quinta-feira, 7 de abril de 2011

A cantar desde 1977

Não há duas sem três. Já cá canta, pela terceira vez.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Idiossincrasias do clã Coppola

(Não se iludam com o título pomposo. O post é simplório.)


A Sofia Coppola fez quatro longas metragens sublimes. Bom, umas mais do que as outras. Filmes, como eu gosto de dizer, onde os silêncios são sábia e habilmente geridos, e onde, por sua vez, a banda sonora tem uma forte eloquência. Filmes com pendor minimalista (menos em "Marie Antoinette", pelos motivos óbvios).

Após ter visto e lido algumas entrevistas com a realizadora/argumentista, é impossível não ficar com a evidência do cunho que a sua personalidade imprime nos filmes. Um estilo lento, quase indolente. Poucas palavras, uma calma extrema, quase a roçar a apatia. Uma descontracção e um relaxamento quase exasperantes.

Deve ser interessante trabalhar com ela, porque dá a impressão de ter grande flexibilidade e de dar muita liberdade aos artistas com quem trabalha. Porém, não deixa de ser intrigante como é que uma pessoa de carácter tão "zen" assume a liderança e a coordenação de toda uma equipa técnica e artística envolvida na criação de um filme.

E é inevitável não desligar a sua imagem da do pai. Ela própria afirma que o pai não é muito exigente com ela nem com os filmes dela, o que torna quase translúcida a situação de menina do papá. O que, por sua vez, não condiz muito com um realizador conhecido pela sua extrema exigência, e até alguma dureza, que levou Winona Ryder às lágrimas durante a gravação de uma cena de "Drácula", nos anos 90.

terça-feira, 5 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Humor Cohen

True Grit (2010), de Joel e Ethan Cohen

(Mattie Ross) - E não enterramos aqueles pobres rapazes?

(Reuben "Rooster" Cogburn) - O chão está muito duro. Se eles quisessem um enterro decente tinham morrido no Verão.

Olhares

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A reviravolta



Triste situação a nossa. Se eu, no passado, alguma vez imaginava que íamos chegar ao ponto de precisarmos das promessas de ajuda do país que tinha a maior dívida externa do mundo.

Change your brand of man


Green Card (1990), de Peter Weir.


Diz a personagem da Bebe Neuwirth à personagem da Andie MacDowell, neste belo filme de Peter Weir, que é um bocadinho subvalorizado.

A minha almofada & eu

quinta-feira, 31 de março de 2011

Spice it up, Beckham



A Victoria pode ser uma nulidade em muitas coisas, mas olha que a sua última colecção não está nada mal. Indeed, not bad at all.

Bico de Bunsen



As saudades que eu tinha do Bico de Bunsen no laboratório. Obrigada, Google.

Podia-se lamber o chão das ruas de Copenhaga


Ora, isto sim, é um país como eu gosto. Reparem, como, numa visita ao Palácio Real de Copenhaga, os visitantes têm de calçar estes estéticos slippers para poderem admirar as salas e salões abertas ao público. Isto sim, é um país com selo-de-qualidade-Zozô.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Itália, Drama & Malèna





Esta campanha da Dolce & Gabbana está muito interessante, tal como a própria colecção de Verão que a inspirou. É muito italiana, muito Malèna, no sentido mais literal do termo: há muito drama e um ambiente fortemente de Itália dos anos 40. Com o inevitável machismo à mistura (enfim, esta parte só é interessante puramente em termos de recriação artística...). Muita renda, muitos terços, muita rivalidade feminina (muito controlo social, portanto). Uma curiosidade: foi precisamente desta colecção que foi extraído o célebre vestido que a Scarlett Johansson levou aos Óscares (daí o exagero de renda e a cor dramática) e que inspirou o novo anúncio da Martini, protagonizado pela Monica Belucci (também ela a envergar um enfático vestido de renda preta, a lembrar a viúva Malèna, a que ela própria deu vida na tela, há uns anos).

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma écharpe

Meus amigos, a natureza feminina é assim: emprestamos uma écharpe a uma amiga, e ela diz-nos que a perdeu. Não vos vou mentir: o que se segue é um drama de tragédia grega.

Há juras eternas, por Júpiter e Toutatis, de nunca mais emprestar nada. Há brados aos Céus e aos Infernos pela perdida confiança noutra pessoa. Há, até, uma lágrimazita ou outra. (E ai do pobre desgraçado do homem que interfira nesta situação-limite, sobretudo se não tiver a noção exacta do conceito de écharpe). Movem-se céus e terra nas operações de busca da dita. Faz-se a reconstituição do crime, de todos os passos dados no dia fatal, mobiliza-se gente que possa servir de testemunha.

