quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Farewell to Hemingway

"In Love and War", (1996), com Chris O'Donnell e Sandra Bullock.




Ainda só mais uma nota sobre leituras (quando o assunto é livros nunca mais me calo).




Ali em baixo, quando disse que havia livros que não tinha gostado mas lido até ao fim, esqueci-me da maior estopada de todos os tempos: "O Adeus às Armas" do velho Ernesto. Oh, ossinho duro de roer. E só o li na esperança de ver depois o filme com o meu Chris O'Donnell (*sight*, *swooooon*...), baseado no romance. Porém, depois, o fastio com o livro foi tanto, que nem o filme quis ver.


Ainda tenho para ali "O Velho e o Mar", mas tenho até medo de lhe tocar, quando arrumo a prateleira dos livros. Do "Por quem os sinos dobram" não quero sentir nem o cheiro.



Creio que falo do Hemingway com o mesmo asco com que os homens falam da Austen ou das Brontë. Mas pronto, não o leio, mas para compensar a lacuna, quando estive em Havana, fiz questão de passar pela Bodeguita del Medio, que era onde o desgraçado se enfrascava frequentemente, sacana do velho. Livros, bodeguita, é tudo igual: bye, bye Hemingway.

Sweet taste of Ireland



Todos os dias abro a "janela" e vejo isto.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mais vale ser um bêbedo conhecido do que um alcoólico anónimo

Um amigo meu, que tinha muita graça, costumava repetir isto com muita convicção. Era o seu credo.

Cada um tem a sua religião

Antes das nove da manhã, grupos de peregrinos a caminho de Fátima, de terço na mão, cruzam-se com grupos de estudantes a caminho da cama, com a garrafa na mão.

Quem te não ama não vive





Há dias, em conversa com um ex-presidente da Associação, e em contexto de Queima, comentávamos que quem viveu intensamente a academia, não lhe resta saudosismos, apenas a saudável saudade. Nada mais. Nada de reviver tudo, nada de querer voltar atrás.



Concordo. Depois de mais de uma década, durante e após o curso, de Queimas, Latadas, serenatas, cortejos, trupes, Magnas, saraus, centenários de repúblicas, pequenos almoços no Angola, pequenos almoços na Conchada, tardes no Pratas, noites no Pinto, rasganços de amigos, rasganços de amigas, o nosso próprio rasganço, tardes no bar da Associação, chás dançantes, febradas da Pitagórica, festunas, garraiadas, manhãs no areal da Figueira, jardins da Associação, greves, manifestações, baptizados no rio, noites do Parque, noites do Queimódromo, fitas largas, rasgões nas capas, fitas nas pastas, cartolas, praxes, copos e guitarradas, boémia no Penedo da Saudade, doutoramentos na Sala dos Capelos, vendas da pasta, noites no DD, jantares na Democrática, tremoços na praia fluvial, livros de curso e caricaturas, fitas assinadas, viagens de finalistas, sangria, vinho, cerveja, depois disto tudo, ficará a faltar alguma coisa?



Não falta nada, se se viveu intensamente. Os amigos perduram, as lembranças ninguém nos rouba. Aliás, só faltou mesmo o Baile de Gala das Faculdades. O pretensiosismo do evento chocava com as minhas convicções pessoais e sociais. Mas, agora que me aburguesei, ainda vai a tempo. E agora até há vestidos mais bonitos.

Louvados sejam os personal trainers


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Triângulo, riscas, lacinhos









O meu bikini do Verão 2011 tem-me feito viver em êxtase nos últimos dias, desde que o aquiri, e nem sequer ainda o estreei. Dedico-lhe uma fervorosa e profana devoção diária: dou comigo a ir buscá-lo, penduro-o num cabide e caio num estado de amorosa contemplação.

(Eu sei. Depois começo uma medicação qualquer a ver se isto passa.)

Da aleatoriedade dos legados genéticos

Ingrid Bergman


Isabella Rosselini (filha da anterior)


Elettra Wiedemann (filha da anterior)

domingo, 8 de maio de 2011

La princesse de Montpensier










La princesse de Montpensier (2010), de Bertrand Tavernier.



Desafio, desafio, foi ver isto sem rede, que é como quem diz, sem legendas. Melhor, só quando tive de ver "Io sono l'amore" também sem tradução.

Assim

sábado, 7 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Intermitências da vida

Chelsy-On-&-Off.

