segunda-feira, 29 de abril de 2013
Prioridades
Na Alemanha (soube disto recentemente) o governo dá um subsídio às pessoas que têm cães. Está-se sempre a falar que os alemães já não estão com muita vontade de sustentar a dívida dos gregos (esses malandros preguiçosos, que ainda por cima gostam é de gatos a dormir indolentemente nos parapeitos das janelas). Mas, reparem, os alemães estão dispostos a contribuir com os seus impostos para que haja apoio financeiro a quem tem os bicharocos canídeos. É bonito ver um povo que sabe, claramente, estabelecer as suas prioridades. Se um dia se tem de escolher entre os gregos (ou outro povo preguiçoso qualquer) e os nossos amigos de quatro patas, para o pragmatismo teutónico não haverá qualquer margem de dúvida.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
Easy virtue sisterhood
Poder de encaixe. O que é preciso é ter poder de encaixe. Esse é o verdadeiro desafio da Humanidade em geral. E da anatomia feminina em particular.
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Sunday morning

Immanuel Kant, escreveu um dia (decerto na sua querida Königsberg natal, o cavalheiro parece que nunca saía de lá e as pessoas podiam acertar o relógio pelas vezes que ele passava a caminho da universidade), qualquer coisa como "Acima de mim, o céu estrelado. Em mim, a lei moral". Isto é bonito. Parece que até lhe ficou inscrito na lápide. E eu admiro muito a força estóica da moral kantiana, governada pelo seu inexorável imperativo categórico. Admiro, a sério que admiro. Ela fazia-me falta aos domingos de manhã.
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Quando nos toca a nós
Comentava-se a reportagem da SIC, a comparação entre os políticos portugueses e os dinamarqueses. Sorria-se com os paralelismos e as diferenças. Criticava-se muito os gastos dos nossos, elogiava-se as frugalidades deles.
Até que alguém disse que o exemplo começava de cima. Correctíssimo, aprovação geral, mais sorrisos e anedotas.
Mas alguém continuou, dizendo que o exemplo pode partir de cima, mas também tem de ser praticado por todos nós, que o país não são os políticos, não são os outros: o país somos nós. Algumas concordâncias, mas já menos efusivas.
Até que alguém deu um exemplo concreto. Os ministros podem abdicar de motoristas, seguranças, frotas de carros de topo de gama. Mas também há quem possa deixar, tão simplesmente, de fazer telefonemas pessoais nos telefones de organismos públicos, durante o horário de expediente. Se as facturas telefónicas viessem todas detalhadas e se começasse a cortar aí, seriam, com certeza, milhares de euros que se popupava.
Silêncio um pouco embaraçoso. O desconforto pairou ainda durante algum tempo. Depois, dissipou-se. Começou-se a falar de futebol. Os sorrisos e as anedotas voltaram.
Até que alguém disse que o exemplo começava de cima. Correctíssimo, aprovação geral, mais sorrisos e anedotas.
Mas alguém continuou, dizendo que o exemplo pode partir de cima, mas também tem de ser praticado por todos nós, que o país não são os políticos, não são os outros: o país somos nós. Algumas concordâncias, mas já menos efusivas.
Até que alguém deu um exemplo concreto. Os ministros podem abdicar de motoristas, seguranças, frotas de carros de topo de gama. Mas também há quem possa deixar, tão simplesmente, de fazer telefonemas pessoais nos telefones de organismos públicos, durante o horário de expediente. Se as facturas telefónicas viessem todas detalhadas e se começasse a cortar aí, seriam, com certeza, milhares de euros que se popupava.
Silêncio um pouco embaraçoso. O desconforto pairou ainda durante algum tempo. Depois, dissipou-se. Começou-se a falar de futebol. Os sorrisos e as anedotas voltaram.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Piropos no trânsito
Conduzindo à noite numa rua íngreme e estreita, a subir, encontro um lugar apertado entre dois carros, paralelos ao passeio. Abrando, encosto, faço pisca e marcha-atrás. Completo a manobra de uma vez só, de forma rápida e simples, como é hábito.
