domingo, 11 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Paixão e um mundo melhor
Com humor e verdades acutilantes, com exemplos de coragem e histórias verídicas, eis um vídeo que me despertou hoje de pensamentos minúsculos e de minúsculas contrariedades e situações da vida pessoal, para recordar que há coisas no Mundo realmente importantes.
Via Alice in my head. Obrigada, Ecila.
Expect too much

"There will be little rubs and disappointments everywhere, and we are all apt to expect too much; but then, if one scheme of happiness fails, human nature turns to another; if the first calculation is wrong, we make a second better: we find comfort somewhere."
Mansfield Park, Cap. V, de Jane Austen
Via Team Jane
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Um filme
Rabbit-Proof Fence (2002), de Phillip Noyce.Não é um grande filme nem nada disso. Mas não é preciso ser um grande filme para ser um filme bom.
O primeiro ministro australiano pronunciou-se há uns tempos sobre isto e formalizou um pedido de desculpas. Pena que os pedidos de desculpas não tenham efeitos rectroactivos no sentido de sanar o mal que foi feito.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Erro fatal
O sistema informático com que habitualmente trabalho, apresentou-me constantemente este erro nos últimos dias: "Fatal error". Assim, a vermelho e tudo. Inviabilizando qualquer tentativa de trabalho. Impeditivo e incontornável.
Não sei se há alguma misteriosa interligação entre o sistema e a minha vida pessoal, mas, se assim fosse, já vinha tarde. Deveria ter-me alertado, isso sim, no ano passado. Mais especificamente, em Abril, em Junho, em Novembro e em Dezembro do ano passado.
terça-feira, 6 de julho de 2010
A praia é, antes de mais, uma experiência sensorial
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Tudo em família
Três gerações de britânicas, avó, filha e neta, embriagam-se alegremente no voo de Londres para Palma de Maiorca.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Tráfego emocional
(Calma, lá chegará o dia em que falarei de trânsito intestinal, mas ainda não é hoje.)Às vezes, estamos bloqueados em termos afectivos e só vemos sentidos proibidos, limites de velocidade e proibitivos semáforos vermelhos. E é uma maçada quando vemos isso tudo mas só nos apetece carregar a fundo no acelerador e seguir sempre a abrir.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Apologia das magras
Quando me vejo no meio de um gineceu generoso em camadas adiposas sinto-me sempre uma marginal, uma outsider, uma traidora da fisionomia tradicional feminina e da boa imagem ancestral de fertilidade. Estou no limbo. Enfim, uma proscrita entre elas. Por isso, volto sempre a este texto cru e incisivo do Eduardo n'A Sexta Coluna, que, apesar de ter quase quatro anos, ainda é reconfortante:
"Em Espanha, depois do fumo e da sesta, querem proibir a magreza das mulheres. Sou, como é óbvio, contra. Gosto de mulheres magras. De preferência, muito magras. Se possível, majestaticamente magras e curvilíneas. Contradição? Nem por isso. As curvas não têm nada a ver com o peso. Existem ou não existem. São um dote natural. Uma mulher sinuosa, magra ou gorda, é sempre uma mulher sinuosa. A magreza apenas realça ainda mais as curvas que já ostenta. Ao contrário, uma mulher sem curvas, por mais que amplie a massa corporal, está condenada a viver sem curvas. A gordura nunca se acomoda onde faz falta. A sua distribuição pelo corpo é dos fenómenos mais grosseiros da natureza. A gordura é infame. Assalta o pescoço, os braços, a cintura, os tornozelos, os pés. Deixa a mulher pesada e (afinal) sem forma.Por mais que tentem impingir às pessoas que o que interessa é o interior, a verdade é esta: em primeiro lugar, mulher magra e curvilínea; em segundo, exequo, mulher generosa e curvilínea e mulher magra e aplanada; último lugar: mulher gorda."
Que eu, nestas questões, admiro sempre os homens: não têm dilemas com o corpo e não alimentam essa construção social hipócrita da "beleza interior".
quarta-feira, 30 de junho de 2010
É quase como vender a alma ao diabo
Amar tem contrapartidas, todos o sabemos.Por exemplo, se queremos embarcar nisso do amor, e ter toda a felicidade associada, também temos de estar preparados para uma certa dose de sofrimento.
Seja antes de tudo começar (há processos de conquista que são autênticos partos dolorosos), seja durante (as célebres crises dos 3, dos 7, dos 10 anos, etc.), seja depois (quando tudo acaba).
Ou seja. Somos amados, mas sofremos um bocado. Mas somos amados. (Hum... Mas, lá está, sofremos um bocado.)
terça-feira, 29 de junho de 2010
Simetria
Quando se é perfeccionista incorrigível e um bocado control freak, tem-se imensa dificuldade em aceitar as incongruências da vida. Tais como uma boa parte do nosso percurso depender do puro acaso e, muitas das vezes, dos erros.Quem procura seguir uma trajectória linear, certinha, sofre sempre de cada vez que há desvios imprevistos. A quem sempre adorou a simetria, o equilíbrio e as escolhas racionais, custa-lhe, quando se impõem as irregularidades das escolhas afectivas.
La famiglia

