França e a Alemanha… Não era lindo?
Como cereja no topo do bolo, já estou mesmo a ver a TVI a inspirar-se no hipotético novo-riquismo do país para mais uma bela série ou novela de intensíssima qualidade… Tipo: Portugal, o país que era pobre, e, de repente, tornou-se uma potência da OPEP. E logo uma série/novela no melhor estilo “Dallas” (só que teria o dramático título de “Alcobaça”, em vez de “Dallas”), com muita sacanice e vilanagem em torno dos poços de petróleo do Oeste, e o Virgílio Castelo a fazer de J.R. e a Alexandra Lencastre a fazer de Sue Ellen. Bonito. Muito bonito.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Voyage a trois

Tive a fabulosa ideia de planear uma viagem à Suíça com mais dois amigos de longa data. Eles são porreiros, bons rapazes, vai ser génial et super.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eclipse

A amizade supõe um mínimo de coerência, continuidade e estabilidade. Mesmo que, naturalmente, depois conduza a afastamentos. Não se deve tolerar bipolaridades "dexterianas" de emotividade exaltada e dedicação exclusiva, seguidas de fases em que se ignora totalmente o outro.

Têm-me falado de pessoas que têm aquela característica irritante/fascinante, de, num momento se dedicarem por completo a um amigo, dão-lhe toda a atenção, fazem dele o centro do mundo, como se fossem o Sol a derramar luz, e depois cansam-se rapidamente e desaparecem, dedicando-se a outros interesses. Ou seja, eclipsam-se, como o Sol. Passados uns tempos, essas "pessoas-Sol" lembram-se que o amigo existe, e tudo é belo de novo, até que se sucede nova fase de fastio, novo eclipse, e o ciclo eterniza-se.

Tenho pena de quem fica "dependente" do brilho das "pessoas-Sol", que afinal não são amigas de ninguém a não ser delas próprias. São o Sol e esperam que os outros gravitem em torno delas, como satélites idiotas. Reflectem instabilidade, são inconstantes, e, em última instância, são infantis ou imaturas (coisas paras as quais reservo Tolerância Zero).

Nunca gostei destas pessoas. Felizmente elas também não costumam gostar de mim, pelo que não nos incomodamos uns aos outros.

Ring of fire

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As saudades que eu tinha dos rapazes William Lawson's

No rules, great scottish

Creio que, agora sim, de forma ilustrativa, pictórica, incontestável e irrevogável, se compreende por que sou fã dos homens do Norte Europeu.

Há certos homens (e nenhum deles é lusitano, garanto-vos) que, tendo uma aparência perfeitamente normal de man next door, reúnem um cocktail de beleza, charme, elegância, e sensualidade, que resulta num belíssimo resultado.

Gerard Butler, nascido em Glasgow, 41 anos (belíssima idade), na semana passada, na entrega dos BAFTA em Londres. Louvemos o frio da Escócia, que enrijece.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

(Des)Empata

Mesmo sem estar na nossa natureza sermos precipitados, tudo tem um limite. As coisas ou são ou não são. Se são, ponderamos e assumimo-las. Se não são, segue-se em frente e não se perde mais tempo. Odeio meias palavras e contemporizações. Odeio o chove não molha. Odeio o nem fode nem sai de cima.

Já os colonizámos. Agora colonizam-nos eles


Esta invasão de turistas e viajantes brasileiros pela Europa deixa-me muito aturdida. Por um lado, impressiona-me muito como para eles conhecer o Velho Continente é brincadeira de miúdos. Percorrer dois mil quilómetros em três dias é canja. Passam por dez países num mês, e comem trajectos de Madrid a Vladivostock aopequeno-almoço (perdão, "tomando café da manhã").

Por outro lado, se há uns dez anos a sua presença parecia-me pouco mais que residual, agora vêm em barda, em hordas, aos magotes, em todo o lado. Suspeito levemente que estarão, em segredo, a planear uma vaga de colonização.

Até aqui, tudo bem. Mas quando estamos habituados a estar num país estrangeiro e a falar em português relativamente à vontade (leia-se gozar com quem me apetecesse e, eufemisticamente, soltar algumas palavras feias), ficamos com pena que este idílico cenário de livre expressão seja cada vez mais impossível.

É que uma pessoa vai descansada na sua vida, nos arredores do Rijksmuseum, mas ouve: "Paulão, álá o bondinho que tá vindo!", subimos o Monte Aerópago e somos bombardeados com "Nossa, tá vendo a Acrópole que bonitinha?", descansamos numa esplanada noNihavn e ouvimos ao lado "Pô cara, esses caras não sabem fazer comida,não!", descemos a escadaria do Sacré Coeur e somos assaltados com: "Vovó, não me vai cair dessas escadas, viu?".

