sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ressacar jenipapo

Comprei no célebre Mercado Modelo uns doces de jenipapo, um bocado desconfiada. Logo ali na loja, deram-me a provar (juntamente com uma cocada com mel) e convenceu-me (a cocada nem tanto). Big mistake. Gostei tanto disto, mas tanto, que agora não há cá e eu estou a ressacar jenipapo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Saboreando Salvador - devagar



Vamos saboreando a Bahia - devagar. Muito de-va-gar. Ao ritmo peculiar das suas gentes, da sua cultura e do seu clima.

Salvador foi a primeira capital brasileira e as pessoas que lá nascem chamam-se soteropolitanos (para se distinguirem dos de El Salvador).


A Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus

E este é o Terreiro de Jesus, onde também estão situados a antiga Sé de Salvador, o Convento e a Igreja de S. Francisco (famosa por estar toda revestida em talha dourada), e onde foi instalada a primeira faculdade de Medicina do país:

Se tirássemos as árvores, esta praça poderia estar em qualquer cidade de Portugal. Mas está no coração de Salvador da Bahia. Chegar a um país tão longe do nosso, tão diferente em tanta coisa e, no entanto, termos uma ponte infalível (o património linguístico e cultural em comum), continua a ser, para mim, uma das coisas mais admiráveis e nunca cessa de me surpreender. (E ainda bem, a capacidade de nos surpreendermos incessantemente é sempre um ingrediente fundamental para quem viaja. Significa ter a constante disponibilidade para absorver o que é novo e novas perspectivas do que não é novidade.)

Com a proximidade da língua e da cultura, é inevitável que para mim o Brasil tenha ficado a ser (juntamente com as pessoas com quem lá me cruzei), uma extensão (boa, adocicada, exótica e quente) de Portugal.




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Brasiuuuuuuuuu

Para a minha primeiríssima abordagem ao Brasil escolhi, inevitavelmente, a Bahia. Depois, aos poucos, quero conhecer muito mais do Brasil, mas desta vez tinha que ser a Bahia. A Bahia é um caldeirão cultural efervescente (não tanto como o caldeirão do Huck, mas é o que se arranja). Terra de uma mística incrível, de miscigenação cultural (com resultados fantásticos), de sincretismo religioso, de gastronomia maravilhosa. Culturalmente, é um dos estados brasileiros mais ricos. Representa a fusão e um encontro cultural da América do Sul, da África e da Europa. É a terra de Jorge Amado, de Gilberto Gil, Caetano e Maria Bethânia.


Também é o estado mais africano do Brasil. Sente-se ali África nos sons telúricos e intrigantes do berimbau nas rodas de capoeira, nos cheiros fortes da comida condimentada, na pele dos rostos sorridentes, no misticismo das gentes, no calor (climático e humano) que parece envolver tudo como uma película invisível. Lá, há um sincretismo, uma mística e uma espiritualidade insuperáveis. E tudo isto se reflecte num património histórico-cultural e artístico assinalável. E – claro – quem quero eu enganar? Tem mar e coqueiros e sol e praias fabulosas, isso sim.


O que há na Bahia que não se goste? Não sei. Fiquei absolutamente apaixonada e rendida.


(Este é apenas o primeiro de vários posts sobre o bocadinho de Brasil que me foi dado conhecer. Isto vai dar muito pano para muitas mangas. Porque a minha Bahia merece.)




Mixórdia de tradições II

Mais tradições que adoptei:

- servir vinho quente com especiarias, nos dias frios (é uma tradição germânica, nórdica e adoptada também pelos ingleses: o mulled wine): fácil de fazer, delicioso e cai maravilhosamente bem no Inverno (tem a vantagem de não embebedar ninguém). Quis experimentar isto desde que, na adolescência, li “O Monte dos Vendavais”, para aí há três vidas atrás. No livro, algumas personagens tomavam esta bebida e a mim, jovem impressionável, pareceu-me fascinante.

- no Natal mantem-se o bacalhau, mas o peru foi reinventado: é enrolado em pasta de ameixa, azeitonas e broa, acompanhado por legumes assados e couscous (e também tâmaras) – é delicioso e dá um toque diferente e exótico.

