domingo, 13 de fevereiro de 2011

Siga a marinha



Vi este filme em 2003. O que à partida era, para mim, mais uma estopada americana, um blockbuster aparatoso na forma e vazio no conteúdo, fez-me mudar ligeiramente de opinião e reconhecer-lhe algum valor.

Realizado por Peter Weir ("Clube dos Poetas Mortos") revela uma sensibilidade inesperada para um filme onde só aparecem duas mulheres, ao longe, como figurantes. À partida reunia todas as condições para eu não gostar de o ver. A acção passa-se quase integralmente num barco, e tem uma óbvia vertente beligerante predominante. Todo o elenco é masculino. Há uma presença feminina apenas intuída uma vez numa carta ("My dearest Sophie...") do "capitão Aubrey" (Russell Crowe), que humaniza (e romantiza levemente) esta personagem que se quer dura, audaz e viril.

Mas não é só isto. A sublime escolha de peças musicais clássicas, como uma das das sete Suites de Bach na banda sonora. O duelo "homem de acção, bélico" / "homem de ciência, reflexivo, ético") personificado pelo capitão e pelo médico. A asfixia e as tensões de quem está fechado no mar durante meses. A maravilhosa incursão às Galápagos, numa espécie de evocação darwiniana avant la lettre (a acção situa-se em 1805). O rigor da reconstituição histórica. A formação dos jovens oficiais (a presença de crianças/adolescentes no barco introduz um elemento lúdico, dramático e doce). Tudo isto faz um filme que, sem ser magnífico, está perto de o ser.

Este filme é exibido em aulas de pós-graduações de Gestão pela vertente de estratégia (nas tácticas militares) e é incluído na formação de oficiais das Forças Armadas pelos exemplos de liderança. Acho bem. E ainda por cima, tem todo o universo estético da Marinha, que faria suspirar qualquer uma das irmãs Bennett. E do que eu gosto mesmo, admitamos, é do "Mr. Pullings" (James D'Arcy).

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Abdicar, literalmente


Substantivo masculino

Cabelo revolto, barba por fazer, lábios entreabertos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os homens são a melhor coisa do mundo

Acredito profundamente na amizade entre homens e mulheres. Talvez por ter alguns bons e verdadeiros amigos homens. Aliás, creio mesmo que os nossos melhores amigos são homens (afinal, não são os bobis).
Uma das coisas que louvo nos homens (amigos do sexo masculino, entenda-se) é o omnipresente humor. Contundente, ácido e inteligente, o humor deles é inevitável e contagiante, mesmo quando estou triste.
Gosto da forma pura, simples e directa com que abordam os assuntos, e do modo como desdramatizam problemas. Gosto do orgulho ufano que exibem quando vão ao meu lado na rua (em vez da rivalidadezinha desnecessária que as mulheres deixam transparecer).
Gosto das conversas neutras sobre cinema, música, actualidade ou puras trivialidades, que muitas vezes descambam e baixam de nível de forma tão divertida e ternurenta -- em vez das eternas lamechices das mulheres, a queixarem-se dos (des)amores, a falarem mal dos homens em geral e de outras mulheres em particular.
Até as discussões com os rapazes são melhores: no dia seguinte eles desarmam-me com o seu sorriso de quem já esqueceu as exaltações da altercação (tão diferente dos eternos amuos e ressentimentos femininos).
Enfim. Gosto tanto dos meus amigos que chego a ter saudades dos seus modos abrutalhados, das grosserias das conversas, e... dos idiotas em que eles se transformam quando vêem futebol.
Os (meus) homens são mesmo a melhor coisa do mundo. Make my day.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nefertiti rulezzz, Osíris rulezzz




Façam o favor de ouvir Rafael Perez Arroyo, "Ancient Egypt - Music of the Age of the Pyramids", que são simplesmente os grandes hits musicais que os Antigos Egípcios ouviam, as músicas que faziam abanar o esqueleto das amigas da Cleópatra e que animavam os bailes lá do
delta, à beira-Nilo, naqueles belos tempos bíblicos.

Ah, e tal, porque é uma música que é uma seca, e oh Zozô que isto não dá pica e não dá pra dançar, e não sei que mais (foi o que me disseram).

