quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Homens que gostam de mulheres (2)

A ilustrar o post anterior, criações de Elie Saab (as duas últimas fotos) e de Peter Dundas para Emilio Pucci, Outono Inverno 2011/2012:


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Já não sei andar de bicicleta



Humpf. Não consigo andar de bicicleta. Não sei o que se passou, mas, em toda a minha idade adulta, nunca consegui andar de bicicleta. E no entanto, em pequena, andava perfeitamente (sem rodinhas nem nada, minha gente).
Aliás, há uns anos, numa viagem a Espanha, todos os meus amigos foram dar uma volta de bicicleta até à praia menos eu (e umas miúdas que estavam doentes) porque aluguei, tal como eles, uma bicicleta, e depois não consegui andar com ela. (Não tenho culpa! Era uma cidade com um relevo muito acidentado!) Para cúmulo, há uma triste fotografia dessa ocasião, em que um amigo meu está a tentar ensinar-me a conduzir aquele veículo do demónio, tal e qual como se faz com as crianças. (Note to self: destruir o registo com urgência.)



De modo que já estou habituada às frases de gozo “Ah, ah, andar de bicicleta é como o sexo, nunca se esquece”. Ah, ah. Que piada. Pois. Mas eu continuo a não conseguir a andar de bicicleta. E estou profundamente convicta de que o problema não está em mim. (Estou a falar de bicicletas.) Mas ninguém me acredita. Ou têm o guiador muito à frente, ou o selim muito alto, ou são pesadas demais, ou sei lá. Ora, há coisas que têm que estar física e anatomicamente adequadas a nós, certo? (Ainda estou a falar de bicicletas.) Portanto, digam-me, o problema não tem que ser forçosamente nosso, pois não? Tudo depende do que estamos a montar, certo? (Continuo a falar de bicicletas.)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Suécia, a nova geração




A nova geração sueca: as crianças suecas são alegres e bem dispostas, mas calmíssimas, ordeiras, sossegadas. Não sei se estarão todos drogados com o Calpol que administravam à Maddie McCann, mas é incrível, de facto, a calma, a educação e a disciplina destas crianças. Nas excursões das escolas, caminham pelas ruas ordeiramente, envergando pequenos coletezinhos reflectores. Não falam aos gritos, nem correm tresloucados como os garotos em Portugal. E os adolescentes, em geral, não boicotam as visitas de estudo a locais culturais.
Aliás, é raríssimo ver, mesmo numa grande cidade como em Estocolmo, a balbúrdia e a vozearia que os nossos diabretes, perdão, garotos costumam protagonizar, com as célebres birras na rua, centros comerciais e restaurantes, os palcos preferidos para os seus espectáculos.


Mas também é verdade que esta generalizada calma sueca deve, provavelmente, começar logo na fase intra-uterina, com mães com licenças de maternidade generosas e extensas, padrões culturais e uma moral protestante (ai, meu querido Max Weber) onde se cultiva alguma contenção e discrição, um óptimo nível de vida, uma assistência social invejável, níveis elevados de segurança nas ruas, baixas taxas de criminalidade e um Estado-Providência que já conheceu melhores dias mas que, ainda assim, é bem melhor do que alguma vez o foi em Portugal, por exemplo. Enfim, tudo o que pode tornar pequenas crianças em anjinhos e um país numa espécie de um dos últimos “oásis sociais”, como eu lhes chamo (não são perfeitos, claro, mas estão lá perto).

Render da Guarda(-Roupa)




Trocar a roupa leve e fresca por uma bela gabardine (ou trench-coat, se quisermos ser mais ranhosazitas). Interromper meses solarengos por uns dias de chuva very british indeed e um londrino céu nublado.



Confesso que já tinha (algumas) saudades.

Bandas sonoras

Isto são três das minhas bandas sonoras preferidas, para ouvir do princípio ao fim. A toada profunda e perturbante da do Twin Peaks acompanhou-me há muitos anos numa longa viagem de carro por uma ilha. Há dias li que não sei quem andava com a banda sonora do filme La Reine Margot no Ipod e achei curioso, porque eu também, já há muito tempo (Ofra Haza e Goran Bregovic). Idem para a excelente do filme Marie Antoinette, da Sofia Coppola (aqui, "Hong Kong Garden", Siouxsie and the Banshees, e a minha favorita de todas "Kings of the wild frontier", Adam and the Ants). A dos filmes Before Sunrise/Before Sunset é outro clássico das minhas preferências, com este surpreendentemente bom "Je t'aime tant", composto e cantado em francês pela actriz Julie Delpy.






segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A minha homenagem a Anna Karenina





É um bicho? É uma bola de pêlo? Não, mas está algures entre essas duas coisas: é um gorro faux fur, e foi a minha melhor aquisição dos últimos tempos. Que melhor homenagem (frívola e) pessoal posso eu dar à monumental obra de Tolstoi, que é também a minha preferida? Um gorro de pêlo ao melhor estilo das russas, compradinho em Oxford Street por apenas 20 libras. Bem sei que cá não faz o frio glaciar de São Petersburgo. So what? Mais um adereço controverso para o meu guarda-roupa. Vá, quando é que chega Dezembro?




