quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cartilha de Petra

Sinto alguma simpatia pela Petra Nemcova. É tão bonita e tem uma sorte desgraçada com os homens.
Namorou com o James Blunt, o que, só por si, dispensa comentários (o facto de ele lhe ter enfeitado a testa é insignificante ao pé de ela ter de ouvir aquela voz esganiçada e choramingona a cantar).
Anos antes, morreu-lhe um namorado na Tailândia, na tragédia do tsunami (recado para a Rhonda Byrne: isto é prova de que o Universo anda trocado, mais valia ela ter levado o James Blunt para a Tailândia).
Já esteve noiva de um outro indivíduo, e houve alguns tropeções no caminho atribulado que leva ao altar, pois romperam poucos meses antes do casamento.
Como se não bastasse, actualmente namora com o Sean Penn. Mas, como uma desgraça nunca vem só (nisto a Rhonda Byrne parece acertar), já é a segunda vez que namora com o Sean Penn.
Bom, tudo isto apenas para dizer que a rapariga, tem atribulações, mas diz umas coisas muitíssimo simples, e as coisas simples costumam ser as mais acertadas. Diz ela, numa entrevista, que duas pessoas podem ter origens muito diferentes, mas descobrir que caminham no mesmo sentido.
Isto é ridiculamente simples, mas tremendamente acertado. Boa sorte, Petra. A sério.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A crise política e o enjôo de movimento: paradoxos

Soube da notícia da demissão do Portas no pára-arranca de final de tarde, numa auto-estrada, sentada no banco detrás do carro. O cenário pré-notícia não era promissor para mim: pára-arranca+banco detrás = enjôos e vómitos. De modo que, já estava eu munida de saquinho de plástico do vómito, agoniadíssima (e a pensar como é que iria dizer aos meus colegas que tinham de parar o carro porque eu ia vomitar), eis senão quando ouvimos na rádio a notícia. Ora, paradoxalmente, em vez de se agravarem, passaram-me logo os enjôos. Devo esta ao Portas.

O Verão segundo Slim Aarons


De facto, ninguém captou melhor a calidez, a cor, o brilho, da estação estival do que o Slim Aarons.
Durante as próximas semanas vou colocar aqui algumas das suas fotos, porque são realmente contagiantes (até para uma adepta incondicional do Outono/Inverno, como eu).
E porque Verão sem Itália, sem Grécia e sem Mediterrâneo, não é Verão.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sempre a aprender

Ainda acerca dos caracóis: os meus amigos são os melhores do mundo. Alguns também são adoravelmente geek. Fiquei a saber, naquela tarde, que os caracóis, além de deliciosos, são criaturas com exoesqueleto.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Eis algo que não se exporta facilmente

O humor português não é universal, nem transversal, nem coisa que se pareça. Sobretudo o do Ricardo Araújo Pereira e do Gato Fedorento.
Ontem à tarde, na Globo, o RAP estava num programa brasileiro de domingo à tarde. Em vez de achar piada, fiquei quase envergonhada. Começando pela forma de falar: o RAP teve, naturalmente, de falar mais devagar, mas mais parecia neurasténico, de tão lentificado que era o discurso. O humor, que costuma ser tão politicamente português, tão acutilante e certeiro, tão genial, ficou transformado em meia dúzia de piadas básicas e previsíveis. E, pior ainda, todo aquele ambiente descontraído dos brasileiros, contrastava impiedosamente com o fatinho e a gravata com que ele se farda. Simplesmente, não se enquadrava ali.
Compreendo que RAP, Markl, Manzarra e todos esses, tenham de se lançar em novos mercados, nomeadamente, no Brasil: é o que está toda uma nova geração a fazer. (Até porque em Portugal, qualquer dia já não espaço nenhum para o humor, que isto não está para brincadeiras.) Mas, nessa diáspora, os artistas portugueses irão, pelo caminho, perder muitas qualidades que só são verdadeiramente apreciadas cá dentro. (Imagino quando tiverem de se lançar em Angola.)