Enfim. Tenho de passar a ter mais cuidado quando falo fora de Portugal. Mas antes os omnipresentes brasileiros que a gutural gritaria dos espanhóis.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Kadhafi

No liceu tínhamos um colega, mais velho, com algum estilo e muito rufia, cuja alcunha era Kadhafi. Usava um blusão de cabedal preto muito coçado, que ainda vinha dos anos 80, apesar de já estarmos na década de 90. Usava blusão, mas não era o Fonzie. Bom. Dizia eu que tinha esse colega, com essa alcunha. Portanto, tudo encaixa na perfeição. Ou seja, nós naquela altura já sabíamos que o regime ditatorial na Líbia ainda ia acabar em tempo útil, ou seja, enquanto fôssemos vivos. A alcunha do meu colega era um factor preditor (não confundir com Predictor aquele teste manhoso que nem sempre funciona). O que não sabíamos era que o senhor ainda iria desmentir a sua fuga para a Venezuela (certamente, para dar umas dicas ao Chávez sobre como ficar no poder por mais de 40 anos), sentado num carro, com a porta aberta, segurando um chapéu de chuva. Que isto, ditadorzinho sim, desprevenido em relação às intempéries climáticas é que nunca. Kadhafi. Continuo a achar um belo nome e uma bela alcunha. Tem carisma. Bonito, sim senhor.

Viseu & outras coisas doces



De um fim de semana de Inverno frio em Viseu, uma pessoa pode extrair os seguintes doces despojos: belíssima impressão acerca da nova Pousada de Viseu (antigo convento agora recuperado com muito charme e qualidade); doces típicos da região na pastelaria Almeida ("viriatos" e "rotundinhas", com especial preferência pessoal pelas segundas) e um livro adquirido nabela Livraria Pretextos (espaço muito agradvável) com um doce desconto de 10%. O livro "O Grande Gatsby", que não só me proporcionará belos serões de leitura como depois me vai levar a ver o homónimo clássico do cinema.


Tudo coisas docemente doces, portanto.

A perfeição

A romena Nadia Comaneci foi a primeira atleta a receber 10 pontos do júri nos Jogos Olímpicos, na modalidade de ginástica artística.
Era tido como "impossível" receber a pontuação máxima, pelo que os mostradores electrónicos onde eram exibidas as pontuações não estavam preparados para um número com dois dígitos. Assim, nos écrans da sua classificação final apareceram vários "1.0".
O mundo nunca está muito bem preparado para a perfeição.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Arcaboiços de luxo #24 e #25



Bradley Cooper e Jon Kortajarena, arcaboiços de luxo.

Uma dupla testosterona de luxo, ao melhor estilo de David Linch com a dualidade Louro/Moreno (ou, Marco Paulo e os seus dois amores, como preferirem), constituída por dois arcaboiços bem capazes de pôr qualquer mulher a andar numa fona. Tudo vocábulos que eu aprendo com a Andorinha. :)

Metáfora do puzzle

Imaginem que têm um puzzle de muitas peças. Imaginem que já conseguiram, com muito trabalho e paciência e tempo, montar o puzzle todo. As peças encaixam, a imagem que forma é muito bonita, há ali harmonia, e muito esforço empregue no resultado final.
Agora imaginem, que, apesar de tudo, vos falta uma peça, precisamente no meio do puzzle. Uma única peça. Uma só. Mas que, sem ela, o puzzle não fica completo, é impossível disfarçar, aquela peça é fundamental para o equilíbrio da imagem e para completar tudo. Mas vocês procuram e procuram a peça e não a encontram.
Tentam disfarçar a lacuna no puzzle mas não conseguem. Procuram a peça em todo o lado, mas não aparece. Perguntam a alguém se viram a peça, mas ninguém viu, ninguém sabe, aliás, ninguém vos ajuda a encontrá-la. Pelo contrário, pessoas há que só vos dificultam a procura da peça. O que é que se faz sem o raio da peça?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pessoas-quadros


Há aquelas pessoas que, infelizmente, são como quadros impressionistas. Ao longe são cativantes, parece que há ali harmonia, as cores atraem. Mas, ao aproximarmo-nos, quanto mais de perto as observamos, mais nos apercebemos de que ali só há traços grosseiros, sem sentido, sem coerência. Sem harmonia nenhuma, afinal.

Panda



Uma pequena sugestão para os homens (que vão marcar taaaaaantos pontos graças aqui à Zozô). Tenham um desmaquilhante nos vossos viris e másculos apartamentos. You know. Just in case. Não gostam de acordar ao lado de um panda, pois não?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Táctil

Passar suavemente a palma das mãos pela cabeça rapada de um homem é a melhor sensação táctil que existe (ok, pode haver outras, mas, hum, agora não me estou a lembrar).
Sugiro sempre a todos os rapazes que conheço que rapem o cabelo uma vez por outra. É terapêutico passar-lhes, literalmente, a mãozinha p'lo pêlo.

Hoje apetecia-me voltar a (Roma)



(E a Milão. E a Scirmione. E a Veneza. E a Sienna.)

E sentar-me outra vez na scalinata di Spagna, de frente para a fontana della Barcaccia, num dia de muito sol. E depois dar um passeio até à Villa Borghese.