quinta-feira, 14 de abril de 2011

Glamour, Belle Époque e Art Nouveau











Um fim de semana no Palace Hotel da Curia deixa qualquer um tão encantado que merece ser partilhado. A experiência até me fez reviver o livro da Alice Vieira, "Águas de Verão", que tinha lido em pequena. A acção do livro não é situada cronologicamente num ano específico mas deve decorrer entre os anos 40 e 50, já perto da decadência da época áurea do termalismo. Que agora está a ser recuperada e readaptada com os conceitos de SPA, de saúde e de bem estar.


É o caso deste Hotel inaugurado em 1926 que, só por si, já merece uma visita, se se gosta de História, arquitectura e arte do início do século XX. É um festim para os olhos, em forma de Art Nouveau. É a materialização arquitectónica da Belle Époque. Tem todo o glamour de uma época passada. Ali respira-se ainda o fausto e a ambiência de outros tempos, que depois viram o seu declínio quando as praias substituiram a prática social estival de se ir às Termas.


Ainda se consegue facilmente imaginar ali as festas, os vestidos, os automóveis antigos, as senhoras e os cavalheiros que frequentavam e animavam aquele edifício enorme há muitas décadas. Pode-se ver ainda o elevador antiquíssimo (uma relíquia já desactivada, claro), a antiga central telefónica (deliciosa), postais, panfletos, fotografias dos anos 30, 40 e 50, os salões de baile e de leitura, e muito mais.


E tudo isto com... quartos com decoração muito moderna, um SPA maravilhoso, com todo o tipo de tratamentos possíveis e imagináveis, campos de golfe e até um mini-zoológico com fauna local. Gente simpática e todo um ambiente de traquilidade só possível na Curia. Enfim, é como aquele grande hotel do "Shining", mas em bom. Em bom, repito. (Não tem o Jack Nicholson, nem garotos a andar de triciclo nos corredores.)


(Este post pode parecer um bocado panfletário, mas asseguro-vos que ninguém me pagou para isto.)


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tragam-me uma chaise longue



Por vezes, tudo o que uma rapariga precisa para ser feliz é de um kimono.

A minha via sacra na FNAC


Em boa verdade vos digo: nunca julguem uma pessoa pelos livros que a vêem a escolher na FNAC. Eu não tenho culpa de ter amigas, colegas e primas que só lêem um determinado autor que não vou especificar, porque não quero ferir susceptiblidades. É um best-seller internacional, pronto. De modo que tenho de cumprir pontualmente a minha humilhação anual na FNAC, ao escolher esse autor para oferecer-lhes nos aniversários. Confesso que estou cansada de comprar outros livros ou dvd's decentes para esconder os malditos dos livros, enquanto percorro o trajecto da prateleira dos livros até à caixa. Torcendo para que ninguém conhecido me interpele enquanto faço essa dolorosa via sacra com a minha cruz, o raio do... enfim, desse autor.

terça-feira, 12 de abril de 2011

E, a dada altura: "Ofélia"(?)


Durante a rodagem de Melancholia (2011), de Lars von Trier.


Obrigada, Miguel.

O lado contemplativo do desporto


Gosto de râguebi. Não significa que entenda o jogo nem as suas regras. Não significa que assista a jogos. Não significa que saiba sequer quem participa na Taça das Seis Nações. Só sei que gosto da estética do jogo. Da masculinidade hiperbolizada. Da ferocidade regrada. Do hino à testosterona excessiva, quase palpável, que ali pulula. Das origens que remontam a um colégio britânico, e da ligação às aventuras de Tom Jones. De alguns jogadores de raízes maoris. (Enfim, sem querer desvirtuar tudo, porque me parece que já estou a converter isto em algo poético.)

A questão é que o próprio desporto, em geral, (exceptuando algumas modalidades) é, na verdade, uma magnífica oportunidade de se admirar o sexo masculino em todo o seu esplendor. Na impossibilidade actual de a energia masculina se esgotar em saques, pirataria, guerras sangrentas ou em duelos, como acontecia noutros tempos, o desporto converteu-se numa forma "civilizada" (nem sempre, já sabemos) de extravasar uma vitalidade transbordante e, simultaneamente, é uma celebração da virilidade, da sua beleza e da sua infantil brutalidade. O desporto pode ser um lugar de extasiada contemplação.

