sexta-feira, 15 de abril de 2011

Testosterona de luxo #24


Jamie Dornan

(Tenham um bom fim de semana, vão em paz e que este senhor vos acompanhe.)

Calor a mais para a época? Com Victoria's Secret não há espiga


Humpf, "corte império"




Que me perdoem as fãs, mas eu tenho um ódio visceral ao "corte império", muito semelhante ao ódio que o João Jardim nutre pelos jornalistas.

Não acho que favoreça a silhueta nem as curvas femininas, e as pessoas parvas têm tendência para nos perguntar se estamos grávidas. O que é suficiente para me estragar logo o dia.

Infelizmente (para mim) ele veio para ficar. Há já umas quantas estações que só vejo vestidos e tops e blusas com este corte. O que é feito dos vestidos com corpete justo, que demarcam a cintura, e realçam peito e ancas, tudo ao mesmo tempo?

Isto parece-me aqueles complots dos costureiros gays e designers de moda gays que fazem para nós, mulheres, roupa larga, de linhas direitas e masculinas, para que os homens straight não olhem para nós. Humpf.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

14 de Abril




Para aqueles dias com sol, mas melancólicos, em que todos os jardins de Versailles do mundo não chegam para mitigar a doce inquietude que se instala.

Glamour, Belle Époque e Art Nouveau











Um fim de semana no Palace Hotel da Curia deixa qualquer um tão encantado que merece ser partilhado. A experiência até me fez reviver o livro da Alice Vieira, "Águas de Verão", que tinha lido em pequena. A acção do livro não é situada cronologicamente num ano específico mas deve decorrer entre os anos 40 e 50, já perto da decadência da época áurea do termalismo. Que agora está a ser recuperada e readaptada com os conceitos de SPA, de saúde e de bem estar.


É o caso deste Hotel inaugurado em 1926 que, só por si, já merece uma visita, se se gosta de História, arquitectura e arte do início do século XX. É um festim para os olhos, em forma de Art Nouveau. É a materialização arquitectónica da Belle Époque. Tem todo o glamour de uma época passada. Ali respira-se ainda o fausto e a ambiência de outros tempos, que depois viram o seu declínio quando as praias substituiram a prática social estival de se ir às Termas.


Ainda se consegue facilmente imaginar ali as festas, os vestidos, os automóveis antigos, as senhoras e os cavalheiros que frequentavam e animavam aquele edifício enorme há muitas décadas. Pode-se ver ainda o elevador antiquíssimo (uma relíquia já desactivada, claro), a antiga central telefónica (deliciosa), postais, panfletos, fotografias dos anos 30, 40 e 50, os salões de baile e de leitura, e muito mais.


E tudo isto com... quartos com decoração muito moderna, um SPA maravilhoso, com todo o tipo de tratamentos possíveis e imagináveis, campos de golfe e até um mini-zoológico com fauna local. Gente simpática e todo um ambiente de traquilidade só possível na Curia. Enfim, é como aquele grande hotel do "Shining", mas em bom. Em bom, repito. (Não tem o Jack Nicholson, nem garotos a andar de triciclo nos corredores.)


(Este post pode parecer um bocado panfletário, mas asseguro-vos que ninguém me pagou para isto.)


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tragam-me uma chaise longue



Por vezes, tudo o que uma rapariga precisa para ser feliz é de um kimono.

A minha via sacra na FNAC


Em boa verdade vos digo: nunca julguem uma pessoa pelos livros que a vêem a escolher na FNAC. Eu não tenho culpa de ter amigas, colegas e primas que só lêem um determinado autor que não vou especificar, porque não quero ferir susceptiblidades. É um best-seller internacional, pronto. De modo que tenho de cumprir pontualmente a minha humilhação anual na FNAC, ao escolher esse autor para oferecer-lhes nos aniversários. Confesso que estou cansada de comprar outros livros ou dvd's decentes para esconder os malditos dos livros, enquanto percorro o trajecto da prateleira dos livros até à caixa. Torcendo para que ninguém conhecido me interpele enquanto faço essa dolorosa via sacra com a minha cruz, o raio do... enfim, desse autor.

terça-feira, 12 de abril de 2011

E, a dada altura: "Ofélia"(?)


Durante a rodagem de Melancholia (2011), de Lars von Trier.


Obrigada, Miguel.

O lado contemplativo do desporto


Gosto de râguebi. Não significa que entenda o jogo nem as suas regras. Não significa que assista a jogos. Não significa que saiba sequer quem participa na Taça das Seis Nações. Só sei que gosto da estética do jogo. Da masculinidade hiperbolizada. Da ferocidade regrada. Do hino à testosterona excessiva, quase palpável, que ali pulula. Das origens que remontam a um colégio britânico, e da ligação às aventuras de Tom Jones. De alguns jogadores de raízes maoris. (Enfim, sem querer desvirtuar tudo, porque me parece que já estou a converter isto em algo poético.)

