Enquanto as férias são ainda uma longínqua miragem, eu aposto sempre em breaks de fins-de-semana, para retemperar forças. Como tal, hoje que é sexta-feira deixo-vos com uma sugestão: o Palace Hotel do Bussaco, ou simplesmente um passeio no Buçaco. Reparem, filhos, que tanto um como outro têm selo-de-qualidade-Zozô. É um cenário muitíssimo romântico, com direito a hotel de conto de fadas, 5 estrelas (num palácio do início do séc. XX que era residência de férias da família real), jardins maravilhosos, floresta encantada (com fontes naturais, sem cogumelos mágicos), ar puro, tranquilidade, excelente gastronomia. Fazei um favor a vós próprios e ide lá, ide. Asinha, que se faz tarde.
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Durmo com os anjos, durmo nas nuvens, durmo o sono dos justos

Durmo num colchão novo. E é ma-ra-vi-lho-so. Parece que estou a dormir num suave leito de rosas, embalada por lânguidas ondas dos mares do Sul e a ouvir delicados sons de cítaras tocadas por anjos. (Pronto, não será bem assim, mas acreditem que é fixe que se farta, pá.)
Mas, como nada na vida é perfeito, o único senão é que é bastante alto, e agora preciso de um guindaste para me içar. Ou que me peguem ao colo e depois me joguem lá para cima, como um fardo de palha. (Ai, tenho mesmo de deixar-me destes romantismos intensos.) A parte boa é que sou um peso-pluma, que não quero cá criar hérnias na coluna de ninguém. Bom, em algumas pessoas até queria. Mas não era na coluna. Hum.
terça-feira, 6 de março de 2012
Já sei que sou a única pessoa à face da Terra que nunca viu o Downton Abbey
Mas consolo-me porque, ao menos, vi isto. Um Robert Altman, a mesma lógica dicotómica upstairs-downstairs, com a mesmíssima e fantástica Maggie Smith, e ainda o impecável Michael Gambon, a perfeita Kristin Scott Thomas, a Helen Mirren, the lady herself!, a óptima Emily Watson e o excelente Jeremy Northam. Querem melhor? Não há.(Entretanto, vou ali pela milionésima vez perguntar ao rapaz da FNAC, que é giro e tudo, quando é que está à venda o DVD da primeira temporada daquela outra coisa. Como é que é mesmo o nome? Sim, isso. O Downton não sei quantos. Mas não estou para aqui a roer-me toda por nunca ter visto isso. É que não estou mesmo. Mesmo, mesmo.)
segunda-feira, 5 de março de 2012
DT
O que falta dizer sobre "A Dama de Ferro", para além do óbvio que já toda a gente disse, é sobre a inefável figura de Dennis Thatcher, no filme interpretado pelo óptimo Jim Broadbent. É certo que Margaret foi uma grande mulher, uma grande personalidade e uma grande política, controvérsias e opiniões parciais à parte. Mas também é verdade que talvez só com um marido assim o poderia ter sido. Um homem que apoia em vez de coarctar, um homem que não se sente ameaçado, um homem que sabe gerir o facto de ter uma mulher que não se confina ao (pouco) que esperam dela, um homem que não segue o impulso ridículo de se tentar sobrepor ou impor, um homem que desdramatiza. Em suma, um homem que pode e merece, efectivamente, ser um verdadeiro companheiro de vida de uma mulher com personalidade e mérito. Eu proponho um brinde, não às Margarets, mas a todos os Dennis desta vida.
quinta-feira, 1 de março de 2012
A senhora Barzini, os estereótipos e outras coisas