Magistratura de influência activa my ass



Mais inutilmente inactivo ou desactivado que este gajo é impossível. Estamos entregues à bicharada.

Regency girl power


"Vestira-se com esmero invulgar e, fremente de alegria incontida, preparara-se para a conquista de tudo o que por subjugar ainda existia no coração do jovem, confiante de que não seria mais do que aquilo que poderia ser conquistado no decorrer daquela noite."


Jane Austen, em "Orgulho e Preconceito", cap. XVIII.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

It's OK, you're just being latin (2)

An American Girl in Italy (1951).




Anúncio da Martini Gold (2010).

It's OK, you're just being latin

Tenho um amigo, alemão da Baviera, que, quando nós (portugueses e espanhóis) disparatamos e, entre gargalhadas, entramos numa espiral de non sense bem humorado, diz, risonha e traquilamente, que está tudo bem, que nós estamos simplesmente a ser latinos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Verão no cabelo

Para quem veio até aqui enganado pelo título poético do post, alerta-se que vamos falar hoje de penteados para os tempos estivais que se aproximam. (Lamento a desilusão.)


Gosto muito da tendência do carrapito, ou chignon (que é mais fino), como nas fotos abaixo. Impecáveis, semi-desfeitos ou improvisados, dão um ar simultaneamente descontraído e elegante, seja para ir trabalhar, passear ou ir à praia. (É preciso é termos algum jeito para os fazer. E eu, minha boa gente, com as minhas mãozinhas algo desajeitadas e cabelo deveras rebelde, de facto... bom... fica aqui a intenção.)
Para as menos habilidosas, fica então também a alternativa da trança, que é muito feminina e que facilmente se subordina a vários estilos e ocasiões.

A cantar desde 1977 (2)



Pois é, canta o FMI (cantou aqui em 77 e em 83) e cantava a Gabriela, também no mesmo ano, que era com isto que os portugueses, deslumbrados, se entretinham, com uma liberdade entretanto conquistada de fresco com cravos ao sol de Abril, e as coisas passavam-lhes todas um bocado ao lado com esta anestesia vinda de Terras de Vera Cruz (pelo que me é dado saber, as pessoas vivas nessa altura já não se lembram de FMI nenhum, só se lembram da Sónia Braga). Tão bonito. E compreensível. O General Ramalho Eanes não sorria. E parecia que falava para dentro, com aquele sotaque esquisito. Mas ela cantava: "Gabrieeela.... Sempre Gabrieeeela... Meus camarada...".


E em 2011? Qual é o nosso ansiolítico social?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A cantar desde 1977

Não há duas sem três. Já cá canta, pela terceira vez.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Idiossincrasias do clã Coppola

(Não se iludam com o título pomposo. O post é simplório.)


A Sofia Coppola fez quatro longas metragens sublimes. Bom, umas mais do que as outras. Filmes, como eu gosto de dizer, onde os silêncios são sábia e habilmente geridos, e onde, por sua vez, a banda sonora tem uma forte eloquência. Filmes com pendor minimalista (menos em "Marie Antoinette", pelos motivos óbvios).

Após ter visto e lido algumas entrevistas com a realizadora/argumentista, é impossível não ficar com a evidência do cunho que a sua personalidade imprime nos filmes. Um estilo lento, quase indolente. Poucas palavras, uma calma extrema, quase a roçar a apatia. Uma descontracção e um relaxamento quase exasperantes.

Deve ser interessante trabalhar com ela, porque dá a impressão de ter grande flexibilidade e de dar muita liberdade aos artistas com quem trabalha. Porém, não deixa de ser intrigante como é que uma pessoa de carácter tão "zen" assume a liderança e a coordenação de toda uma equipa técnica e artística envolvida na criação de um filme.

E é inevitável não desligar a sua imagem da do pai. Ela própria afirma que o pai não é muito exigente com ela nem com os filmes dela, o que torna quase translúcida a situação de menina do papá. O que, por sua vez, não condiz muito com um realizador conhecido pela sua extrema exigência, e até alguma dureza, que levou Winona Ryder às lágrimas durante a gravação de uma cena de "Drácula", nos anos 90.

terça-feira, 5 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Humor Cohen

True Grit (2010), de Joel e Ethan Cohen

(Mattie Ross) - E não enterramos aqueles pobres rapazes?

