Primavera-Verão 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Both sides of the story
Sobre esta engraçada guerrinha entre o Zé Diogo Quintela e o Miguel Sousa Tavares, tenho a dizer que gostei do comentário do Arrumadinho, que achei muitíssimo sensato e que veio recordar alguns factos que as pessoas tender a esquecer facilmente (ou não querem aprofundar, simplesmente), no meio das habituais ondas virais de comentários e entusiasmos que se geram nas redes sociais. E a recordar também que, na maior parte das vezes, vemos só um lado das coisas, só uma versão das histórias, só a superficialidade que nos convém. Esquecemos que somos todos humanos: é muito fácil acusar os outros. Mais difícil é sempre ter sensatez e reconhecer que temos todos telhados de vidro, etc. E tanto que isto nos acontece a todos nós, todos os dias.
terça-feira, 2 de abril de 2013
As Olimpíadas Maternas
De todas as batalhas a que este mundo já assistiu, uma das mais violentas é o desporto de alta competição entre (algumas) mães. É uma modalidade supremamente exigente. Uma espécie de citius altius fortius na grande carreira como progenitoras/educadoras. As mães competitivas entre si são a coisa mais feroz que existe. Primeiro, a comparar e esgrimir os percentis, os pesos e as capacidades motoras e cognitivas (vulgo, “gracinhas”) dos seus bebés; depois, a disputar combativamente o protagonismo, exibindo as notas escolares e proezas desportivas dos miúdos; mais tarde na vida, a projectarem-se na eventual ascensão social dos filhos, alardeando que os rebentos subiram mais alto no pódium da vida e que elas ganharam a medalha de ouro da condição materna. Fujam, fujam delas. Se puderem.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
On the road
Tenho andado com um cd de Mozart a tocar no carro. Não sei muito mais. Só sei que há flautas. E harpas também.
E.
E.
Agora.
Ando.
Muito.
Calma.
No.
Trânsito.quinta-feira, 28 de março de 2013
Mon petit paradis helvétique
Esta semana lembrei-me, com saudades, da Suíça. Se me lembrei das montanhas nevadas? Das paisagens? Do queijo Gruyère? Não. Lembrei-me de coisas realmente maravilhosas.
Tais como o transporte gratuito do aeroporto para a cidade num comboio maravilhoso (eu sei, parece ficção, mas é mesmo só premir um botãozinho numa maquineta de bilhetes, logo na zona de recolha de bagagem). Ou de como, lá, qualquer visitante se pode deslocar gratuitamente dentro das cidades, seja em autocarro, eléctrico ou barco.
Posto isto, fiquei um bom bocado com ar sonhador e um sorriso vago no rosto, a pensar que o Céu, afinal, está tão perto.
Posto isto, fiquei um bom bocado com ar sonhador e um sorriso vago no rosto, a pensar que o Céu, afinal, está tão perto.
Há quem sonhe com praias paradisíacas e mares cristalinos (e resorts com grande staff de animadores que fazem cócegas a quem dormita nas espreguiçadeiras ao sol). Eu também tenho as minhas fantasias mas é com boas infra-estruturas e redes de transportes eficientes. Enfim, pode ser que isto se resolva um dia, com décadas de psicoterapia, talvez, não sei, não garanto nada.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Todos os nomes
Estive a dar uma vista de olhos (por pura ociosidade, deu-me para isto, não houve mais nenhum motivo significativo) à lista oficial dos nomes registados em Portugal no ano passado.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.
E desde já tenho a dizer que fiquei algo supreendida por, hoje em dia, já ninguém pôr o meu nome às pequenas que nascem agora. Quer dizer, já estava à espera das 4939 Marias e das 2393 Matildes (que, declaro, são nomes com que não simpatizo) que para aí proliferam. Mas haver apenas umas míseras dezenas de miúdas com o meu nome (que até é um bonito nome, não é por ser meu, mas é) não deixou de me apanhar de surpresa.
Quando eu andava na escola, chegámos a ser quatro na mesma turma a partilhar este nome que me acompanhará toda a vida. Sem nunca ter sido um nome comum, era um nome muito típico daquela época. Mas, claramente, não se enquadra nesta nova vaga de nomes pseudo-ancestrais (como as Sanchas e os Martins), pseudo-aristocráticos (Leonores e Afonsos) ou com pseudo-status social (as Constanças e os Santiagos), que agora está na moda.