Meus amigos, este é um caso terrífico e dramático (not). Pode não parecer, mas estas fotos retratam uma única e a mesma senhora: uma italiana, Benedetta Barzini que, nos anos 60 e 70, foi uma modelo internacional de reconhecido sucesso. Sucede que, a certa altura, lhe aconteceram umas apoquentações na vida e, vai daí, abandonou o mundo da moda, e o seu destino levou uma curiosíssima reviravolta: tornou-se marxista e feminista "radical", e hoje, aos 68 anos, é uma académica e militante comunista. Ora até aqui tudo muito bem.
Infelizmente, minha gente, como que por arrasto, e como as fotos demonstram, todo o seu glamour e encanto foram-se, como que removidos pela vassoura implacável do quadrante político-ideológico onde se move actualmente. Bem, não sei se foi bem assim, mas aqui está ela hoje, de cigarro pendurado nos queixos. Ora, eu não tenho nada a ver com isto e, obviamente, o problema (ou não) é da senhora Barzini e não meu.
Mas ver a senhora Barzini fez-me lembrar que sempre achei muito engraçados certos estereótipos. Entre eles, o de que o esmero no vestuário pode comprometer ou colidir com a seriedade ou a legitimidade das ideias que se defende. Como se o aprumo pessoal reflectisse alguma vacuidade intelectual. Como se um estilo mais esmerado retirasse alguma seriedade à força com que se defendem ideais.
Mas ver a senhora Barzini fez-me lembrar que sempre achei muito engraçados certos estereótipos. Entre eles, o de que o esmero no vestuário pode comprometer ou colidir com a seriedade ou a legitimidade das ideias que se defende. Como se o aprumo pessoal reflectisse alguma vacuidade intelectual. Como se um estilo mais esmerado retirasse alguma seriedade à força com que se defendem ideais.
Acreditem, sei do que falo: tenho amigas do Bloco de Esquerda - lembram-se? Assisti à evolução delas, que percorre aquela espiral infernal desde o blazer da Mango até às desgraçadas Birkenstock e aos bombachos à Mahatma Ghandi. (Atenção, filhos!, nada contra quem os usa, mas eu, que gosto das minhas amigas, dá-me dó, pá. Já não posso ir ter com elas à Zara da Baixa, agora tenho de andar num mercado das pulgas em Nova Delhi. Pronto.)
Obviamente, trata-se de um interessante statement a nível social, do "reforço" a nível estético de um determinado status. Mas, ainda assim, há coisas que eu nunca irei compreender. E, se até entendo que algumas convicções sócio-políticas podem ser conotadas com algum despojamento, nunca percebi porque é que esse despojamento terá de ir até ao limite, ou mesmo roçar o desleixo total. Eu creio firmemente que uma coisa nunca inviabilizará ou retirará credibilidade à outra.
Posto isto, lanço um sentido apelo à signora Barzini: por favor, reconsidere. Não deixará de ser uma brilhante académica com ideias bem fundamentadas se recuperar aí uns 32% do seu antigo cuidado com a imagem. Pense nisto. Ou, pelo menos, abdique do ar de estivador com cigarrinho ao canto da boca.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Presença de espírito rules
Olhando, desconcertado, para o mouse do computador:
- Eh pá, o meu rato morreu.
Ela, tranquilamente, sem levantar os olhos da sua tarefa:
- Deixa lá, a montanha há-de parir outro.
- Eh pá, o meu rato morreu.
Ela, tranquilamente, sem levantar os olhos da sua tarefa:
- Deixa lá, a montanha há-de parir outro.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Lispector gadget
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Denominador comum




Karlie Kloss, Kasia Struss, Karolina Kurkova, Gia Coppola, Alexa Chung e mais umas quantas. Somos tão poucas, pá.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Amigas do peito