Está aberta a época de Verão

Tratei da cerimónia oficial de abertura ontem à tarde. Cumpri o ritual dos caracóis. O pano de fundo tem de ser sempre à beira mar ou à beira rio. Confere.
Mesmo que, numa mesa com amigos, tenha sido eu a única a tratar vorazmente desta iguaria. E a ter de responder às mesmas perguntas pertinentes de sempre: "Mas afinal a que é que isso sabe?", "E isso é cozinhado com quê?", "Posso experimentar também? Ai, não, não tenho coragem". Uma pessoa do sul no meio de gente que não é do sul.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Problemas de expressão

Problemas de expressão. Geram gaps fracturantes. Separam pais e filhos, velhos e novos, homens e mulheres, e, sobretudo, cabeleireiros  e clientes. Encontrar um novo cabeleireiro que compreenda o nosso cabelo é um desafio monstruoso.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Desencontros

Ainda sobre aquele artigo do Matt McClain, do Washington Post, sobre a baixa natalidade em Portugal, não sei como querem que seja de outra forma: infelizmente, a natalidade nem sempre é um tema que se resume à idade reprodutiva das pessoas (ao contrário do que os médicos gostam de impingir) e nem tão pouco se limita às condições materiais (como os políticos e economistas costumam gostar de destacar).
Esquece-se, frequentemente, os "desencontros". De facto, a maior parte dos jovens que conheço, que têm relações afectivas estáveis e condições para formar uma família, têm conhecido o desemprego ou a precariedade; mas, inevitavelmente, a maior parte dos jovens que conheço que têm bons empregos, conhecem a outra precariedade, a afectiva.
Não sei se serão simples desencontros ou se é a lei da compensação em acção, mas realmente andam muitas mais coisas a conspirar para que os portugueses, mais dia menos dia, se extingam.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Suavidade ao toque

Isto de se estar parado num semáforo, no trânsito, e o veículo da frente não dar pelo sinal verde ter caído, reveste-se de uma inesperada complexidade. Ou nos deixamos estar eternamente até que o condutor se aperceba que o sinal ficou verde, ou então apitamos. Levemente, de preferência. A buzinadela quer-se suave, "amigável", para o outro perceber que foi só uma chamada de atenção, e que não foi um apito exasperado de quem está cheio de pressa. A subtileza está no grau de suavidade com que se apita. Mas aqui é que está a questão, eu nem sempre tenho essa subtil coordenação motora, ou nem sempre estou em sintonia com a buzina do meu carro, e, pronto, ganho alguns inimigos no trânsito citadino.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

E bom fim-de-semana


Uma imagem que diz tudo, que define tudo, que encerra tudo.
É a prova que de onde menos se espera (eu, pelo menos, não esperava, sinceramente) vem a razão, a razoabilidade, a pertinência de algumas lutas sociais.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Frivolidades: o little white dress




Sou adepta do vestido branco no Verão (e fora dele também). Fico desconcertada com os little black dresses. Sei que é muito elegante e sóbrio, mas várias mulheres, todas juntas, com vestidos de cocktail pretos, dá um ar desgraçado de viúvas negras ou de carpideiras. Não faz sentido que, num país cheio de sol e de luz, com um Verão tão longo e quente, as mulheres se vistam de preto com tanta frequência. O branco é tão mais leve e realça o bronzeado. E, até para as que insistem em vestir-se como viúvas, há uma boa notícia: na Índia, todas as viúvas se vestem de branco. Não há desculpas, portanto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Lucy doesn't like it



A Room With a View, de James Ivory.


- No one will see Lucy off. She doesn't like it.




quinta-feira, 13 de junho de 2013

Verdade

Pá, a São João é a maior. Vejam a magistralidade com que ela descreve homens intelectuais:

"Virei-me então para os eruditos, os intelectuais, os artistas, gente como o alf, que sabe penetrar nos textos, enfiar a sua citação, esfregar a coltura na nossa cara, com fetiches estranhos que envolvem encadernações brochadas e fantasias no Teatro da Cornucópia. Mas é gente com muita dioptria, camisas coçadas nos punhos, gente que se esquece da banhoca e da pasta de dentes, e em que dia é que fazem anos. E alguns são gordos e carecas. E têm caspa. Sim, mesmo os que são carecas."