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dégas e Veermer ao almoço




Se eu alguma vez trabalhasse perto de Trafalgar Square, juro-vos: era certo e sabido onde iria passar todos os minutos que me sobrassem da minha hipotética hora de almoço.


É já um cliché, mas sinceramente, nunca cessa de me causar um profundo espanto a proximidade e a naturalidade do contacto com o legado de génios artísticos, em sítios abençoados como a National Gallery (ou similiares).


Basta apenas querer, dar um passo e entrar num edifício para que (de forma completamente gratuita), eu, uma pessoa anónima, de nacionalidade portuguesa, igual a todas as outras pessoas vulgares deste mundo, possa ter a dois palmos do meu nariz as eternas bailarinas de Dégas, as cores aveludadas de um quadro de Veermer, os contornos indefinidos de um Renoir, os milhentos pontinhos de Seurat ou os contrastes de sombras e luzes de um Caravaggio.


Continuo a achar isto extraordinário, after all these years.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se




Também podia aqui debruçar-me circunspectamente sobre a séria e actual crise de transição de regime na Líbia. No entanto, e com a devida vénia à sacralidade deste assunto, vou debruçar-me (mas não muito, que tenho vertigens e posso cair lá para baixo e agora não me dá jeito) sobre a questão dos meus Ray Ban 3025, tal e qual como os que a Aniston aqui usa. É que foi coisa que comecei a usar no início do Verão, primeiro timidamente, depois de forma mais arrojada e, agora, completamente audaciosa, já não ando sem eles. É que primeiro estranhei (muito) este formato de óculos de sol . Depois entranhou-se(-me).

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quem te cortou as asas, paloma?

Uma versão muito diferente da mais comum (destaque para a qualidade das vozes) de um tema tradicional e popular boliviano, tão conhecido por essa América Latina fora.


Música (nitidamente) de intervenção, claro. Gosto da mensagem subliminar.

Dos palomitas, se lamentaban
llorando...

Y una a la otra se consolaban,
diciendo:

Quién te ha cortado tus bellas alas
paloma...

o algún falsario ha sorprendido
tu vuelo

Ay, Ay, Ay... paloma...
o algún falsario ha sorprendido
tu vuelo.

N.º 2 na lista de coisas que não compreendo


Podia confessar aqui que não entendo grande coisa de taxas de Ray Ting, ai espera lá, é rating, afinal não é um sucedâneo da Ray Ban, é outra coisa menos gira, pronto. Mas não. Confesso apenas que o sucesso desta Pippa é uma coisa que não me assiste. E tira-me muitas horas de sono.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Benicio del Toro é a versão feia do Brad Pitt




No calor da tarde: a loucura em Estocolmo







Clicar para ver melhor. Fulanas muito bêbedas, que vão fora do carro a gritar, agitando a bandeira sueca. Não sei o que pensar disto. Talvez seja orgulho nacional exacerbado.





Ora, os suecos até são anfitriões de nights relativamente soft, que acabam cedo, mesmo nos bares mais badalados. A questão é que em todos os dias passados em Estocolmo, ao fim da tarde, era a loucura vespertina: camiões cheios de jovens muito alcoolizados, com música aos berros, e a fazerem todo o tipo de disparates, numa espécie de cortejo da Queima em plena Sergels Torg. No entanto, nunca chegámos a perceber que festa era aquela afinal. Alguém que esteja familiarizado com a Suécia poderia ter a gentileza de explicar? Debbie, queres dar uma ajudinha?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Estilos












Palavra de honra: encontra-se nas ruas de Estocolmo muito mais criatividade, arrojo e estilo na forma de vestir do que nas ruas de Londres, ou mesmo de Paris. Não estou a falar de elegância ou do convencional “bom gosto”. É certo que há ali gostos muito discutíveis, e nada é convencional. Mas nunca tinha visto um tão puro statement, irreverência, e afirmação da identidade pessoal através de roupas e acessórios. Aliás, uma coisa interessante a fazer é a pessoa sentar-se uma tarde, por dez minutos, nas movimentadíssimas Drottninggatan ou Sergels Torg, para se ser brindado com um verdadeiro desfile de moda e de estilos alternativos. Nem de propósito, o Scott do Sartorialist fez há pouco tempo uma série de posts acerca da sua recente passagem por Estocolmo (obviamente com fotos e momentos captados muito melhores que os meus), pelo que vale a pena uma espreitadela ao blog, porque ilustra devidamente este tema.