- nos dias de Natal, sai-se, passeia-se, viaja-se. Para fora da cidade ou do país, e de preferência para sítios quentes. Não se fica em casa a fazer horrores de comida e doces que davam para alimentar um país africano durante um ano. Não. A vida é para ser gozada e celebrada e, para nós, gozar e celebrar não é comer até rebentar e depois vegetar no sofá a ver o “Sozinho em Casa” ou o “Música no Coração”.

- sopa de lentilhas no primeiro dia do ano: é uma tradição italiana/brasileira (na verdade, foram os emigrantes italianos do século XIX que a levaram para o Brasil) e o seu significado simbólico é abundância e prosperidade. E, claro, as lentilhas dão muita força (não era à toa que os egípcios as colocavam nas rações dos escravos). :)

- não há prendas, quando muito há a abertura de uma lembrança simbólica na véspera de Natal, para nos focarmos naquilo que é realmente essencial. Depois, quem quiser oferecer (poucos) presentes, aproveita os saldos e oferece-se no Dia de Reis. Isto faz prolongar a quadra festiva (para quem gosta dela, como eu), e tem muito mais sentido trocar prendas no dia que comemora a chegada dos Reis Magos. (A melhor parte: compras nos saldos, preços pela metade.)

(E portanto, para mim, este fim-de-semana de Reis, vai ser mais um fim-de-semana especial.)

Mixórdia de tradições

Não será tanto uma mixórdia de temáticas como o nosso querido RAP diz, mas é uma mixórdia de tradições. Há uns anos, comecei a reparar que havia uma lacuna em termos de tradições no meu Natal (tirando a árvore e o desgraçado do bacalhau, que já está tão batido). Como é importante ser-se criativo e dar substância às coisas, abracei e incorporei eu própria uma série de tradições. Escolhi algumas que me parecem fazer sentido e outras que são mais próximas do meu coração. E outras porque são bonitas, simples, inócuas e benéficas.


Se em Portugal ao longo dos anos temos assistido serenamente à importação de tradições que se enraizaram como ervas daninhas como o S. Valentim, o samba no Carnaval ou o Halloween, porque não adoptar outras tantas que são saudáveis e não fazem mal nenhum (pelo contrário)? Eu adoptei novas tradições. E naquelas que dizem mais respeito à família, tenho a grande sorte de a minha ser muito prá frentex, e as ideias foram acolhidas.

Ei-las (tradições de Natal e não só):


- O Remembrance Day: eu cresci a ouvir histórias de um avô e de um bisavô que combateram entre 1914-18, na Primeira Guerra Mundial, que não foi menos violenta nem menos sangrenta que a Segunda, muito pelo contrário. O segundo domingo de Novembro serve para homenagear e nunca deixar cair no esquecimento os nossos familiares e tantos outros que lutaram em conflitos armados.


- Acção de Graças: não é servir peru, nem fazer disto uma solenidade (ou um filme de Hollywood). É uma simples reunião de amigos e/ou família, num fim-de-semana do final de Novembro. Marca o início da quadra natalícia (compensando de alguma forma o facto de certas famílias terem que se dividir no Natal) e serve para agradecer estarmos juntos e o que temos de bom. A expressão de gratidão é salutar e nunca fez mal a ninguém. O dia de Acção de Graças é uma win-win situation, cá é que ainda ninguém viu isso (com olhos de ver).


- acender as quatro velas do Advento, nos quatro domingos antes do Natal. Um costume que existe cá, mas que é uma tradição socialmente muito mais arreigada na Escandinávia: é bonita, muito singela e permite começar a assumir verdadeiramente o espírito de Natal em casa.