Atrás, vem um carro com quatro rapazes. Passam pelo meu carro, abrandam, um deles abre o vidro, sorri-me e exclama: "Per-fei-to!". E a seguir arrancam, muito satisfeitos.
Ora, qual pernas, qual rabo, qual quê. Isto, sim, homens do meu país, é um elogio bonito e gratificante.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Martin e Hannah
terça-feira, 16 de abril de 2013
I take it back
Ok, retiro tudo o que disse sobre o Verão.
(Esqueci-me que eu e ele nem sempre somos os melhores amigos. Como diria a nossa juventude, ele tem-me feito aí umas cenas.)
(Esqueci-me que eu e ele nem sempre somos os melhores amigos. Como diria a nossa juventude, ele tem-me feito aí umas cenas.)
Wedding day in Troldhaugen
Digo-vos, Edvard Grieg deve ter composto aquela peçazinha para piano,Wedding day in Troldhaugen (muito engraçadinha e alegrezinha, por sinal), porque devia ter, coitado, a mesma sina que eu. Em viagem, tropeço amiúde em casamentos, ou na sessão de fotografias dos noivos, ou no copo d'água, ou tropeço na própria cauda do vestido da feliz nubente, sei lá eu.

Uma pessoa está no Malecón, em Havana, e lá aparece o carro com a noiva em cima do capot. (Que linda. Se caiu para trás e foi atropelada, no trajecto, desconheço.)
Uma pessoa está a dar uma volta pela Radhuspladsen em Copenhaga e, guess what, uma mancha branca à direita na foto denuncia mais uma que uniu para sempre o seu destino a um ser que, provavelmente, nunca irá baixar o tampo da sanita.
E uma pessoa anda pelas ruas antigas de Lausanne e, meninas solteiras a esperança é sempre a última a morrer: até esta senhora de 97 anos se casou. (Com um gay que usa casaca vermelha, mas, ainda assim, casou-se.)
Uma pessoa está à beira do mar no Golfo do México, e lá irrompe a Marcha Nupcial de Mendelssohn pelo areal fora. Combina sempre tão bem com sons de merengue e espreguiçadeiras cheias de turistas não convidados.
Por fim (e tirando aquela vez em que vi dois (dois!) casais de noivos a embarcarem em gôndolas no Grand Canale, em Veneza), uma pessoa anda a passear por Genebra e o repuxo do Lago deve ter abençoado os recém-casados mais ternos que já vi.
(Parecia um casamento por procuração ou para obtenção de visto, mas, enfim, destes gostei.)
O vestido
Haverá lá coisa mais uplifting que comprar um vestido novo de Verão. Mesmo que saibamos que ele só verá a luz do dia daqui a três meses. Quem não valoriza os pequenos prazeres da vida, não está vivo nem está nada.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Fifties
Gosto muito de toda a estética dos anos 50. Mas não é por isso que digo que este miúdo tem cara de anos 50. É que tem mesmo. Porém, na realidade tem só 7 primaveras e é capaz de um dia vir a ser rei do reino da Dinamarca. E no entanto, poderia sair directamente de um anúncio publicitário americano de 1957.
Ora vejam bem se ele não podia vender estátuas. De leões. Enfim, vender estátuas de leões esquisitas, e assim. Hum. (Coitado. Os fretes que esta gente tem de fazer, logo desde pequeninos.)
Ora vejam bem se ele não podia vender estátuas. De leões. Enfim, vender estátuas de leões esquisitas, e assim. Hum. (Coitado. Os fretes que esta gente tem de fazer, logo desde pequeninos.)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
The ultimate precarity
São sempre interessantes, nas recentes manifestações de rua ou em reportagens na televisão, as declarações dos casais jovens que reclamam porque não têm autonomia financeira nem estabilidade para saírem de casa dos pais e viverem juntos, para se casarem, para terem filhos.
Estas pessoas têm absoluta e plena legitimidade para protestar, para se sentirem insatisfeitos, para se sentirem defraudados nas suas expectativas, nos seus projectos de vida. Em tudo o que a sociedade lhes ensinou que podiam esperar da vida adulta.