Desafio literário

Ora bem, recebi o desafio da queridíssima Andorinha, e ela não podia ter feito melhor que lançar-me este réptil, porque não há coisa que eu mais adore do que ler livros (pronto, talvez haja... enfim, é ex-aequo). Sou uma possidónia dos clássicos, como poderão ver.


1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Qualquer um da Jane Austen, ou do Eça.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Siiiiiimmmm.... as mil páginas do "Guerra e Paz"... Mas, também, aos 17 anos é um pouco indigesto. Em vez de andar a curtir com gajos giros, andava a ler Tolstoi. Claramente, hoje penso que deveria escolhido ler a revista Ragazza.
Também nunca consegui acabar "A Loja de Antiguidades" do Dickens -- aquela crueldade vitoriana dá-me cabo dos nervos.


3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Muito difícil. Talvez o "O Último Cais", "A Deusa Sentada" ou "Terceiras Pessoas", todos da Helena Marques.


4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Eh pá, muitos. "A Rainha Margot", do Alexandre Dumas. "Crime e Castigo" e os "Irmãos Karamazov", do velho Fiódor. "Em Busca do Tempo Perdido", de Proust. "Terna é a noite" do S. Fitzgerald. "Retrato de uma Senhora", de Henry James. Ah, e o Kama Sutra, que era capaz de me ensinar coisas jeitosas que eu certamente ignoro. Mas tenho vergonha de levá-lo pela FNAC fora até à caixa, lá está.


5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?


Outra difícil. Talvez "A Ilustre Casa de Ramires", quando, no último parágrafo, Eça descreve Portugal, através da caracterização de uma das personagens. (Escolhi esta porque não me lembro de mais nenhuma.)


6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Era um rato de biblioteca (não vou dizer no feminino, que parece mal). Aliás, ainda sou, mas muito menos que dantes. Em pequena lia o que todas as miúdas liam: Enid Blyton, Sophia de Mello Breyner, Alice Vieira, as colecções "Uma Aventura", "Viagens no Tempo" e "Triângulo Jota", e a boa velha Sofie Rostopchine (Condessa de Ségur pr'ós amigos).


7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

A "Eugénie Grandet", do Balzac. E "A Idade da Inocência". Porque a Edith Wharton é um prémio Pulitzer interessante, mas difícil... zzz... complexo e um tanto ou quanto booooooring.....zzzz zzzz.... Não gosto de deixar livros a meio.


8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Ui, tantos. "Anna Karenina", do Tolstoi. "O Monte dos Vendavais", da Emily Brontë. "Jane Eyre", de Charlotte Brontë. A tetralogia da Luísa Beltrão "Os Pioneiros", "Os Impetuosos", "Os Bem Aventurados" e "Os Mal amados". "A Valsa Inacabada" e "A Viagem de Théo", de Catherine Clément. "O Véu Pintado", do Somerset Maugham. "Possessão", de AS Byatt. "Quarto com Vista", de EM Forster. "Até ao Fim" e "Para Sempre", do Vergílio Ferreira. "Expiação", de Ian MacEwan. "O Amante de Lady Chatterley", de DH Lawrence. E ficava aqui o dia inteiro.


9. Que livro estás a ler neste momento?

Acabei há pouco tempo "O Grande Gatsby" do S. Fitzgerald, e agora ando a reler "Orgulho e Preconceito", da Jane Austen, como já deu para reparar pelas frequentes quotes aqui no blog.


E pronto, caríssimos, a correntezinha fica-se por aqui, que eu sou uma malvada fura-correntes.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Bolsa (pessoal) de valores encerra em alta

Blake Lively para a Vogue

Um estranho 2 em 1

Sophia Loren





Na minha turma, a boazona da turma era também a mais marrona e a melhor aluna, com as notas mais elevadas. Encerrava em si um paradoxo desconcertante.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fifties (9)





Stahl House (Los Angeles), 1959









Casa La Ricarda (Barcelona), 1949-1963

Maio (2)



Ninguém descreveu tão bem o encanto de (uma certa) Coimbra comoVergílio Ferreira. Nos seus romances, a cidade surge, ela própria, como mais uma personagem, descobrindo-se, aqui e ali, como quem levanta discretamente um véu diáfano. E é tão bom sentir-lhe ageografia velada das ruas, dos monumentos, de locais específicos, desfiada por tão bela narrativa:


Apertei-te a mão e tu apertaste a minha e eu tive a evidência de quenada nos podia separar. Agora um estudante cantava uma balada –“morrer é passar um dia inteiro sem te ver”. Como é triste pensá-lo. Sem te ver. Vejo-nos aos dois no fundo do largo, só a fachada da Sé se destaca, batida de um facho luminoso, com os estudantes nos degraus, até que a balada se findou. Mas tudo fica em silêncio, não se ouve um aplauso sequer.”

