quarta-feira, 7 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Já sei que sou a única pessoa à face da Terra que nunca viu o Downton Abbey

Mas consolo-me porque, ao menos, vi isto. Um Robert Altman, a mesma lógica dicotómica upstairs-downstairs, com a mesmíssima e fantástica Maggie Smith, e ainda o impecável Michael Gambon, a perfeita Kristin Scott Thomas, a Helen Mirren, the lady herself!, a óptima Emily Watson e o excelente Jeremy Northam. Querem melhor? Não há.




(Entretanto, vou ali pela milionésima vez perguntar ao rapaz da FNAC, que é giro e tudo, quando é que está à venda o DVD da primeira temporada daquela outra coisa. Como é que é mesmo o nome? Sim, isso. O Downton não sei quantos. Mas não estou para aqui a roer-me toda por nunca ter visto isso. É que não estou mesmo. Mesmo, mesmo.)

segunda-feira, 5 de março de 2012

DT

O que falta dizer sobre "A Dama de Ferro", para além do óbvio que já toda a gente disse, é sobre a inefável figura de Dennis Thatcher, no filme interpretado pelo óptimo Jim Broadbent. É certo que Margaret foi uma grande mulher, uma grande personalidade e uma grande política, controvérsias e opiniões parciais à parte. Mas também é verdade que talvez só com um marido assim o poderia ter sido. Um homem que apoia em vez de coarctar, um homem que não se sente ameaçado, um homem que sabe gerir o facto de ter uma mulher que não se confina ao (pouco) que esperam dela, um homem que não segue o impulso ridículo de se tentar sobrepor ou impor, um homem que desdramatiza. Em suma, um homem que pode e merece, efectivamente, ser um verdadeiro companheiro de vida de uma mulher com personalidade e mérito. Eu proponho um brinde, não às Margarets, mas a todos os Dennis desta vida.

O futuro do cinema português tem bom aspecto





Pode ser que se passe do mofo (pardon my french) do Manoel para a frescura refrescante (passe o pleonasmo) deste Joãozinho.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A senhora Barzini, os estereótipos e outras coisas





Meus amigos, este é um caso terrífico e dramático (not). Pode não parecer, mas estas fotos retratam uma única e a mesma senhora: uma italiana, Benedetta Barzini que, nos anos 60 e 70, foi uma modelo internacional de reconhecido sucesso. Sucede que, a certa altura, lhe aconteceram umas apoquentações na vida e, vai daí, abandonou o mundo da moda, e o seu destino levou uma curiosíssima reviravolta: tornou-se marxista e feminista "radical", e hoje, aos 68 anos, é uma académica e militante comunista. Ora até aqui tudo muito bem.


Infelizmente, minha gente, como que por arrasto, e como as fotos demonstram, todo o seu glamour e encanto foram-se, como que removidos pela vassoura implacável do quadrante político-ideológico onde se move actualmente. Bem, não sei se foi bem assim, mas aqui está ela hoje, de cigarro pendurado nos queixos. Ora, eu não tenho nada a ver com isto e, obviamente, o problema (ou não) é da senhora Barzini e não meu.

Mas ver a senhora Barzini fez-me lembrar que sempre achei muito engraçados certos estereótipos. Entre eles, o de que o esmero no vestuário pode comprometer ou colidir com a seriedade ou a legitimidade das ideias que se defende. Como se o aprumo pessoal reflectisse alguma vacuidade intelectual. Como se um estilo mais esmerado retirasse alguma seriedade à força com que se defendem ideais.



Acreditem, sei do que falo: tenho amigas do Bloco de Esquerda - lembram-se? Assisti à evolução delas, que percorre aquela espiral infernal desde o blazer da Mango até às desgraçadas Birkenstock e aos bombachos à Mahatma Ghandi. (Atenção, filhos!, nada contra quem os usa, mas eu, que gosto das minhas amigas, dá-me dó, pá. Já não posso ir ter com elas à Zara da Baixa, agora tenho de andar num mercado das pulgas em Nova Delhi. Pronto.)