Mas, mesmo assim, se virmos de uma certa perspectiva menos dramática, estas pessoas ainda podem sentir-se relativamente afortunadas: a precariedade não os atingiu também a nível afectivo. Um casal tem-se um ao outro. E quem se tem um ao outro, pode unir forças e o céu é o limite. Já é uma excelente base, é um bom começo. Quem tem amor tem tudo, afinal. Pois não é isso, o amor, a maior fonte de força e de motivação que existe na vida?
Em situação mais desfavorável ainda estará quem sente na pele a precariedade como factor transversal a tudo. Quem, para além da insegurança profissional, nem estabilidade emocional tem. Quem é atingido pela precariedade no amor, quem sente na pele a insegurança na vida sentimental, quem vive dos recibos verdes de relações inconsistentes, rarefeitas, dúbias, sem sentido. Mas estes últimos não protestam tanto, são mais silenciosos.
Estas pessoas têm absoluta e plena legitimidade para protestar, para se sentirem insatisfeitos, para se sentirem defraudados nas suas expectativas, nos seus projectos de vida. Em tudo o que a sociedade lhes ensinou que podiam esperar da vida adulta.
Mas, mesmo assim, se virmos de uma certa perspectiva menos dramática, estas pessoas ainda podem sentir-se relativamente afortunadas: a precariedade não os atingiu também a nível afectivo. Um casal tem-se um ao outro. E quem se tem um ao outro, pode unir forças e o céu é o limite. Já é uma excelente base, é um bom começo. Quem tem amor tem tudo, afinal. Pois não é isso, o amor, a maior fonte de força e de motivação que existe na vida?
Em situação mais desfavorável ainda estará quem sente na pele a precariedade como factor transversal a tudo. Quem, para além da insegurança profissional, nem estabilidade emocional tem. Quem é atingido pela precariedade no amor, quem sente na pele a insegurança na vida sentimental, quem vive dos recibos verdes de relações inconsistentes, rarefeitas, dúbias, sem sentido. Mas estes últimos não protestam tanto, são mais silenciosos.
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Acto reflexo
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Both sides of the story
Sobre esta engraçada guerrinha entre o Zé Diogo Quintela e o Miguel Sousa Tavares, tenho a dizer que gostei do comentário do Arrumadinho, que achei muitíssimo sensato e que veio recordar alguns factos que as pessoas tender a esquecer facilmente (ou não querem aprofundar, simplesmente), no meio das habituais ondas virais de comentários e entusiasmos que se geram nas redes sociais. E a recordar também que, na maior parte das vezes, vemos só um lado das coisas, só uma versão das histórias, só a superficialidade que nos convém. Esquecemos que somos todos humanos: é muito fácil acusar os outros. Mais difícil é sempre ter sensatez e reconhecer que temos todos telhados de vidro, etc. E tanto que isto nos acontece a todos nós, todos os dias.
terça-feira, 2 de abril de 2013
As Olimpíadas Maternas
De todas as batalhas a que este mundo já assistiu, uma das mais violentas é o desporto de alta competição entre (algumas) mães. É uma modalidade supremamente exigente. Uma espécie de citius altius fortius na grande carreira como progenitoras/educadoras. As mães competitivas entre si são a coisa mais feroz que existe. Primeiro, a comparar e esgrimir os percentis, os pesos e as capacidades motoras e cognitivas (vulgo, “gracinhas”) dos seus bebés; depois, a disputar combativamente o protagonismo, exibindo as notas escolares e proezas desportivas dos miúdos; mais tarde na vida, a projectarem-se na eventual ascensão social dos filhos, alardeando que os rebentos subiram mais alto no pódium da vida e que elas ganharam a medalha de ouro da condição materna. Fujam, fujam delas. Se puderem.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
On the road
Tenho andado com um cd de Mozart a tocar no carro. Não sei muito mais. Só sei que há flautas. E harpas também.
E.
E.
Agora.
Ando.
Muito.
Calma.
No.
