quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ciclo de cinema




Ciclo de Cinema: Mulheres Palestinianas

26 de Outubro, 2, 9, 16 e 23 de Novembro, 21h30m, Centro de Cultura e Intervenção Feminista / Lisboa + Curso Livre sobre Feminismos Árabes e Islâmicos, a 26 de Novembro
8, 15, 22, 29 de Novembro e 6 de Dezembro, 21h30m, Fila K Cineclube/Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, Av. Sá da Bandeira, 83, Coimbra

The camera is like a magic lantern
that we embrace to make our dreams come true.
It is the tool we use to reclaim our existence,
memory, and humanity .
Mai Masri (realizadora palestiniana)


A experiência do que é ser palestiniana agrega vivências como a guerra, a despossessão, a desterritorilização, a pobreza e a emigração, mas essas experiências por si só não bastam para captar a complexidade das vidas destas mulheres. É igualmente necessário ter em conta uma cultura patriarcal, as amarras da tradição, bem como as tensões, os desafios e as convulsões políticas e sociais de sociedades em processo de modernização e sob forte impacto da globalização e da ingerência externa. Como vivem as palestinianas as diversas forças que as oprimem e querem silenciar? Como reagem, como se insurgem contra a ocupação israelita e lutam por direitos e pela emancipação? Para tentar compreender e reflectir sobre estas questões propomos dar a voz a realizadoras que reclamam uma identidade palestiniana e a cineastas do Médio Oriente que colocaram lutas de palestinianas no centro dos seus projectos cinematográficas. Um olhar cinematográfico sobre as mulheres palestinianas e os seus combates é assim também um olhar alternativo sobre o tão mediatizado conflito israelo-palestiniano.













A criança que há em mim




A criança que há em mim não se detecta com o Predictor. A criança que há em mim não se vê em ecografias. A criança que há em mim não me dá enjoos matinais. A criança que há em mim… eu espero que nunca nasça nem cresça.
A criança que há em mim, há que confessar, andava há anos a sonhar com a Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. A criança que há em mim, tinha um medo enorme e um fascínio terrível pela Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. A criança que há em mim, há-que dizê-lo com frontalidade, adorou a Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. E é tão masoquista que quer lá voltar. (Assim que se esquecer dos terrores nocturnos que aquilo lhe provocou).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mediocre bad guys (os novos Mr. Darcys e as redes sociais)

Mathew Macfadyen como "Mr. Darcy" em Pride and Prejudice (2005).


Recentemente, num jantar de um evento social sentou-se ao meu lado um rapaz desconhecido, numa mesa de dez pessoas. Era muito alto, moreno e bem-parecido. Um autêntico Mr. Darcy. Mas dos piores. Arrogante e de cara fechada. Não pediu licença ao sentar-se, não disse boa noite, não se apresentou pessoalmente, nem tão pouco abriu a boca durante todo o jantar, apesar de os convivas serem amigos dele (e não meus) e de a conversa até estar animada. Eu própria, apesar de não conhecer bem as pessoas, tagarelei com a rapariga do lado e ri-me quando diziam piadas. Até me mostrei receptiva para conversar com a personagem sinistra, mas as trombas eram tão grandes que desisti.

Foi com grande alívio que me levantei da mesa e fui para casa deixando para trás o trombudo, na certeza de que nunca mais ouviria falar dele. Qual não é o meu espanto quando, semanas depois, o anfitrião da festa me diz que o trombudo tinha ficado muito bem impressionado comigo. Mais atónita fiquei depois, quando o trombudo me envia uma "solicitação de amizade" numa rede social.

Bom. Cá está. Um certo tipo de homem no seu melhor. Quando há uma boa oportunidade de conversar face a face, desperdiça-a, protela, procrastina. E, depois, sob a protecção confortável da rede social, lança cautelosamente um convite de amizade. Isto é triste.





Já conheci muitíssimos Darcys nesta vida, pelo que já não me impressionam nem me atraem minimamente. É que, infelizmente, e ao contrário da personagem literária, hoje em dia é muito raro detectar-se nobreza de carácter por detrás da falta de competências sociais. Em geral, o que está por detrás disso é pura falta de educação, e, atrás desta, não pode haver nada de muito promissor. E, como se não bastasse, este fenómeno das redes sociais ajuda esta gente a subverter situações em que uma simples conversa (que poderia ser um desafio socialmente agradável e gratificante), é substituída por um contacto pobre, rarefeito e artificial via internet. Isto causa-me profunda irritação.