(Reuben "Rooster" Cogburn) - O chão está muito duro. Se eles quisessem um enterro decente tinham morrido no Verão.

Olhares

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A reviravolta



Triste situação a nossa. Se eu, no passado, alguma vez imaginava que íamos chegar ao ponto de precisarmos das promessas de ajuda do país que tinha a maior dívida externa do mundo.

Change your brand of man


Green Card (1990), de Peter Weir.


Diz a personagem da Bebe Neuwirth à personagem da Andie MacDowell, neste belo filme de Peter Weir, que é um bocadinho subvalorizado.

A minha almofada & eu

quinta-feira, 31 de março de 2011

Spice it up, Beckham



A Victoria pode ser uma nulidade em muitas coisas, mas olha que a sua última colecção não está nada mal. Indeed, not bad at all.

Bico de Bunsen



As saudades que eu tinha do Bico de Bunsen no laboratório. Obrigada, Google.

Podia-se lamber o chão das ruas de Copenhaga


Ora, isto sim, é um país como eu gosto. Reparem, como, numa visita ao Palácio Real de Copenhaga, os visitantes têm de calçar estes estéticos slippers para poderem admirar as salas e salões abertas ao público. Isto sim, é um país com selo-de-qualidade-Zozô.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Itália, Drama & Malèna





Esta campanha da Dolce & Gabbana está muito interessante, tal como a própria colecção de Verão que a inspirou. É muito italiana, muito Malèna, no sentido mais literal do termo: há muito drama e um ambiente fortemente de Itália dos anos 40. Com o inevitável machismo à mistura (enfim, esta parte só é interessante puramente em termos de recriação artística...). Muita renda, muitos terços, muita rivalidade feminina (muito controlo social, portanto). Uma curiosidade: foi precisamente desta colecção que foi extraído o célebre vestido que a Scarlett Johansson levou aos Óscares (daí o exagero de renda e a cor dramática) e que inspirou o novo anúncio da Martini, protagonizado pela Monica Belucci (também ela a envergar um enfático vestido de renda preta, a lembrar a viúva Malèna, a que ela própria deu vida na tela, há uns anos).

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma écharpe

Meus amigos, a natureza feminina é assim: emprestamos uma écharpe a uma amiga, e ela diz-nos que a perdeu. Não vos vou mentir: o que se segue é um drama de tragédia grega.

Há juras eternas, por Júpiter e Toutatis, de nunca mais emprestar nada. Há brados aos Céus e aos Infernos pela perdida confiança noutra pessoa. Há, até, uma lágrimazita ou outra. (E ai do pobre desgraçado do homem que interfira nesta situação-limite, sobretudo se não tiver a noção exacta do conceito de écharpe). Movem-se céus e terra nas operações de busca da dita. Faz-se a reconstituição do crime, de todos os passos dados no dia fatal, mobiliza-se gente que possa servir de testemunha.

Meus caros, é uma descida aos Infernos de Dante. É rocambolesco. Tudo isto, para depois se descobrir que o referido objecto esteve,durante este tempo todo, caído debaixo de uma cama. Sabe-se lá como ou porquê. (Hum.) E, então, há a Paz no Mundo. Os anjos voltam a cantar e a tocar cítara nos Céus. Há, até, uma lagrimazita ou outra, novamente.

segunda-feira, 28 de março de 2011

"We're running out of countries"







Eu quero ir ao Hawai. E mergulhar em cascatas de águas cálidas. E respirar aquele ar húmido, pesado e quente. E sentir toda aquela energia de terra vulcânica. E vestir saias de ráfia, pôr flores no cabelo e dançar o hula (é uma fantasia idiota, eu sei). E sentar-me na praia a ver o pôr do sol, ao som de um ukulele. Um dia destes, está combinado. Hawai. Onde toda a gente parece feliz.

(Nem sequer precisam de me agradecer o grande hit dos Abba: how kitsch is that?!?).

O estranho caso das maquilhadoras intimidantes

Já tenho necessitado e recorrido algumas vezes aos serviços de maquilhadoras profissionais, para elas executarem a sua arte decorativa. Ou seja, para me maquilharem a tromba, sempre que tenho ocasiões que o justifiquem.

