terça-feira, 24 de julho de 2012

A praia da felicidade

É engraçado, costumo ir sempre a uma praia frequentada por muita gente e bastante familiar, e todos os anos, nessa praia, encontro um casal de lésbicas. É todos os anos um casalinho diferente. E eu fico muito feliz por elas, miúdas tão novas e giras, tão desempoeiradas e assumidas. E fico principalmente feliz por mim, porque gosto de alimentar a ilusão de que cada casal destes, generosamente, libertou dois homens straight e que eles andam por aí, livres e disponíveis (lá está, eu disse ilusão). Como tal, também fico muito feliz por todas as raparigas solteiras. E as casadas que não se preocupem, que também fico feliz por elas. Pois se agora estão casadas, também não devem ficar casadas para sempre, era o que mais faltava. É só felicidade.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quatro mafarricos e um esgotamento

Encontrei por acaso uma antiga colega que não via há muito tempo. Ela apareceu-me na rua com quatro alegres e saudáveis filhas pequenas. (Já me tinha chegado aos ouvidos que ela tinha dado rédea solta à sua fertilidade, mas não imaginava que já tivesse atingido este número bíblico.)


Bem, quis o cruel destino que passasse algumas horas com a minha amiga e aqueles quatro belzebus em miniatura, que, pensando que eu era uma boneca em ponto grande, passaram a tarde a arrancarem-me cabelos com as mãozinhas engorduradas, a disputar o conteúdo da minha carteira e a partirem-me colares da Parfois e outros acessórios de valor incalculável.


Saí dali um Cristo em chagas e com a cabeça a andar à roda. Depois deste calvário vou ter de ir descansar, no mínimo, para as Maldivas. Com boa companhia. E muitos contraceptivos.

Pois. Acontece. É chato. Depois passa. Se calhar.


"Cette fille m'a marqué au fer rouge."

(Serge Gainsbourg acerca de Brigitte Bardot)

Estes gauleses são chiques

Marion Cotillard (em Christian Dior), a dar uma lição do mais puro chic francês em plena Londres, na estreia do novo filme Batman - The Dark Knight Rises.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ao fim da tarde estou sempre mais preconceituosa



Não gosto de ver homens (homens feitos, meu Deus!) montados em Vespas, ou em qualquer mota tipo scooter. Então se forem amarelas, acho irremediavelmente execrável. Tudo o que não seja homens italianos em Vespas e, mais especificamente, em Roma, acho ridículo e pouco viril. Muito pouco viril. Uma Vespa é para garotas de 15 anos. Se querem ser homens e andar de mota, comprem uma mota a sério, uma mota de homem, não é uma Vespa.

Para ler na praia


Um livro de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques

(Aviso: este livro contém informação que pode chocar públicos com consciência cívica mais apurada e não é recomendado a pessoas que costumam pagar impostos.)

Vital work



quarta-feira, 18 de julho de 2012

E se de repente um desconhecido

Um quarentão engravatado aborda-me no café, dizendo que me seguiu até ali quando me viu a passar na rua. Senta-se na minha mesa sem ser convidado, apresentando-se e repetindo centenas de vezes que é advogado e (passo a citar) "uma pessoa de bem" [ah ah! ah!]. E pergunta muitas vezes: "Mas não acha isto romântico? Mas não acha isto cavalheiresco? Mas não podemos tomar um café um dia destes?" Em vez de lhe dizer que não, que achava até bastante triste, desesperado e digno de pena, e mesmo um bocado assustador, calmamente deixei-o falar, para depois, delicadamente, enxotá-lo, fazendo uma breve alusão a uma telefonemazinho para a polícia. Retirou-se. Mas não sem antes exibir orgulhosamente, como quem joga o último trunfo, o seu... cartão da Ordem dos Advogados. Que deve tomar como garante inquestionável de idoneidade. E como um salvo-conduto para pernas abertas. Só pode.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gap year

Todos os anos, sempre que vejo notícias sobre as candidaturas e entradas para a universidade, é inevitável lembrar-me do gap year, algo que sempre foi muito comum nos países anglo-saxónicos, onde ele está, por assim dizer, "institucionalizado", como em Inglaterra ou na Austrália. E que lamentavelmente nunca existiu em Portugal. O que cá existe é uma mentalidade de horizontes pouco vastos, que preconiza a ideia de que tem que se entrar na universidade o mais depressa possível e que se deve de lá sair em tempo recorde (à la Relvas, talvez). Ideias que infelizmente são agora ainda mais reforçadas pela crise e pelas dificuldades económicas das famílias.