Algumas amigas minhas (muito poucas ainda) começaram a procriar. E, concomitantemente, também a amamentar. [Pausa dramática.]
Posto isto, lá chegou o dia em que tive de ouvir delas, na primeira pessoa, histórias dessa odisseia maravilhosa que é o processo de amamentação. Como tal, tenho assistido a relatos de delícias múltiplas acerca da transcendental ligação mãe-filho, mas infelizmente também ando a assistir a um cenário mais sangrento que o da 2ª Guerra Mundial. É que aquelas encantadoras histórias são paralelas a narrações sangrentas de mamilos mordidos, gretados, ensanguentados, obstruídos, com pus, em chaga, e ainda caídos. Leram bem, mamilos caídos, despregados do sítio original, como um fruto maduro que caíu da árvore, com a diferença que não é sumarento e doce, mas sim sanguinolento e amargo, resultante de uma ferida.
Ora bem. Isto também estaria tudo muito bem, porque isto é uma coisa que lhes acontece a elas, às minhas amigas, e é uma cena que não me assiste a mim. Infelizmente, deixa-me muito impressionada, e, para grande perplexidade minha, todos estes relatos são algo contraditórios porque, por um lado, há muitas delícias e por outro há demasiado sangue e dor e pus, que são coisas a modos que pouco deliciosas. E no meio de tudo isto, as minhas amigas tentam ter um discurso convincente, que ter os mamilos naquele estado deplorável é uma alegria muito grande, e eu sempre muito perplexa e a só querer os meus no sítio certo, intactos e de preferência suaves ao toque, e não louca de alegria com a possibilidade de hipotecar a delicada integridade deles às mãos (ou à boca) de neófitos inclementes.
E pronto, hoje é só isto, minha gente. Estou muito impressionada, e espero ter-vos impressionado também, porque eu cá não gosto de sofrer sozinha. Vão pela sombra.
Posto isto, lá chegou o dia em que tive de ouvir delas, na primeira pessoa, histórias dessa odisseia maravilhosa que é o processo de amamentação. Como tal, tenho assistido a relatos de delícias múltiplas acerca da transcendental ligação mãe-filho, mas infelizmente também ando a assistir a um cenário mais sangrento que o da 2ª Guerra Mundial. É que aquelas encantadoras histórias são paralelas a narrações sangrentas de mamilos mordidos, gretados, ensanguentados, obstruídos, com pus, em chaga, e ainda caídos. Leram bem, mamilos caídos, despregados do sítio original, como um fruto maduro que caíu da árvore, com a diferença que não é sumarento e doce, mas sim sanguinolento e amargo, resultante de uma ferida.
Ora bem. Isto também estaria tudo muito bem, porque isto é uma coisa que lhes acontece a elas, às minhas amigas, e é uma cena que não me assiste a mim. Infelizmente, deixa-me muito impressionada, e, para grande perplexidade minha, todos estes relatos são algo contraditórios porque, por um lado, há muitas delícias e por outro há demasiado sangue e dor e pus, que são coisas a modos que pouco deliciosas. E no meio de tudo isto, as minhas amigas tentam ter um discurso convincente, que ter os mamilos naquele estado deplorável é uma alegria muito grande, e eu sempre muito perplexa e a só querer os meus no sítio certo, intactos e de preferência suaves ao toque, e não louca de alegria com a possibilidade de hipotecar a delicada integridade deles às mãos (ou à boca) de neófitos inclementes.
E pronto, hoje é só isto, minha gente. Estou muito impressionada, e espero ter-vos impressionado também, porque eu cá não gosto de sofrer sozinha. Vão pela sombra.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Óleo de fígado de bacalhau
O óleo de fígado de bacalhau é, como todos sabemos, uma desgraçada fatalidade que, um dia, mais tarde ou mais cedo, se cruza ou cruzou com a nossa infância, num cruzamento digamos que amargo e inesquecível, mas, felizmente, penso que também à luz de uma questão geracional.
A minha geração, felizmente, escapou por um triz a essa fatalidade com intenso sabor a entranhas de peixe podre, e conheceu-a apenas já sob a forma de xaropes com aroma ou, maravilha das maravilhas, sob a forma limpa e inócua de cápsulas. O problema, meus amigos, reside agora na gestão (e não necessariamente na ingestão) da cápsula. Que pode ser muito infeliz e dramática, digo-vos já.
Para vos poupar a descrições escatológicas de sabores hediondos (a questão do peixe podre, lá está), vou só aconselhar-vos a não (in)gerirem a cápsula como se fosse um rebuçado, deixando-a derreter e tomarem contacto com o líquido, como eu inadvertidamente fiz. Posto isto, nem sei como não encontramos o óleo de fígado de bacalhau naquelas exposições de instrumentos de tortura, porque enfiar aquilo pelas goelas abaixo acho que pode ter um diabólico potencial persuasivo. Os nossos avós tinham razão, aquele óleo é, de facto, o demónio para quaisquer papilas gustativas.
A minha geração, felizmente, escapou por um triz a essa fatalidade com intenso sabor a entranhas de peixe podre, e conheceu-a apenas já sob a forma de xaropes com aroma ou, maravilha das maravilhas, sob a forma limpa e inócua de cápsulas. O problema, meus amigos, reside agora na gestão (e não necessariamente na ingestão) da cápsula. Que pode ser muito infeliz e dramática, digo-vos já.
Para vos poupar a descrições escatológicas de sabores hediondos (a questão do peixe podre, lá está), vou só aconselhar-vos a não (in)gerirem a cápsula como se fosse um rebuçado, deixando-a derreter e tomarem contacto com o líquido, como eu inadvertidamente fiz. Posto isto, nem sei como não encontramos o óleo de fígado de bacalhau naquelas exposições de instrumentos de tortura, porque enfiar aquilo pelas goelas abaixo acho que pode ter um diabólico potencial persuasivo. Os nossos avós tinham razão, aquele óleo é, de facto, o demónio para quaisquer papilas gustativas.
Vestidos de culto - Parte V
Ora, tardou mas aqui vai o primeiro post do ano desta série frívola, e penso que não começamos mal. Um sortido muito variado de vestidos de noite, para todos os gostos e feitios. Eu não me consigo decidir por nenhum porque adoro todos (embora o Emilio Pucci da Diane Kruger e o Versace da Charlize Theron - 5º e 7º a contar de cima - apelem muito ao meu fútil e perdulário coração). Dream on.







quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Les uns et les autres

Há dois tipos de pessoas. As que enfrentaram sinuosidades diversas por causa de outros, e aquelas abençoadas que, felizmente, tiveram percursos afectivos aplanados, pulcros, pouco acidentados. Estas últimas são insípidas, ao passo que aquelas outras têm sempre mais textura, mais densidade, são mais tangíveis e mais reais.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
C & C
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
2012 - Année neurotique
Já o grande Gainsbourg foi arauto, no ano da graça de 1969, dando-lhe o epíteto de "69 - Année erotique".
Para mim, o nosso 2011 foi o ano "2011 - Année eurotique", com a crise do euro na berlinda.
Este ano que agora começa vai ser "2012 - Année neurotique", não se iludam, porque é desta que vamos pifar de vez.
(Perdoem-me o pessimismo forjado, mas é que são trocadilhos tão irresistíveis.)
O novo acordo ortográfico e a mini-saia
Quando uma mini-saia era uma mini-saia.
Ainda não aderi ao novo acordo ortográfico. Ando a resistir até mais não poder. Tal como com a transição para a TDT, que ainda não me dignei a comprar o adaptador e o diabo a sete, e há-de ser como a ultilização do euro como moeda, em 2002, em que fiquei fiquei até à última a usar escudos. (Que querem? Eu tenho cá os meus anacronismos. O euro não me parecia dinheiro de verdade, parecia dinheiro dos jogos da Majora, ou coisa que o valha. E reparem como sou visionária, aquilo já me cheirava a prenúncio de que, dez anos depois, o euro iria enfrentar uma crise destas).
Anyway, com o novo acordo ortográfico, a palavra mini-saia passa a ser escrita minissaia. Acho isto um absurdo. Fica maior a palavra do que a saia.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
O pão nosso de cada dia
Ao ouvir ontem que (mais) um autocarro de adeptos de um clube de futebol português tinha sido apedrejado por adeptos adversários, e tendo constatado, horas antes, que o estádio onde tinha decorrido o jogo estava cheio (em tempo de crise), só me ocorreram as palavras do sábio Norbert Elias. O futebol, entre outros fenómenos sociais, é um interessante dispositivo de controlo social, sendo, simultaneamente, um reflexo das tensões sociais e um mecanismo atenuante das mesmas. Só isso explica que toda aquela gente jovem não utilize a energia transbordante que tem, por exemplo, para se mobilizar contra a classe política miserável que a governa ou contra toda a série de medidas injustas que tem vindo a sofrer na pele. Não. É sempre mais giro aplicar a fúria e o entusiasmo destrutivo no imediatismo de apedrejamentos e insultos num contexto pseudo-desportivo. Porque afinal de contas é o futebol que lhes põe o pão na mesa, com certeza.
Ca(belo)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Agenda para 2012 (3)

The Great Gatsby, de Baz Luhrmann (2012), com Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan e Tobey Macguire.
E, já agora, também isto.
E, já agora, também isto.
Agenda para 2012 (2)

Belle de Seigneur, de Glenio Bonder (2012), com Jonathan Rys-Meyers, Natalia Vodianova e Marianne Faithfull.
Parece-me que vou querer muito ver isto.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Querido não mudou a casa

O Querido Líder foi-se, não tendo mudado a casa que lhe deixou o pai, e o novo Querido também não há-de mudar a que lhe foi deixada (o novo Querido que não é o que tentou escapar em 2001 para a Disneylândia no Japão, claro, será outro talvez menos familiarizado com o Mickey.). Uma casa muito feia, muito fechada, muito violenta, muito militarizada e muito repressiva, e também muito dada ao culto da imagem (e a excentricidades de toda a espécie, do cinema, aos pijamas e às lagostas), enfim, uma casinha que já precisava de um extreme make-over. Às tantas, convinha chamar o Ty.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Opening scene
Um dos melhores e mais sensíveis créditos iniciais do cinema. Era difícil conseguir algo mais distante e aparentemente discordante da história que é contada a seguir e, ao mesmo tempo, algo tão profunda e intimamente transversal.
A tia Simone é que nunca imaginou o que a Victoria poderia fazer com o segundo sexo
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
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