Além de proporcionar umas boas risadas, isto é mesmo verdade. Eu ainda acrescentaria cortes de cabelo esquisitos, unhas sujas, roupa com nódoas e, lá está, mais caspa.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Macacos de imitação

Depois descobrirem (e de nos copiarem) a dieta mediterrânica, os povos "avançados" da Europa andam agora a descobrir as maravilhas da família unida como instituição base na sociedade. E têm os impagáveis Middleton como ícone da imagem idílica da close knit family, como adoram chamar-lhes.
Ainda não chegaram às alegrias da família alargada (que inclui os padrinhos, os tios-avós, os primos em sétimo grau e a família dos cunhados), os almoços familiares onde se leva cinco horas à mesa, e os tiros de caçadeira por causa de heranças ou de dois metros quadrados de terreno, mas dêem-lhes tempo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lobos

Ofereceste-me o livro e só agora, tantos anos depois, uma vida inteira depois (o tempo, para nós, não existe), me interesso por ele. Sempre me compreendeste melhor do que ninguém. Muito melhor do que eu mesma. O meu profundo agradecimento - do lado de cá do mar, do lado de cá do tempo, do teu lado. A tua voz é (sempre) a minha casa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sacrilégios


Os pastéis de Belém, para mim, não são nada de especial. Mas nada, nada mesmo. Não compreendo all the fuss acerca deles.

Controlo social

Acudiu-me ao pensamento a lembrança de dois momentos cinematográficos que me impressionaram muito. A cena da delapidação (literal) em praça pública da jovem viúva (interpretada por Irene Papas), em Zorba, o Grego (um filme sobrevalorizado), e a espécie de delapidação física e moral da personagem de Giuseppe Tornatore, Maléna, protagonizada pela Monica Bellucci (no filme homónimo que, por sua vez, foi subvalorizado).

Apesar de na história do cinema existirem cenas muito mais dramáticas, a inesperada e desmesurada violência destas duas cenas choca, até pela total impunidade dos culpados, em ambas as situações. Impunidade, porque houve legitimação social. Aliás, os dois crimes são a expressão consumada de um fortíssimo dispositivo de controlo social: a cobiça masculina e a inveja feminina, exercidas cruelmente sobre uma mulher que está "desprotegida".

Dir-me-ão que são cenas do passado. Talvez. Só sei que provêm de dois países com uma matriz cultural próxima (Itália e Grécia) e que espelham uma realidade: a vulnerabilidade da mulher jovem, bela e sozinha, que ousa ter livre arbítrio sobre o seu corpo e a sua vida pessoal.


[post reeditado]

segunda-feira, 6 de maio de 2013

+ Platão - Prozac

Nesta terra há um muro com uma inscrição assim. Deverei ler a Alegoria da Caverna, sempre que vir que ainda me faltam muitos meses para ter férias?


*Por favor, agora não me venham dizer que nas outras cidades também há graffiti fixes destes, vá lá.

Something blue

Na festa de um casamento, à mesa do jantar, havia uma rapariga que também se tinha casado há pouco tempo. A certa altura comentou-se o costume de as noivas levarem "something old, something new, something borrowed, something blue", para dar sorte. Mas a recém-casada, disse, com leda displicência, que não conhecia nada disso. Para choque das outras jovens convidadas, que ficaram petrificadas com essa brutal indiferença para com as sagradas tradições nupciais. Tanto, que as boas almas quiseram logo averiguar o que é que a rapariga afinal tinha usado no dia do seu casamento. Para (algum) alívio de quase todas, chegaram à conclusão que ela tinha usado tudo a preceito, mas faltara-lhe a coisa azul. E ela perguntou, a rir-se, com insuperável inocência: "Mas era mesmo preciso uma coisa azul?"
Sorri com esta cena. Há pessoas que estão tão confiantes e seguras do passo que estão a dar na vida, que não precisam de se agarrar a superstições estúpidas. E, caramba!, tenho que aprender com gente assim.

terça-feira, 30 de abril de 2013

National Geographic

Tal como num documentário sobre a vida animal (mas sem aquele simpático voz off da SIC aos domingos ao final da manhã), quando começa a época do bom tempo, eu costumo observar atentamente os comportamentos sazonais dos meus amigos do Bloco. As migrações de Verão. Eis chegada a estação do ano em que eles começam a planear as suas férias.
Todos os anos (muito antes do José Luís Peixoto ter começado a torná-lo destino turístico da moda) recomendo-lhes o idílico destino de Pyong Yang, esse belo e último reduto de paz e felicidade na Terra. Estranhamente, também todos os anos, os meus amigos daquela espécie ignoram abertamente a minha excelente sugestão, e vão-se auto-flagelar para esse nojo imperialista que é Nova Iorque, essa babilónia consumista que é Londres, ou, imagine-se, para o esgoto capitalista dos resorts caribenhos, esses pardieiros com condições infra-humanas que ferem a susceptibilidade de certas ideologias.  (The horror, the horror, como dizia o Marlon Brando no Apocalypse Now.)
Mas peço-lhes sempre que tirem muitas fotos.