Meus caros, é uma descida aos Infernos de Dante. É rocambolesco. Tudo isto, para depois se descobrir que o referido objecto esteve,durante este tempo todo, caído debaixo de uma cama. Sabe-se lá como ou porquê. (Hum.) E, então, há a Paz no Mundo. Os anjos voltam a cantar e a tocar cítara nos Céus. Há, até, uma lagrimazita ou outra, novamente.

segunda-feira, 28 de março de 2011

"We're running out of countries"







Eu quero ir ao Hawai. E mergulhar em cascatas de águas cálidas. E respirar aquele ar húmido, pesado e quente. E sentir toda aquela energia de terra vulcânica. E vestir saias de ráfia, pôr flores no cabelo e dançar o hula (é uma fantasia idiota, eu sei). E sentar-me na praia a ver o pôr do sol, ao som de um ukulele. Um dia destes, está combinado. Hawai. Onde toda a gente parece feliz.

(Nem sequer precisam de me agradecer o grande hit dos Abba: how kitsch is that?!?).

O estranho caso das maquilhadoras intimidantes

Já tenho necessitado e recorrido algumas vezes aos serviços de maquilhadoras profissionais, para elas executarem a sua arte decorativa. Ou seja, para me maquilharem a tromba, sempre que tenho ocasiões que o justifiquem.

Ora, hoje, exponho aqui uma perturbante problemática com respeito às profissionais maquilhadoras. Não sei se será alguma idiossincrasia desta classe profissional, ou se é algum pré-requisito para exercerem a função, mas todas as maquilhadoras a que tenho submetido o meu rosto me recebem com sete pedras na mão, olhares assassinos e julgo até ouvir ao fundo o silvo inquietante do "Bom, o Mau e o Vilão" quando chego ao saloon, ai perdão, ao salão, e digo o que pretendo. É muito estranho, porque acontece com quase todas. E eu até sou simpática e tento sempre ser muito submissa, não vão elas jogar-me ácido para a cara, em vez de base ou de blush. Portanto, não percebo esta hostilidade toda.

O resultado final fica sempre bom, e eu elogio muito o trabalho delas, com muitos sorrisos à mistura. Depois, elas lá ficam menos ferozes, e é como se eu ouvisse Mozart cantado pelos Pequenos Cantores de Viena em fundo (quando, na realidade, é o Enrique Iglesias que elas muito gostam de escutar). Porém, fica sempre por resolver este piqueno enigma (ou sensação) de as maquilhadoras me quererem matar, ou coisa que o valha.

sábado, 26 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Todos em coro: thank you doctor Fleming!!!


Já aqui expressei algumas vezes o meu grande apreço por Alexander Fleming, um senhor que conheci talvez quando tinha 10 ou 11 anos, através do livro de Ciências da Natureza. (Podia ser apreço pelo George Clooney, mas eu prefiro cientistas escoceses já falecidos). E como adoro aquela história de ele ter descoberto a penicilina no meio do caos e da desorganização do laboratório. Talking about serendipity, huh?! Só a mim, nunca me acontece nada no meio da minha lendária desarrumação. Anyway, gosto muito dele, e é graças a ele que hoje a minha nádega direita me dói a valer. "Foi picada de enfermeiro", diria Quim Barreiros, quase tão brilhante e célebre como o meu doctor Fleming.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Breakfast at Tiffany's em modo vida real


O pequeno apartamento desarrumado, o glamour das roupas, a vaga inquietação de se querer algo que não se sabe bem o que é, a espontaneidade, a frescura, a vitalidade. Tudo, tudo, tudo isto. (Exceptuando o gato, o simpático criminoso de Sing Sing e o jovem vizinho escritor, que por acaso também é atraente e muito paciente).

Montmartre na sala



Comprados perto da Place du Tertre, depois da visita ao Sacré Coeur. Emoldurados. Pendurados na parede por cima do sofá.

quarta-feira, 23 de março de 2011

The one and only


Robert Redford e Mia Farrow, como "Jay Gatsby" e "Daisy Buchanan".

Scott Fitzgerald foi um pouco como a sua personagem Jay Gatsby, que sempre amou unicamente a sua Daisy, até ela se transformar num sonho esfumado: as fronteiras sociais sempre ensombraram este improvável par amoroso, e nem o cocktail "finanças & socialite", isto é, nem fortuna milionária nem as festas sociais deslumbrantes conseguiram recuperar a inocência perdida da juventude.

Jay Gatsby, o self made man sem escrúpulos, de negócios um pouco escuros, tem um único factor de ternura. Conservou intacta, durante cinco anos, a única coisa pura que lhe sobrou no meio de toda a ganância: o amor por uma mulher que conheceu muito jovem, e que, entretanto, se casou com outro milionário.

Para quem gosta de ver descrita com lucidez a época dourada do jazz, os frenéticos anos 20, o glamour de Nova Iorque quando havia milionários em cada esquina, champanhe, vestidos de soirée e excentricidades daquele milieu todas as noites, este é "O Livro". A Belle Époque na sua excessiva e esplendorosa decadência.