O prognatismo de D. Vito Corleone (aka Marlon Brando com algodões no interior das bochechas) é dos produtos cinematográficos mais tragicómicos que Hollywood jamais pariu.
Mas adiante.
A certa altura da vida, já todos nós conhecemos gente que se assemelha à da pandilha siciliana do Padrinho Corleone. Gente do piorio, mânfios de primeira apanha, mas, ai credo!, com grandes pruridos de honra e códigos “éticos” muito nobres, sempre muito enfiados na igreja e a benzerem-se todos.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Anti-clímax
O que mais aprecio num homem é uma virtude rara.
Não é a beleza, nem o sentido de humor, nem tão pouco a inteligência.
É a bondade.
domingo, 27 de junho de 2010
Existencialismo e dança oriental clássica

Ah, pois. Pensava-se que isto era um blog muito clássico e sereno e tal, e afinal , vai-se a ver, tem um lado bimbo.
Aliás, eu diria mesmo que se pode falar em hipertrofia do lado bimbo.
Mas que querem? Em vez de me dedicar à angústia existencialista e ao solipsismo da alma nas quais se refugiou o meu filósofo Kierkegaard quando acabou tudo com a Regina Olsen, decidi dedicar-me à dança.
Não vou ficar para a História do moderno pensamento europeu, mas divirto-me muito mais do que ele.
Olha, esta menina dança (quase) tão bem como eu
É alemã e tem o meu estilo de dança preferido: sorridente, delicada, elegante e extremamente feminina.
No extremo oposto, mas igualmente perfeitas no que fazem, estão a Saida (voluptuosa, inflamada, mas um bocado pornostar), a Didem (exuberante, mas um pouco exagerada nas técnicas de percussão) e a sempre magnífica Rachel Brice (ainda que gótica e no seu próprio estilo de fusão tribal).
sábado, 26 de junho de 2010
Da intemporalidade
Uma princesa persa do século XVII, Arjumand Banu Begam, casou-se com Shah Jahan, imperador mongol. Shah Jahan, que recebeu todo o seu apoio e afecto em várias circunstâncias, e que a adorou em vida, ficou devastadíssimo com a sua morte. Encomendou então o mais belo túmulo que alguma vez havia sido erguido, e desenhou ele próprio o projecto, para homenagear para sempre a mulher da sua vida. Mesmo (ou sobretudo) depois de 14 filhos e quase vinte anos de vida em comum.sexta-feira, 25 de junho de 2010
Testosterona de luxo #11
Os suecos, por outro lado
Uma vez, um sueco disse-me que tinha estado no Porto. Quando lhe perguntei se tinha gostado, respondeu-me que tinha achado a cidade“muito comunista”.Depreendi que ele não estivesse a falar da atmosfera ideológica da cidade ou das gentes, mas sim de similaridades estéticas (alguma degradação e obscuridade arquitectónicas e urbanísticas) entre o Porto e algumas cidades da velha Cortina de Ferro, por oposição às assépticas cidades nórdicas.
Decidi não lhe dar conversa. Não era muito giro, enfadou-me, e eu não o quis defraudar nas (muito baixas) expectativas que certamente tinha em relação às pessoas portuguesas.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Prazeres fonéticos
Bem, tudo aquilo no post anterior para dizer que há verdadeiros
deleites inexplicáveis.
deleites inexplicáveis.
Como o som gutural da língua sueca. Sons
ásperos que parecem ter estranhos laivos de idiomas asiáticos, que
parecem vir directamente e sem qualquer evolução da dos antigos
bárbaros vikingues e outros grupos tribais do Norte gelado. Uma língua
tão agreste que contrasta com a sofisticação do seu povo. E que,
apesar de indecifrável, proporciona um puro gozo auditivo.
Ora reparem:
ásperos que parecem ter estranhos laivos de idiomas asiáticos, que
parecem vir directamente e sem qualquer evolução da dos antigos
bárbaros vikingues e outros grupos tribais do Norte gelado. Uma língua
tão agreste que contrasta com a sofisticação do seu povo. E que,
apesar de indecifrável, proporciona um puro gozo auditivo.
Ora reparem:
Prazeres fonéticos (Preâmbulo)

