quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Crimes em série






Para uma pessoa como eu, é não poder acompanhar Downton Abbey. Snif.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pela mão de Alice

- Que tipo de pessoas é que aqui vivem?
- Nesta direcção – informou o Gato, apontando com a mão direita – vive um Chapeleiro. E naquela direcção – (apontando com a mão esquerda) – mora uma Lebre de Março. Podes visitar aquele que quiseres, são ambos loucos.
- Mas eu não quero andar entre gente louca – protestou Alice.
- Oh, não há nada a fazer – disse o Gato – Aqui somos todos loucos. Eu sou doido e tu também.
- Como é que sabes que eu sou doida? – perguntou Alice.
- Deves ser – respondeu o Gato, – senão não tinhas vindo cá parar.








Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Ed. Relógio d’Água.




[Post reeditado]

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primavera (e Inverno) árabe



Neste último fim-de-semana houve eleições na Tunísia. Um país mediterrânico que conheço, de que muito gosto, onde fiquei muito sensibilizada com, acima de tudo, a simplicidade e simpatia das pessoas. Não foi, pois, sem preocupação, que acompanhei a queda tumultuosa do regime no início deste ano, e será com alguma apreensão que agora assisto às notícias que vão saindo sobre os resultados eleitorais. Parece que o partido islâmico Ennahda vai à frente.
No fundo, e sem querer ser pessimista, a grande preocupação que esta Primavera árabe (desencadeada, precisamente, na Tunísia), levanta é de que suceda com este país, com o Egipto, com a recém-libertada Líbia, o que aconteceu com um outro país que viveu muito tempo sob um regime ditatorial laico onde, após a queda deste, quem tomou o poder foi um violento obscurantismo religioso e fundamentalista, ou seja… o Irão.
E, como anda tudo encadeado, já que se fala em Irão, pode-se falar em Hezzbolah, e pode-se talvez mencionar a terrível situação da Síria, essa, ainda mergulhada em pleno Inverno (inferno?) árabe. O programa “Toda a Verdade” transmitido anteontem na SIC Notícias, sobre a repressão dos cidadãos que corajosamente protestam e resistem ao regime de Bashar Al-Hassad neste país no passado mês de Agosto, foi um documentário particularmente chocante. Como, no fundo, são todos. Por quanto tempo mais?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O hotel de montanha

Quanto mais visito países estrangeiros, mais adoro Portugal. O Portugal bom, o Portugal de qualidade, o Portugal de excelência, o Portugal genuíno. O Portugal das pessoas simpáticas e hospitaleiras, da gastronomia maravilhosa, das paisagens de cortar a respiração. Em Unhais da Serra (distrito de Castelo Branco), há um sítio onde todo esse Portugal se encontra condensado. Num hotel de montanha, novo, excelente, magnificamente integrado na paisagem serrana, onde tudo é encantador e tranquilo e relaxante, onde se come bem e se é muitíssimo bem tratado, e que ainda por cima tem um espectacular SPA. Garanto-vos: enquanto se lá está, não se deseja outra coisa na vida.


























(E sim, eu consigo comer tudo isto que está nesta última foto, num só pequeno almoço, sem comprometer a constância dos meus 52 kilos. Go on. Call me bitch.)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Da relação entre a época estival e os padrões de religiosidade da população masculina

Indicador: frequência com que uma rapariga em território português deixa atrás de si um lastro de suspiros de inspiração cristã: "Jesus...", "Meu Deus!", "Noooooossa Senhora".

[Post reeditado]

Livro de curso





Tropecei há dias no meu livro de curso. Uma das minhas colegas deixou nele a sua dedicatória, junto à respectiva caricatura, e acrescentou uma frase de Robert Musil (a quem ela se referiu como "Um gajo chamado Musil"). Num possível contexto de embriaguez, eu considero que citar Musil é ter alguma classe.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Under consent

A palavra em inglês “fuck” derivou daquilo que originalmente era o acrónimo “F.U.C.K.”, que antigamente era afixado nas portas dos prostíbulos ingleses. Significava: Fornication Under Consent of the King.
Ah, A Feira das Vaidades. Sempre na sua excelsa e pedagógica missão de formar, informar e entreter.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Reparem como o amor é lindo







E volátil. Bom, e irónico, também.
O rei inglês Henrique VIII (o tal que até era um rapaz muito bem apessoado e depois ficou uma besta, tal qual um Marlon Brando seiscentista) mandou construir esta parte da Torre de Londres (ao fundo, na foto) em honra da sua amada, Ana Bolena (a tal que foi a segunda das suas seis mulheres).
E, ironicamente, ainda estas obras não tinham sido concluídas, quando ele se quis livrar dela, congeminou-se uma conspiração e condenaram-na à morte. E a senhora foi realmente executada! E o local da execução foi precisamente num pátio da Torre… a poucos metros das obras ainda por concluir... Eu acho isto tudo deveras interessante
E, como é bom de ver, de nada serviu a violência da paixão dele por ela (provavelmente, uma das que mais consequências teve na História: desencadeou o divórcio dele com a primeira mulher, a consequente cisão com a Igreja Católica, a génese do anglicanismo, sangrentos confrontos entre protestantes e católicos, eu sei lá que mais.)