Vai haver várias gerações sem ninguém se chamar assim como eu. E os Tomás e as Carlotas desta vida, quando eu for velha, vão estranhar e gozar muito com o meu nome. Como nós, em pequenas, gozávamos da dona Maria Cesaltina, da Irmã Urbana, da Sr.ª Enfermeira Domitília ou da menina Diamantina (que era menina, mas já era septuagenária). Ou pode ser que gozem também com as 44 Naiaras e com os 62 Lisandros, que cá nasceram em 2012.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Bife com ovo (a cavalo)
Tenho muitas saudades dela. Mas, em breve, vou voltar para ela. Só espero que, entretanto, não tenha sido transformada em hamburguer. Que não esteja feita ao bife, portanto.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Desfolhada
Diogo Infante, porque é que há pessoas que insistem em dizer que desfolham o livro?
Será que também folheiam flores?
Será que também folheiam flores?
Je ne sais quoi
quinta-feira, 21 de março de 2013
Lus Ojus
A Noiva Judia, Rembrandt, 1665, Rijksmuseum, Amesterdão
Kontami la kunseja
ki si camina in tus ojus
kuando lus avris
la manyana
kuando il sol
entra su aguda di luz
in tus suenyus.
Clarisse Níkoisdki
Da série de poemas em judeu-espanhol "Lus Ojus, Las Manus, La Boca".
("Os olhos"
Conta-me o conto
que caminha nos teus olhos
pela manhã
quando o sol
enfia a sua agulha de luz
nos teus sonhos)
Tradução livre
Saudades
quarta-feira, 20 de março de 2013
O Outono na Primavera
(Ah, e também descobri que andei uma vida inteira a confundir a Julie Christie com a Julie Andrews. Come sei stupida, Zozô.)
terça-feira, 19 de março de 2013
É a mesma pessoa mas com sexos diferentes, não é?
David Bowie fez uma parceria com a extraterrestre Tilda Swinton e parece que até já está em primeiro lugar nos tops britânicos.
É tudo muito estranho.
É tudo muito estranho.
segunda-feira, 4 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Volto sempre a Windy Corner
Para mim falar em Daniel Day-Lewis é falar de uma muito jovem e perfeita encarnação de Cecil Vyse. A partir daqui (e até ontem à noite), foi uma feliz sucessão de confirmações da promessa inicial.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Alarde
A vida é uma coisa fascinante, porque nunca é monótona e acaba sempre por desvelar realidades inesperadas. Por exemplo, quando vejo pessoas a fazerem muito alarde da sua felicidade, durante muito tempo e de forma sistemática, torço o nariz. Uma coisa é estar feliz, outra é a necessidade constante de exibir publicamente grandes exultações, ou de insistir em que terceiros testemunhem (permanentemente) grandes provas de sentimentos. Não raro anda ali qualquer coisa que não está bem. (E não, já nem estou a falar nos riscos de AVC desta gente que anda a rebentar de tanta felicidade). Sim, as celebridades são o exemplo mais visível (e, muitas vezes, ridículo) disso, mas é ainda mais interessante quando sucede com pessoas normais, com vidas aparentemente normais. As facetas todas da realidade acabam por vir à superfície, mais cedo ou mais tarde. E nunca são assim tão maravilhosas, bombásticas ou feéricas como a encenação fazia parecer. Pelo contrário. Enfim, a vida é uma coisa engraçada - e as pessoas ainda o são mais.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Gente come noi
Ontem, o Google teve a amabilidade de nos recordar que era o 540º (experimentem lá dizer isto por extenso) aniversário de Nicolau Copérnico. Ora acontece que o Copérnico é das figuras históricas que eu mais gosto (é esse e o Savonarola, mas este é porque tinha um nariz engraçado). É verdade que andou para lá a copiar as teorias de uns monges, de forma rudimentar, mas teve alguma coragem ao ser um dos primeiros a defender publicamente o heliocentrismo. Numa época em que os dogmas da igreja se sobrepunham à evolução científica, isto foi um acto de muita lucidez e coragem. O Copérnico teve, por exemplo, muito mais coragem do que o Galileu, bastante tempo mais tarde. Porque, apesar de quase ter ido parar à fogueira e do lendário desabafo sussurrado eppur si muove, ou talvez por isso, é bem certo que o Galileu não teve tomates (tão gira, a gíria). E eu admiro é pessoas com coragem, que põem o dedo na ferida, que é como quem diz, que põem o sol no centro.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pisto(la)rius
Minha gente, é o que vos digo: ser bonita não compensa. Atrai-se todo o tipo de trastes e ainda se acaba com chumbo na testa.
