quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Já os colonizámos. Agora colonizam-nos eles


Esta invasão de turistas e viajantes brasileiros pela Europa deixa-me muito aturdida. Por um lado, impressiona-me muito como para eles conhecer o Velho Continente é brincadeira de miúdos. Percorrer dois mil quilómetros em três dias é canja. Passam por dez países num mês, e comem trajectos de Madrid a Vladivostock aopequeno-almoço (perdão, "tomando café da manhã").

Por outro lado, se há uns dez anos a sua presença parecia-me pouco mais que residual, agora vêm em barda, em hordas, aos magotes, em todo o lado. Suspeito levemente que estarão, em segredo, a planear uma vaga de colonização.

Até aqui, tudo bem. Mas quando estamos habituados a estar num país estrangeiro e a falar em português relativamente à vontade (leia-se gozar com quem me apetecesse e, eufemisticamente, soltar algumas palavras feias), ficamos com pena que este idílico cenário de livre expressão seja cada vez mais impossível.

É que uma pessoa vai descansada na sua vida, nos arredores do Rijksmuseum, mas ouve: "Paulão, álá o bondinho que tá vindo!", subimos o Monte Aerópago e somos bombardeados com "Nossa, tá vendo a Acrópole que bonitinha?", descansamos numa esplanada noNihavn e ouvimos ao lado "Pô cara, esses caras não sabem fazer comida,não!", descemos a escadaria do Sacré Coeur e somos assaltados com: "Vovó, não me vai cair dessas escadas, viu?".

Enfim. Tenho de passar a ter mais cuidado quando falo fora de Portugal. Mas antes os omnipresentes brasileiros que a gutural gritaria dos espanhóis.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Kadhafi

No liceu tínhamos um colega, mais velho, com algum estilo e muito rufia, cuja alcunha era Kadhafi. Usava um blusão de cabedal preto muito coçado, que ainda vinha dos anos 80, apesar de já estarmos na década de 90. Usava blusão, mas não era o Fonzie. Bom. Dizia eu que tinha esse colega, com essa alcunha. Portanto, tudo encaixa na perfeição. Ou seja, nós naquela altura já sabíamos que o regime ditatorial na Líbia ainda ia acabar em tempo útil, ou seja, enquanto fôssemos vivos. A alcunha do meu colega era um factor preditor (não confundir com Predictor aquele teste manhoso que nem sempre funciona). O que não sabíamos era que o senhor ainda iria desmentir a sua fuga para a Venezuela (certamente, para dar umas dicas ao Chávez sobre como ficar no poder por mais de 40 anos), sentado num carro, com a porta aberta, segurando um chapéu de chuva. Que isto, ditadorzinho sim, desprevenido em relação às intempéries climáticas é que nunca. Kadhafi. Continuo a achar um belo nome e uma bela alcunha. Tem carisma. Bonito, sim senhor.

Viseu & outras coisas doces



De um fim de semana de Inverno frio em Viseu, uma pessoa pode extrair os seguintes doces despojos: belíssima impressão acerca da nova Pousada de Viseu (antigo convento agora recuperado com muito charme e qualidade); doces típicos da região na pastelaria Almeida ("viriatos" e "rotundinhas", com especial preferência pessoal pelas segundas) e um livro adquirido nabela Livraria Pretextos (espaço muito agradvável) com um doce desconto de 10%. O livro "O Grande Gatsby", que não só me proporcionará belos serões de leitura como depois me vai levar a ver o homónimo clássico do cinema.


Tudo coisas docemente doces, portanto.

A perfeição

A romena Nadia Comaneci foi a primeira atleta a receber 10 pontos do júri nos Jogos Olímpicos, na modalidade de ginástica artística.
Era tido como "impossível" receber a pontuação máxima, pelo que os mostradores electrónicos onde eram exibidas as pontuações não estavam preparados para um número com dois dígitos. Assim, nos écrans da sua classificação final apareceram vários "1.0".
O mundo nunca está muito bem preparado para a perfeição.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Arcaboiços de luxo #24 e #25



Bradley Cooper e Jon Kortajarena, arcaboiços de luxo.