PS: não liguem. Uma pessoa vai à Torre de Londres e depois só tem History crap para debitar aqui no blog. Desculpem lá qualquer coisinha.

Outubro


Jogar às escondidas. É cansativo.

Vítor Gaspar, o hipnotizador

Desconfio seriamente que o discurso pouco enérgico e soporífero do Ministro das Finanças seja uma estratégia propositada do Governo para, no anúncio de medidas drásticas e injustas, nos pôr a todos a dormir e não pensarmos na gravidade da situação.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Idade do Jazz








Passei este Verão da forma mais vergonhosa possível. Isto é, sem me dedicar a leitura alguma. Andava, compreensivelmente, submersa em múltiplos rendez-vous inadiáveis, algumas viagens, desaires de variada espécie e na languidez própria da estação estival. Porém, agora sim, a minha vida retomou o seu curso normal: comprei The Beautiful and Damned, do meu amiguinho Scott Fitzgerald, e os dias começaram a ter um novo sentido, já não vagueio à toa pelo Mundo, o que um bom livro faz por uma pessoa. Depois volto para dar o meu veredicto, se gostei ou não, etc. Stay tunned. Or not.






(PS.: Ega, pode não se notar muito, mas juro que, desta vez, tive um pouco mais de cuidado ao escolher uma imagem da capa do livro.)

Foto do dia



Outono/Inverno








Já ando a sonhar com elas.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

London Basic, by Zozô

Hot in The City



A little buzz here, and a little buzz there...








"Onion" Jack (Great pattern for really short skirts)



Haggis, anyone?



(Hum. Where are the William Lawson's guys?)



Not angels on horseback, but fuckin devils on horseback








Good morning, Lilibet.



Dear, dear Watson...






Marry me.





(*Blherc*)







You're on time, Little Ben




Poor Lady Jane Grey... Off with her head!!




Postcard: Tower Bridge & cloudy skies





St. Paul's




Vertigo




Funny Beefeater (with very, very bad teeth)




Water & American Express @ Pizza Hut = West End



Hey lads. Cute hats!





Phone home.

Ciclo de cinema




Ciclo de Cinema: Mulheres Palestinianas

26 de Outubro, 2, 9, 16 e 23 de Novembro, 21h30m, Centro de Cultura e Intervenção Feminista / Lisboa + Curso Livre sobre Feminismos Árabes e Islâmicos, a 26 de Novembro
8, 15, 22, 29 de Novembro e 6 de Dezembro, 21h30m, Fila K Cineclube/Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, Av. Sá da Bandeira, 83, Coimbra

The camera is like a magic lantern
that we embrace to make our dreams come true.
It is the tool we use to reclaim our existence,
memory, and humanity .
Mai Masri (realizadora palestiniana)


A experiência do que é ser palestiniana agrega vivências como a guerra, a despossessão, a desterritorilização, a pobreza e a emigração, mas essas experiências por si só não bastam para captar a complexidade das vidas destas mulheres. É igualmente necessário ter em conta uma cultura patriarcal, as amarras da tradição, bem como as tensões, os desafios e as convulsões políticas e sociais de sociedades em processo de modernização e sob forte impacto da globalização e da ingerência externa. Como vivem as palestinianas as diversas forças que as oprimem e querem silenciar? Como reagem, como se insurgem contra a ocupação israelita e lutam por direitos e pela emancipação? Para tentar compreender e reflectir sobre estas questões propomos dar a voz a realizadoras que reclamam uma identidade palestiniana e a cineastas do Médio Oriente que colocaram lutas de palestinianas no centro dos seus projectos cinematográficas. Um olhar cinematográfico sobre as mulheres palestinianas e os seus combates é assim também um olhar alternativo sobre o tão mediatizado conflito israelo-palestiniano.













A criança que há em mim




A criança que há em mim não se detecta com o Predictor. A criança que há em mim não se vê em ecografias. A criança que há em mim não me dá enjoos matinais. A criança que há em mim… eu espero que nunca nasça nem cresça.
A criança que há em mim, há que confessar, andava há anos a sonhar com a Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. A criança que há em mim, tinha um medo enorme e um fascínio terrível pela Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. A criança que há em mim, há-que dizê-lo com frontalidade, adorou a Câmara dos Horrores do Madame Tussaud’s. E é tão masoquista que quer lá voltar. (Assim que se esquecer dos terrores nocturnos que aquilo lhe provocou).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mediocre bad guys (os novos Mr. Darcys e as redes sociais)

Mathew Macfadyen como "Mr. Darcy" em Pride and Prejudice (2005).