A Suécia tem muita coisa boa. A comida não é uma delas.
Mas, por exemplo, a forma hábil com que se optimizou o potencial turístico do casamento da princesa Victoria é louvável, como aqueles cartazes todos à chegada ao aeroporto de Estocolmo a dizerem“Bem-vindos à cidade do amor”.
E também a forma como se incorporou logo o potencial simbólico dedemocracia e de sociedade sem grandes desníveis de classes sociais queo próprio casamento da Victoria consubstancia: o jovem personal trainer, empresário self made man, que se torna príncipe consorte dafutura rainha.
Potencial simbólico aquele que, na geração anterior, já havia sidoapanágio do casamento dos próprios pais de Victoria, unindo um jovem rei a uma rapariga plebeia de origem germânico-brasileira (coisa pela qual muito lutaram e que, por só por isso, não desculpa as resistências iniciais que colocaram à Victoria e ao seu Daniel, mas enfim).
A família real sueca é uma família jovem, simpática, moderna, que educou os filhos em escolas públicas até ao secundário, não tem grandes snobismos nem escândalos. E que, como se vê, consegue até conquistar simpatia junto de uma jovem republicana portuguesa.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Não, nunca morre
Era perito a escrever frases crípticas. O que ele não sabia é que ela tinha todo o prazer em despi-lo de enigmas.
Poder de síntese
À maneira dos ritmos sazonais oitocentistas
Ao longo do ano, e ao contrário do que agora é vigente (talvez por causa da praia e das festas de Verão), a sua vida social seguia mais ou menos a tendência da que antigamente era a da alta burguesia e da aristocracia do século dezanove.Ou seja, o clímax é atingido nos rigores do Inverno (quando é uma tortura vestir um top leve e ousado), à semelhança do que dantes era a época dos salões de bailes, a saison, que reabria em Outubro e se prolongava até Março ou Abril.
Em chegando o tempo primaveril, menos inclemente, a vida social vai-se tornando menos frenética, e no Verão todos se dispersam nos seus retiros de campo ou na praia.
E tudo é bonito, luminoso, leve, cálido e langoroso como uma bela manhã de Verão. Socialmente, é uma grandesíssima seca.
Porque à mulher de César não basta sê-lo
terça-feira, 22 de junho de 2010
Vidas, ideais, circunstâncias
Olga Benário era judia, comunista, alemã. Como pertencia activamente à Internacional Comunista, foi destacada para acompanhar pessoalmente e apoiar Luís Carlos Prestes, que regressava da Rússia para o Brasil, para reforço do Partido Comunista Brasileiro. Envolveram-se, durante esses tempos conturbados da ditadura de Getúlio Vargas. Foram descobertos e denunciados quando ela estava grávida de uma filha. Judia e comunista, combinação duplamente letal. Foi deportada para a Alemanha, presa pela Gestapo sem nenhuma acusação. Teve a filha (que sobreviveu), e foi executada num campo de concentração, onde ainda teve tempo de mobilizar acções de resistência e de solidariedade entre as reclusas. Dar o nó
Quantos homens (homens a sério) com menos de 40 anos sabem realmente fazer um nó de uma gravata?
Mas não tentem fazer isto em casa

