domingo, 13 de junho de 2010
Clássicos

Ver o Anna Karenina de 1997, depois de o conhecermos na monumental versão escrita de Tolstoi, pode ser uma experiência de profunda desilusão. É certo que não é fácil adaptar uma obra literária esmagadora a duas ou três horas cinematográficas. Mas, se não é fácil, é por isso que não deveriam entregar essa missão a pessoas que não o sabem fazer com grande arte. É uma pena, porque a excelente Sophie Marceau é um desperdício ali e o seu talento e beleza são eclipsados por um argumento absurdamente adaptado e outros desastres que tais. Muito deprimente.
Entretanto, para expurgar-me da decepção Rússia imperial oitocentista, vou ali ver o Apocalipse Now, esse outro grande clássico que nunca vi (mea culpa, mea maxima culpa). E depois de ter visto há dias (e também pela primeira vez, imagine-se!) a trilogia de O Padrinho, a seguir vou ver, se me der na cabeça, o Platoon.
Estou voluntariamente a despojar-me da cinefilia girlish que costumo cultivar. O que é um esforço louvável da minha parte, há que dizê-lo. 

sábado, 12 de junho de 2010
Um pouco de Turquia, aqui
Há dias, fui ver isto. Rodopio derviche. Enigmático, místico, de cariz vincadamente espiritual. A mão direita para cima, a esquerda sempre para baixo. Giram, giram, e nunca se desequilibram.
Eu também gostava de ter essa capacidade: apesar dos torvelinhos da vida, não me deixar desequilibrar. Mas eu nunca chegarei ao estado de nirvana destes homens. Demasiado humana e imperfeita para isso.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Anestesia geral
Com o Mundial de Futebol, o Benfica campeão e o Papa pelo meio, temos, no primeiro semestre deste ano, um lindo parêntesis de anestesias para uma boa parte do povo português, daquele que se presta muito a estas coisas. O Sócrates pode subir o IVA à vontade e taxar os subsídios da malta toda, que nem dão pela picada. Então com o Verão, o calor e a praia, ui, aí é que só vão mesmo acordar para a vida em Outubro. E se já temos Fátima e futebol, só falta mesmo o fado, para estar completa a trilogia da alienação, à boa maneira dos tempos do Senhor Professor.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Bolsa de valores
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Sunday morning

Immanuel Kant, escreveu um dia (decerto na sua querida Königsberg natal, o homem parece que nunca saía de lá), qualquer coisa como "Acima de mim, o céu estrelado. Em mim, a lei moral". É bonito. E eu admiro tanto a força estóica da moral kantiana, governada pela sua inexorável lei moral. Admiro. Sobretudo aos domingos de manhã.
domingo, 6 de junho de 2010
Trás-os-Montes
Há em muitas pessoas do interior norte do País uma espécie de pureza primordial que nem sempre é fácil encontrar noutros lados. E é adorável quando essa idiossincrasia se reflecte em certas expressões ou detalhes de atitude social.
Como quando um jovem, para arrefecer os ânimos do grupo de amigos, diz: "Malta, não vos passeis...".
sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
1 para 1 milhão
Habituamo-nos desde cedo à concorrência, ao sete-cães-a-um-osso, ou ao mero acaso entre milhentas possibilidades.
É o jogo das probabilidades, que se estuda em Análise Estatística.
De entre milhões de espermatozóides, apenas um se funde com o óvulo. De entre centenas de candidatos, só um fica com o emprego. De entre milhares de apostadores, apenas a um sai o jackpot. De entre as muitas, muitas, pessoas que se cruzam connosco ao longo da vida, apenas uma nos conquista verdadeiramente.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Eclesiastes 3:1-8
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar (...)."
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar (...)."
[Tempo de usar gola alta, e tempo de usar decotes.]
A ronda do dia
A Ronda da Noite, Rembrandt (1606 - 1669)Meia hora sentada a olhar para isto no Rijksmuseum. É que ocupa uma parede inteira (das grandes).
Pronto, na verdade, precisávamos de nos sentar para descansar, depois da ronda dos museus. E para descansar, nada melhor que sentar e olhar para uma (boa) parede.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Autópsia
Quando uma relação amorosa acaba, por vezes, é melhor não sermos demasiado exaustivos a dissecá-la. Pode-se encontrar novas e surpreendentes causas de morte.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Ascensão & Queda
Ah, sim, o vernáculo pode ser tão catárctico, mesmo que em pensamento. Sobretudo, quando alguém se vai a sentir nas alturas, do alto dos seus pumps azuis vertiginosos, tão alta, tão linda, tão fantástica, e inesperadamente se cede à força da gravidade em frente a uma esplanada cheia.Quando isto acontece, uma pessoa tenta reunir todos os pedaços da fragmentada dignidade espalhados pelo chão da (malfadada) calçada portuguesa, reequilibrar-se mortificada, erguer a sustentável leveza do seu ser (porque ninguém estende uma mão auxiliadora), e prosseguir altiva, como se tivesse de ir num instante resolver o conflito Israelo-Palestiniano.
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