Recentemente, num jantar de um evento social sentou-se ao meu lado um rapaz desconhecido, numa mesa de dez pessoas. Era muito alto, moreno e bem-parecido. Um autêntico Mr. Darcy. Mas dos piores. Arrogante e de cara fechada. Não pediu licença ao sentar-se, não disse boa noite, não se apresentou pessoalmente, nem tão pouco abriu a boca durante todo o jantar, apesar de os convivas serem amigos dele (e não meus) e de a conversa até estar animada. Eu própria, apesar de não conhecer bem as pessoas, tagarelei com a rapariga do lado e ri-me quando diziam piadas. Até me mostrei receptiva para conversar com a personagem sinistra, mas as trombas eram tão grandes que desisti.

Foi com grande alívio que me levantei da mesa e fui para casa deixando para trás o trombudo, na certeza de que nunca mais ouviria falar dele. Qual não é o meu espanto quando, semanas depois, o anfitrião da festa me diz que o trombudo tinha ficado muito bem impressionado comigo. Mais atónita fiquei depois, quando o trombudo me envia uma "solicitação de amizade" numa rede social.

Bom. Cá está. Um certo tipo de homem no seu melhor. Quando há uma boa oportunidade de conversar face a face, desperdiça-a, protela, procrastina. E, depois, sob a protecção confortável da rede social, lança cautelosamente um convite de amizade. Isto é triste.





Já conheci muitíssimos Darcys nesta vida, pelo que já não me impressionam nem me atraem minimamente. É que, infelizmente, e ao contrário da personagem literária, hoje em dia é muito raro detectar-se nobreza de carácter por detrás da falta de competências sociais. Em geral, o que está por detrás disso é pura falta de educação, e, atrás desta, não pode haver nada de muito promissor. E, como se não bastasse, este fenómeno das redes sociais ajuda esta gente a subverter situações em que uma simples conversa (que poderia ser um desafio socialmente agradável e gratificante), é substituída por um contacto pobre, rarefeito e artificial via internet. Isto causa-me profunda irritação.

Há uma música do Jack Johnson que me faz lembrar isto. Esta gentinha enconada, sem tomates, sem arrojo, sem têmpera, sem nada. Chama-se “Mediocre bad guys”. Porque há homens que são maus, mas até nisso são uns tristes.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Entretanto, em Arlanda





Como diz um amigo meu que viveu seis meses em Estocolmo, esta é uma cidade tão tranquila, que nem parece que estamos na capital de um grande país europeu. Estocolmo é tranquila.Tranquila é o adjectivo que a define.
Mas eu não sei. Realcei (e louvei) sempre a tranquilidade do povo sueco, tudo tão ordeiro, tudo tão bonitinho. No entanto, não sei se será bom sinal estender esta tranquilidade ao facto de eu ter levado, sem querer, na minha bagagem de mão uma pequena faca (don’t ask) e de a mesma ter passado com dranquilidade, como diria o Paulo Bento, por todos os pontos de controlo no aeroporto de Arlanda, sem ninguém dar por ela.
Pessoal de Arlanda, vejam lá isso. Eu sou uma rapariga pacífica, e até nem gosto muito de objectos contundentes (principalmente de tesouras perto do meu cabelo), mas outros amiguinhos poderão não ser assim tão fantásticos e espectaculares como eu.






PS: podem ficar descansados que já não deve haver mais histórias sobre Estocolmo ou a Suécia. Já espremi tanto, tanto, tanto, que o assunto secou. Bom, e daí... nunca se sabe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

London Basic (2)



Chamou-me a atenção, não só porque era alto e bem parecido, mas também porque parecia esconder qualquer coisa atrás dele. E de facto assim era. O ramo de flores era belíssimo e eu fiquei a pensar quem seria a pessoa felizarda que seria brindada com aquela bonita surpresa, naquele fim de tarde, em pleno cruzamento da Totenham Court Road com a Oxford Street. (*Sight*)

London Basic







Poucos dias depois dos motins do Norte de Londres e noutras cidades britânicas, sentiu-se pouca instabilidade nas ruas e nas pessoas. A única coisa que denunciava os acontecimentos da semana anterior era um notório reforço do policiamento nas ruas. Com a devida salvaguarda de que estas impressões se devem ao facto de ter estado (quase) sempre no centro de Londres, e nunca na rua a horas tardias.
Na foto, uma conversa amena em Trafalgar Square.

Overqualified






E depois há aquelas pessoas que sim senhor, muitos elogios, muita inteligência, muita beleza, muita simpatia, muito bom humor, muito tudo, e depois vai-se a ver e ninguém quer nada com elas.

Tempestade num copo d'água



Bem, foi quase. Os trovões ainda chegaram a rugir, ao longe, mas acabou por não haver (grande) tormenta.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Prémio de Oslo







Ellen Johnson-Sirleaf
Leymah Gbowee
Tawakkul Karman

Desde 2003, com a atribuição do Prémio a Shirin Ebadi, que não ficava tão contente.
(Note-se que Tawakkul tem apenas 32 anos.)