Pois. Façam como quiserem. Depois não digam que não avisei, porque da forma como aquilo anda no Egipto, não vai sobrar pedra sobre pedra naquele deserto, e aquela gente há-de estragar tudo. Não pensem que as Pirâmides, a Esfinge e o podre, perdão, pobre Tutankamon vão sair incólumes, sem um arranhãozinho, porque não vão.

E depois só os vão poder ver nos manuais de História do 7º ano dos vossos filhos. Oiçam a música, mas é.

Reservatório térmico



Existirão sempre na memória certos Verões que são como reservatórios que acumulam calor, para aquecerem dias gélidos vindouros.

Uma espécie de endless summer mental.

Bens de luxo



Sou uma pessoa coerente. Considero como coisas dignas de devoção tanto um vestidinho de seda Karen Millen como um pão tradicional do Alentejo, um queijo do Rabaçal ou uma morcela de arroz.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As propinas do senhor reitor


Parece que está na ordem do dia, o assunto. Há tanto tempo que não via estas imagens, parece que foi ontem que passaram nos jornais, na televisão e na Forum Estudante, quem não se lembra da Forum Estudante naquela época. E desde que escrevi este post e revi algumas fotos, que me apetecia escrever isto, com ou sem Deolinda, de quem eu nem sequer gosto nem um pouco. "Não pagamos". As propinas, a PGA, eu sei lá. Tão querida, a geração rasca.

Bon chic, bon genre


A Clémence Poésy é uma actriz francesa que interpreta muito bem principalmente os papéis que lhe são atribuídos em termos de estilo e de moda. Em primeiro lugar, tem muita elegância. Tem aquele indefinível chic francês. Claro que tem um estilo e uma figura que muitos homens (e as tontas adolescentes) costumam desprezar -- porque “não é muito revelador”. Mas deixemos de parte a brutalidade boçal de uns e de outras.




Não tem o estilo puro e minimalista da moda norte-americana, não tem o arrojo irreverente da moda londrina, não tem a sensualidade colorida da moda italiana. Tem um estilo elegante, refinado, delicado, discreto e muito feminino. Em suma, não é para quem quer é so para quem pode. E é por isso que aprecio as lições de estilo e elegância que esta jovem costuma dar.

Le discours du roi


Ou, a minha anglofilia ao rubro. (Porque podemos admirar muito uma nação, sem necessariamente gostarmos dela.) Gostei do filme. É um filme interessante, acima de tudo com um elenco de elevadíssima qualidade: Guy Pearce, Michael Gambon, Jennifer Ehle, a maravilhosa Helena Bonham Carter que veste na perfeição a pele da Rainha Elizabeth, Geoffrey Rush, e claro, o nosso amigo "Mr. Darcy".

E esta anglofilia deve ser coisa que me ficou impregnada desde que,
muito cedo, lia Enid Blyton, e ficava fascinada com as aventuras
daquelas miúdas que, apesar de serem internadas no colégio com um certo
desprendimento dos pais, e rodeadas da frieza e sarcasmo das
professoras, mesmo assim, conseguiam divertir-se, infringir (algumas)
regras e dar boas lições de lealdade e de firmeza de carácter. E eu,
fascinada, perguntava-me porque é que, no meu colégio, não havia nada
disso.

Bom. Ide ver este filme, que eu recomendo. (O título em francês é só para baralhar.)

Raíz quadrada

Infelizmente, há muita gente quadrada neste mundo. Não há nada a fazer, é defeito de fabrico, são assim de raíz.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Às vezes também é assim


Gente gira



David Lecomte e Agathe Vernazobres (The Kooples).

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Reler Maugham


Por acaso, no livro, não é Xangai, é Hong Kong, onde, também por acaso, já tive a sorte de ter ido e de lá ter sido feliz, com essa facilidade, leveza e fluidez que só é possível na adolescência.