A questão é que o próprio desporto, em geral, (exceptuando algumas modalidades) é, na verdade, uma magnífica oportunidade de se admirar o sexo masculino em todo o seu esplendor. Na impossibilidade actual de a energia masculina se esgotar em saques, pirataria, guerras sangrentas ou em duelos, como acontecia noutros tempos, o desporto converteu-se numa forma "civilizada" (nem sempre, já sabemos) de extravasar uma vitalidade transbordante e, simultaneamente, é uma celebração da virilidade, da sua beleza e da sua infantil brutalidade. O desporto pode ser um lugar de extasiada contemplação.

Magistratura de influência activa my ass



Mais inutilmente inactivo ou desactivado que este gajo é impossível. Estamos entregues à bicharada.

Regency girl power


"Vestira-se com esmero invulgar e, fremente de alegria incontida, preparara-se para a conquista de tudo o que por subjugar ainda existia no coração do jovem, confiante de que não seria mais do que aquilo que poderia ser conquistado no decorrer daquela noite."


Jane Austen, em "Orgulho e Preconceito", cap. XVIII.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

It's OK, you're just being latin (2)

An American Girl in Italy (1951).




Anúncio da Martini Gold (2010).

It's OK, you're just being latin

Tenho um amigo, alemão da Baviera, que, quando nós (portugueses e espanhóis) disparatamos e, entre gargalhadas, entramos numa espiral de non sense bem humorado, diz, risonha e traquilamente, que está tudo bem, que nós estamos simplesmente a ser latinos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Verão no cabelo

Para quem veio até aqui enganado pelo título poético do post, alerta-se que vamos falar hoje de penteados para os tempos estivais que se aproximam. (Lamento a desilusão.)


Gosto muito da tendência do carrapito, ou chignon (que é mais fino), como nas fotos abaixo. Impecáveis, semi-desfeitos ou improvisados, dão um ar simultaneamente descontraído e elegante, seja para ir trabalhar, passear ou ir à praia. (É preciso é termos algum jeito para os fazer. E eu, minha boa gente, com as minhas mãozinhas algo desajeitadas e cabelo deveras rebelde, de facto... bom... fica aqui a intenção.)
Para as menos habilidosas, fica então também a alternativa da trança, que é muito feminina e que facilmente se subordina a vários estilos e ocasiões.

A cantar desde 1977 (2)



Pois é, canta o FMI (cantou aqui em 77 e em 83) e cantava a Gabriela, também no mesmo ano, que era com isto que os portugueses, deslumbrados, se entretinham, com uma liberdade entretanto conquistada de fresco com cravos ao sol de Abril, e as coisas passavam-lhes todas um bocado ao lado com esta anestesia vinda de Terras de Vera Cruz (pelo que me é dado saber, as pessoas vivas nessa altura já não se lembram de FMI nenhum, só se lembram da Sónia Braga). Tão bonito. E compreensível. O General Ramalho Eanes não sorria. E parecia que falava para dentro, com aquele sotaque esquisito. Mas ela cantava: "Gabrieeela.... Sempre Gabrieeeela... Meus camarada...".


E em 2011? Qual é o nosso ansiolítico social?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A cantar desde 1977

Não há duas sem três. Já cá canta, pela terceira vez.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Idiossincrasias do clã Coppola

(Não se iludam com o título pomposo. O post é simplório.)


A Sofia Coppola fez quatro longas metragens sublimes. Bom, umas mais do que as outras. Filmes, como eu gosto de dizer, onde os silêncios são sábia e habilmente geridos, e onde, por sua vez, a banda sonora tem uma forte eloquência. Filmes com pendor minimalista (menos em "Marie Antoinette", pelos motivos óbvios).

Após ter visto e lido algumas entrevistas com a realizadora/argumentista, é impossível não ficar com a evidência do cunho que a sua personalidade imprime nos filmes. Um estilo lento, quase indolente. Poucas palavras, uma calma extrema, quase a roçar a apatia. Uma descontracção e um relaxamento quase exasperantes.

Deve ser interessante trabalhar com ela, porque dá a impressão de ter grande flexibilidade e de dar muita liberdade aos artistas com quem trabalha. Porém, não deixa de ser intrigante como é que uma pessoa de carácter tão "zen" assume a liderança e a coordenação de toda uma equipa técnica e artística envolvida na criação de um filme.

E é inevitável não desligar a sua imagem da do pai. Ela própria afirma que o pai não é muito exigente com ela nem com os filmes dela, o que torna quase translúcida a situação de menina do papá. O que, por sua vez, não condiz muito com um realizador conhecido pela sua extrema exigência, e até alguma dureza, que levou Winona Ryder às lágrimas durante a gravação de uma cena de "Drácula", nos anos 90.

terça-feira, 5 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Humor Cohen

True Grit (2010), de Joel e Ethan Cohen

(Mattie Ross) - E não enterramos aqueles pobres rapazes?

(Reuben "Rooster" Cogburn) - O chão está muito duro. Se eles quisessem um enterro decente tinham morrido no Verão.

Olhares