Uma dupla testosterona de luxo, ao melhor estilo de David Linch com a dualidade Louro/Moreno (ou, Marco Paulo e os seus dois amores, como preferirem), constituída por dois arcaboiços bem capazes de pôr qualquer mulher a andar numa fona. Tudo vocábulos que eu aprendo com a Andorinha. :)

Metáfora do puzzle

Imaginem que têm um puzzle de muitas peças. Imaginem que já conseguiram, com muito trabalho e paciência e tempo, montar o puzzle todo. As peças encaixam, a imagem que forma é muito bonita, há ali harmonia, e muito esforço empregue no resultado final.
Agora imaginem, que, apesar de tudo, vos falta uma peça, precisamente no meio do puzzle. Uma única peça. Uma só. Mas que, sem ela, o puzzle não fica completo, é impossível disfarçar, aquela peça é fundamental para o equilíbrio da imagem e para completar tudo. Mas vocês procuram e procuram a peça e não a encontram.
Tentam disfarçar a lacuna no puzzle mas não conseguem. Procuram a peça em todo o lado, mas não aparece. Perguntam a alguém se viram a peça, mas ninguém viu, ninguém sabe, aliás, ninguém vos ajuda a encontrá-la. Pelo contrário, pessoas há que só vos dificultam a procura da peça. O que é que se faz sem o raio da peça?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pessoas-quadros


Há aquelas pessoas que, infelizmente, são como quadros impressionistas. Ao longe são cativantes, parece que há ali harmonia, as cores atraem. Mas, ao aproximarmo-nos, quanto mais de perto as observamos, mais nos apercebemos de que ali só há traços grosseiros, sem sentido, sem coerência. Sem harmonia nenhuma, afinal.

Panda



Uma pequena sugestão para os homens (que vão marcar taaaaaantos pontos graças aqui à Zozô). Tenham um desmaquilhante nos vossos viris e másculos apartamentos. You know. Just in case. Não gostam de acordar ao lado de um panda, pois não?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Táctil

Passar suavemente a palma das mãos pela cabeça rapada de um homem é a melhor sensação táctil que existe (ok, pode haver outras, mas, hum, agora não me estou a lembrar).
Sugiro sempre a todos os rapazes que conheço que rapem o cabelo uma vez por outra. É terapêutico passar-lhes, literalmente, a mãozinha p'lo pêlo.

Hoje apetecia-me voltar a (Roma)



(E a Milão. E a Scirmione. E a Veneza. E a Sienna.)

E sentar-me outra vez na scalinata di Spagna, de frente para a fontana della Barcaccia, num dia de muito sol. E depois dar um passeio até à Villa Borghese.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O veneno Shopenhauer e o antídoto Victoria´s Secret

Para combater o pessimismo de Shopenhauer, minhas amigas, só mesmo duas omnipotentes peças Victoria's Secret, enquanto se lê a "Metafísica do Amor".

Vamos lá deixar de ser um país discreto





Para passarmos a ser um país de beleza esmagadora e exuberante, convenientemente divulgada pelo mundo fora. Tenho a certeza de que somos capazes, não somos?
Conhecem este país?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Verão McQueer, perdão, McQueen



Colecção Primavera Verão 2011 Alexander McQueen


Só temos de venerar gente que, de um esboço a lápis de carvão e um bocado de tecido, faz obras de arte.

"Penso nisso amanhã"


A melhor frase de sempre, agora também disponível em formato de bolso, para maior conforto no uso diário.

É por pequenas coisas como esta que eu gosto tanto do The Sartorialist


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Siga a marinha



Vi este filme em 2003. O que à partida era, para mim, mais uma estopada americana, um blockbuster aparatoso na forma e vazio no conteúdo, fez-me mudar ligeiramente de opinião e reconhecer-lhe algum valor.

Realizado por Peter Weir ("Clube dos Poetas Mortos") revela uma sensibilidade inesperada para um filme onde só aparecem duas mulheres, ao longe, como figurantes. À partida reunia todas as condições para eu não gostar de o ver. A acção passa-se quase integralmente num barco, e tem uma óbvia vertente beligerante predominante. Todo o elenco é masculino. Há uma presença feminina apenas intuída uma vez numa carta ("My dearest Sophie...") do "capitão Aubrey" (Russell Crowe), que humaniza (e romantiza levemente) esta personagem que se quer dura, audaz e viril.

