quinta-feira, 21 de março de 2013

Ieri oggi domani



Ieri, oggi, domani”, de Vittorio de Sica (1963), com Marcelo Mastroiani e Sophia Loren.

Saudades

de estar no cimo desta scalinatta.

De um gelado na Piazza della Signoria.
Das ruazinhas naïf de Scirmione.
Dos ragazzi perto da Fontana di Trevi.
É o mais belo país do mundo. Literalmente.
[post reeditado]

quarta-feira, 20 de março de 2013

O Outono na Primavera

A Primavera já chegou. Mas, por aqui, andamos a ler o gelado Outono russo.

(Ah, e também descobri que andei uma vida inteira a confundir a Julie Christie com a Julie Andrews. Come sei stupida, Zozô.)

terça-feira, 19 de março de 2013

É a mesma pessoa mas com sexos diferentes, não é?

David Bowie fez uma parceria com a extraterrestre Tilda Swinton e parece que até já está em primeiro lugar nos tops britânicos.
É tudo muito estranho.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Wood mood

Natalie Wood


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Volto sempre a Windy Corner

Para mim falar em Daniel Day-Lewis é falar de uma muito jovem e perfeita encarnação de Cecil Vyse. A partir daqui (e até ontem à noite), foi uma feliz sucessão de confirmações da promessa inicial.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Alarde

A vida é uma coisa fascinante, porque nunca é monótona e acaba sempre por desvelar realidades inesperadas. Por exemplo, quando vejo pessoas a fazerem muito alarde da sua felicidade, durante muito tempo e de forma sistemática, torço o nariz. Uma coisa é estar feliz, outra é a necessidade constante de exibir publicamente grandes exultações, ou de insistir em que terceiros testemunhem (permanentemente) grandes provas de sentimentos. Não raro anda ali qualquer coisa que não está bem. (E não, já nem estou a falar nos riscos de AVC desta gente que anda a rebentar de tanta felicidade). Sim, as celebridades são o exemplo mais visível (e, muitas vezes, ridículo) disso, mas é ainda mais interessante quando sucede com pessoas normais, com vidas aparentemente normais. As facetas todas da realidade acabam por vir à superfície, mais cedo ou mais tarde.  E nunca são assim tão maravilhosas, bombásticas ou feéricas como a encenação fazia parecer. Pelo contrário. Enfim, a vida é uma coisa engraçada - e as pessoas ainda o são mais.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Gente come noi

Ontem, o Google teve a amabilidade de nos recordar que era o 540º (experimentem lá dizer isto por extenso) aniversário de Nicolau Copérnico. Ora acontece que o Copérnico é das figuras históricas que eu mais gosto (é esse e o Savonarola, mas este é porque tinha um nariz engraçado). É verdade que andou para lá a copiar as teorias de uns monges, de forma rudimentar, mas teve alguma coragem ao ser um dos primeiros a defender publicamente o heliocentrismo. Numa época em que os dogmas da igreja se sobrepunham à evolução científica, isto foi um acto de muita lucidez e coragem. O Copérnico teve, por exemplo, muito mais coragem do que o Galileu, bastante tempo mais tarde. Porque, apesar de quase ter ido parar à fogueira e do lendário desabafo sussurrado eppur si muove, ou talvez por isso, é bem certo que o Galileu não teve tomates (tão gira, a gíria). E eu admiro é pessoas com coragem, que põem o dedo na ferida, que é como quem diz, que põem o sol no centro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pisto(la)rius

Minha gente, é o que vos digo: ser bonita não compensa. Atrai-se todo o tipo de trastes e ainda se acaba com chumbo na testa.

Não é com cantorias que a coisa lá vai

Relvas interrompido por Grândola Vila Morena
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.