The Painted Veil


de John Curran (2006)

Xangai dos anos 20 e personagens de Somerset Maugham. Fotografia notável. O calor. Calor. A luz. No quarto dos amantes, a luz dourada, filtrada pelas persianas de uma janela, sombras quentes projectando-se no chão. Tal como quando se lê a Indochina da Marguerite Duras.
Um piano desafinado que encurta a distância entre duas pessoas. O duelo psicológico, temperado pela fleuma britânica, entre mulher adúltera e marido punitivo.
E no meio do mar de sentimentos paradoxais, duas fendas sócio-políticas: a fúria dos nacionalistas chineses num fragmento de império britânico, e uma epidemia e superstições.
Post reeditado

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

E a Argélia e a Líbia são as próximas peças de dominó, remark my words

Agora fora de brincadeiras, não é nada de extraordinário dizê-lo e toda a gente suspeitou logo que a revolta inédita na Tunísia ia ser, de certo modo, um rastilho para outros países. É a vez do Egipto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Capeline à Bergman


Há poucas coisas que distinguem mais uma mulher do que quando se usa uma capeline.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Smells like teen spirit


São sociologicamente muito interessantes os reencontros com gente que o tempo (e o re-nivelamento social) dispersou. É o caso dos meus antigos colegas de secundário.
Há as mais incríveis metamorfoses da fauna.
Dos que eram betinhos e agora são rastafaris. Daqueles que eram da onda grunge ou heavy metal e agora são uma espécie de yuppies ou então pertencem a bandas de música. A trupe dos surfistas está igualzinha, estão apenas um pouco mais bronzeados. As boazonas da época foram precoces, tiveram filhos aos 20 anos, e meteram-se na droga (mas agora já estão limpas). Os góticos já se vestem de todas as cores, os que eram meio hippies têm um ar um pouco menos sujinho. Os nerds protagonizam a sua grande vingança e agora são, previsivelmente, quadros superiores arrogantes.
E há toda uma panóplia de gente que era muito gira e agora é muito feia.

I don't wanna stop, DJ

É sempre bom sabermos que um antigo colega de turma é hoje DJ, e parece que é moderadamente conhecido e tudo (eu ignorava, mas se calhar o problema é meu, que estou out). Connections, connections.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O síndrome Mr. Elton

O Mr. Elton é uma personagem engraçadíssima da Jane Austen, que, após uns tempos de solteiro com algumas tropelias e frustrações amorosas sucumbe a um casamento de
conveniência. Mas depois de casado (com uma mulher chatíssima), assume uma
postura radicalmente oposta e afirma-se (com apenas 26 anos) "um velho homem casado" que já nem sequer dança nos bailes.

Detecto muito esta atitude em jovens homens entre os 30 e os 35 anos que são
recém-casados ou recém-pais. Muito recato, demasiada pacatez, os olhinhos
muito baixos, níveis de testosterona baixíssimos. Quase não têm sinais
vitais, pobrezinhos.
Não sei quem querem eles enganar, porque é claríssimo que estão todos a
preparar-se para dar o salto da crise frenética de jovialidade, energia e
vitalidade que os irá atingir depois dos 40. É que é tão certo como o devir teleológico hegeliano.

Rádio nostalgia


Esta música passou por acaso há dias na rádio, enquanto eu conduzia, e a bandida trouxe-me à memória tantos e tão bons momentos, amigos, festas de faculdade, cerveja, aulas, exames e tantas caras que se foram perdendo no tempo (agora oportunamente recuperadas no livro das caras).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tensão na Tunísia


Que já havia tensões latentes na Tunísia há muito, ai isso havia. Vinte e
três anos de abusos de direitos, de liberdades e outras coisas
fundamentais, vão criando mossa.

Atentemos no exemplo do cidadão tunisino que figura na foto. Reparem no ar de quem
sofre com a repressão de Ben Ali, de quem está muito atormentado e
já antevê a fuga do Presidente e da sua mulher para o Dubai com não
sei quantas barras de ouro nos bolsos.

Isto não é o olhar de quem detesta bikinis da
Calzedonia. É o olhar de um homem incomodado com a situação política
do seu país.

Estamos a saque

Leilões de dívida pública, preços de combustíveis, classe política deplorável, e podia continuar aqui o dia todo. Nem mais: a saque. À descarada.

Burns' Night

Na Escócia, hoje, 25 de Janeiro, é dia de comer haggis (blherc) e de ler poemas de Robert Burns.