Obviamente, trata-se de um interessante statement a nível social, do "reforço" a nível estético de um determinado status. Mas, ainda assim, há coisas que eu nunca irei compreender. E, se até entendo que algumas convicções sócio-políticas podem ser conotadas com algum despojamento, nunca percebi porque é que esse despojamento terá de ir até ao limite, ou mesmo roçar o desleixo total. Eu creio firmemente que uma coisa nunca inviabilizará ou retirará credibilidade à outra.




Posto isto, lanço um sentido apelo à signora Barzini: por favor, reconsidere. Não deixará de ser uma brilhante académica com ideias bem fundamentadas se recuperar aí uns 32% do seu antigo cuidado com a imagem. Pense nisto. Ou, pelo menos, abdique do ar de estivador com cigarrinho ao canto da boca.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Presença de espírito rules

Olhando, desconcertado, para o mouse do computador:
- Eh pá, o meu rato morreu.

Ela, tranquilamente, sem levantar os olhos da sua tarefa:
- Deixa lá, a montanha há-de parir outro.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lispector gadget

Uma frase que é um verdadeiro gadget, com um fim específico, prático e útil, na vida de todos os dias. Obrigada, Clarice.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Denominador comum

Karlie Kloss, Kasia Struss, Karolina Kurkova, Gia Coppola, Alexa Chung e mais umas quantas. Somos tão poucas, pá.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Amigas do peito



Algumas amigas minhas (muito poucas ainda) começaram a procriar. E, concomitantemente, também a amamentar. [Pausa dramática.]
Posto isto, lá chegou o dia em que tive de ouvir delas, na primeira pessoa, histórias dessa odisseia maravilhosa que é o processo de amamentação. Como tal, tenho assistido a relatos de delícias múltiplas acerca da transcendental ligação mãe-filho, mas infelizmente também ando a assistir a um cenário mais sangrento que o da 2ª Guerra Mundial. É que aquelas encantadoras histórias são paralelas a narrações sangrentas de mamilos mordidos, gretados, ensanguentados, obstruídos, com pus, em chaga, e ainda caídos. Leram bem, mamilos caídos, despregados do sítio original, como um fruto maduro que caíu da árvore, com a diferença que não é sumarento e doce, mas sim sanguinolento e amargo, resultante de uma ferida.
Ora bem. Isto também estaria tudo muito bem, porque isto é uma coisa que lhes acontece a elas, às minhas amigas, e é uma cena que não me assiste a mim. Infelizmente, deixa-me muito impressionada, e, para grande perplexidade minha, todos estes relatos são algo contraditórios porque, por um lado, há muitas delícias e por outro há demasiado sangue e dor e pus, que são coisas a modos que pouco deliciosas. E no meio de tudo isto, as minhas amigas tentam ter um discurso convincente, que ter os mamilos naquele estado deplorável é uma alegria muito grande, e eu sempre muito perplexa e a só querer os meus no sítio certo, intactos e de preferência suaves ao toque, e não louca de alegria com a possibilidade de hipotecar a delicada integridade deles às mãos (ou à boca) de neófitos inclementes.
E pronto, hoje é só isto, minha gente. Estou muito impressionada, e espero ter-vos impressionado também, porque eu cá não gosto de sofrer sozinha. Vão pela sombra.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Óleo de fígado de bacalhau

O óleo de fígado de bacalhau é, como todos sabemos, uma desgraçada fatalidade que, um dia, mais tarde ou mais cedo, se cruza ou cruzou com a nossa infância, num cruzamento digamos que amargo e inesquecível, mas, felizmente, penso que também à luz de uma questão geracional.
A minha geração, felizmente, escapou por um triz a essa fatalidade com intenso sabor a entranhas de peixe podre, e conheceu-a apenas já sob a forma de xaropes com aroma ou, maravilha das maravilhas, sob a forma limpa e inócua de cápsulas. O problema, meus amigos, reside agora na gestão (e não necessariamente na ingestão) da cápsula. Que pode ser muito infeliz e dramática, digo-vos já.
Para vos poupar a descrições escatológicas de sabores hediondos (a questão do peixe podre, lá está), vou só aconselhar-vos a não (in)gerirem a cápsula como se fosse um rebuçado, deixando-a derreter e tomarem contacto com o líquido, como eu inadvertidamente fiz. Posto isto, nem sei como não encontramos o óleo de fígado de bacalhau naquelas exposições de instrumentos de tortura, porque enfiar aquilo pelas goelas abaixo acho que pode ter um diabólico potencial persuasivo. Os nossos avós tinham razão, aquele óleo é, de facto, o demónio para quaisquer papilas gustativas.