A propósito do recente baby boom na blogosfera portuguesa

Há quem tenha uma palavra a dizer sobre isto :)




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sou mãe

Se há coisa que me põe fora de mim, que me dá náuseas e me põe verdadeiramente doente, são as mulheres que, sendo domésticas por opção ou por falta de oportunidade ou por preguiça ou burrice, respondem "Sou mãe...!" quando lhes perguntam o que fazem profissionalmente. Sendo tiazorras benzocas ou comuns mortais anónimas, já podiam deixar de usar essa frase infeliz, que, assim de repente, parece uma justificação meio embaraçada, uma qualquer validação forçada para o facto de não estarem inseridas no mercado de trabalho.  Que assumam de uma vez por todas que não querem trabalhar, ou que não são capazes, ou que não precisam, mas deixem a condição de mãe fora dos seus argumentos justificativos. Como se as outras, as mães que querem ou têm mesmo de trabalhar, e que enfrentam a dupla jornada de trabalho toda a vida, com ou sem opção, também não fossem mães, ou fossem menos mães por isso.

Lispector Gadget (2)

Mais um gadget da Clarice, com fim prático e útil:


Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.


Clarice Lispector

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Rejubilemos


A saga continua.

Descansar primeiro, relaxar depois

Há uns tempos encontrei um diário que escrevi quando tinha cerca de dez anos. Entre muitos outros disparates, havia uma parte em que eu relatava, descrevendo um qualquer dia das minhas férias de Verão, o seguinte: "De manhã descansei e de tarde relaxei". (Via-se que era uma criança promissora.)

Oh, céus. Se já não posso voltar a ter a ociosidade dos meus dez anos, ao menos gostava de recuperar a clareza dogmática, que certamente perdi com o passar do tempo, com que distinguia a subtil diferença entre o prazer de descansar (logo de manhã) e o outro, o de relaxar (da parte da tarde).

Um achado

Victor Pecoraro

Então eu andava no mundo sem saber que isto existia, senhores.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Vícios públicos, virtudes privadas

De há umas semanas para cá, e não sem resistência antes, sou obrigada, a nível profissional, a escrever conforme o novo acordo ortográfico. Em tudo o que diz respeito à minha vida pessoal continuo a escrever à maneira antiga.

E chega de metalurgia, por hoje

Há um fenómeno chamado erosão por penetração. Parece que é um processo muito complexo.

Cotillard strikes again

E ainda dizem que a perfeição não existe.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ricardo Ubíquo Pereira

Não simpatizo com o Ricardo Pereira. Enfim, não simpatizo com a figura pública que ele representa, como algumas vezes nos acontece (Bom, no meu caso, até são muitas vezes. Também embirro diabolicamente com o Manzarra, e com aquela coisinha pequenita chamada Carolina Patrocínio, e com a outra, a Vanessa Oliveira, então, é uma coisa visceral). Mas há algo que me intriga no Ricardo Pereira. É que o Ricardo Pereira está em todo o lado. Literalmente em todo o lado. O homem é entrevistado na RTP, o homem está na Globo, o homem aparece na SIC, o homem entra em todas as telenovelas, o homem faz peças de teatro, o homem está em Portugal, o homem está no Brasil, temo bem que o homem possa estar na parafarmácia do Continente enquanto eu compro os meus cremes. Esta criatura tem o que até agora era prerrogativa divina, o homem tem o dom da ubiquidade.

Hasta la victoria, (para) siempre

Este senhor vai durar para sempre? Pois, este senhor vai durar para sempre.

Chateia-me gente que se eterniza. Que ambiciona interferências teleológicas, ainda por cima. Que falta de chá.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Simplex, Save Our Souls

Há um improvável denominador comum entre os sites de compras portugueses e as embalagens de produtos alimentares (também adoravelmente) portugueses: são ambos regidos por forças maquiavélicas. Forças que nunca me deixam utilizá-los de forma rápida.

Para mim, sites e embalagens portugueses são sempre duas situações desnecessariamente complicadas, inexplicavelmente pouco funcionais. Não há uma vez que eu consiga, à primeira e com ligeireza, efectuar a compra de um livro num site português ou abrir uma lata de grão do Pingo Doce, sem que haja sofrimento, sangue ou destroços.