Não é com cantorias que a coisa lá vai
Relvas interrompido por Grândola Vila Morena
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
O povo é quem mais ordena. Pois. Não, amigos. Estais severamente enganados. Isso era dantes. Agora já não. Dantes, uma cantiga até podia ter muito poder simbólico e o povo também, algum poder efectivo de mudança, de reivindicação. Mas porque é que se insiste em símbolos anacrónicos, como esta canção? A crise actual não é a crise de 74. O povo actualmente não tem poder nenhum. Devia ter. Podia ter. Mas não tem. Não se pode ter poder com taxas de desemprego como as actuais, com uma precariedade e instabilidade incríveis a nível de trabalho, com a fuga de cérebros para o estrangeiro, com o sindicalismo pelas ruas da amargura, e com sobretudo com a própria falta de cidadania e de consciência cívica e política que grassam por aí. Não só o povo não tem poder nenhum, como, com cantorias, ainda se dá oportunidade ao Relvas de poder gozar com a situação (como gozou, é só ver o vídeo). O caminho para a solução não sei bem qual é, mas se calhar não passa pela estrada de Grândola.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Sou mãe
Se há coisa que me põe fora de mim, que me dá náuseas e me põe verdadeiramente doente, são as mulheres que, sendo domésticas por opção ou por falta de oportunidade ou por preguiça ou burrice, respondem "Sou mãe...!" quando lhes perguntam o que fazem profissionalmente. Sendo tiazorras benzocas ou comuns mortais anónimas, já podiam deixar de usar essa frase infeliz, que, assim de repente, parece uma justificação meio embaraçada, uma qualquer validação forçada para o facto de não estarem inseridas no mercado de trabalho. Que assumam de uma vez por todas que não querem trabalhar, ou que não são capazes, ou que não precisam, mas deixem a condição de mãe fora dos seus argumentos justificativos. Como se as outras, as mães que querem ou têm mesmo de trabalhar, e que enfrentam a dupla jornada de trabalho toda a vida, com ou sem opção, também não fossem mães, ou fossem menos mães por isso.
Lispector Gadget (2)
Mais um gadget da Clarice, com fim prático e útil:
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Descansar primeiro, relaxar depois
Há uns tempos encontrei um diário que escrevi quando tinha cerca de dez anos. Entre muitos outros disparates, havia uma parte em que eu relatava, descrevendo um qualquer dia das minhas férias de Verão, o seguinte: "De manhã descansei e de tarde relaxei". (Via-se que era uma criança promissora.)
Oh, céus. Se já não posso voltar a ter a ociosidade dos meus dez anos, ao menos gostava de recuperar a clareza dogmática, que certamente perdi com o passar do tempo, com que distinguia a subtil diferença entre o prazer de descansar (logo de manhã) e o outro, o de relaxar (da parte da tarde).
Oh, céus. Se já não posso voltar a ter a ociosidade dos meus dez anos, ao menos gostava de recuperar a clareza dogmática, que certamente perdi com o passar do tempo, com que distinguia a subtil diferença entre o prazer de descansar (logo de manhã) e o outro, o de relaxar (da parte da tarde).
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Vícios públicos, virtudes privadas
De há umas semanas para cá, e não sem resistência antes, sou obrigada, a nível profissional, a escrever conforme o novo acordo ortográfico.
Em tudo o que diz respeito à minha vida pessoal continuo a escrever à maneira antiga.
E chega de metalurgia, por hoje
Há um fenómeno chamado erosão por penetração.
Parece que é um processo muito complexo.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Ricardo Ubíquo Pereira
Não simpatizo com o Ricardo Pereira. Enfim, não simpatizo com a figura pública que ele representa, como algumas vezes nos acontece (Bom, no meu caso, até são muitas vezes. Também embirro diabolicamente com o Manzarra, e com aquela coisinha pequenita chamada Carolina Patrocínio, e com a outra, a Vanessa Oliveira, então, é uma coisa visceral). Mas há algo que me intriga no Ricardo Pereira. É que o Ricardo Pereira está em todo o lado. Literalmente em todo o lado. O homem é entrevistado na RTP, o homem está na Globo, o homem aparece na SIC, o homem entra em todas as telenovelas, o homem faz peças de teatro, o homem está em Portugal, o homem está no Brasil, temo bem que o homem possa estar na parafarmácia do Continente enquanto eu compro os meus cremes. Esta criatura tem o que até agora era prerrogativa divina, o homem tem o dom da ubiquidade.