Mas não é só isto. A sublime escolha de peças musicais clássicas, como uma das das sete Suites de Bach na banda sonora. O duelo "homem de acção, bélico" / "homem de ciência, reflexivo, ético") personificado pelo capitão e pelo médico. A asfixia e as tensões de quem está fechado no mar durante meses. A maravilhosa incursão às Galápagos, numa espécie de evocação darwiniana avant la lettre (a acção situa-se em 1805). O rigor da reconstituição histórica. A formação dos jovens oficiais (a presença de crianças/adolescentes no barco introduz um elemento lúdico, dramático e doce). Tudo isto faz um filme que, sem ser magnífico, está perto de o ser.

Este filme é exibido em aulas de pós-graduações de Gestão pela vertente de estratégia (nas tácticas militares) e é incluído na formação de oficiais das Forças Armadas pelos exemplos de liderança. Acho bem. E ainda por cima, tem todo o universo estético da Marinha, que faria suspirar qualquer uma das irmãs Bennett. E do que eu gosto mesmo, admitamos, é do "Mr. Pullings" (James D'Arcy).

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Abdicar, literalmente


Substantivo masculino

Cabelo revolto, barba por fazer, lábios entreabertos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os homens são a melhor coisa do mundo

Acredito profundamente na amizade entre homens e mulheres. Talvez por ter alguns bons e verdadeiros amigos homens. Aliás, creio mesmo que os nossos melhores amigos são homens (afinal, não são os bobis).
Uma das coisas que louvo nos homens (amigos do sexo masculino, entenda-se) é o omnipresente humor. Contundente, ácido e inteligente, o humor deles é inevitável e contagiante, mesmo quando estou triste.
Gosto da forma pura, simples e directa com que abordam os assuntos, e do modo como desdramatizam problemas. Gosto do orgulho ufano que exibem quando vão ao meu lado na rua (em vez da rivalidadezinha desnecessária que as mulheres deixam transparecer).
Gosto das conversas neutras sobre cinema, música, actualidade ou puras trivialidades, que muitas vezes descambam e baixam de nível de forma tão divertida e ternurenta -- em vez das eternas lamechices das mulheres, a queixarem-se dos (des)amores, a falarem mal dos homens em geral e de outras mulheres em particular.
Até as discussões com os rapazes são melhores: no dia seguinte eles desarmam-me com o seu sorriso de quem já esqueceu as exaltações da altercação (tão diferente dos eternos amuos e ressentimentos femininos).
Enfim. Gosto tanto dos meus amigos que chego a ter saudades dos seus modos abrutalhados, das grosserias das conversas, e... dos idiotas em que eles se transformam quando vêem futebol.
Os (meus) homens são mesmo a melhor coisa do mundo. Make my day.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nefertiti rulezzz, Osíris rulezzz




Façam o favor de ouvir Rafael Perez Arroyo, "Ancient Egypt - Music of the Age of the Pyramids", que são simplesmente os grandes hits musicais que os Antigos Egípcios ouviam, as músicas que faziam abanar o esqueleto das amigas da Cleópatra e que animavam os bailes lá do
delta, à beira-Nilo, naqueles belos tempos bíblicos.

Ah, e tal, porque é uma música que é uma seca, e oh Zozô que isto não dá pica e não dá pra dançar, e não sei que mais (foi o que me disseram).

Pois. Façam como quiserem. Depois não digam que não avisei, porque da forma como aquilo anda no Egipto, não vai sobrar pedra sobre pedra naquele deserto, e aquela gente há-de estragar tudo. Não pensem que as Pirâmides, a Esfinge e o podre, perdão, pobre Tutankamon vão sair incólumes, sem um arranhãozinho, porque não vão.

E depois só os vão poder ver nos manuais de História do 7º ano dos vossos filhos. Oiçam a música, mas é.

Reservatório térmico



Existirão sempre na memória certos Verões que são como reservatórios que acumulam calor, para aquecerem dias gélidos vindouros.

Uma espécie de endless summer mental.