Ora, hoje, exponho aqui uma perturbante problemática com respeito às profissionais maquilhadoras. Não sei se será alguma idiossincrasia desta classe profissional, ou se é algum pré-requisito para exercerem a função, mas todas as maquilhadoras a que tenho submetido o meu rosto me recebem com sete pedras na mão, olhares assassinos e julgo até ouvir ao fundo o silvo inquietante do "Bom, o Mau e o Vilão" quando chego ao saloon, ai perdão, ao salão, e digo o que pretendo. É muito estranho, porque acontece com quase todas. E eu até sou simpática e tento sempre ser muito submissa, não vão elas jogar-me ácido para a cara, em vez de base ou de blush. Portanto, não percebo esta hostilidade toda.

O resultado final fica sempre bom, e eu elogio muito o trabalho delas, com muitos sorrisos à mistura. Depois, elas lá ficam menos ferozes, e é como se eu ouvisse Mozart cantado pelos Pequenos Cantores de Viena em fundo (quando, na realidade, é o Enrique Iglesias que elas muito gostam de escutar). Porém, fica sempre por resolver este piqueno enigma (ou sensação) de as maquilhadoras me quererem matar, ou coisa que o valha.

sábado, 26 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Todos em coro: thank you doctor Fleming!!!


Já aqui expressei algumas vezes o meu grande apreço por Alexander Fleming, um senhor que conheci talvez quando tinha 10 ou 11 anos, através do livro de Ciências da Natureza. (Podia ser apreço pelo George Clooney, mas eu prefiro cientistas escoceses já falecidos). E como adoro aquela história de ele ter descoberto a penicilina no meio do caos e da desorganização do laboratório. Talking about serendipity, huh?! Só a mim, nunca me acontece nada no meio da minha lendária desarrumação. Anyway, gosto muito dele, e é graças a ele que hoje a minha nádega direita me dói a valer. "Foi picada de enfermeiro", diria Quim Barreiros, quase tão brilhante e célebre como o meu doctor Fleming.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Breakfast at Tiffany's em modo vida real


O pequeno apartamento desarrumado, o glamour das roupas, a vaga inquietação de se querer algo que não se sabe bem o que é, a espontaneidade, a frescura, a vitalidade. Tudo, tudo, tudo isto. (Exceptuando o gato, o simpático criminoso de Sing Sing e o jovem vizinho escritor, que por acaso também é atraente e muito paciente).

Montmartre na sala



Comprados perto da Place du Tertre, depois da visita ao Sacré Coeur. Emoldurados. Pendurados na parede por cima do sofá.

quarta-feira, 23 de março de 2011

The one and only


Robert Redford e Mia Farrow, como "Jay Gatsby" e "Daisy Buchanan".

Scott Fitzgerald foi um pouco como a sua personagem Jay Gatsby, que sempre amou unicamente a sua Daisy, até ela se transformar num sonho esfumado: as fronteiras sociais sempre ensombraram este improvável par amoroso, e nem o cocktail "finanças & socialite", isto é, nem fortuna milionária nem as festas sociais deslumbrantes conseguiram recuperar a inocência perdida da juventude.

Jay Gatsby, o self made man sem escrúpulos, de negócios um pouco escuros, tem um único factor de ternura. Conservou intacta, durante cinco anos, a única coisa pura que lhe sobrou no meio de toda a ganância: o amor por uma mulher que conheceu muito jovem, e que, entretanto, se casou com outro milionário.

Para quem gosta de ver descrita com lucidez a época dourada do jazz, os frenéticos anos 20, o glamour de Nova Iorque quando havia milionários em cada esquina, champanhe, vestidos de soirée e excentricidades daquele milieu todas as noites, este é "O Livro". A Belle Époque na sua excessiva e esplendorosa decadência.

Os loucos Anos 20

Poucos terão sido os escritores da era moderna com uma vida mais fascinante e que melhor funcionem como um espelho límpido da sua era como Scott Fitzgerald, autor de "O Grande Gatsby" e "O Estranho Caso de Benjamin Button". Fica-se facilmente fascinado, não só com a beleza escrita dos seus livros (que são clássicos), como com a natureza auto-biográfica dos mesmos, e o próprio trajecto pessoal e biográfico do autor.

