quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Do tempo, quando cristaliza

Ele trocava palavras breves com o amigo comum. Alheada da conversa entre os dois, ela olhava em redor. Distraída, voltou a olhá-lo, por acaso: apesar da conversa deles, do alto da sua estatura, os olhos fixos nela.

Crush on you 3

Era um pequeno fraco que tinha por aquela pessoa. E, como era um fraco, a coisa não lhe durou muito.

Desmistificar Copenhaga

- sol (o dinamarquês também bronzeia, e bem)
- simpatia (apesar de civilizados, os dinamarqueses são frios, distantes – e muito pouco pacientes com estrangeiros em geral)
- frio (lá fora, quase não se sente porque é seco; dentro de casa, costuma estar um calor infernal, tudo é aquecido, mesmo no Verão)
- lixo (também o há no chão de uma capital escandinava)
- trânsito (pouco: o desagradável efeito visual e sonoro do trânsito é substituído ou mitigado por milhares de bikes nas ruas)
- comida (hum… eu já tinha mencionado a frugalidade nórdica?...)

Crush on you 2

Ela sabia que ele não sabia que ela sabia. Com esse trunfo na mão, observava-o de longe, discreta e divertida. Tacteava-lhe a consistência, tomava-lhe o pulso, radiografava-lhe a estrutura. Cronometrava-lhe a brevidade do entusiasmo.

Crush on you 1

Não sabia como abordá-la. Ficava intimidado com aquela presença luminosa. Como estratégia de compensação, massacrava-lhe a amiga, involuntariamente convertida em Cyrano de Bergérac via SMS.

Tamanho – uma abordagem empírica

O tamanho é irrelevante. Pertinente, sim, será o diâmetro.

Embaixatriz

Gostava da ideia de que todo o estrangeiro é representante do seu país. Os locais olham-nos como uma amostra do nosso povo, ainda que esteja longe de ser representativa. Enquanto estava nesse papel sentia, portanto, a responsabilidade. Já de volta, sabia que tinha levado a missão diplomática a bom porto.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Cansei de ser sexy

Um belo dia, cansou-se. Foi quando descobriu esse curioso projecto musical de umas miúdas brasileiras, num voo intercontinental, e se identificou com o nome.
Estava cansada de vida plástica. O corpo, mero objecto maleável ao serviço da criatividade e rasgo artístico dos outros. Um cabide humano, no final de contas, maquilhado de glamour, disfarçado pelo verniz superficial das festas privadas pós-desfile. Cansada dos castings humilhantes, das rivalidades de bastidores, do book incessantemente submetido a apreciação. Fatigada, trés fatiguée, das escalas em Heathrow, em Frankfurt, em Fiumicino, no Charles de Gaulle. Da vida pessoal dobrada na mala sempre pronta a partir, da vida social perdida no tráfego aeroportuário e nos fusos horários. Da luz opressora dos projectores dos estúdios fotográficos. A pose, a pose. Strike the pose. As cidades do mundo que desfilam pela impessoalidade das janelas dos quartos de hotel, um windowshopping de cosmopolitismo. Os países que nunca há tempo para visitar. A tirania do tempo – contra-relógio – numa actividade de desgaste rápido.
Cansou-se num voo de longa duração, e esse foi o seu verdadeiro regresso a casa.

Dem lille Havfrue



Solitária e melancólica, a figura esguia criada por H. C. Andersen (ou melhor, por Carl Jacobsen) pousa o olhar no horizonte marítimo, indiferente à agitação que a rodeia. Aguarda o seu príncipe perdido, espera o príncipe que nunca voltará.
A piquena sereia somos todas nós.

Este blog andou atracado num belo porto de mercadores

Nos últimos tempos estivemos, portanto, num reino muito antigo, na terra do Patinho Feio, do Lego, da Bang & Olufsen, do castelo de Hamlet, do arquitecto da Ópera de Sidney, dos vikingues, do berço do design nórdico: uma terra de príncipes e princesas. Onde me senti em casa.

The June sessions

Ou: uma evasão meridional o mais real possível.
Muito sol, calor seco, mar e mar, alimentação mediterrânica com muito peixe grelhado, azeite e pão do Sul, noites quentes e estreladas, perfumes doces, entardeceres lânguidos. O mês de Junho, encerrei-o em beleza.

Às vezes,

o mundo é [mesmo] o sítio mais triste do mundo, como alguém dizia.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Nørdic Mist (2)

Københaven é a nova menina dos meus olhos.

Ralações humanas

É no que se tornam, ao fim e ao cabo, algumas relações humanas.

Nørdic Mist ®

Dizia que pedir água tónica tinha reminiscências vagamente coloniais – que era coisa de inglês na Índia.

Pobre menina rica

Era um pouco de auto-comiseração para a Barbara Hutton da mesa 8, se faz favor.

"O verdadeiro windowshopping"

Os cómicos relatos de um amigo acerca de como deambulou pelo Red Light District de Amesterdão.

Cartão de visita

Dos amigos do sexo oposto, com homossexualidade mal resolvida, recebia convites sociais simpáticos, condescendentes: uma jovem com bom aspecto é sempre um agradável cartão de visita em redes de sociabilidade ambíguas.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Próximo destino: a terra do meu amigo Søren Kierkegaard

De malas feitas, para mais uns dias aqui.
Até já.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Copenhaga, há uns dias

A Nova Ópera, do lado de lá, Amalienborg do lado de cá e, ao fundo, a Ponte de Oresund e a Suécia.