Gostava muito de assumir que isto é problema meu, mas não posso, porque em sites estrangeiros tudo me funciona como no paraíso, só faltam os cânticos angelicais. Com as embalagens, idem. Tenho experiências muitíssimo felizes com embalagens de queijo grego, por exemplo (que, enfim, não será bem helénico mas sim produzido na Dinamarca, e que, aleluia para pessoas com mãos pouco hábeis, tem um esquema de abertura abençoadamente nórdico e infalível).

Posto isto, está claro que preciso de um Simplex aplicado à minha vida enquanto consumidora em Portugal. Porque, claramente, não é só nos meandros labirínticos da administração pública que os portugueses gostam de complicar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Caleidoscópio

Abbie Cornish como "Fanny Brawne", em Bright Star, de Jane Campion (2009)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Turlington, por Inez and Vinoodh

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gente assim

My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai (2007). Com Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman e  Rachel Weisz

Elizabeth, no decurso de uma longa viagem, vai enviando a Jeremy postais de cada sítio por onde passa.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Harakiri, meu amor

Ora então um ministro japonês veio dizer que os idosos deveriam era apressar-se a morrer, que era um alívio e um consolo para as despesas do Estado. É muito curioso isto vir de um país com uma muito longeva população, que social e tradicionalmente respeita muitíssimo (ou tem respeitado até agora) a população anciã. Mas deve ser um sinal dos tempos. (Não quererá o ministro, que tem 72 anos, dar o exemplo e praticar um nobre harakiri em prol do Estado Social...?)

Quer dizer: a humanidade tem enfrentado todo um milenar e complexo processo civilizacional essencialmente orientado para o avanço da medicina, da melhoria das condições de vida e da saúde pública, da educação. Tudo, para, em última instância, contribuir-se para o aumento da esperança média de vida e, em suma, simplesmente para todos termos uma vida cada vez mais longa e melhor.

E agora andam os políticos a guinchar sobre aquilo que não é novidade nenhuma e que já era mais que previsível em todos os tratados de demografia desde os anos 70. Que a população está a envelhecer, que os que dependem são mais do que os que contribuem. E tudo isto é verdade, de facto. O que me parece é que agora cada vez mais se dá, à descarada, as boas vindas à morte dos desgraçados dos anciãos, como se os pudéssemos varrer para debaixo do tapete (eu incluída, que daqui a umas décadas também o serei, e trabalharei até à provecta idade de 89 anos sem direito a reforma nenhuma e sem a poesia dos Pearl Jam de uma elderly woman behind the counter in a small town), e a mesma começa a ser, igualmente à descarada, considerada a panaceia para os grandes males dos Estados.

Vivemos um contra-senso. Mas é normal, é tudo normal. Não se preocupem. Um primo meu, há muitos anos, imaginou que a nossa crescente população envelhecida criaria um dia o Partido dos Idosos Unidos. O PIU, portanto. E com um PIU, com certeza, todos venceremos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Taylorismo

Já dizia o amiguinho Jack Johnson "They say Taylor was a good girl". Eu não sei se esta miúda, a Taylor Swift, é boa menina ou se canta alguma coisa de jeito. (Eu nunca a ouvi, para mim, é uma pequena Swift no grande Gulliver da indústria musical). Só sei que, para além de ter namorado meteoricamente um Kennedy (o que, por si só, é um pleonasmo divertido, se formos a ver a longevidade do clã em causa), para uma rapariga de 23 anos destaca-se por ter um estilo muito próprio e muito interessante, por sinal. Está ali entre o neo-romantismo discreto e o clássico moderno e o preppy naïf, sem nunca ser óbvia ou vulgar, o que não é comum entre as mulheres da idade dela. Eu chamo-lhe o Taylorismo - teorias da gestão da produção à parte, bem entendido.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A pomada de Descartes

