
A Grande Depressão dos anos 30 que se seguiu ao
crash da Bolsa de Nova Iorque em 29, sucedeu, por sua vez, a uma época de grande euforia social, cultural e financeira, de ritmos frenéticos, enfim, a uma dessas épocas de excessos que prenunciam quase sempre uma eminente decadência. São recorrentes as imagens de longas filas da sopa dos pobres e de uma depauperação generalizada. Mas pode-se evocar uma outra imagem, a de Florence Owens, fotografada por Dorothea Lange, em 1931. Florence era uma mulher de 32 anos, mãe de sete filhos, californiana, num momento muito difícil da sua vida precária (depois de ficar viúva não tinha onde viver, mudava-se frequentemente em busca de trabalho em condições muito duras, nunca abandonou os filhos). O rosto, que parece ter o dobro da idade real, é indubitavelmente triste, mas sem deixar de transparecer tenacidade. Era lutadora, reconheceram os filhos mais tarde, e fez tudo por eles. Teve uma vida difícil e longa, morreu em 1983. Ao que parece, nunca desistiu.