Há uma música do Jack Johnson que me faz lembrar isto. Esta gentinha enconada, sem tomates, sem arrojo, sem têmpera, sem nada. Chama-se “Mediocre bad guys”. Porque há homens que são maus, mas até nisso são uns tristes.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Entretanto, em Arlanda





Como diz um amigo meu que viveu seis meses em Estocolmo, esta é uma cidade tão tranquila, que nem parece que estamos na capital de um grande país europeu. Estocolmo é tranquila.Tranquila é o adjectivo que a define.
Mas eu não sei. Realcei (e louvei) sempre a tranquilidade do povo sueco, tudo tão ordeiro, tudo tão bonitinho. No entanto, não sei se será bom sinal estender esta tranquilidade ao facto de eu ter levado, sem querer, na minha bagagem de mão uma pequena faca (don’t ask) e de a mesma ter passado com dranquilidade, como diria o Paulo Bento, por todos os pontos de controlo no aeroporto de Arlanda, sem ninguém dar por ela.
Pessoal de Arlanda, vejam lá isso. Eu sou uma rapariga pacífica, e até nem gosto muito de objectos contundentes (principalmente de tesouras perto do meu cabelo), mas outros amiguinhos poderão não ser assim tão fantásticos e espectaculares como eu.






PS: podem ficar descansados que já não deve haver mais histórias sobre Estocolmo ou a Suécia. Já espremi tanto, tanto, tanto, que o assunto secou. Bom, e daí... nunca se sabe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

London Basic (2)



Chamou-me a atenção, não só porque era alto e bem parecido, mas também porque parecia esconder qualquer coisa atrás dele. E de facto assim era. O ramo de flores era belíssimo e eu fiquei a pensar quem seria a pessoa felizarda que seria brindada com aquela bonita surpresa, naquele fim de tarde, em pleno cruzamento da Totenham Court Road com a Oxford Street. (*Sight*)

London Basic







Poucos dias depois dos motins do Norte de Londres e noutras cidades britânicas, sentiu-se pouca instabilidade nas ruas e nas pessoas. A única coisa que denunciava os acontecimentos da semana anterior era um notório reforço do policiamento nas ruas. Com a devida salvaguarda de que estas impressões se devem ao facto de ter estado (quase) sempre no centro de Londres, e nunca na rua a horas tardias.
Na foto, uma conversa amena em Trafalgar Square.

Overqualified






E depois há aquelas pessoas que sim senhor, muitos elogios, muita inteligência, muita beleza, muita simpatia, muito bom humor, muito tudo, e depois vai-se a ver e ninguém quer nada com elas.

Tempestade num copo d'água



Bem, foi quase. Os trovões ainda chegaram a rugir, ao longe, mas acabou por não haver (grande) tormenta.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Prémio de Oslo







Ellen Johnson-Sirleaf
Leymah Gbowee
Tawakkul Karman

Desde 2003, com a atribuição do Prémio a Shirin Ebadi, que não ficava tão contente.
(Note-se que Tawakkul tem apenas 32 anos.)

Jovens e garbosos cavalheiros





Quando eu tiver 50 anos almejo seguir o exemplo da Madonna, e, quando tiver 85, ir mais longe ainda e seguir o da Duquesa de Alba. Não, não estou a falar da riqueza de nenhuma delas (embora me desse bastante jeito e dela soubesse tirar agradável proveito), nem tão pouco da insuperável beleza física de qualquer uma das duas, mas antes das inteligentíssimas opções nas suas vidas sentimentais, pautadas pela frescura de jovens e garbosos cavalheiros de 20 anos, no caso de uma, e de 61 anos, no caso da outra. Toda uma lição de vida, a destas excelsas mentoras, minha gente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Luís do Masterchef



Só vi o Masterchef duas vezes, e ambas por pura casualidade (não costumo ver muita televisão).

Mas aquilo encanta-me, porque, para quem evita a cozinha ao máximo e há apenas poucos anos aprendeu a estrelar um ovo, parece que estou a olhar para um prodígio quando os vejo, do nada, a executar elaboradas receitas com lavagantes. (Eu quase nem sabia como era o aspecto de um lavagante antes de ser cozinhado. E confesso que tenho medo dos lavagantes. Como poderei eu ter algum sucesso culinário, se tenho medo dos ingredientes das receitas? Sou um caso perdido. Adiante.)

Dizia eu que só vi o programa duas vezes, mas houve uma coisa que me chamou logo a atenção. Não foi o lavagante. Foi o Luís. O Luís tem tudo para ser o meu tipo de homem. Não tem nada de especial, mas eu gosto deles assim, sem terem nada de especial. É engenheiro, tem 31 anos, tem cara de bonzinho, cozinha bem que se farta, e tem um filho. Já vem com o kit completo e tudo.