Bens de luxo



Sou uma pessoa coerente. Considero como coisas dignas de devoção tanto um vestidinho de seda Karen Millen como um pão tradicional do Alentejo, um queijo do Rabaçal ou uma morcela de arroz.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As propinas do senhor reitor


Parece que está na ordem do dia, o assunto. Há tanto tempo que não via estas imagens, parece que foi ontem que passaram nos jornais, na televisão e na Forum Estudante, quem não se lembra da Forum Estudante naquela época. E desde que escrevi este post e revi algumas fotos, que me apetecia escrever isto, com ou sem Deolinda, de quem eu nem sequer gosto nem um pouco. "Não pagamos". As propinas, a PGA, eu sei lá. Tão querida, a geração rasca.

Bon chic, bon genre


A Clémence Poésy é uma actriz francesa que interpreta muito bem principalmente os papéis que lhe são atribuídos em termos de estilo e de moda. Em primeiro lugar, tem muita elegância. Tem aquele indefinível chic francês. Claro que tem um estilo e uma figura que muitos homens (e as tontas adolescentes) costumam desprezar -- porque “não é muito revelador”. Mas deixemos de parte a brutalidade boçal de uns e de outras.




Não tem o estilo puro e minimalista da moda norte-americana, não tem o arrojo irreverente da moda londrina, não tem a sensualidade colorida da moda italiana. Tem um estilo elegante, refinado, delicado, discreto e muito feminino. Em suma, não é para quem quer é so para quem pode. E é por isso que aprecio as lições de estilo e elegância que esta jovem costuma dar.

Le discours du roi


Ou, a minha anglofilia ao rubro. (Porque podemos admirar muito uma nação, sem necessariamente gostarmos dela.) Gostei do filme. É um filme interessante, acima de tudo com um elenco de elevadíssima qualidade: Guy Pearce, Michael Gambon, Jennifer Ehle, a maravilhosa Helena Bonham Carter que veste na perfeição a pele da Rainha Elizabeth, Geoffrey Rush, e claro, o nosso amigo "Mr. Darcy".

E esta anglofilia deve ser coisa que me ficou impregnada desde que,
muito cedo, lia Enid Blyton, e ficava fascinada com as aventuras
daquelas miúdas que, apesar de serem internadas no colégio com um certo
desprendimento dos pais, e rodeadas da frieza e sarcasmo das
professoras, mesmo assim, conseguiam divertir-se, infringir (algumas)
regras e dar boas lições de lealdade e de firmeza de carácter. E eu,
fascinada, perguntava-me porque é que, no meu colégio, não havia nada
disso.

Bom. Ide ver este filme, que eu recomendo. (O título em francês é só para baralhar.)

Raíz quadrada

Infelizmente, há muita gente quadrada neste mundo. Não há nada a fazer, é defeito de fabrico, são assim de raíz.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Às vezes também é assim


Gente gira



David Lecomte e Agathe Vernazobres (The Kooples).

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Reler Maugham


Por acaso, no livro, não é Xangai, é Hong Kong, onde, também por acaso, já tive a sorte de ter ido e de lá ter sido feliz, com essa facilidade, leveza e fluidez que só é possível na adolescência.

The Painted Veil


de John Curran (2006)

Xangai dos anos 20 e personagens de Somerset Maugham. Fotografia notável. O calor. Calor. A luz. No quarto dos amantes, a luz dourada, filtrada pelas persianas de uma janela, sombras quentes projectando-se no chão. Tal como quando se lê a Indochina da Marguerite Duras.
Um piano desafinado que encurta a distância entre duas pessoas. O duelo psicológico, temperado pela fleuma britânica, entre mulher adúltera e marido punitivo.
E no meio do mar de sentimentos paradoxais, duas fendas sócio-políticas: a fúria dos nacionalistas chineses num fragmento de império britânico, e uma epidemia e superstições.
Post reeditado

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

E a Argélia e a Líbia são as próximas peças de dominó, remark my words

Agora fora de brincadeiras, não é nada de extraordinário dizê-lo e toda a gente suspeitou logo que a revolta inédita na Tunísia ia ser, de certo modo, um rastilho para outros países. É a vez do Egipto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Capeline à Bergman


Há poucas coisas que distinguem mais uma mulher do que quando se usa uma capeline.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Smells like teen spirit


