Estive a dar uma vista de olhos (por pura ociosidade, deu-me para isto, não houve mais nenhum motivo significativo) à lista oficial dos nomes registados em Portugal no ano passado.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Bife com ovo (a cavalo)
Tenho muitas saudades dela. Mas, em breve, vou voltar para ela. Só espero que, entretanto, não tenha sido transformada em hamburguer. Que não esteja feita ao bife, portanto.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Desfolhada
Diogo Infante, porque é que há pessoas que insistem em dizer que desfolham o livro?
Será que também folheiam flores?
Será que também folheiam flores?
Je ne sais quoi
quinta-feira, 21 de março de 2013
Lus Ojus
A Noiva Judia, Rembrandt, 1665, Rijksmuseum, Amesterdão
Kontami la kunseja
ki si camina in tus ojus
kuando lus avris
la manyana
kuando il sol
entra su aguda di luz
in tus suenyus.
Clarisse Níkoisdki
Da série de poemas em judeu-espanhol "Lus Ojus, Las Manus, La Boca".
("Os olhos"
Conta-me o conto
que caminha nos teus olhos
pela manhã
quando o sol
enfia a sua agulha de luz
nos teus sonhos)
Tradução livre
Saudades
quarta-feira, 20 de março de 2013
O Outono na Primavera
(Ah, e também descobri que andei uma vida inteira a confundir a Julie Christie com a Julie Andrews. Come sei stupida, Zozô.)
terça-feira, 19 de março de 2013
É a mesma pessoa mas com sexos diferentes, não é?
David Bowie fez uma parceria com a extraterrestre Tilda Swinton e parece que até já está em primeiro lugar nos tops britânicos.
É tudo muito estranho.
É tudo muito estranho.
segunda-feira, 4 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Volto sempre a Windy Corner
Para mim falar em Daniel Day-Lewis é falar de uma muito jovem e perfeita encarnação de Cecil Vyse. A partir daqui (e até ontem à noite), foi uma feliz sucessão de confirmações da promessa inicial.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Alarde
A vida é uma coisa fascinante, porque nunca é monótona e acaba sempre por desvelar realidades inesperadas. Por exemplo, quando vejo pessoas a fazerem muito alarde da sua felicidade, durante muito tempo e de forma sistemática, torço o nariz. Uma coisa é estar feliz, outra é a necessidade constante de exibir publicamente grandes exultações, ou de insistir em que terceiros testemunhem (permanentemente) grandes provas de sentimentos. Não raro anda ali qualquer coisa que não está bem. (E não, já nem estou a falar nos riscos de AVC desta gente que anda a rebentar de tanta felicidade). Sim, as celebridades são o exemplo mais visível (e, muitas vezes, ridículo) disso, mas é ainda mais interessante quando sucede com pessoas normais, com vidas aparentemente normais. As facetas todas da realidade acabam por vir à superfície, mais cedo ou mais tarde. E nunca são assim tão maravilhosas, bombásticas ou feéricas como a encenação fazia parecer. Pelo contrário. Enfim, a vida é uma coisa engraçada - e as pessoas ainda o são mais.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Gente come noi
Ontem, o Google teve a amabilidade de nos recordar que era o 540º (experimentem lá dizer isto por extenso) aniversário de Nicolau Copérnico. Ora acontece que o Copérnico é das figuras históricas que eu mais gosto (é esse e o Savonarola, mas este é porque tinha um nariz engraçado). É verdade que andou para lá a copiar as teorias de uns monges, de forma rudimentar, mas teve alguma coragem ao ser um dos primeiros a defender publicamente o heliocentrismo. Numa época em que os dogmas da igreja se sobrepunham à evolução científica, isto foi um acto de muita lucidez e coragem. O Copérnico teve, por exemplo, muito mais coragem do que o Galileu, bastante tempo mais tarde. Porque, apesar de quase ter ido parar à fogueira e do lendário desabafo sussurrado eppur si muove, ou talvez por isso, é bem certo que o Galileu não teve tomates (tão gira, a gíria). E eu admiro é pessoas com coragem, que põem o dedo na ferida, que é como quem diz, que põem o sol no centro.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pisto(la)rius
Minha gente, é o que vos digo: ser bonita não compensa. Atrai-se todo o tipo de trastes e ainda se acaba com chumbo na testa.
Não é com cantorias que a coisa lá vai
Relvas interrompido por Grândola Vila Morena
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Sou mãe
Se há coisa que me põe fora de mim, que me dá náuseas e me põe verdadeiramente doente, são as mulheres que, sendo domésticas por opção ou por falta de oportunidade ou por preguiça ou burrice, respondem "Sou mãe...!" quando lhes perguntam o que fazem profissionalmente. Sendo tiazorras benzocas ou comuns mortais anónimas, já podiam deixar de usar essa frase infeliz, que, assim de repente, parece uma justificação meio embaraçada, uma qualquer validação forçada para o facto de não estarem inseridas no mercado de trabalho. Que assumam de uma vez por todas que não querem trabalhar, ou que não são capazes, ou que não precisam, mas deixem a condição de mãe fora dos seus argumentos justificativos. Como se as outras, as mães que querem ou têm mesmo de trabalhar, e que enfrentam a dupla jornada de trabalho toda a vida, com ou sem opção, também não fossem mães, ou fossem menos mães por isso.
Lispector Gadget (2)
Mais um gadget da Clarice, com fim prático e útil:
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
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