segunda-feira, 1 de julho de 2013

Está aberta a época de Verão

Tratei da cerimónia oficial de abertura ontem à tarde. Cumpri o ritual dos caracóis. O pano de fundo tem de ser sempre à beira mar ou à beira rio. Confere.
Mesmo que, numa mesa com amigos, tenha sido eu a única a tratar vorazmente desta iguaria. E a ter de responder às mesmas perguntas pertinentes de sempre: "Mas afinal a que é que isso sabe?", "E isso é cozinhado com quê?", "Posso experimentar também? Ai, não, não tenho coragem". Uma pessoa do sul no meio de gente que não é do sul.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Problemas de expressão

Problemas de expressão. Geram gaps fracturantes. Separam pais e filhos, velhos e novos, homens e mulheres, e, sobretudo, cabeleireiros  e clientes. Encontrar um novo cabeleireiro que compreenda o nosso cabelo é um desafio monstruoso.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Desencontros

Ainda sobre aquele artigo do Matt McClain, do Washington Post, sobre a baixa natalidade em Portugal, não sei como querem que seja de outra forma: infelizmente, a natalidade nem sempre é um tema que se resume à idade reprodutiva das pessoas (ao contrário do que os médicos gostam de impingir) e nem tão pouco se limita às condições materiais (como os políticos e economistas costumam gostar de destacar).
Esquece-se, frequentemente, os "desencontros". De facto, a maior parte dos jovens que conheço, que têm relações afectivas estáveis e condições para formar uma família, têm conhecido o desemprego ou a precariedade; mas, inevitavelmente, a maior parte dos jovens que conheço que têm bons empregos, conhecem a outra precariedade, a afectiva.
Não sei se serão simples desencontros ou se é a lei da compensação em acção, mas realmente andam muitas mais coisas a conspirar para que os portugueses, mais dia menos dia, se extingam.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Suavidade ao toque

Isto de se estar parado num semáforo, no trânsito, e o veículo da frente não dar pelo sinal verde ter caído, reveste-se de uma inesperada complexidade. Ou nos deixamos estar eternamente até que o condutor se aperceba que o sinal ficou verde, ou então apitamos. Levemente, de preferência. A buzinadela quer-se suave, "amigável", para o outro perceber que foi só uma chamada de atenção, e que não foi um apito exasperado de quem está cheio de pressa. A subtileza está no grau de suavidade com que se apita. Mas aqui é que está a questão, eu nem sempre tenho essa subtil coordenação motora, ou nem sempre estou em sintonia com a buzina do meu carro, e, pronto, ganho alguns inimigos no trânsito citadino.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

E bom fim-de-semana


Uma imagem que diz tudo, que define tudo, que encerra tudo.
É a prova que de onde menos se espera (eu, pelo menos, não esperava, sinceramente) vem a razão, a razoabilidade, a pertinência de algumas lutas sociais.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Frivolidades: o little white dress




Sou adepta do vestido branco no Verão (e fora dele também). Fico desconcertada com os little black dresses. Sei que é muito elegante e sóbrio, mas várias mulheres, todas juntas, com vestidos de cocktail pretos, dá um ar desgraçado de viúvas negras ou de carpideiras. Não faz sentido que, num país cheio de sol e de luz, com um Verão tão longo e quente, as mulheres se vistam de preto com tanta frequência. O branco é tão mais leve e realça o bronzeado. E, até para as que insistem em vestir-se como viúvas, há uma boa notícia: na Índia, todas as viúvas se vestem de branco. Não há desculpas, portanto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Lucy doesn't like it



A Room With a View, de James Ivory.


- No one will see Lucy off. She doesn't like it.




quinta-feira, 13 de junho de 2013

Verdade

Pá, a São João é a maior. Vejam a magistralidade com que ela descreve homens intelectuais:

"Virei-me então para os eruditos, os intelectuais, os artistas, gente como o alf, que sabe penetrar nos textos, enfiar a sua citação, esfregar a coltura na nossa cara, com fetiches estranhos que envolvem encadernações brochadas e fantasias no Teatro da Cornucópia. Mas é gente com muita dioptria, camisas coçadas nos punhos, gente que se esquece da banhoca e da pasta de dentes, e em que dia é que fazem anos. E alguns são gordos e carecas. E têm caspa. Sim, mesmo os que são carecas."


Além de proporcionar umas boas risadas, isto é mesmo verdade. Eu ainda acrescentaria cortes de cabelo esquisitos, unhas sujas, roupa com nódoas e, lá está, mais caspa.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Macacos de imitação

Depois descobrirem (e de nos copiarem) a dieta mediterrânica, os povos "avançados" da Europa andam agora a descobrir as maravilhas da família unida como instituição base na sociedade. E têm os impagáveis Middleton como ícone da imagem idílica da close knit family, como adoram chamar-lhes.
Ainda não chegaram às alegrias da família alargada (que inclui os padrinhos, os tios-avós, os primos em sétimo grau e a família dos cunhados), os almoços familiares onde se leva cinco horas à mesa, e os tiros de caçadeira por causa de heranças ou de dois metros quadrados de terreno, mas dêem-lhes tempo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lobos

Ofereceste-me o livro e só agora, tantos anos depois, uma vida inteira depois (o tempo, para nós, não existe), me interesso por ele. Sempre me compreendeste melhor do que ninguém. Muito melhor do que eu mesma. O meu profundo agradecimento - do lado de cá do mar, do lado de cá do tempo, do teu lado. A tua voz é (sempre) a minha casa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sacrilégios


Os pastéis de Belém, para mim, não são nada de especial. Mas nada, nada mesmo. Não compreendo all the fuss acerca deles.