São sociologicamente muito interessantes os reencontros com gente que o tempo (e o re-nivelamento social) dispersou. É o caso dos meus antigos colegas de secundário.
Há as mais incríveis metamorfoses da fauna.
Dos que eram betinhos e agora são rastafaris. Daqueles que eram da onda grunge ou heavy metal e agora são uma espécie de yuppies ou então pertencem a bandas de música. A trupe dos surfistas está igualzinha, estão apenas um pouco mais bronzeados. As boazonas da época foram precoces, tiveram filhos aos 20 anos, e meteram-se na droga (mas agora já estão limpas). Os góticos já se vestem de todas as cores, os que eram meio hippies têm um ar um pouco menos sujinho. Os nerds protagonizam a sua grande vingança e agora são, previsivelmente, quadros superiores arrogantes.
E há toda uma panóplia de gente que era muito gira e agora é muito feia.

I don't wanna stop, DJ

É sempre bom sabermos que um antigo colega de turma é hoje DJ, e parece que é moderadamente conhecido e tudo (eu ignorava, mas se calhar o problema é meu, que estou out). Connections, connections.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O síndrome Mr. Elton

O Mr. Elton é uma personagem engraçadíssima da Jane Austen, que, após uns tempos de solteiro com algumas tropelias e frustrações amorosas sucumbe a um casamento de
conveniência. Mas depois de casado (com uma mulher chatíssima), assume uma
postura radicalmente oposta e afirma-se (com apenas 26 anos) "um velho homem casado" que já nem sequer dança nos bailes.

Detecto muito esta atitude em jovens homens entre os 30 e os 35 anos que são
recém-casados ou recém-pais. Muito recato, demasiada pacatez, os olhinhos
muito baixos, níveis de testosterona baixíssimos. Quase não têm sinais
vitais, pobrezinhos.
Não sei quem querem eles enganar, porque é claríssimo que estão todos a
preparar-se para dar o salto da crise frenética de jovialidade, energia e
vitalidade que os irá atingir depois dos 40. É que é tão certo como o devir teleológico hegeliano.

Rádio nostalgia


Esta música passou por acaso há dias na rádio, enquanto eu conduzia, e a bandida trouxe-me à memória tantos e tão bons momentos, amigos, festas de faculdade, cerveja, aulas, exames e tantas caras que se foram perdendo no tempo (agora oportunamente recuperadas no livro das caras).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tensão na Tunísia


Que já havia tensões latentes na Tunísia há muito, ai isso havia. Vinte e
três anos de abusos de direitos, de liberdades e outras coisas
fundamentais, vão criando mossa.

Atentemos no exemplo do cidadão tunisino que figura na foto. Reparem no ar de quem
sofre com a repressão de Ben Ali, de quem está muito atormentado e
já antevê a fuga do Presidente e da sua mulher para o Dubai com não
sei quantas barras de ouro nos bolsos.

Isto não é o olhar de quem detesta bikinis da
Calzedonia. É o olhar de um homem incomodado com a situação política
do seu país.

Estamos a saque

Leilões de dívida pública, preços de combustíveis, classe política deplorável, e podia continuar aqui o dia todo. Nem mais: a saque. À descarada.

Burns' Night

Na Escócia, hoje, 25 de Janeiro, é dia de comer haggis (blherc) e de ler poemas de Robert Burns.

A menina Angelica

Confesso que esperava uma heroína literária daquelas com sentimentos muito nobres, muito abnegada, com uma superioridade moral exemplar. Afinal (e sem deixar de ser uma personagem extraordinária de "O Leopardo"), é uma garota arrivista, ambiciosa e até muito atrevidota.

Shakira & Lampedusa

Podia ser uma nova edição da dupla mafiosa Lampião e Maria Bonita, ah, mas não é.
É que isto de eu ver ligações entre coisas muito prosaicas e abstracções intelectuais mais profundas tanto pode ser um mistério insondável como um delírio. Mas a verdade é que vejo.
Por exemplo, vejo que o Giuseppe Tomasi di Lampedusa no seu monstro literário "O Leopardo", e a Shakira (que é uma mulher muito sábia, como todos sabemos), dizem quase o mesmo:
Diz um -- E amor. Claro, o amor. Fogo e chamas durante um ano, cinzas durante trinta.
E diz a outra -- Love is only pain disguised as a kiss.