Vestidos de culto - Parte V

Ora, tardou mas aqui vai o primeiro post do ano desta série frívola, e penso que não começamos mal. Um sortido muito variado de vestidos de noite, para todos os gostos e feitios. Eu não me consigo decidir por nenhum porque adoro todos (embora o Emilio Pucci da Diane Kruger e o Versace da Charlize Theron - 5º e 7º a contar de cima - apelem muito ao meu fútil e perdulário coração). Dream on.
















quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Les uns et les autres





Há dois tipos de pessoas. As que enfrentaram sinuosidades diversas por causa de outros, e aquelas abençoadas que, felizmente, tiveram percursos afectivos aplanados, pulcros, pouco acidentados. Estas últimas são insípidas, ao passo que aquelas outras têm sempre mais textura, mais densidade, são mais tangíveis e mais reais.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

C & C





Por vezes, os casos de reincidência e de maior resiliência, transversais ao tempo e às vicissitudes, são também os mais polémicos, os mais censuráveis ou mesmo os mais caricaturáveis. Ainda assim, não é por isso que são menos válidos, menos genuínos, menos nobres ou menos prementes.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2012 - Année neurotique






Já o grande Gainsbourg foi arauto, no ano da graça de 1969, dando-lhe o epíteto de "69 - Année erotique".



Para mim, o nosso 2011 foi o ano "2011 - Année eurotique", com a crise do euro na berlinda.



Este ano que agora começa vai ser "2012 - Année neurotique", não se iludam, porque é desta que vamos pifar de vez.



(Perdoem-me o pessimismo forjado, mas é que são trocadilhos tão irresistíveis.)

O novo acordo ortográfico e a mini-saia

Anda Twiggy, mostra-lhes como dantes é que era bom.


Quando uma mini-saia era uma mini-saia.




Ainda não aderi ao novo acordo ortográfico. Ando a resistir até mais não poder. Tal como com a transição para a TDT, que ainda não me dignei a comprar o adaptador e o diabo a sete, e há-de ser como a ultilização do euro como moeda, em 2002, em que fiquei fiquei até à última a usar escudos. (Que querem? Eu tenho cá os meus anacronismos. O euro não me parecia dinheiro de verdade, parecia dinheiro dos jogos da Majora, ou coisa que o valha. E reparem como sou visionária, aquilo já me cheirava a prenúncio de que, dez anos depois, o euro iria enfrentar uma crise destas).




Anyway, com o novo acordo ortográfico, a palavra mini-saia passa a ser escrita minissaia. Acho isto um absurdo. Fica maior a palavra do que a saia.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

I want candy



Twiggy e um Beatle, na Swinging London dos anos 60

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O pão nosso de cada dia

Ao ouvir ontem que (mais) um autocarro de adeptos de um clube de futebol português tinha sido apedrejado por adeptos adversários, e tendo constatado, horas antes, que o estádio onde tinha decorrido o jogo estava cheio (em tempo de crise), só me ocorreram as palavras do sábio Norbert Elias. O futebol, entre outros fenómenos sociais, é um interessante dispositivo de controlo social, sendo, simultaneamente, um reflexo das tensões sociais e um mecanismo atenuante das mesmas. Só isso explica que toda aquela gente jovem não utilize a energia transbordante que tem, por exemplo, para se mobilizar contra a classe política miserável que a governa ou contra toda a série de medidas injustas que tem vindo a sofrer na pele. Não. É sempre mais giro aplicar a fúria e o entusiasmo destrutivo no imediatismo de apedrejamentos e insultos num contexto pseudo-desportivo. Porque afinal de contas é o futebol que lhes põe o pão na mesa, com certeza.

Ca(belo)



Detecto alguns traços de bipolaridade no meu cabelo. Ora está selvagem e indomável, ora manso que nem um cordeiro. Onde é que eu já vi isto.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012