É, de facto, uma grande pena. Acho que o gap year, se bem organizado, pode constituir uma oportunidade preciosa e irrepetível na vida, e, entre o secundário e o ensino superior, ter-se experiências valiosas como o voluntariado, viajar pelo mundo, fazer cursos no estrangeiro ou ter um primeiro contacto com o mundo do trabalho. Em suma, permite experiências de vida únicas, ganhar maturidade e responsabilidade acrescidas, e talvez até possa ajudar a reflectir e a esclarecer melhor a vocação para a área académica na qual se pretende ingressar a seguir. Penso que isto são muitas vantagens, mas há quem considere impensável um ano "perdido", e que o que é bom é ter recém-licenciados que entraram na universidade aos 17 e saem dela sem nunca terem assumido quaisquer responsabilidades, sem nunca terem viajado ou trabalhado, sem nunca terem saído de casa dos pais, sequer.

Manhãs

Eu gosto de ver filmes de manhã. Há quem diga que ver cinema sem ser à noite é como comer bacalhau com natas ao pequeno-almoço. Não concordo nada. Gosto muito de ver filmes logo pela manhã.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cascais music festival



Isto era coisa para me fazer ir até Cascais. Mas não por muito tempo, que tenho muito medo de voltar de lá a falar como se tivesse tido uma trombose; enfim, como o José Carlos Pereira mas sem os implantes capilares.

Porca miseria!




Parece que aconteceu isto.

Ora, se Portugal foi considerado lixo, a Itália é adesso una porca miseria.

A Moody's que tenha cuidado e que não se aventure por Taormina nestas férias.

Cette étrange fidélité au passé




"La délicatesse", de David Foenkinos e Stéphane Foenkinos (2011)




Uma história sobre "renascimento" e redescoberta. Mete casais perfeitos, casais imperfeitos e tragédia inesperada, mete assédio sexual no trabalho e momentos cómicos, mete a complexidade dos sentimentos, da estagnação e do recolocar os motores novamente em marcha, mete a maravilha do acaso e dos riscos, mete break & mend, mete Paris e até mete pessoas suecas a falar sueco.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pasión por la hípica



Eu monto a Natasha. (Uma frase que nunca pensei proferir, mas, de facto, assim é.)

Mas, às vezes, também monto a Zig-Zag. Ora, só o nome da bicha já diz tudo. Ela tem mesmo de deixar de se meter nos copos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Salta à vista

Ok. Admito a minha ignorância, mas deconhecia que um oftalmologista, ao examinar-me os olhos, me poderia acusar de ter o colesterol elevado. Já não se pode ter segredos, pá.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Novas oportunidades

Andávamos nós a dizer tanto mal das Novas Oportunidades, que condensavam, em pouco tempo, uma série de anos de escolaridade, quando, afinal, este nosso amigo já era o precursor de "cursos condensados". Muito à frente.

Great expectations




Ao consultar na net as opiniões de clientes que já passaram por determinados hotéis, uma das melhores coisas é detectar as diferentes expectativas e o nível de exigência face ao serviço disponibilizado, consoante as nacionalidades.



Gosto particularmente da paciência de corno dos portugueses: "Ah e tal, roubaram-nos uma mala enquanto estávamos a fazer o check-in e ninguém se reponsabilizou; às vezes também não tínhamos água quente no chuveiro; mas o hotel é óptimo, montes de diversões para as crianças e a área da piscina é muito boa".



E, depois, dos comentários picuinhas de ingleses e alemães, por exemplo [ler com o mais afectado sotaque cockney ou qualquer outro sotaque londrino]: "Oh, everything was just fine... but this is not really a five star... the beds were too soft."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Raio das pirralhas, são tão engraçadas, pá




Pergunta



Se a Joana Vasconcelos não fosse tão gorda as esculturas dela continuariam a ter aquelas dimensões monstruosas?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Futebol, ironias e memória fraca



Só uma nota sobre o Campeonato Europeu de futebol deste ano: um jogo que me comoveu foi, claro, o Alemanha-Grécia. Não foi pela inevitável ironia do jogo, nem tão-pouco pela goleada. Foi pelos meus vizinhos de cima, que exultaram quando a Grécia marcou. Comovi-me, porque, pelos vistos, a solidariedade entre países pobrezinhos à mercê da troika -- e o pó que, nestes tempos de crise, temos à pujança do país da marreca Merkel -- são mais fortes do que a memória futebolística. Se não fosse, os meus vizinhos lembrar-se-iam, com certeza, do que eu não me consigo esquecer: a fatídica final em 2004.