Saiba todo o mundo foi nenem

Saiba todo o mundo foi nenem/ Einstein, Freud e Platão também, como naquela música do Arnaldo Antunes, cantada pela Calcanhotto. Esta criança, pezinhos descalços e sujos de terra, sorriso alegre, nascida em Corfu, filha de pai grego, e fotografada sob o sol inclemente da sua Grécia natal, atravessou um século inteiro, várias guerras, um exílio, um trágico acidente de avião, e uma mudança de país, de nome e de nacionalidade. É hoje o perfeito gentleman britânico, impecável e inevitavelmente sarcástico.  Que por acaso também é o marido da Rainha.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Prioridades

Na Alemanha (soube disto recentemente) o governo dá um subsídio às pessoas que têm cães. Está-se sempre a falar que os alemães já não estão com muita vontade de sustentar a dívida dos gregos (esses malandros preguiçosos, que ainda por cima gostam é de gatos a dormir indolentemente nos parapeitos das janelas). Mas, reparem, os alemães estão dispostos a contribuir com os seus impostos para que haja apoio financeiro a quem tem os bicharocos canídeos. É bonito ver um povo que sabe, claramente, estabelecer as suas prioridades. Se um dia se tem de escolher entre os gregos (ou outro povo preguiçoso qualquer) e os nossos amigos de quatro patas, para o pragmatismo teutónico não haverá qualquer margem de dúvida.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Easy virtue sisterhood

Poder de encaixe. O que é preciso é ter poder de encaixe. Esse é o verdadeiro desafio da Humanidade em geral. E da anatomia feminina em particular.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eficácia comprovada

Em minha casa não há crianças. Mas, de vez em quando, há paredes brancas com nódoas difíceis.

Sunday morning


Immanuel Kant, escreveu um dia (decerto na sua querida Königsberg natal, o cavalheiro parece que nunca saía de lá e as pessoas podiam acertar o relógio pelas vezes que ele passava a caminho da universidade), qualquer coisa como "Acima de mim, o céu estrelado. Em mim, a lei moral". Isto é bonito. Parece que até lhe ficou inscrito na lápide. E eu admiro muito a força estóica da moral kantiana, governada pelo seu inexorável imperativo categórico. Admiro, a sério que admiro. Ela fazia-me falta aos domingos de manhã.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Quando nos toca a nós

Comentava-se a reportagem da SIC, a comparação entre os políticos portugueses e os dinamarqueses. Sorria-se com os paralelismos e as diferenças. Criticava-se muito os gastos dos nossos, elogiava-se as frugalidades deles.
Até que alguém disse que o exemplo começava de cima. Correctíssimo, aprovação geral, mais sorrisos e anedotas.
Mas alguém continuou, dizendo que o exemplo pode partir de cima, mas também tem de ser praticado por todos nós, que o país não são os políticos, não são os outros: o país somos nós. Algumas concordâncias, mas já menos efusivas.
Até que alguém deu um exemplo concreto. Os ministros podem abdicar de motoristas, seguranças, frotas de carros de topo de gama. Mas também há quem possa deixar, tão simplesmente, de fazer telefonemas pessoais nos telefones de organismos públicos, durante o horário de expediente. Se as facturas telefónicas viessem todas detalhadas e se começasse a cortar aí, seriam, com certeza, milhares de euros que se popupava.
Silêncio um pouco embaraçoso. O desconforto pairou ainda durante algum tempo. Depois, dissipou-se. Começou-se a falar de futebol. Os sorrisos e as anedotas voltaram.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ontem foi 17 de Abril


Coimbra, 17 de Abril de 1969

(Lembro-me sempre, ainda que às vezes me esqueça.)

Piropos no trânsito

Conduzindo à noite numa rua íngreme e estreita, a subir, encontro um lugar apertado entre dois carros, paralelos ao passeio. Abrando, encosto, faço pisca e marcha-atrás. Completo a manobra de uma vez só, de forma rápida e simples, como é hábito.
Atrás, vem um carro com quatro rapazes. Passam pelo meu carro, abrandam, um deles abre o vidro, sorri-me e exclama: "Per-fei-to!". E a seguir arrancam, muito satisfeitos.
Ora, qual pernas, qual rabo, qual quê. Isto, sim, homens do meu país, é um elogio bonito e gratificante.