A menina Angelica

Confesso que esperava uma heroína literária daquelas com sentimentos muito nobres, muito abnegada, com uma superioridade moral exemplar. Afinal (e sem deixar de ser uma personagem extraordinária de "O Leopardo"), é uma garota arrivista, ambiciosa e até muito atrevidota.

Shakira & Lampedusa

Podia ser uma nova edição da dupla mafiosa Lampião e Maria Bonita, ah, mas não é.
É que isto de eu ver ligações entre coisas muito prosaicas e abstracções intelectuais mais profundas tanto pode ser um mistério insondável como um delírio. Mas a verdade é que vejo.
Por exemplo, vejo que o Giuseppe Tomasi di Lampedusa no seu monstro literário "O Leopardo", e a Shakira (que é uma mulher muito sábia, como todos sabemos), dizem quase o mesmo:
Diz um -- E amor. Claro, o amor. Fogo e chamas durante um ano, cinzas durante trinta.
E diz a outra -- Love is only pain disguised as a kiss.

Dom Fabrizio et al.


Seguindo a boa sugestão do Ega há uns tempos, li "O Leopardo", de Lampedusa. Andei, portanto, no último mês, numa villa siciliana decadente entre Fabrizio, Bendicó e Tancredi, Angelica, Concetta e muitos outros, no meio de ventos de mudança de uma nova ordem política e social na Sicília do século XIX. Bem. Não vou profanar a qualidade do livro com os meus comentários óbvios de comum mortal, nem com as minhas opiniões medíocres e previsíveis. Só vou dizer que gostei muito.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide

Sean Lennon e Charlotte Kemp Muhl são entrevistados pela Vogue acerca do que costumam fazer aos domingos. Quando lhes perguntam "ao lado de quem gostariam de acordar ao domingo?", eles respondem, tão queridos:

Sean : On est toujours occupés avec les tournées. Alors ce qu'on voudrait vraiment c'est avoir du temps libre ensemble.
Charlotte : J'aime beaucoup me réveiller à côté de Sean, parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide.
Sean : Charlotte est très longue et fine alors que je suis petit et trapu... lorsqu’elle se retourne dans le lit, je me réveille en croyant être à côté d'une araignée.

Gorilas na Bruna

Não será uma gralha no título do clássico protagonizado pela Sigourney Weaver: podia era ser o título de um excelente filme pornográfico. Era uma menina, a Bruna, que aviava gorilas que era uma lindeza. Bonito.

Yoko Mono


Estou em crer que era o verdadeiro nome desta senhora. É que parece-me que esta mulher nunca falou (pelo menos, até 1980). Não havia de o Lennon, que tinha um feitio péssimo, gostar dela: está sempre com uma cara esfíngica, um sorriso seráfico, como que empalhada, não incomoda ninguém, não chateia ninguém, está ali, simplesmente. É decorativa, lá está: parece um mono.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Testosterona de luxo #23

Jack Johnson
(Já que falamos nele.)

Cocoon


O Jackinho tem aquele estilo muito calminho, e é girinho, e muito amiguinho da Mãe Natureza, e um dia estava a fazer surf e bateu com a sua cabecinha numa rochazinha e enquanto esteve doentinho começou a tocar e a cantar as suas musiquinhas, e é tão bonzinho que só pode ter algumas criancinhas enterradinhas no backyardzinho da sua casinha em North Shore.
Mas eu gosto dele, e esta é a mais doce música alguma vez feita sobre uma coisa tão amarga como uma ruptura.

Egos

Vi-me há uns tempos presa, perdão, como convidada, num jantar só de raparigas. Digo-vos, minha gente, que mereço no mínimo o Prémio Nobel da Paciência, por esta dura prova superada. Não é que ali faltasse inteligência ou temas interessantes e até muito divertidos. Muito pelo contrário. Cada uma daquelas pessoas é perfeitamente suportável, desde que tomadas isoladamente. Pessoas toleráveis, interessantes, bem dispostas e até muito afáveis. Agora, quando se aglomeram em grandes quantidades, os seus egos, já de si bastante inflamados, crescem, crescem, crescem, como que insuflados, e entram numa espiral de competição, que só visto. É que nem é uma questão de falarem alto (porque não falam), é mais cada uma a achar que é a mais atraente e a mais bem vestida e a melhor e a mais espectacular, e todas elas se esticam para se evidenciarem, e sei lá que mais, que, senhores, ajudem-me, que eu saio dali com uma dor de cabeça terrível, nem a excelência da cuisine do chef me cai bem, e a meio do jantar já só aceno com a cabeça e apresento um sorriso cansado, e os meus olhos procuram ansiosamente os sinais da saída de emergência.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Atilhos