Viver na excêntrica e perdulária high society de Nova York, nos Anos 20, como um milionário, entre o novo-riquismo, as festas exuberantes e o estilo de vida desregrado dos anos loucos antes da grande Depressão, parece um cliché de filme hollywoodesco, mas no caso dele não foi: foi a vida real.
E mais curioso ainda se torna, se tivermos em conta que este homem amou sempre (e só) a sua desvairada, enigmática, perturbada, vaga e etérea esposa: Zelda.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fifties (8)



Christy, para a Elle.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Victoria's Secret e Stendhal: uma parceria lúdico-literária

Pois é. É um facto que nunca consegui acabar de ler (a enorme estopada que é) "O Vermelho e o Negro" de Stendhal. Confesso aqui essa grande falha minha como leitora de clássicos da literatura universal. Sou bronca. Temos pena. Mas talvez me inspire se vestir o modelito acima indicado, e assim Stendhal me dê uma nova oportunidade. Leituras & lingerie. Para fazer o pendant.

quarta-feira, 16 de março de 2011

"Flexi-gurança"

"Reality Bites" (1994), realizado pelo Ben Stiller (!), um filme com Ethan Hawke e Winona Ryder, que, na já década de 90, retratava a realidade do contacto dos jovens da denominada "Geração X" com o "mundo real", após a Universidade.

Penso que sim, que é um pouco isto que a Carla diz. É certo que vivemos uma época muito dura e existem poucas oportunidades, a vida está muito cara, há muitas desigualdades e injustiças sociais, há uma grande estagnação económica e pouco dinamismo das estruturas de emprego. E, ainda mais preocupante: há assimetrias sociais que se vão acentuando cada vez mais.

Mas em Portugal também ainda existe muito pouca flexibilidade no que diz respeito a várias coisas. Pouca flexibilidade e pouca capacidade de adaptação das pessoas. Concluir um curso numa determinada área não é nem pode ser um sinónimo automático de desempenho posterior de uma actividade profissional nessa mesma área. Em Portugal ainda se cultiva pouco a adaptabilidade, e alimentam-se perspectivas algo limitadas. Quer da parte das empresas, é certo, mas também da parte das pessoas. E as pessoas terão de se habituar à ideia de que o conceito e a realidade de um emprego estável, para toda a vida, acabou. Isso era a utopia dos anos dourados do pós-Segunda Guerra Mundial. Provavelmente, passaremos é a ter vários empregos ao longo da vida. E muito provavelmente em áreas muito diversificadas entre si. Ou seja, exige-se hoje das pessoas mais versatilidade e polivalência.

Por outro lado, vejo que também há alguma resistência e rigidez em termos de mobilidade geográfica das pessoas. Há ainda muito a ideia enraizada de que temos de trabalhar e morar no sítio onde nascemos e estudámos, e perto da família. A sociedade portuguesa tem ainda traços muito tradicionais em relação a isto. E também isto terá de mudar.

Aliás, nada disto (a flexibilização do emprego de um modo geral) é novidade lá fora. Aquilo que enfrentamos hoje já é uma realidade há muito noutros países. A maior parte dos países europeus mais avançados passou por isto há uns quinze ou vinte anos, na década de 90, sobretudo. A questão é que em Portugal as mentalidades também têm de ser um pouco trabalhadas (e, lá está, flexibilizadas).

Em Dezembro de 2007, falou-se muito nisto, aquando da assinatura do Tratado de Lisboa. Da possibilidade de se definir estratégias de flexibilidade nas estruturas económicas para uma maior competitividade à escala global, procurando a salvaguarda da estabilidade no emprego e a segurança dos trabalhadores. Ou seja, a tal "flexi-gurança" como conceito-chave subajcente às novas políticas. Mas, se calhar, ou já muitos não se lembram ou não ligaram muito ao que estava a ser discutido...

terça-feira, 15 de março de 2011

Never let me go

"Never Let Me Go" foi um filme que me deixou algo indiferente, embora conte com as sempre brilhantes interpretações da Carey Mulligan e da Keira Knightley. O enredo é um pouco irrealista, embora perturbador e inquietante (crianças-clones que são criadas num orfanato com a única finalidade de serem depois doadores de órgãos), baseado num livro de Kazuo Ishiguro(surpreendentemente, o autor do excelente "The Remains of the Day"). Rapidamente perdi o interesse e confesso que não o acabei de ver.
Não estava muito a ver estas duas actrizes num filme tão discreto, mas acredito que elas lá tenham escolhido participar nele por algum bom motivo que me ultrapassa.