
A nova geração sueca: as crianças suecas são alegres e bem dispostas, mas calmíssimas, ordeiras, sossegadas. Não sei se estarão todos drogados com o Calpol que administravam à Maddie McCann, mas é incrível, de facto, a calma, a educação e a disciplina destas crianças. Nas excursões das escolas, caminham pelas ruas ordeiramente, envergando pequenos coletezinhos reflectores. Não falam aos gritos, nem correm tresloucados como os garotos em Portugal. E os adolescentes, em geral, não boicotam as visitas de estudo a locais culturais.
Aliás, é raríssimo ver, mesmo numa grande cidade como em Estocolmo, a balbúrdia e a vozearia que os nossos diabretes, perdão, garotos costumam protagonizar, com as célebres birras na rua, centros comerciais e restaurantes, os palcos preferidos para os seus espectáculos.
Mas também é verdade que esta generalizada calma sueca deve, provavelmente, começar logo na fase intra-uterina, com mães com licenças de maternidade generosas e extensas, padrões culturais e uma moral protestante (ai, meu querido Max Weber) onde se cultiva alguma contenção e discrição, um óptimo nível de vida, uma assistência social invejável, níveis elevados de segurança nas ruas, baixas taxas de criminalidade e um Estado-Providência que já conheceu melhores dias mas que, ainda assim, é bem melhor do que alguma vez o foi em Portugal, por exemplo. Enfim, tudo o que pode tornar pequenas crianças em anjinhos e um país numa espécie de um dos últimos “oásis sociais”, como eu lhes chamo (não são perfeitos, claro, mas estão lá perto).