Hum. Há o pormenor de ser casado, mas isso é um detalhe de somenos importância.

Luís, meu querido, quando te divorciares tens aqui uma Masterfã à tua espera.

Don't mess with the Zozô

(O Blogger andou a portar-se mal comigo. Mas parece que já lhe passou. Que lhe fique de lição. Humpf.)


(Fingers crossed, a ver se não lhe volta a parvoeira.)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O (p)asseio em Drottningholm






















































Meus amigos, toda a Suécia é limpa, muito limpa, desde as grandes cidades até ao cantinho mais rural. Mas esta ilha de Lovö (nas fotos) abusa do asseio: vi casas de banho públicas mais assépticas e brilhantes do que as casas particulares de muito boa gente por aí. É certo que é onde fica a residência oficial dos reis da Suécia (num palácio do século XVIII, o palácio de Drottningholm), mas também não era preciso exagerar, uma pessoa até lhe apetece tirar os sapatos, com medo de sujar os relvados dos parques circundantes.


Perdoem-me a frequência do tema “limpeza”, mas realmente ali a limpeza é gritante, salta aos olhos de uma pessoa, tal e qual como é hábito a sujidade saltar-nos aos olhos nos outros sítios. Na Suécia, o que me ocorre é sempre o mesmo mantra monotemático: tranquilidade, beleza, organização e limpeza. Desculpem, mas é mais forte que eu. Muito obrigada pela atenção.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Extremismos

Se há uma espécie de pessoas que eu abomino são os radicais políticos, sejam eles de esquerda ou direita, do progresso ou do retrocesso. Por tratar-se de uma espécie que cativa e apaixona muitas almas por esse mundo fora, tem sido abundantemente retratada e explorada enquanto personagem, tanto na literatura como no cinema. Mas nem aí, no universo ficcional, me causa especial interesse.
No entanto, consigo compreender o sucesso de tal espécie: um carácter normalmente leal (o que, por si, até é bom) para com os seus camaradas (sucedendo amiúde os amigos tornarem-se muito facilmente odiosos inimigos) e ideais, de têmpera sempre apaixonada e optimista, líderes natos de belíssima e apurada oratória, uma personalidade irascível e sempre inflexível, gente de acção (e reacção) e sempre em movimento, nunca se dando por satisfeita, elevando a imoderação na política a uma condição genética. Como não gostar de gente assim?
Pois bem, eu maldigo dessa gente, e prefiro-a bem longe de mim.
(…)”

Como eu já aqui disse várias vezes, a maior parte dos meus amigos situa-se nas duas posições extremas do espectro político, pelo que este post me é particularmente caro (embora eu não queira os meus amigos longe de mim, a verdade é que eles são desconcertantes). Façam o favor de ler o resto deste post do impagável Ega, agora n’O Inútil.

Meia haste




"A história está repleta de eventos estruturais desencadeados por acontecimentos secundários. A da Europa não é exceção. Quando o jovem Gavrilo Princip disparou sobre o arquiduque Francisco Fernando, poucos antecipariam o início de uma ‘era de catástrofe’ que duraria três longas décadas. Há atos que têm o condão de revelar todas as tensões de um momento e com isso colocam a história em movimento. Por vezes para o bem, na maior parte das vezes para o mal.
As declarações do Comissário europeu Guenther Oettinger, afirmando que “as bandeiras dos pecadores da dívida deveriam ser colocadas a meia haste”, podem bem ser um destes eventos. O que o Comissário fez foi dar voz ao pensamento dominante na Alemanha: a crise do euro deve ser lida à luz de um conto moral em que o descontrolo das dívidas soberanas se resolve com atos punitivos. A narrativa é apelativa, os governos endividaram-se excessivamente, têm de pagar um preço e a austeridade é a única resposta. Fica sugerida a necessidade de uma punição moral para responder a uma década de desvario hedonista.
(...)"



Este post do Pedro Adão e Silva pode (e deve) ser lido na íntegra.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Portugal ainda não está preparado para os meus chapéus



Como ir a um casamento português e ofuscar a noiva, aturdir o noivo, espantar o padre, intrigar as crianças, enraivecer as mulheres convidadas e amedrontar os homens convidados?


Usando um acessório de cabelo do género do da foto acima.