Vergílio Ferreira, “Cartas a Sandra

terça-feira, 3 de maio de 2011

Maio





O Rodrigo Xavier contou-me quanto o entusiasmava tocarem os dois, o meu pai violino e ele viola para acompanhar ou também cantar. Porque o Rodrigo tinha uma voz suficiente, segundo me disse, para cantar fados de Coimbra que o meu pai preferia chamar baladas, porque o fado lembrava-lhe o de Lisboa, com as suas vielas e uma certa “relice”, a começar pelo primarismo das suas músicas. Mas exceptuava algumas da Amália que ele dizia, aliás, terem uma certa afinidade com as baladas coimbrãs. E esse gosto dessas baladas durou-lhe toda a vida.
Vergílio Ferreira, “Cartas a Sandra”

A alcunha



A namorada de um rapaz que eu conheço tem umas sobrancelhas esquisitas. Parece que tem um arbusto em cima dos olhos. Claro que eu, com a minha transbordante criatividade (e alguns laivos de traquinice, bem sei) já tratei de a baptizar com uma maravilhosa alcunha. Ela não sabe da alcunha. Mas todos os meus amigos aderiram com espantosa rapidez à alcunha. Tanto que já nem nos lembramos do verdadeiro nome dela. Obviamente, não vou dizer aqui qual é. Só vou dizer que ela ainda tem de... ganhar Kahlo no que diz respeito à área da depilação facial. (Como sou magnânima, no Natal, oferecer-lhe-ei uma pinça e um espelhinho. Ou uma tesoura de podar. Ou um corta-relva.)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Reencontros

Claudia Cardinale, como Angelica em "Il Gattopardo"








Angelica, no romance de Tommaso di Lampedusa, "O Leopardo", tinha 17 anos quando se reencontrou com a família Salina.




Da última vez que a tinham visto, era apenas uma garota de 13, que passava despercebida, meio encardida, meio saloia. Acontece que o tempo, a idade e uma série de felizes situações confluíram para uma significativa alteração da sua imagem, aquando do decisivo reencontro com a família de D. Fabrizio. E, em especial, com um membro da família, o sobrinho Tancredi...




Quem não saboreou já (nem que fosse uma vez na vida), o pueril triunfo de ler nos olhos incrédulos dos outros a supresa e o choque de uma mudança feliz, sublinhada por vários anos de ausência?

Route 66(6)

Foto de Karl Lagerfeld



Por vezes, é preciso enveredarmos, ainda que involuntariamente, por um caminho dos diabos.

Uma década

Bom, pelo menos, não foi anunciado com aquele dramático, fanático, fiteiro, hollywoodesco "We got him".

domingo, 1 de maio de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dou-lhes 10, 15 anos














Não sei como é que, depois do tremendo fiasco da maior parte dos grandes casamentos reais do século passado, ainda há margem para euforia colectiva. Porém, "pão e circo" é o que o povo gosta, já diziam os nossos sábios amigos Romanos.





Mas, enfim, como é sempre necessário um herdeiro para o trono, eu até gosto dos chapéus dela e ele até parece bom rapazinho (é pena é aquele degradante problema de calvície de que padece), até aposto que isto é capaz de durar uns 10 ou 15 anos, tendo em conta a década que já levam de namoro. O que, dado o meu proverbial cepticismo em relação ao sagrado matrimónio, até é um vaticínio (fabulosamente) optimista.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O look perfeito



E depois há destas Camerons Diaz, que chegam e arrasam as outras todas. Eu gosto de pessoas que mostram ao mundo como, aos 39 anos, se pode dar uma lição de estilo, beleza e bom gosto. Maquilhagem suave e perfeita, cabelo muito natural, vestidinho indefectível (como diriam os Skank), não se sobrecarrega de acessórios e o calçado é elegantíssimo. Tudo, tudo, tão perfeito, que chega a ser irritante.

O look sóbrio



Há aquelas fulanas que estão sempre bem. Em qualquer outra isto pareceria um vestuário de viúva negra, mas nesta não, tudo é sobriedade, tudo é discrição, tudo é elegância. Desde a maquilhagem suave, à cintura demarcada, ao penteado discreto. Humpft.