Dom Fabrizio et al.


Seguindo a boa sugestão do Ega há uns tempos, li "O Leopardo", de Lampedusa. Andei, portanto, no último mês, numa villa siciliana decadente entre Fabrizio, Bendicó e Tancredi, Angelica, Concetta e muitos outros, no meio de ventos de mudança de uma nova ordem política e social na Sicília do século XIX. Bem. Não vou profanar a qualidade do livro com os meus comentários óbvios de comum mortal, nem com as minhas opiniões medíocres e previsíveis. Só vou dizer que gostei muito.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide

Sean Lennon e Charlotte Kemp Muhl são entrevistados pela Vogue acerca do que costumam fazer aos domingos. Quando lhes perguntam "ao lado de quem gostariam de acordar ao domingo?", eles respondem, tão queridos:

Sean : On est toujours occupés avec les tournées. Alors ce qu'on voudrait vraiment c'est avoir du temps libre ensemble.
Charlotte : J'aime beaucoup me réveiller à côté de Sean, parce qu'il est chaud et moi, je suis toujours froide.
Sean : Charlotte est très longue et fine alors que je suis petit et trapu... lorsqu’elle se retourne dans le lit, je me réveille en croyant être à côté d'une araignée.

Gorilas na Bruna

Não será uma gralha no título do clássico protagonizado pela Sigourney Weaver: podia era ser o título de um excelente filme pornográfico. Era uma menina, a Bruna, que aviava gorilas que era uma lindeza. Bonito.

Yoko Mono


Estou em crer que era o verdadeiro nome desta senhora. É que parece-me que esta mulher nunca falou (pelo menos, até 1980). Não havia de o Lennon, que tinha um feitio péssimo, gostar dela: está sempre com uma cara esfíngica, um sorriso seráfico, como que empalhada, não incomoda ninguém, não chateia ninguém, está ali, simplesmente. É decorativa, lá está: parece um mono.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Testosterona de luxo #23

Jack Johnson
(Já que falamos nele.)

Cocoon


O Jackinho tem aquele estilo muito calminho, e é girinho, e muito amiguinho da Mãe Natureza, e um dia estava a fazer surf e bateu com a sua cabecinha numa rochazinha e enquanto esteve doentinho começou a tocar e a cantar as suas musiquinhas, e é tão bonzinho que só pode ter algumas criancinhas enterradinhas no backyardzinho da sua casinha em North Shore.
Mas eu gosto dele, e esta é a mais doce música alguma vez feita sobre uma coisa tão amarga como uma ruptura.

Egos

Vi-me há uns tempos presa, perdão, como convidada, num jantar só de raparigas. Digo-vos, minha gente, que mereço no mínimo o Prémio Nobel da Paciência, por esta dura prova superada. Não é que ali faltasse inteligência ou temas interessantes e até muito divertidos. Muito pelo contrário. Cada uma daquelas pessoas é perfeitamente suportável, desde que tomadas isoladamente. Pessoas toleráveis, interessantes, bem dispostas e até muito afáveis. Agora, quando se aglomeram em grandes quantidades, os seus egos, já de si bastante inflamados, crescem, crescem, crescem, como que insuflados, e entram numa espiral de competição, que só visto. É que nem é uma questão de falarem alto (porque não falam), é mais cada uma a achar que é a mais atraente e a mais bem vestida e a melhor e a mais espectacular, e todas elas se esticam para se evidenciarem, e sei lá que mais, que, senhores, ajudem-me, que eu saio dali com uma dor de cabeça terrível, nem a excelência da cuisine do chef me cai bem, e a meio do jantar já só aceno com a cabeça e apresento um sorriso cansado, e os meus olhos procuram ansiosamente os sinais da saída de emergência.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Atilhos



O que é que estas imagens têm em comum? Pois está bom de ver, para olho treinado, que é o calçado. Morro de paixão por estes sapatos com atilhos, e apelo à caridade dos prezados leitores e pessoas em geral que aqui venham parar, que, se virem alguma coisa parecida a este calçado em alguma loja, que façam o obséquio de me informarem. É que gostava mesmo muito de atar estas coisas aos meus tornozelos na próxima Primavera. Muito agradecida.