- em Dezembro ou Janeiro vai-se ver um espectáculo qualquer. Um bailado, um concerto, uma peça de teatro, qualquer coisa bela e inspiradora (tudo menos circo, needless to say).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sim

É como canta a Vanessa da Mata:



E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza

Dos foras que a vida nos deu

Ela com certeza

Estava juntando você e eu

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O outro hemisfério



Vamos só ali dar um pulinho ao outro hemisfério. E vocês vêm comigo. Até já!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Enquanto a Europa treme de frio

Nas últimas semanas ou meses desfiámos aqui alegremente muitas histórias da minha adorada Escócia, os castelos da Escócia, as montanhas da Escócia, as gaitas da Escócia (as de foles, claro), e tantas coisas mais, verdade? Agora, está na altura de fazermos uma viragem na nossa rota. Uma viragem para sul. Muito a sul. Desapertem os cintos. Stay tuned.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Meditação

Nem de propósito: um (grande) artista baiano, a dar voz a uma música que tocou em repeat no meu 2013.


Quem acreditou

No amor, no sorriso e na flor

Então sonhou, sonhou

E perdeu a paz

O amor, o sorriso e a flor

Se transformam depressa demais

Quem no coração

Abrigou a tristeza de ver

Tudo isso se perder

E na solidão

Procurou o caminho e seguiu

Já descrente de um dia feliz

Quem chorou, chorou

E tanto que o seu pranto já secou

Quem depois voltou

Ao amor, ao sorriso e à flor

Então tudo encontrou

Pois a própria dor

Revelou o caminho do amor

E a tristeza acabou

Fraude

Os chocolates Regina da actualidade não têm o mesmo sabor (delicioso) dos da minha infância. Naturalmente, são piores.

Can't we just enjoy a quiet meal and shut the f. up?

Detesto conversas de circunstância com pessoas que conheço mal. Sobretudo quando perturbam a minha hora sagrada da refeição.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Azenhas do Mar e Colares

Em final de ano, já perto do Inverno, voltemos agora ao início do Verão, ao princípio dos dias quentes, que foram o início de muita coisa. Voltemos a Azenhas do Mar e a Colares, ao mar, ao meu Sul e a uma excelente companhia. (E isto é só para começar. Em breve vamos ter aqui posts mais quentes e ensolarados. Mesmo muito mais quentes e ensolarados.)






terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Enfant terrible

Sim, eu sou aquela pessoa que, se houver crianças por perto, faço-lhes caretas horríveis e quando elas se vão queixar aos pais, a choramingar, volto-me para o adulto mais próximo e falo com toda a seriedade sobre o conflito israelo-palestiniano.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Acordei com esta inquietação

O que é feito dos The Cult?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Não compreendo

Pessoas que têm a fotografia delas próprias no computador do trabalho.

I want to hold your hand

Tem tocado muito por aqui. Nada é por acaso.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Um homem com classe




Nesta divertida sequência, Helle Thorning-Schmidt, a chefe do Governo dinamarquês, desafia a impassibilidade da Primeira Dama americana, e a Obama só lhe resta demonstrar, como sempre, que é um homem cheio de classe a gerir situações delicadas.

Sim, chegou novamente aquela altura do ano

Em que tiro da gaveta o meu gorro de pêlo à la Anna Karenina. E... uso-o.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hogmanay!

Se alguém estiver com ideias de passar o réveillon lá fora, e ainda não tem ideias sobre aonde ir, não vão mais além fiquem já aqui. Eis uma espectacular sugestão. Pensavam que vos iria sugerir o quê? As praias do Rio de Janeiro? A Times Square em Nova Iorque? Que disparate! Sendo este blog e a sua autora tão Scottish-friendly, é claro que irei para todo o sempre recomendar-vos o Hogmanay, em Edimburgo, a passagem de ano absolutamente mais fantástica, divertida e alegre (e fria também, não vos vou mentir, meus amigos) do Mundo inteiro. Tradicionalmente, são três dias de festa, é uma grande celebração na rua, com desfiles, concertos ao ar livre, muita música ao vivo, muito keilidh, canta-se o Auld Lang Syne todos abraçados já com muito álcool no sangue (para ele não congelar com o frio, é pura diversão em estado etílico), e muito mais, não tem nada que saber. Depois não digam que não vos avisei. Mais detalhes aqui no site oficial do Hogmanay.



Conertos na Royal Mile


Princes Street

Desfiles temáticos

Acendendo as bonfire