quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Anteontem


Kirsten / Sorrenti

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um homem interessante

Definitivamente, não é um sedutor: é alguém que age com naturalidade. Não precisa de ser bonito, mas tem ser atraente. É culto, sabe conversar e tem um fino sentido de humor (ironia).
É modesto - rara virtude. É intenso e viril interpares, mas, ainda assim, sabe ser educado e delicado no trato com uma mulher.
Não expõe gratuitamente a sua vida, as suas demonstrações de afecto ou os seus problemas: sabe gerir a fronteira entre o público e o privado.
É alguém generoso, não é auto-centrado - faz um elogio a uma mulher, com elegância, mas com simplicidade.
Tem alguma maturidade (a que for possível), embora conserve aquele brilho infantil que se torna irresistível no sexo masculino.

Enfim, é um homem raro.

Do tempo (3)




Entardecer no Magreb

O Mediterrâneo mesmo em frente: uma presença apaziguadora e reconfortante. Está ali. Translúcido, intenso, eterno. Mare Nostrum. E há a limpidez azul do céu. Mar e céu, como dois amantes sobrepostos.

E tudo é quente e doce e calmo. No entardecer melancólico, os pássaros, pontualmente, às seis da tarde, quebram a quietude geral ao recolherem-se nas árvores com voos e cantares quase ensurdecedores. Música e espectáculo imperdíveis.

Quando está quase a cair a noite, o ar é morno. E de veludo. Docemente morno, agitado por um vento doce e seco. Ar seco, como pó dourado. Seco como as palmeiras e as tâmaras, como a pele das pessoas do deserto, como as cores térreas das casas que nos rodeiam. Tons ocres e rosados, que combinam com a calidez dos pôres-do-sol. Só os sons do ud, a entorpecer-nos os sentidos, contrastam com a aridez suave e boa deste quadro.

Fins de tardes que convidam a mil e uma noites.



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Place Vendôme

E depois há aquelas pessoas que um belo dia acordam e constatam que se tornaram numa espécie de montras da Cartier ou da Bvlgari, na Rue des Capucines, perto da Place Vendôme.
Toda a gente olha para elas. Ninguém pode comprar.

domingo, 28 de novembro de 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

Frivolidades





Perdoem-me a frivolidade, mas, de vez em quando, é preciso fazer jus ao título do blogue. Para muitas mulheres, a obsessão é o calçado. A minha, é outra.

Sobretudo de Inverno: boinas, chapéus, gorros, uma prodigalidade.

De Verão, o meu desgosto é o de não ter comprado há dois anos um destes brancos com fita preta, e agora não os encontrar em lado nenhum.




Un film tellement Art Déco que c'est un amour (Ou: Pfeiffer Fiftie Fuckin Two)

(Pardon my french.)






Chéri, de Stephen Frears (2009)

Testosterona de luxo #18

Vincent Perez

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Musa expiadora

A que sana, expurga e expia os projectos dos outros.

Musa aspiradora

A que suga os projectos dos outros.

Musa expiradora

A que, sem querer, desvirtua os projectos dos outros.

Musa inspiradora

A que impulsiona os projectos dos outros.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fusões felizes

Às vezes, esta ideia (ironicamente) ocorre-me quando estou nos provadores da Zara, essa deliciosa catedral capitalista do consumo de vestuário desnecessário.
De facto, vivemos na cultura do consumismo e para isso somos impelidos
subrepticiamente, sobretudo nesta época natalícia. Aliás, estamos todos a embrutecer, de tanto que compramos e tão pouco que estimulamos outras aquisições, como o saber e a cultura.

Mas, caramba, eu acredito que tudo isto teria solução, porque as pessoas comem o que se lhes põe à frente.
Por exemplo. Os húngaros nos tempos da Cortina de Ferro. Não tinham centros comerciais, não iam a cafés, a televisão era pura propaganda audiovisual. Ao invés disso, ao pequeno-almoço tocavam Paganini ou Dvorak, e liam Goethe e Feuerbach ao jantar.

E eu fico a pensar (enquanto olho para famílias que levam carrinhos de compras gigantescos como se o Mundo fosse acabar amanhã) se não será possível um caminho intermédio, um equilíbrio algures entre Dvorak e a Mango ou o Corte Inglès. Algures entre o consumismo exagerado e o cinzento do comunismo.
Não era tão bom que houvesse fusões felizes? (como quando os Metallica tocaram com a Orquestra Sinfónica de S. Francisco. Tão bonito.)

Regresso sempre a Copenhaga (e a Kierkegaard, claro)

Uma cidade que pode ser divertida, como se verifica nesta foto:

E até mesmo romântica (vês, SØren? Estes dois podiam ter sido vocês: "Kierkegaard + Regina Olsen luv U 4 ever"):


Fifties (4)

Laetitia Casta (outra Balzaquiana; e mother of three) desfila para a Louis Vuitton (2010).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Urgente (e pedagógico)

Quando oiço o nosso primeiro ministro dizer que Portugal não precisa de ajuda de ninguém, só tem é que resolver alguns problemas internos, lembra-me aquelas mulheres que fingem (que coisa tão feia, fingir) para os seus parceiros não ficarem com o orgulho ferido.
Em ambos os casos é grave. Compõe-se toda uma mise-en-scéne que é falsa, apenas para não comprometer uma performance medíocre.
Assim, não, meus amigos. É urgente (e pedagógico) reconhecer os problemas e colocar o dedo na ferida (ou onde for necessário).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

In your faces, Sartorialist, Sorrenti, Testino e Kierkegaard.


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Antes da islamofobia instantânea

Despertou atenção quando ganhou o Prémio Nobel da Paz, em 2003. Shirin Ebadi, mulher, mãe, juíza, iraniana, muçulmana, defensora dos direitos humanos, autora de “O Despertar do Irão”, um livro que alguns como eu levam anos a tentar acabar (nem sempre se tem disponibilidade mental para uma narrativa emocionalmente intensa e violenta embora simples e interessante). Que não me curo deste estranho interesse pelo Irão, já se sabe.