O que é que estas imagens têm em comum? Pois está bom de ver, para olho treinado, que é o calçado. Morro de paixão por estes sapatos com atilhos, e apelo à caridade dos prezados leitores e pessoas em geral que aqui venham parar, que, se virem alguma coisa parecida a este calçado em alguma loja, que façam o obséquio de me informarem. É que gostava mesmo muito de atar estas coisas aos meus tornozelos na próxima Primavera. Muito agradecida.

Razoabilidade

Continuando a prestar culto às frivolidades deste mundo (ou a honrar a criatividade, como queiram) -- e se o facto de ainda estarmos no Inverno de 2011 não contribuir para agravar suspeitas sobre a minha falta de razoabilidade --, devo confessar que me é muito penoso disfarçar o entusiasmo que já me provoca a nova colecção da Donna Karan para o próximo Outono/Inverno de 2011-2012 (tende misericórdia de mim, minha gente, que os poemas da Sylvia Plath seguem dentro de momentos, prometo).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

(Comentários)

Tenho tido aqui no blogue algumas dificuldades na moderação e publicação de comentários, mas é só para dizer que leio-os todinhos (e agradeço), pode demorar um pouco mais do que seria desejável mas respondo a todos logo que posso.

Beatriz e o Plátano


Ilse Losa tem um conto infantil com este título. Acho-o tão lindo. O título, não o livro, porque apesar de o cnhecer desde pequena, nunca o li.

Gosto de árvores. Isto soa (propositadamente) infantil mas é assim mesmo. Há coisas que nos remetem sempre, inevitavelmente, para a memorabilia de infância. Como o cheiro a roupa lavada acabada de passar a ferro.

Gosto de árvores. Abertas, frondosas, troncos rugosos e largos, copas majestosamente verdes (ou castanhas e douradas, no Outono). Gosto de árvores. Não sei explicar.

Pontaria

Não tenho pressa. As coisas demoram o que tiverem de demorar, acontecem quando tiverem de acontecer, as oportunidades surgem quando surgirem. Sem forçar. Há um tempo para tudo. E aquela coisa de que a vida não é uma corrida, mas sim um tiro ao alvo, é, de facto, verdade. O que conta não é chegar mais depressa (seja ao que for), mas, sim, a capacidade de se alcançar um centro. A pontaria, mais do que a pressa, portanto.

Fifties (7)

Ou, traduzido para linguagem punk dos anos 80: I want candy.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A desfolhada infernal

Aborrecem-me homens que dizem "Eu estive a desfolhar o jornal", ou "Por acaso, já desfolhei o livro", e há-os p'raí aos montes.
Primeiro, porque, já se sabe, não é desfolhar, mas sim folhear. E depois porque só a ideia me causa arrepios, dado que desfolhar é arrancar folhas e arrancar folhas é estragar livros. E com os preços proibitivos a que hoje estão as publicações isto não pode ser, meus amigos. E depois porque desconfio de gente que utiliza mal a língua portuguesa. Dá-me logo vontade de realmente desfolhar um jornal e fazê-los engolir as páginas, sem água para acompanhar nem nada.
É isso, e um rapaz dizer-me "Há-des ver, há-des reparar". O Hades é o inferno, era um inferno mitológico. Na verdade, é o inferno onde esta gente nos mete.

Room with a view

Não há nada que exalte mais os sentidos e que mais desate a volúpia do que um terraço para o Mediterrâneo. (Não é para nos atirarmos dali para baixo, minha boa gente: é para nos atirarmos para outras coisas, bem entendido. Vejam lá.)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Suis-moi jusqu'au bout de la nuit, jusqu'au bout de ma folie. Laisse le temps, oblie demain. Oublie tout, ne pense plus à rien.