Trânsito.quinta-feira, 28 de março de 2013
Mon petit paradis helvétique
Esta semana lembrei-me, com saudades, da Suíça. Se me lembrei das montanhas nevadas? Das paisagens? Do queijo Gruyère? Não. Lembrei-me de coisas realmente maravilhosas.
Tais como o transporte gratuito do aeroporto para a cidade num comboio maravilhoso (eu sei, parece ficção, mas é mesmo só premir um botãozinho numa maquineta de bilhetes, logo na zona de recolha de bagagem). Ou de como, lá, qualquer visitante se pode deslocar gratuitamente dentro das cidades, seja em autocarro, eléctrico ou barco.
Posto isto, fiquei um bom bocado com ar sonhador e um sorriso vago no rosto, a pensar que o Céu, afinal, está tão perto.
Posto isto, fiquei um bom bocado com ar sonhador e um sorriso vago no rosto, a pensar que o Céu, afinal, está tão perto.
Há quem sonhe com praias paradisíacas e mares cristalinos (e resorts com grande staff de animadores que fazem cócegas a quem dormita nas espreguiçadeiras ao sol). Eu também tenho as minhas fantasias mas é com boas infra-estruturas e redes de transportes eficientes. Enfim, pode ser que isto se resolva um dia, com décadas de psicoterapia, talvez, não sei, não garanto nada.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Todos os nomes
Estive a dar uma vista de olhos (por pura ociosidade, deu-me para isto, não houve mais nenhum motivo significativo) à lista oficial dos nomes registados em Portugal no ano passado.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Bife com ovo (a cavalo)
Tenho muitas saudades dela. Mas, em breve, vou voltar para ela. Só espero que, entretanto, não tenha sido transformada em hamburguer. Que não esteja feita ao bife, portanto.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Desfolhada
Diogo Infante, porque é que há pessoas que insistem em dizer que desfolham o livro?
Será que também folheiam flores?
Será que também folheiam flores?
Je ne sais quoi
quinta-feira, 21 de março de 2013
Lus Ojus
A Noiva Judia, Rembrandt, 1665, Rijksmuseum, Amesterdão
Kontami la kunseja
ki si camina in tus ojus
kuando lus avris
la manyana
kuando il sol
entra su aguda di luz
in tus suenyus.
Clarisse Níkoisdki
Da série de poemas em judeu-espanhol "Lus Ojus, Las Manus, La Boca".
("Os olhos"
Conta-me o conto
que caminha nos teus olhos
pela manhã
quando o sol
enfia a sua agulha de luz
nos teus sonhos)
Tradução livre
Saudades
quarta-feira, 20 de março de 2013
O Outono na Primavera
(Ah, e também descobri que andei uma vida inteira a confundir a Julie Christie com a Julie Andrews. Come sei stupida, Zozô.)
terça-feira, 19 de março de 2013
É a mesma pessoa mas com sexos diferentes, não é?
David Bowie fez uma parceria com a extraterrestre Tilda Swinton e parece que até já está em primeiro lugar nos tops britânicos.
É tudo muito estranho.
É tudo muito estranho.