O look panda

Não tínhamos falado de pandas há dias? Aqui está um fofinho. A Kirsten Dunst por acaso é simpática, excelente actriz e tem bom gosto. Mas, neste dia, lá está, dormiu em casa do namorado, que é certamente um rapaz que não lê este blogue e portanto não dispõe de um bom desmaquilhante nos seus aposentos. De resto está bem, o vestido, está apropriado para a ocasião, que era uma soirée em Paris.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O que poderia ter acontecido





Por vezes, imaginamos o que poderia ter acontecido.


Mas a imaginação é ingrata, porque nos sugere sempre imagens demasiado optimistas.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os 30 são os novos 20

Wentworth Miller, 38




Ouve-se dizer que ter hoje 30 anos é como antigamente ter 20. Estuda-se até mais tarde, entra-se mais tarde no mercado de trabalho, casa-se mais tarde, tem-se filhos mais tarde. Óptimo sinal, porque significa que também nos divertimos até um pouco mais tarde, sem as obrigações, deveres e tarefas que dantes sobrecarregavam as pessoas logo aos 18 ou 20 anos.



Para quem não tem pressa, e para quem faz questão de saborear a vida mais devagar, a fase entre os 30 e os 30 e tal, pode, portanto, ser vivida de forma absolutamente positiva. Ainda não se tem as responsabilidades nem o tédio da meia idade, mas também (em geral) já não há tanto a dependência financeira nem as incertezas dos 20.



Aos 30 ainda se pode correr riscos, aceitar-se um novo desafio profissional no estrangeiro, viajar pelo mundo, sair à noite com os amigos, namorar muito. E isto é tudo tão bom, mas tão bom, que é de celebrar o facto de os 30 serem os novos 20. E nunca hei-de entender porque é que algumas pessoas, assim que se aproximam dos 30 anos, têm tanto desespero e urgência em vestir o uniforme cinzento da idade (mais) adulta, sedentarizar-se e fossilizar-se.



Charlize Theron, 35

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença




É por estas e por outras que eu desconfio de casamentos. Seja entre pessoas, seja entre estados-membros ou o que for. Supostamente, existe um compromisso formalmente celebrado e uma estratégia comum. Haja o que houver. Quando um cai em desgraça, supostamente, é apoiado pelo(s) outro(s). Porém, isto é tudo muito bonito quando há prosperidade, juventude e tudo corre bem. Quando chegam as espondiloses ou os resgates financeiros, aí é que se vê quem são as Finlândias desta vida.

Procrastinar

Giselle, por Mario Testino


Eu procrastino, tu procrastinas, ele procrastina. Nós procrastinamos, vós procrastinais, eles procrastinam.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Assim



Regency girl power (2)

"São poucas as pessoas de quem eu gosto, e mais restrito ainda o número daquelas de quem eu faço um bom juízo. Quanto mais conheço o mundo, maior é o meu descontentamento por ele; e cada dia confirma a minha crença na inconsistência de todos os caracteres humanos e na pouca confiança susceptível de ser depositada na aparência quer do mérito como do bom senso."

Jane Austen, "Orgulho e Preconceito", Cap. XXIV.


PS: notar-se-á muito que ando a reler "Orgulho e Preconceito"?

Memórias do cárcere



Um exílio é sempre um exílio. Mesmo sendo mitigado por um refúgio, não apaga o afastamento imposto, a distância forçada e todas as razões que o causaram. Um exílio é sempre um exílio. Somos sempre apátridas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ângulo morto

Na vida, por vezes, bem tentamos olhar e controlar tudo em nosso redor. Mas existe sempre um ângulo que escapa ao nosso escrutínio, um qualquer pormenor fora do nosso campo visual e da nossa atenção. Por muito que nos esforcemos, não vemos o perigo aproximar-se.

Ângulo giro

Quando tentamos que a nossa vida dê uma volta significativa mas constatamos que, nas suas muitas reviravoltas, ela descreveu um ângulo de 360º. E, afinal, voltámos ao ponto de partida. (A geometria explica tudo.)

domingo, 17 de abril de 2011

Aqui assinala-se sempre o 17 de Abril

(Estudantes e forças policiais do regime salazarista nas Escadas Monumentais, em Coimbra, durante a crise académica que teve início neste dia, em 1969.)