Hasta la victoria, (para) siempre
Este senhor vai durar para sempre? Pois, este senhor vai durar para sempre.
Chateia-me gente que se eterniza. Que ambiciona interferências teleológicas, ainda por cima. Que falta de chá.
Chateia-me gente que se eterniza. Que ambiciona interferências teleológicas, ainda por cima. Que falta de chá.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Simplex, Save Our Souls
Há um improvável denominador comum entre os sites de compras portugueses e as embalagens de produtos alimentares (também adoravelmente) portugueses: são ambos regidos por forças maquiavélicas. Forças que nunca me deixam utilizá-los de forma rápida.
Para mim, sites e embalagens portugueses são sempre duas situações desnecessariamente complicadas, inexplicavelmente pouco funcionais. Não há uma vez que eu consiga, à primeira e com ligeireza, efectuar a compra de um livro num site português ou abrir uma lata de grão do Pingo Doce, sem que haja sofrimento, sangue ou destroços.
Gostava muito de assumir que isto é problema meu, mas não posso, porque em sites estrangeiros tudo me funciona como no paraíso, só faltam os cânticos angelicais. Com as embalagens, idem. Tenho experiências muitíssimo felizes com embalagens de queijo grego, por exemplo (que, enfim, não será bem helénico mas sim produzido na Dinamarca, e que, aleluia para pessoas com mãos pouco hábeis, tem um esquema de abertura abençoadamente nórdico e infalível).
Posto isto, está claro que preciso de um Simplex aplicado à minha vida enquanto consumidora em Portugal. Porque, claramente, não é só nos meandros labirínticos da administração pública que os portugueses gostam de complicar.
Para mim, sites e embalagens portugueses são sempre duas situações desnecessariamente complicadas, inexplicavelmente pouco funcionais. Não há uma vez que eu consiga, à primeira e com ligeireza, efectuar a compra de um livro num site português ou abrir uma lata de grão do Pingo Doce, sem que haja sofrimento, sangue ou destroços.
Gostava muito de assumir que isto é problema meu, mas não posso, porque em sites estrangeiros tudo me funciona como no paraíso, só faltam os cânticos angelicais. Com as embalagens, idem. Tenho experiências muitíssimo felizes com embalagens de queijo grego, por exemplo (que, enfim, não será bem helénico mas sim produzido na Dinamarca, e que, aleluia para pessoas com mãos pouco hábeis, tem um esquema de abertura abençoadamente nórdico e infalível).
Posto isto, está claro que preciso de um Simplex aplicado à minha vida enquanto consumidora em Portugal. Porque, claramente, não é só nos meandros labirínticos da administração pública que os portugueses gostam de complicar.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Gente assim
My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai (2007). Com Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman e Rachel Weisz
Elizabeth, no decurso de uma longa viagem, vai enviando a Jeremy postais de cada sítio por onde passa.
Elizabeth, no decurso de uma longa viagem, vai enviando a Jeremy postais de cada sítio por onde passa.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Harakiri, meu amor
Ora então um ministro japonês veio dizer que os idosos deveriam era apressar-se a morrer, que era um alívio e um consolo para as despesas do Estado. É muito curioso isto vir de um país com uma muito longeva população, que social e tradicionalmente respeita muitíssimo (ou tem respeitado até agora) a população anciã. Mas deve ser um sinal dos tempos. (Não quererá o ministro, que tem 72 anos, dar o exemplo e praticar um nobre harakiri em prol do Estado Social...?)
Quer dizer: a humanidade tem enfrentado todo um milenar e complexo processo civilizacional essencialmente orientado para o avanço da medicina, da melhoria das condições de vida e da saúde pública, da educação. Tudo, para, em última instância, contribuir-se para o aumento da esperança média de vida e, em suma, simplesmente para todos termos uma vida cada vez mais longa e melhor.
E agora andam os políticos a guinchar sobre aquilo que não é novidade nenhuma e que já era mais que previsível em todos os tratados de demografia desde os anos 70. Que a população está a envelhecer, que os que dependem são mais do que os que contribuem. E tudo isto é verdade, de facto. O que me parece é que agora cada vez mais se dá, à descarada, as boas vindas à morte dos desgraçados dos anciãos, como se os pudéssemos varrer para debaixo do tapete (eu incluída, que daqui a umas décadas também o serei, e trabalharei até à provecta idade de 89 anos sem direito a reforma nenhuma e sem a poesia dos Pearl Jam de uma elderly woman behind the counter in a small town), e a mesma começa a ser, igualmente à descarada, considerada a panaceia para os grandes males dos Estados.