segunda-feira, 4 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Volto sempre a Windy Corner
Para mim falar em Daniel Day-Lewis é falar de uma muito jovem e perfeita encarnação de Cecil Vyse. A partir daqui (e até ontem à noite), foi uma feliz sucessão de confirmações da promessa inicial.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Alarde
A vida é uma coisa fascinante, porque nunca é monótona e acaba sempre por desvelar realidades inesperadas. Por exemplo, quando vejo pessoas a fazerem muito alarde da sua felicidade, durante muito tempo e de forma sistemática, torço o nariz. Uma coisa é estar feliz, outra é a necessidade constante de exibir publicamente grandes exultações, ou de insistir em que terceiros testemunhem (permanentemente) grandes provas de sentimentos. Não raro anda ali qualquer coisa que não está bem. (E não, já nem estou a falar nos riscos de AVC desta gente que anda a rebentar de tanta felicidade). Sim, as celebridades são o exemplo mais visível (e, muitas vezes, ridículo) disso, mas é ainda mais interessante quando sucede com pessoas normais, com vidas aparentemente normais. As facetas todas da realidade acabam por vir à superfície, mais cedo ou mais tarde. E nunca são assim tão maravilhosas, bombásticas ou feéricas como a encenação fazia parecer. Pelo contrário. Enfim, a vida é uma coisa engraçada - e as pessoas ainda o são mais.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Gente come noi
Ontem, o Google teve a amabilidade de nos recordar que era o 540º (experimentem lá dizer isto por extenso) aniversário de Nicolau Copérnico. Ora acontece que o Copérnico é das figuras históricas que eu mais gosto (é esse e o Savonarola, mas este é porque tinha um nariz engraçado). É verdade que andou para lá a copiar as teorias de uns monges, de forma rudimentar, mas teve alguma coragem ao ser um dos primeiros a defender publicamente o heliocentrismo. Numa época em que os dogmas da igreja se sobrepunham à evolução científica, isto foi um acto de muita lucidez e coragem. O Copérnico teve, por exemplo, muito mais coragem do que o Galileu, bastante tempo mais tarde. Porque, apesar de quase ter ido parar à fogueira e do lendário desabafo sussurrado eppur si muove, ou talvez por isso, é bem certo que o Galileu não teve tomates (tão gira, a gíria). E eu admiro é pessoas com coragem, que põem o dedo na ferida, que é como quem diz, que põem o sol no centro.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pisto(la)rius
Minha gente, é o que vos digo: ser bonita não compensa. Atrai-se todo o tipo de trastes e ainda se acaba com chumbo na testa.
Não é com cantorias que a coisa lá vai
Relvas interrompido por Grândola Vila Morena
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Sou mãe
Se há coisa que me põe fora de mim, que me dá náuseas e me põe verdadeiramente doente, são as mulheres que, sendo domésticas por opção ou por falta de oportunidade ou por preguiça ou burrice, respondem "Sou mãe...!" quando lhes perguntam o que fazem profissionalmente. Sendo tiazorras benzocas ou comuns mortais anónimas, já podiam deixar de usar essa frase infeliz, que, assim de repente, parece uma justificação meio embaraçada, uma qualquer validação forçada para o facto de não estarem inseridas no mercado de trabalho. Que assumam de uma vez por todas que não querem trabalhar, ou que não são capazes, ou que não precisam, mas deixem a condição de mãe fora dos seus argumentos justificativos. Como se as outras, as mães que querem ou têm mesmo de trabalhar, e que enfrentam a dupla jornada de trabalho toda a vida, com ou sem opção, também não fossem mães, ou fossem menos mães por isso.
Lispector Gadget (2)
Mais um gadget da Clarice, com fim prático e útil:
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Descansar primeiro, relaxar depois
Há uns tempos encontrei um diário que escrevi quando tinha cerca de dez anos. Entre muitos outros disparates, havia uma parte em que eu relatava, descrevendo um qualquer dia das minhas férias de Verão, o seguinte: "De manhã descansei e de tarde relaxei". (Via-se que era uma criança promissora.)
Oh, céus. Se já não posso voltar a ter a ociosidade dos meus dez anos, ao menos gostava de recuperar a clareza dogmática, que certamente perdi com o passar do tempo, com que distinguia a subtil diferença entre o prazer de descansar (logo de manhã) e o outro, o de relaxar (da parte da tarde).
Oh, céus. Se já não posso voltar a ter a ociosidade dos meus dez anos, ao menos gostava de recuperar a clareza dogmática, que certamente perdi com o passar do tempo, com que distinguia a subtil diferença entre o prazer de descansar (logo de manhã) e o outro, o de relaxar (da parte da tarde).
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Vícios públicos, virtudes privadas
De há umas semanas para cá, e não sem resistência antes, sou obrigada, a nível profissional, a escrever conforme o novo acordo ortográfico.
Em tudo o que diz respeito à minha vida pessoal continuo a escrever à maneira antiga.
E chega de metalurgia, por hoje
Há um fenómeno chamado erosão por penetração.
Parece que é um processo muito complexo.
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