(Os meus piores receios confirmaram-se. Sinto-me uma Sarah Affonso, uma Natália Correia, uma Florbela Espanca, uma Carolina Michaëlis: o meu país não está preparado para mim. Era uma cerimónia formal for fuck’s sake. )

À enésima vista


Penelope e Javier, que se conheceram na rodagem do filme “Jamón, jamón” (1992) e que assumiram uma relação após quase 20 anos de amizade. Tiveram o primeiro filho este ano.


Nunca gostei de coisas à primeira vista. Nem de compras por impulso. Nem de decisões imponderadas. Nada. E muito menos de paixões à primeira vista. (E, no entanto, não quer dizer que já não me tenham acontecido, e que não tenham até corrido bem.) Mas, de facto, ao observar alguns casos à minha volta, constato que acho muito mais interessante a perspectiva de um sentimento se desenvolver, insuspeito, após anos de consolidação de amizade, do que a partir de um flash perfeito, momentâneo, fulminante. Isto pode parecer muito menos romântico, mas creio que é muito mais humano.


Em primeiro lugar, porque não é algo forjado, nem planeado, nem artificial. A aproximação entre duas pessoas decorre naturalmente, muitas vezes até num contexto mais alargado de outras amizades, pontuada por intervalos de meses ou anos, irregularidades, afastamentos naturais, reencontros casuais. A um determinado ponto, pode até haver caminhos que pareçam irremediavelmente divergentes (p. ex. cada um envolvido ou casado com outra pessoa). Mas depois há volte-faces, há afinidades que se revelam, há discrepâncias que eventualmente se esbatem. Ou seja, é um percurso que pode acompanhar as próprias mudanças e evoluções das pessoas. E, em última instância, a evolução dos sentimentos de ambos, um pelo outro. Enfim, pode ser visto na perspectiva de algo que pode ir sendo polido, cinzelado, aperfeiçoado pelo tempo e pelas experiências pessoais de cada um, até resultar em algo mais profundo.


Não quero com isto dizer que isto já me tenha acontecido, ou nem sequer que gostaria que me acontecesse. Não estou a dizer que este tipo de relações funciona melhor que as outras. Acho apenas bonito, acho apenas estimulante. No fundo, representam a própria vida: a vida também não é perfeita, não oferece só um caminho mas vários, e, como costumo dizer, não é sempre a direito. É imperfeita, é irregular, é imprevisível. E, ao contrário do que geralmente se pensa, essas irregularidades e imperfeições são precisamente o que há de melhor. Na vida e nas relações.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Post levemente sionista







Não me vou armar para aqui em Golda Meir vestida pela Zara. (Por acaso, gostava de saber falar iídiche, para poder insultar pessoas num idioma indecifrável. Estou a brincar. Hum.) Nada disso. É só que, por vezes, quando tenho uma máquina fotográfica à mão, foco-me em determinados detalhes. Que podem ser cores, ou janelas, ou grupos étnicos, etc. E fotografo-os. Desta vez, em Londres, fixei-me, encantada, em judeus ortodoxos (não parece, mas juro que sou uma pessoa normal, ou pelo menos é isso que costumam dizer de mim, à excepção das minhas detractoras, mas isso é porque não conseguem ter a tonicidade muscular com que fui abençoada, ah ah. Adiante, chega de disparates.).
Ah, e eram tantos. Em todo o lado. Tão interessantes, tão fotografáveis, tão esteticamente diferentes, com as suas famílias numerosas, as esposas tão castamente vestidas (ao pé delas sou uma Judith pecadora), os (muitos) filhos bem comportados todos vestidos de igual, os caracolinhos e as barbas bíblicas coroados pelos eternos quipás. Nutro por esta gente a curiosidade simpática e saudável que sempre me suscita a noção de “Outro” e de diferença entre seres humanos, e um vago interesse sociológico. (Isto são palavras bonitas para tentar justificar o meu indiscreto voyeurismo. Lá está, eu sei que sou uma Judith ou uma Salomé e, sobretudo, também tenho um my own private Muro das Lamentações.)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dias verdes

































(Bem, sob pena de estragar o momento pseudo-poético destas fotos no blog... Nesta pequena estátua, reparem no ar consolado do rapazinho da frente. -- Clicar para aumentar a imagem -- Bom, e do que está por trás também. Ah, os prazeres, hum, inocentes. Ok, tenho de deixar de ser perversa. Mas a sério, acho que alguém devia proibir esta exibição impudica em público. Ou sou só eu que vejo o mal? Esta minha cabeça podre.)












(Aqui, se aumentarem a imagem, no topo da imagem podem ver uma piquena borboleta surpreendida por mim em pleno voo. Ah, meu Deus, eu vou longe, meus amigos, eu vou longe. Mas é só quando estou distraída.)

































Dias azuis