Experimentem explicar a um cidadão estrangeiro (para quem é normal o esquema de, no ensino superior, haver um tutor para acompanhar um grupo de quatro ou cinco alunos e com uma vertente muito prática) que, numa certa universidade portuguesa, o ensino das ciências jurídicas consiste num mestre divinizado no alto da sua cátedra com a missão de dificultar o que é simples e teorizar o que deve ser prático, à melhor maneira do ensino escolástico medievo, onde quase só falta escrever com uma pena e um tinteiro.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Museu da Acrópole
O Museu da Acrópole, na Dionissus Aeropagitou, em Atenas, foi uma (muito agradável) supresa. Nem sequer constava do itinerário principal primeiramente idealizado , mas, por um felicíssimo acaso, veio a ser parte dele.
Absolutamente rendida àquele edifício ultramoderno, cheio de luz, arquitectonicamente pulcro, onde habitam, serenas e majestáticas, cinco das seis Cariátides originais (a sexta irmãzinha está, coitada, desterrada na Inglaterra, e os bifes não a devolvem, nem por nada. Maus! Feios!).
Bem, é, de facto, um elemento a reter na cidade, e que nos devolve um pouco ao século XXI, já que deambular por aquela cidade proporciona uma dupla viagem no tempo:
- ou a realidade de há dois mil anos, quando os Atenienses estavam na vanguarda da cultura ocidental;
- ou uma realidade de anos 80, pré-União Europeia, em que os Atenienses são criaturas algo... controversas... digamos assim, em termos de civismo, profissionalismo, comportamento rodoviário, asseio público, etc., etc. etc... (Mas muito boa gente.)
domingo, 20 de junho de 2010
Pois.
Ainda há pouco tempo escrevi sobre ele. Ou melhor, sobre umdos seus livros.Admiro-lhe a obra, reconheco o génio literário, li quatro livros e gostei de todos, li-os todos com grande interesse e voracidade.
Não gostava dele como pessoa, da postura arrogante, dura e seca. E este é o melhor post de todos os tempos sobre ele. Linda Menina.
Testosterona de luxo #10
sábado, 19 de junho de 2010
E até tenho vontade de vomitar um bocadinho
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Podem escolher todas as cores, desde que seja o preto
Pelos vistos, o Henry Ford e a sua célebre máxima para o modelo Ford T ainda estão muito em voga. Há mulheres que parece que desconhecem qualquer outra realidade na vida para além dos vestidos curtos pretos, seja em que ocasião for, seja em que estação do ano for.Gente, há muito mais cores no mundo. Não é preciso irem todas em série, vindas directamente da linha de montagem.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Toda a verdade (2)
Toda a verdade

Lev Nikoláievich Tolstoi, o jovem aristocrata rural russo e futuro escritor viveu, na sua juventude, experiências de grande devassidão, alistando-se no exército, convivendo com prostitutas e viciando-se no jogo, onde perdia muito dinheiro. Aos trinta e quatro anos, casou-se com uma muito jovem e pura Sofia Andreievna, iniciando assim uma longa vida em comum, que seria marcada por alguns extremos que iam da maior paixão às mais violentas discussões. Tolstoi, o idealista apaixonado e utópico, e Sofia, a mulher prática que o devolvia às questões quotidianas e lhe copiou à mão seis vezes as mil páginas de "Guerra e Paz".
Imediatamente antes de se casarem, Tolstoi entregou-lhe os seus diários de juventude e insistiu para que ela os lesse, num gesto admirável de transparência e honestidade, para que a futura noiva tivesse conhecimento de todo passado do homem com quem iria casar. Foi uma Sofia muito escandalizada que lhe devolveu os diários, depois de lidos. Mas determinada e convicta na decisão de com ele se casar e iniciar um casamento que foi, num balanço geral, muito longo e feliz.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Boys 'R' Us
domingo, 13 de junho de 2010
Clássicos

Ver o Anna Karenina de 1997, depois de o conhecermos na monumental versão escrita de Tolstoi, pode ser uma experiência de profunda desilusão. É certo que não é fácil adaptar uma obra literária esmagadora a duas ou três horas cinematográficas. Mas, se não é fácil, é por isso que não deveriam entregar essa missão a pessoas que não o sabem fazer com grande arte. É uma pena, porque a excelente Sophie Marceau é um desperdício ali e o seu talento e beleza são eclipsados por um argumento absurdamente adaptado e outros desastres que tais. Muito deprimente.
Entretanto, para expurgar-me da decepção Rússia imperial oitocentista, vou ali ver o Apocalipse Now, esse outro grande clássico que nunca vi (mea culpa, mea maxima culpa). E depois de ter visto há dias (e também pela primeira vez, imagine-se!) a trilogia de O Padrinho, a seguir vou ver, se me der na cabeça, o Platoon.
Estou voluntariamente a despojar-me da cinefilia girlish que costumo cultivar. O que é um esforço louvável da minha parte, há que dizê-lo. 

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