True

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Martin e Hannah

O filósofo alemão Martin Heidegger e uma escritora judia, a apátrida Hannah Arendt, partilharam muito mais do que a intelectualidade de pós-guerra: o sentimento improvável que uniu estes dois durante décadas atravessou um oceano e a ferocidade da ideologia nazi.

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Damn you, common sense

Miracle on 34th street, de George Seaton (1947).

terça-feira, 16 de abril de 2013

I take it back

Ok, retiro tudo o que disse sobre o Verão.
(Esqueci-me que eu e ele nem sempre somos os melhores amigos. Como diria a nossa juventude, ele tem-me feito aí umas cenas.)

Wedding day in Troldhaugen

Digo-vos, Edvard Grieg deve ter composto aquela peçazinha para piano,Wedding day in Troldhaugen (muito engraçadinha e alegrezinha, por sinal), porque devia ter, coitado, a mesma sina que eu. Em viagem, tropeço amiúde em casamentos, ou na sessão de fotografias dos noivos, ou no copo d'água, ou tropeço na própria cauda do vestido da feliz nubente, sei lá eu.
Uma pessoa está no Malecón, em Havana, e lá aparece o carro com a noiva em cima do capot. (Que linda. Se caiu para trás e foi atropelada, no trajecto, desconheço.)
Uma pessoa está a dar uma volta pela Radhuspladsen em Copenhaga e, guess what, uma mancha branca à direita na foto denuncia mais uma que uniu para sempre o seu destino a um ser que, provavelmente, nunca irá baixar o tampo da sanita.
E uma pessoa anda pelas ruas antigas de Lausanne e, meninas solteiras a esperança é sempre a última a morrer: até esta senhora de 97 anos se casou. (Com um gay que usa casaca vermelha, mas, ainda assim, casou-se.)
Uma pessoa está à beira do mar no Golfo do México, e lá irrompe a Marcha Nupcial de Mendelssohn pelo areal fora. Combina sempre tão bem com sons de merengue e espreguiçadeiras cheias de turistas não convidados.

Por fim (e tirando aquela vez em que vi dois (dois!) casais de noivos a embarcarem em gôndolas no Grand Canale, em Veneza), uma pessoa anda a passear por Genebra e o repuxo do Lago deve ter abençoado os recém-casados mais ternos que já vi.
(Parecia um casamento por procuração ou para obtenção de visto, mas, enfim, destes gostei.)

O vestido

Haverá lá coisa mais uplifting que comprar um vestido novo de Verão. Mesmo que saibamos que ele só verá a luz do dia daqui a três meses. Quem não valoriza os pequenos prazeres da vida, não está vivo nem está nada.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Já podes vir


Já podes vir, Verão. Vem sem medo. Anda lá.

Fifties

Gosto muito de toda a estética dos anos 50. Mas não é por isso que digo que este miúdo tem cara de anos 50. É que tem mesmo. Porém, na realidade tem só 7 primaveras e é capaz de um dia vir a ser rei do reino da Dinamarca. E no entanto, poderia sair directamente de um anúncio publicitário americano de 1957.
Ora vejam bem se ele não podia vender estátuas. De leões. Enfim, vender estátuas de leões esquisitas, e assim. Hum. (Coitado. Os fretes que esta gente tem de fazer, logo desde pequeninos.)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

The ultimate precarity

São sempre interessantes, nas recentes manifestações de rua ou em reportagens na televisão, as declarações dos casais jovens que reclamam porque não têm autonomia financeira nem estabilidade para saírem de casa dos pais e viverem juntos, para se casarem, para terem filhos.


Estas pessoas têm absoluta e plena legitimidade para protestar, para se sentirem insatisfeitos, para se sentirem defraudados nas suas expectativas, nos seus projectos de vida. Em tudo o que a sociedade lhes ensinou que podiam esperar da vida adulta.