Ouvindo isto ad nauseam:

Ne dis rien, Serge Gainsbourg & Anna Karina

Eu também queria ser um alvo feliz da serendipidade

Olho para a minha secretária de trabalho, atolada e caótica por estes dias, e espero um milagre. Não um religioso, bastante pelo contrário, mas daqueles trespassados de conhecimento científico. Como aconteceu ao Alexander Flemming quando, na confusão e caos do laboratório, descobriu por acaso a penicilina (e ainda mais outra coisa qualquer que me esqueci, que ele tinha era mais sorte que juízo).

Testosterona de luxo #22

Ian Thorpe (nos bons tempos).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Trilogia pessoal 2010

Grécia. (Escaramuças graves.) Irlanda. (Escaramuças mais leves.) Tunísia. (A coisa está muito feia.)

sábado, 15 de janeiro de 2011

A harpa, a voz, a harpa (should we go outside?)

Sprout and the been, Joanna Newsom.

(Obrigada a um velho amigo.)

Swinging London (2)

Swinging London

Twiggy

Check

Somewhere (2010), de Sofia Coppola.
Como sempre: silêncios habilmente tecidos, quietamente eloquentes.



You'll meet a tall dark stranger (2010), de W. Allen.
Hum. Pois. E...?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Síntese/ Abstract/ Résumé





Polémicas, vergonhas (dúvidas, indecisões).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

(Brasil. Austrália.)

Corações



Coeurs (2006), de Alain Resnais.

Este Dégas também rula, pá


Edgar Dégas (1834-1917)

Seurat rulezzz

Georges Seurat (1859-1891)
Sou um calhau para arte moderna. Pronto, não tenho educado o meu gosto para esses lados. Ou mesmo que educasse, sou um calhau, anyway. Isto sim, é que é bom.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Diab(r)etes

E ainda assim. Um brasileiro, no ano passado, chamou-me falsa magra. Fiquei ofendida. Ele explicou. Fiquei desconfiada. Ele explicou melhor. Fiquei a tolerá-lo um pouco melhor.

Diabetes

Não gosto do jeito dos brasileiros. (So what? Shoot me.) Não gosto. O discurso deles, as ruidosas manifestações de júbilo, esta mania de abraçar logo os desconhecidos, o exagero táctil.
Não gosto.
É mel a mais, açúcar a mais, doce a mais.
É enjoativo demais.

A gente não lê (2)

Tudo o que está no post abaixo é muito bonito. Mas, depois, quando estou no campo, e vejo uma lagartixa ou um besouro, morro.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A gente não lê

Sol quente e poeirento em Verões de dias intermináveis. Casas caiadas, gentes. Sortelha, Belmonte. Música tradicional. Uma linha de comboio. Linhares da Beira. A melhor gastronomia do mundo, do menos saudável e mais delicisosa que possa no mundo haver. Terras de Bouro. Pão e azeitonas sobre linho branco. Hospitalidade. Mirandela. Franqueza, modos rústicos, simplicidade. Acordeãos. Olhos castanhos risonhos. Castro Daire. Procissões, feiras, searas e oliveiras. Os campos, muito quietos. Broa, queijo, vinho e morcela. Ponte de Lima. Pequenas fragas. O toque dos sinos, lá em baixo. Abraços. Muito genuínos, tão nossos. Qualquer coisa de apaziguante. As melhores recordações. É saloio. pois é. Mas isto sim, é o que de melhor Portugal tem.

Agita-se a solidão cá no fundo, Fica-se sentado à soleira, A ouvir os ruídos do Mundo E entendê-los à nossa maneira.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

E o prémio para marido mais pragmático vai para...

Eu tenho amigos queridíssimos, de longa (longuíssima) data, cujo pragmatismo é tão lendário quanto cómico. Um deles ofereceu, como presente de aniversário, à sua excelsa esposa... minha gente, um par de pneus sobresselentes para o carro. Vejam como isto é de uma utilidade providencial e estamos na presença de um marido extremoso.

Portanto, não lhe ofereceu um perfume, nem lingerie, nem um fim de semana romântico numa pousada romântica. Não. Pneus, sim senhora. Coisa útil e, nestes tempos árduos, muito preciosa.

