Quem diria que um aeroporto de uma grande cidade (na Suíça, ainda por cima) pode ter alguns laivos de romantismo pendurados no tecto? Muito inesperado.
Que o façam, não tanto com a imagem do "Casablanca", mas com o poema de Elizabeth Barrett Browning, parece-me ainda mais inusitado.
E, no entanto, não deixa de ser interessante: o aeroporto é sempre um local de passagem, de chegadas e partidas. Um local transitório. Como o amor, se calhar.
Mas vêm, com certeza, alguns blogues engraçados. Há algum tempo "esbarrei" em três blogues que cativam desde o início e com os quais é muito fácil uma pessoa se identificar. Elas são a Mireia, a Maria José Suárez e a María León. E, embora dediquem a escrita a tópicos ligeiramente diferentes (nuns casos mais orientados para a moda, noutros para o lifestyle e viagens, noutro ainda sobre cultura, arte, etc.), partilham vários denominadores comuns: irradiam energia, beleza, elegância (mesmo muita), alegria, boa disposição e muito, muito optimismo. Tan monas!
Você não merece sofrer
Merece samba
Os olhos são portas saídas de um coração
Então você pode chorar
Do novo o amor chegará
Encantado, encarnado, esculpido pelo mar
Você não merece ilusão
Merece beijos
Um jeito, um fato novo, um salto, um solar
Pra que visitar solidão
Na borda infinita de um copo de bar
Se eu posso fazer o que posso
Lhe fazer sonhar
Eu, por exemplo, estou viciada nos multiseed breadsticks da Tsanos, vindos directamente de Atenas para as minhas mãozinhas. Ando a comê-los todos compulsivamente antes que a Troika por lá acabe com eles.
O cineasta Manuel de Oliveira foi homenageado na Assembleia da República e na ocasião foi exibido o seu mais recente filme: "O gebo e a sombra". Ao princípio devo ter percebido mal, porque pensei que fosse uma bonita homenagem aos deputados que estão nas sessões da AR a dormir, ou quase.
De facto, a celeuma em torno das fotos em topless justifica-se: é que é capaz de ser mais interessante falar da Kate Middleton sem roupas do que das horríveis escolhas de vestidos que ela fez para a visita oficial à Ásia. Está a anos-luz do glamour da visita oficial ao Canadá/EUA do ano passado.
É óbvio que o vestuário tem de obedecer a todo um contexto geográfico-cultural e a questões protocolares. Mas era impossível esta mulher ter escolhido, desta vez, roupas mais desenxabidas, antiquadas e aborrecidas. Se eu não soubesse, diria que ela tinha assaltado o armário da Rainha. Houve de tudo: desde os vestidos da avozinha, a tecidos com padrões de cortinados dos anos 70, até um vestido de gala ao melhor estilo gipsy bride meets Bollywood. Digam-me, serei só eu a achar isto...?
Para mim, os únicos que com alguma classe foram um lindíssimo Prabal Gurung, um azul Temperley (embora eu não seja fã de rendinhas) e um conjunto branco Alexander MacQueen (...que ela conseguiu estragar com uns grosseiros sapatos com cunha de cortiça).
Maria Teresa Horta (uma das Três Marias das célebres Cartas) foi distinguida com o Prémio D. Dinis, mas recusou-se a recebê-lo das mãos de Passos Coelho, ou seja, de quem anda a destruir muito do que foi conquistado pela geração de 70 - a sua. Penso que está tudo dito.
Há uma frase que os chineses costumam dizer quando alguém nasce. Não dizem propriamente que desejam que a pessoa seja feliz, mas sim: "Que possas viver em tempos interessantes". Estes são tempos interessantes. Pelas piores razões, mas são. Os portugueses finalmente acordam do torpor, que era uma coisa que eu temia que nunca acontecesse. Mesmo não havendo grandes resultados práticos, a mobilização e a capacidade de protesto e de indignação são um sinal saudável da sociedade civil e de cidadãos conscientes.
Folheio uma revista do social e dou de caras com um ex-pretendente meu a quem, em tempos, não dei grande hipótese. Com um sorriso cintilante, curiosamente surge ao lado de uma conhecida figura feminina do panorama artístico nacional: é um romance badalado. É bom saber que o que nós rejeitamos não é de se deitar fora.
No Verão, multiplicam-se as minhas (des)venturas com criancinhas. Imaginemos muita gente à volta de uma grande mesa, à refeição. Há uma criança de colo, que anda de colo em colo. São muitos colos. É precisamente no meu colo que a criatura decide bolçar.