Vivemos um contra-senso. Mas é normal, é tudo normal. Não se preocupem. Um primo meu, há muitos anos, imaginou que a nossa crescente população envelhecida criaria um dia o Partido dos Idosos Unidos. O PIU, portanto. E com um PIU, com certeza, todos venceremos.
Quer dizer: a humanidade tem enfrentado todo um milenar e complexo processo civilizacional essencialmente orientado para o avanço da medicina, da melhoria das condições de vida e da saúde pública, da educação. Tudo, para, em última instância, contribuir-se para o aumento da esperança média de vida e, em suma, simplesmente para todos termos uma vida cada vez mais longa e melhor.
E agora andam os políticos a guinchar sobre aquilo que não é novidade nenhuma e que já era mais que previsível em todos os tratados de demografia desde os anos 70. Que a população está a envelhecer, que os que dependem são mais do que os que contribuem. E tudo isto é verdade, de facto. O que me parece é que agora cada vez mais se dá, à descarada, as boas vindas à morte dos desgraçados dos anciãos, como se os pudéssemos varrer para debaixo do tapete (eu incluída, que daqui a umas décadas também o serei, e trabalharei até à provecta idade de 89 anos sem direito a reforma nenhuma e sem a poesia dos Pearl Jam de uma elderly woman behind the counter in a small town), e a mesma começa a ser, igualmente à descarada, considerada a panaceia para os grandes males dos Estados.
Vivemos um contra-senso. Mas é normal, é tudo normal. Não se preocupem. Um primo meu, há muitos anos, imaginou que a nossa crescente população envelhecida criaria um dia o Partido dos Idosos Unidos. O PIU, portanto. E com um PIU, com certeza, todos venceremos.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Taylorismo
Já dizia o amiguinho Jack Johnson "They say Taylor was a good girl". Eu não sei se esta miúda, a Taylor Swift, é boa menina ou se canta alguma coisa de jeito. (Eu nunca a ouvi, para mim, é uma pequena Swift no grande Gulliver da indústria musical). Só sei que, para além de ter namorado meteoricamente um Kennedy (o que, por si só, é um pleonasmo divertido, se formos a ver a longevidade do clã em causa), para uma rapariga de 23 anos destaca-se por ter um estilo muito próprio e muito interessante, por sinal. Está ali entre o neo-romantismo discreto e o clássico moderno e o preppy naïf, sem nunca ser óbvia ou vulgar, o que não é comum entre as mulheres da idade dela. Eu chamo-lhe o Taylorismo - teorias da gestão da produção à parte, bem entendido.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
A pomada de Descartes
Na farmácia estava um cartaz com um anúncio publicitário ao Halibut, aquela pomada com propriedades cicatrizantes para feridas e coisas assim, para quem não sabe. Era lindo, lindo, rezava assim: “Penso, logo Halibut”. Tenho muita pena que muitas pessoas cheguem às farmácias e, legitimamente, têm tanto em que pensar na vida, naturalmente em muitos casos em questões de saúde, e não apreciam devidamente a subtileza deste prodigioso slogan de inspiração cartesiana. Que nunca se subestime uma ida à farmácia.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Cruzes, credo
Penso que, apesar de não ser um tema da agenda actual (vá-se lá saber porquê), nunca será demais assinalar a dramática importância do tema destas igrejas modernas (católicas, convencionais, sublinhe-se) que têm na fachada principal uma cruz de néon. Ontem à noite, inesperadamente, passei por uma. Filhos, haverá lá coisa mais spooky, creepy, jesuschristsuperstar, sei lá que mais.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Aquilo no Mali
Aquilo no Mali está um bocado mali.
Se alguém me perguntar se fui eu que disse isto, nego tudo.
Se alguém me perguntar se fui eu que disse isto, nego tudo.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Temporalidade
Edwina Mountbatten, a última vice-rainha da Índia – a tal sobre quem se especulou ter vivido um romance com Nehru – manteve, depois de ter regressado a Inglaterra, no pós-1947, o seu relógio de pulso acertado pela hora indiana, até ao último dia da sua vida.
[post reeditado]
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Separar o trigo do joio
A melhor parte de crescer, viver e ter experiências acumuladas é poder aprender, aos poucos, a separar o essencial do acessório. Ir aperfeiçoando esse intrincado processo de distinguir aquilo que é verdadeiramente importante do que não é, saber realçar o principal e relativizar o que pode ser secundário, adaptável, supérfluo, efémero.
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