Na farmácia estava um cartaz com um anúncio publicitário ao Halibut, aquela pomada com propriedades cicatrizantes para feridas e coisas assim, para quem não sabe. Era lindo, lindo, rezava assim: “Penso, logo Halibut”. Tenho muita pena que muitas pessoas cheguem às farmácias e, legitimamente, têm tanto em que pensar na vida, naturalmente em muitos casos em questões de saúde, e não apreciam devidamente a subtileza deste prodigioso slogan de inspiração cartesiana. Que nunca se subestime uma ida à farmácia.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Momentos, decisões

"The Portrait of a Lady", de Jane Campion. (1996)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cruzes, credo

Penso que, apesar de não ser um tema da agenda actual (vá-se lá saber porquê), nunca será demais assinalar a dramática importância do tema destas igrejas modernas (católicas, convencionais, sublinhe-se) que têm na fachada principal uma cruz de néon. Ontem à noite, inesperadamente, passei por uma. Filhos, haverá lá coisa mais spooky, creepy, jesuschristsuperstar, sei lá que mais.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aquilo no Mali

Aquilo no Mali está um bocado mali.
Se alguém me perguntar se fui eu que disse isto, nego tudo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Contemplação

Les adieux a la reine, de Benoît Jacquot (2012).

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Temporalidade


Edwina Mountbatten, a última vice-rainha da Índia – a tal sobre quem se especulou ter vivido um romance com Nehru –  manteve, depois de ter regressado a Inglaterra, no pós-1947, o seu relógio de pulso acertado pela hora indiana, até ao último dia da sua vida.

[post reeditado]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Separar o trigo do joio

A melhor parte de crescer, viver e ter experiências acumuladas é poder aprender, aos poucos, a separar o essencial do acessório. Ir aperfeiçoando esse intrincado processo de distinguir aquilo que é verdadeiramente importante do que não é, saber realçar o principal e relativizar o que pode ser secundário, adaptável, supérfluo, efémero.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Happy, happy Christmas



“Happy, happy Christmas, that can win us back to the delusions of our childhood days, recall to the old man the pleasures of his youth, and transport the traveller back to his own fireside and quiet home.”

Charles Dickens

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Manter fora do alcance das crianças

Conheço uma pessoa que, quando tinha dois anos, em 1978,  vivia nos EUA e a primeira palavra que disse, inevitavelmente, foi... ayatollah.
E há dias, no comboio, um miúdo de uns cinco anos, mais esperto que eu sei lá, massacrava os passageiros com a seguinte cantilena: "Barakobama, barakobama, barako, barako, barakobama...". Durante horas. E depois perguntava à mãe: "Oh mãe, tu és o barakobama?".
Eu penso que esta promiscuidade entre política e infância é muitíssimo perniciosa. A política devia ser como os medicamentos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Caçar na floresta

"Era este o problema de Julia, depois das suas semanas de Londres. Sabia que não era insuperável. Devia haver, pensava, um número de pessoas fora do seu próprio mundo bem qualificadas para lá entrarem; lamentável era ter de as procurar. Aborrecia-a o cruel, delicado luxo da escolha, o passatempo indolente do gato e do rato no tapete em frente da lareira. Não era Penélope; tinha de caçar na floresta."

Brideshead Revisited
Evelyn Waugh

Serendi(pity)

Haverá lá coisa melhor no mundo do que sucederem coisas boas sem se estar à espera, surpresas agradáveis, felizes acontecimentos sem planeamento algum. É uma pena, realmente uma pena, que não aconteçam mais vezes - ou, pelo menos, até ao limite das vezes suficientes para não deixarmos de lhes chamarmos "acasos".

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Wish list 2013

Ter paciência para os/as Dâmasos Salcede desta vida.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

I'm in love with Black Watch



Alexander McQueen

Encontrei o vestido dos meus sonhos.
Frequentemente na vida encontramos coisas que gostamos (de frente, de lado, de trás), mas sabemos que nunca as teremos. Porém, dá-se o terrível, agri-doce acaso de, ainda assim, ficarmos felizes por, ao menos, as termos encontrado. E já não estaremos só a falar de vestidos.

I'm dreaming of a white Christmas

Just like the ones I used to know.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012