Skansen

























































































































































Imagine-se uma floresta muito bonita e muito grande numa ilha, para onde foram transladadas, peça por peça até ao mínimo parafuso, várias casas típicas de todos os cantos do país. E que tudo isso forma um enorme museu ao ar livre (o primeiro museu ao ar livre do mundo), que pretende recriar a vida da Suécia rural dos finais do século XIX, com figurantes vestidos à época e a executar actividades desenvolvidas naquele tempo. Figurantes que estão sempre prontos a dar uma explicação histórica sobre tudo o que estamos a ver. Com tudo muito organizado, muito composto e recriado ao ínfimo pormenor, por dentro e por fora das casas, com objectos, quinta com animais, alfaias agrícolas, móveis, máquinas, instrumentos, etc., tudo daquela época. E onde não falta nada: a casa do mestre-escola, a pequena igreja, o posto dos correios, a leitaria, a casa senhorial, a quinta dos camponeses, a loja de tecidos, etc., etc., etc. E aí têm o Skansen, esta pequena maravilha, em Estocolmo.

Veneza portuguesa







Fim de semana em Aveiro. Muito sol, muito perto do mar da Barra e da Costa Nova, e um ar muito fresco, muito típico dali (e alguém a perguntar, ao sair do carro, quem é que pôs o ar condicionado tão frio?). Já há uns bons anos que vou a Aveiro de vez em quando, e vejo como se tornou uma grande cidade, simpática, bonita, organizada, muito dinâmica e bastante desenvolvida, para além de ser um excelente exemplo de bom planeamento urbano e de aproveitamento racional dos melhores recursos de uma terra. Para além de que tem sempre uma boa movida by night. É sempre tão bom dar lá um salto, mesmo aqui ao lado.

Crimes em série



Como sempre, a divulgação das séries da RTP 2 é tão discreta que eu nem dou pelas boas séries começarem. Temos, pois, que andava na mais santa ignorância a respeito da nova da BBC, Emma, tal como andei a ver navios quando deu o Orgulho e Preconceito, A Loja de Antiguidades, a Jane Eyre, etc., etc. Isto não se faz, meus amigos.



Anyway, vi ontem, por pura casualidade, o que eu penso ser o segundo episódio da série. Acho que a Romola Garay está muitíssimo bem, mas não sei se supera a Gwyneth Paltrow no filme homónimo (1996). Bem sei que uma série televisiva não tem o formato nem ritmo do cinema, mas de qualquer forma...


E pronto, fica aqui, definitivamente, vinculada a minha imagem de croma, porque as únicas séries que me fazem deitar-me à impensável hora das 23h30 são as séries de qualidade da BBC, já que os Dexters, e os Losts, e as Glee, que toda a gente acompanha religiosamente, passam-me todos ao lado, motivo pelo qual já sou sobejamente motivo de uma suave chacota no meu grupo de amigos (e não só, porque eles já se encarregaram de divulgar também o facto a desconhecidos).

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Valhelhas, Hong Kong, Budapeste









Nadadores salvadores de Valhelhas,




que são (quase) tão giros como os da Falésia, em Vilamoura




(ou então, não).




Onde fica Valhelhas? Bom. Confesso a minha (anterior) ignorância geográfica. Fica no concelho da Guarda. E, digo-vos, pode não ser o lugar mais fashion ou glamouroso do mundo, podem por ali andar inúmeras opções estéticas muito discutíveis (digamos assim), a Beira Alta pode não ser a minha região preferida, por ser árida e pedregosa, mas posso garantir que gente mais genuína, simpática, franca, simples, generosa, cativante e amável, não há em muito mais lugares na Terra.

E ir à praia fluvial de Valhelhas? Bom. Outra confissão: foi um desafio para mim o confronto com a fauna (humana) local e com o próprio sítio em si (parecia uma experiência sociológica). Mas, com uma boa dose de bom humor e de bons amigos, consegue-se sempre apreciar o que há de melhor (por exemplo, água límpida e translúcida - mas um bocado fria - da muito próxima nascente do Zêzere) e falar da Beira Interior com tanto entusiasmo como falo de Hong Kong ou de Budapeste.