Razoabilidade

Continuando a prestar culto às frivolidades deste mundo (ou a honrar a criatividade, como queiram) -- e se o facto de ainda estarmos no Inverno de 2011 não contribuir para agravar suspeitas sobre a minha falta de razoabilidade --, devo confessar que me é muito penoso disfarçar o entusiasmo que já me provoca a nova colecção da Donna Karan para o próximo Outono/Inverno de 2011-2012 (tende misericórdia de mim, minha gente, que os poemas da Sylvia Plath seguem dentro de momentos, prometo).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

(Comentários)

Tenho tido aqui no blogue algumas dificuldades na moderação e publicação de comentários, mas é só para dizer que leio-os todinhos (e agradeço), pode demorar um pouco mais do que seria desejável mas respondo a todos logo que posso.

Beatriz e o Plátano


Ilse Losa tem um conto infantil com este título. Acho-o tão lindo. O título, não o livro, porque apesar de o cnhecer desde pequena, nunca o li.

Gosto de árvores. Isto soa (propositadamente) infantil mas é assim mesmo. Há coisas que nos remetem sempre, inevitavelmente, para a memorabilia de infância. Como o cheiro a roupa lavada acabada de passar a ferro.

Gosto de árvores. Abertas, frondosas, troncos rugosos e largos, copas majestosamente verdes (ou castanhas e douradas, no Outono). Gosto de árvores. Não sei explicar.

Pontaria

Não tenho pressa. As coisas demoram o que tiverem de demorar, acontecem quando tiverem de acontecer, as oportunidades surgem quando surgirem. Sem forçar. Há um tempo para tudo. E aquela coisa de que a vida não é uma corrida, mas sim um tiro ao alvo, é, de facto, verdade. O que conta não é chegar mais depressa (seja ao que for), mas, sim, a capacidade de se alcançar um centro. A pontaria, mais do que a pressa, portanto.

Fifties (7)

Ou, traduzido para linguagem punk dos anos 80: I want candy.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A desfolhada infernal

Aborrecem-me homens que dizem "Eu estive a desfolhar o jornal", ou "Por acaso, já desfolhei o livro", e há-os p'raí aos montes.
Primeiro, porque, já se sabe, não é desfolhar, mas sim folhear. E depois porque só a ideia me causa arrepios, dado que desfolhar é arrancar folhas e arrancar folhas é estragar livros. E com os preços proibitivos a que hoje estão as publicações isto não pode ser, meus amigos. E depois porque desconfio de gente que utiliza mal a língua portuguesa. Dá-me logo vontade de realmente desfolhar um jornal e fazê-los engolir as páginas, sem água para acompanhar nem nada.
É isso, e um rapaz dizer-me "Há-des ver, há-des reparar". O Hades é o inferno, era um inferno mitológico. Na verdade, é o inferno onde esta gente nos mete.

Room with a view

Não há nada que exalte mais os sentidos e que mais desate a volúpia do que um terraço para o Mediterrâneo. (Não é para nos atirarmos dali para baixo, minha boa gente: é para nos atirarmos para outras coisas, bem entendido. Vejam lá.)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Suis-moi jusqu'au bout de la nuit, jusqu'au bout de ma folie. Laisse le temps, oblie demain. Oublie tout, ne pense plus à rien.




Ouvindo isto ad nauseam:

Ne dis rien, Serge Gainsbourg & Anna Karina

Eu também queria ser um alvo feliz da serendipidade

Olho para a minha secretária de trabalho, atolada e caótica por estes dias, e espero um milagre. Não um religioso, bastante pelo contrário, mas daqueles trespassados de conhecimento científico. Como aconteceu ao Alexander Flemming quando, na confusão e caos do laboratório, descobriu por acaso a penicilina (e ainda mais outra coisa qualquer que me esqueci, que ele tinha era mais sorte que juízo).

Testosterona de luxo #22

Ian Thorpe (nos bons tempos).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Trilogia pessoal 2010

Grécia. (Escaramuças graves.) Irlanda. (Escaramuças mais leves.) Tunísia. (A coisa está muito feia.)

sábado, 15 de janeiro de 2011

A harpa, a voz, a harpa (should we go outside?)

Sprout and the been, Joanna Newsom.

(Obrigada a um velho amigo.)

Swinging London (2)