Controlo social

Acudiu-me ao pensamento a lembrança de dois momentos cinematográficos que me impressionaram muito. A cena da delapidação (literal) em praça pública da jovem viúva (interpretada por Irene Papas), em Zorba, o Grego (um filme sobrevalorizado), e a espécie de delapidação física e moral da personagem de Giuseppe Tornatore, Maléna, protagonizada pela Monica Bellucci (no filme homónimo que, por sua vez, foi subvalorizado).

Apesar de na história do cinema existirem cenas muito mais dramáticas, a inesperada e desmesurada violência destas duas cenas choca, até pela total impunidade dos culpados, em ambas as situações. Impunidade, porque houve legitimação social. Aliás, os dois crimes são a expressão consumada de um fortíssimo dispositivo de controlo social: a cobiça masculina e a inveja feminina, exercidas cruelmente sobre uma mulher que está "desprotegida".

Dir-me-ão que são cenas do passado. Talvez. Só sei que provêm de dois países com uma matriz cultural próxima (Itália e Grécia) e que espelham uma realidade: a vulnerabilidade da mulher jovem, bela e sozinha, que ousa ter livre arbítrio sobre o seu corpo e a sua vida pessoal.


[post reeditado]

segunda-feira, 6 de maio de 2013

+ Platão - Prozac

Nesta terra há um muro com uma inscrição assim. Deverei ler a Alegoria da Caverna, sempre que vir que ainda me faltam muitos meses para ter férias?


*Por favor, agora não me venham dizer que nas outras cidades também há graffiti fixes destes, vá lá.

Something blue

Na festa de um casamento, à mesa do jantar, havia uma rapariga que também se tinha casado há pouco tempo. A certa altura comentou-se o costume de as noivas levarem "something old, something new, something borrowed, something blue", para dar sorte. Mas a recém-casada, disse, com leda displicência, que não conhecia nada disso. Para choque das outras jovens convidadas, que ficaram petrificadas com essa brutal indiferença para com as sagradas tradições nupciais. Tanto, que as boas almas quiseram logo averiguar o que é que a rapariga afinal tinha usado no dia do seu casamento. Para (algum) alívio de quase todas, chegaram à conclusão que ela tinha usado tudo a preceito, mas faltara-lhe a coisa azul. E ela perguntou, a rir-se, com insuperável inocência: "Mas era mesmo preciso uma coisa azul?"
Sorri com esta cena. Há pessoas que estão tão confiantes e seguras do passo que estão a dar na vida, que não precisam de se agarrar a superstições estúpidas. E, caramba!, tenho que aprender com gente assim.

terça-feira, 30 de abril de 2013

National Geographic

Tal como num documentário sobre a vida animal (mas sem aquele simpático voz off da SIC aos domingos ao final da manhã), quando começa a época do bom tempo, eu costumo observar atentamente os comportamentos sazonais dos meus amigos do Bloco. As migrações de Verão. Eis chegada a estação do ano em que eles começam a planear as suas férias.
Todos os anos (muito antes do José Luís Peixoto ter começado a torná-lo destino turístico da moda) recomendo-lhes o idílico destino de Pyong Yang, esse belo e último reduto de paz e felicidade na Terra. Estranhamente, também todos os anos, os meus amigos daquela espécie ignoram abertamente a minha excelente sugestão, e vão-se auto-flagelar para esse nojo imperialista que é Nova Iorque, essa babilónia consumista que é Londres, ou, imagine-se, para o esgoto capitalista dos resorts caribenhos, esses pardieiros com condições infra-humanas que ferem a susceptibilidade de certas ideologias.  (The horror, the horror, como dizia o Marlon Brando no Apocalypse Now.)
Mas peço-lhes sempre que tirem muitas fotos.

Saiba todo o mundo foi nenem

Saiba todo o mundo foi nenem/ Einstein, Freud e Platão também, como naquela música do Arnaldo Antunes, cantada pela Calcanhotto. Esta criança, pezinhos descalços e sujos de terra, sorriso alegre, nascida em Corfu, filha de pai grego, e fotografada sob o sol inclemente da sua Grécia natal, atravessou um século inteiro, várias guerras, um exílio, um trágico acidente de avião, e uma mudança de país, de nome e de nacionalidade. É hoje o perfeito gentleman britânico, impecável e inevitavelmente sarcástico.  Que por acaso também é o marido da Rainha.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Prioridades

Na Alemanha (soube disto recentemente) o governo dá um subsídio às pessoas que têm cães. Está-se sempre a falar que os alemães já não estão com muita vontade de sustentar a dívida dos gregos (esses malandros preguiçosos, que ainda por cima gostam é de gatos a dormir indolentemente nos parapeitos das janelas). Mas, reparem, os alemães estão dispostos a contribuir com os seus impostos para que haja apoio financeiro a quem tem os bicharocos canídeos. É bonito ver um povo que sabe, claramente, estabelecer as suas prioridades. Se um dia se tem de escolher entre os gregos (ou outro povo preguiçoso qualquer) e os nossos amigos de quatro patas, para o pragmatismo teutónico não haverá qualquer margem de dúvida.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Easy virtue sisterhood

Poder de encaixe. O que é preciso é ter poder de encaixe. Esse é o verdadeiro desafio da Humanidade em geral. E da anatomia feminina em particular.

[post reeditado]

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eficácia comprovada

Em minha casa não há crianças. Mas, de vez em quando, há paredes brancas com nódoas difíceis.