Melhor que este meu amigo, só outro amigo meu que, antes ainda de pedir a mão à sua futura mulher, comprou as alianças porque estavam em saldos. Sim senhora, em saldos, porque a vida está cara. Se a noiva tinha alguma preferência sobre o anel que vai usar toda a vida? Ná! Se tinha alguma palavra a dizer na ourivesaria? Ná!

O que é que concluimos daqui? Que há maridos espectaculares. E que está bem visto que eu se me casasse (lagarto, lagarto) teria de ser fora do meu círculo de amigos. Porque isto é contagioso, pois claro.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Gerontofilia

Soube que uma antiga colega de faculdade se casou com um homem de sessenta anos. É, portanto, mais velho que os pais dela. E consta que tem um bigodinho branco e tudo.

Não tenho nada contra os padrões etários (nem estéticos) da conjugalidade. Só acho é que há coisas que não deveriam chegar até nós sem uma anestesia.

Balzaquianas (35)

Milla Jovovich (n. 1975)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Penso, meu caro Eça, que, hoje em dia, será talvez o contrário

"O amor espiritualiza o homem e materializa a mulher."

Eça de Queiroz, "José Matias".

Fifties (6)

Louis Vuitton, colecção Outono/Inverno 2010/2011
Diabos me levem se, um dia destes, não tenho um vestido ao estilo deste da Christy Turlington (em primeiro plano, à direita, para que não haja dúvidas se alguém me quiser oferecer um).

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Victoria´s Secret e moral kantiana: uma parceria improvável

"A inteligência dos fleumáticos triunfa na sistematização e Kant oferece um exemplo típico desta lei. Notavelmente dotado para a crítica, possui os defeitos das suas qualidades: uma certa rigidez e uma falta de maleabilidade intelectual."
(Raymond Vancourt, in Kant, Edições 70).

Eu nutro uma certa ternura por Immanuel Kant, já o manifestei aqui várias vezes. A influência do pietismo, os rígidos princípios morais, a filosofia transcendentalista. É bonito. Superarmo-nos através do transcendentalismo, libertarmo-nos da irremediável tangibilidade física e atingirmos a perfeição, pura, ideal. Isto é lindo, lindo.

E também é comovente. Até porque há muito mais kantianos do que seria de esperar, e que, sem o saberem, são-no até às últimas consequências. Nem os inquestionáveis padrões estéticos da Victoria's Secret os demovem. Nem corpetes, nem aplicações de borboletas, nem asas, nem nada, meus amigos. Parece impossível, mas é verdade.

Kantianos. Rígidos em tudo, menos no que seria desejável.

Há mar e mar

Esta maravilhosa música ondulante passava como música de fundo numa daquelas campanhas de prevenção do Instituto de Socorros a Náufragos, num dos Verões escaldantes dos anos 90 (ou era 80?).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Areia

"Sim, querida Lotte, irei resolver o assunto e ocupar-me-ei de tudo. E, sobretudo, encarregue-me de mais coisas... e com muita frequência. Só peço uma coisa: que não deite mais areia nos bilhetes que me escreve. Hoje, levei o bilhete rapidamente aos lábios e ainda tenho areia nos dentes."
Goethe ("Werther")

Como podemos ver, até mesmo um coração cheio do mais exacerbado romantismo (e nisto, o pobre Werther bate qualquer recorde passado, presente ou futuro, coitado) se vê confrontado com as pequenas minudências da matéria.

O passeio das virtudes

Mais cedo ou mais tarde, lá chega o fatídico dia em que (aquilo que deveriam ser) as nossas maiores qualidades se viram contra nós.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sugar daddy

Há lá coisa mais sexy que um homem bonito com o seu filho pequeno ao colo.

Fio dental


Que me desculpem os/as adeptos/as, mas não há nenhum argumento no mundo que me faça pensar de outra forma, e não há ninguém que me convença que isto não é um tipo de vestuário desconfortável e até pouco higiénico. Seja em bikinis seja em roupa interior. E aos homens que me venham com a história de que é sexy e não sei quê, eu desafio sempre a me responderem quantos deles é que apreciam ter coisas enfiadas no rabo.