Mas, mesmo assim, se virmos de uma certa perspectiva menos dramática, estas pessoas ainda podem sentir-se relativamente afortunadas: a precariedade não os atingiu também a nível afectivo. Um casal tem-se um ao outro. E quem se tem um ao outro, pode unir forças e o céu é o limite. Já é uma excelente base, é um bom começo. Quem tem amor tem tudo, afinal. Pois não é isso, o amor, a maior fonte de força e de motivação que existe na vida?

Em situação mais desfavorável ainda estará quem sente na pele a precariedade como factor transversal a tudo. Quem, para além da insegurança profissional, nem estabilidade emocional tem. Quem é atingido pela precariedade no amor, quem sente na pele a insegurança na vida sentimental, quem vive dos recibos verdes de relações inconsistentes, rarefeitas, dúbias, sem sentido. Mas estes últimos não protestam tanto, são mais silenciosos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Acto reflexo

Argélia, Mali, Chipre. Uma trilogia de assuntos internacionais da actualidade. Associo-os a situações complicadas. Menos por serem em si efectivamente reais e sérias. Mais por terem em comum o facto de significarem a interrupção, não menos séria e real, do mais doce dos momentos.

Nettoyage du corps et de l'esprit


Primavera-Verão 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Esplendor na Relva

Aleluia. E já vai muito tarde.

Both sides of the story

Sobre esta engraçada guerrinha entre o Zé Diogo Quintela e o Miguel Sousa Tavares, tenho a dizer que gostei do comentário do Arrumadinho, que achei muitíssimo sensato e que veio recordar alguns factos que as pessoas tender a esquecer facilmente (ou não querem aprofundar, simplesmente), no meio das habituais ondas virais de comentários e entusiasmos que se geram nas redes sociais. E a recordar também que, na maior parte das vezes, vemos só um lado das coisas, só uma versão das histórias, só a superficialidade que nos convém. Esquecemos que somos todos humanos: é muito fácil acusar os outros. Mais difícil é sempre ter sensatez e reconhecer que temos todos telhados de vidro, etc. E tanto que isto nos acontece a todos nós, todos os dias.

terça-feira, 2 de abril de 2013

As Olimpíadas Maternas

De todas as batalhas a que este mundo já assistiu, uma das mais violentas é o desporto de alta competição entre (algumas) mães. É uma modalidade supremamente exigente. Uma espécie de citius altius fortius na grande carreira como progenitoras/educadoras. As mães competitivas entre si são a coisa mais feroz que existe. Primeiro, a comparar e esgrimir os percentis, os pesos e as capacidades motoras e cognitivas (vulgo, “gracinhas”) dos seus bebés; depois, a disputar combativamente o protagonismo, exibindo as notas escolares e proezas desportivas dos miúdos; mais tarde na vida, a projectarem-se na eventual ascensão social dos filhos, alardeando que os rebentos subiram mais alto no pódium da vida e que elas ganharam a medalha de ouro da condição materna. Fujam, fujam delas. Se puderem.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

On the road

Tenho andado com um cd de Mozart a tocar no carro. Não sei muito mais. Só sei que há flautas. E harpas também.
E.
Agora.
Ando.
Muito.
Calma.
No.
Trânsito.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Mon petit paradis helvétique

Esta semana lembrei-me, com saudades, da Suíça. Se me lembrei das montanhas nevadas? Das paisagens? Do queijo Gruyère? Não. Lembrei-me de coisas realmente maravilhosas.
Tais como o transporte gratuito do aeroporto para a cidade num comboio maravilhoso (eu sei, parece ficção, mas é mesmo só premir um botãozinho numa maquineta de bilhetes, logo na zona de recolha de bagagem). Ou de como, lá, qualquer visitante se pode deslocar gratuitamente dentro das cidades, seja em autocarro, eléctrico ou barco.
Posto isto, fiquei um bom bocado com ar sonhador e um sorriso vago no rosto, a pensar que o Céu, afinal, está tão perto.
Há quem sonhe com praias paradisíacas e mares cristalinos (e resorts com grande staff de animadores que fazem cócegas a quem dormita nas espreguiçadeiras ao sol). Eu também tenho as minhas fantasias mas é com boas infra-estruturas e redes de transportes eficientes. Enfim, pode ser que isto se resolva um dia, com décadas de psicoterapia, talvez, não sei, não garanto nada.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Todos os nomes

Estive a dar uma vista de olhos (por pura ociosidade, deu-me para isto, não houve mais nenhum motivo significativo) à lista oficial dos nomes registados em Portugal no ano passado.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.